imagem criada por IA
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— Quem é?

— Quem?

— Aquele ali, ó.

— Onde?

— O que acabou de entrar agora.

— Ah! É o nosso delegado.

— Ai, eu com um delegato desses lá em casa...

— Sossega o facho, Ariel.

— Isso sim é um homem!

— Não me faz arrepender de ter te trazido.

— Que barba! Mil vezes melhor que esses ninhos de guacho por aí.

— E esse garçom que não traz mais cerveja, hein?

— Minha sede agora é outra.

— Eu, hein.

— Quando cê me chamou, jamé pensei que fosse festa desse nível.

— Você pensou o quê?

— Sei lá. Que só ia ter mais do mesmo. Tipo festa estranha com gente esquisita.   

— Como assim?

— Achei que só ia dar homem comum. Desses que a gente pega no fim da noite pra não ficar na seca.

— Ó, o garçom vindo aí.

— Agora vejo que me enganei. Re-don-da-men-te. 

— Vai uma?

— Uma? Vê duas pra mim, meu querido.

— Manera, Ariel, manera.

— Tô sedente, Gio.

— Tá o quê?

— Ai! Esse delegato podia me algemar numa cela apertadinha, me torturar noite e dia...

— Pois eu acho é que você devia parar de beber. 

— Espia. É miragem ou ele tá acenando pra cá?

— Ele é assim mesmo. Cumprimenta todo mundo. 

— Vocês se conhecem?

— E como não ia conhecer? Trabalhamos juntos há mais de dez anos.

— Peraí, Gio. Desde quando você trabalha na polícia?

— Polícia? Que negócio de polícia é esse?

— Esse deus babilônico não é delegado?

— É.

— E como vocês trabalham juntos se você nunca foi da polícia?

— O cara é nosso delegado sindical, oras.

— Delegado sindical!? Daqueles que fazem greve e brigam com patrão na porta da fábrica?

— Mais ou menos isso.

— Porra, Gio... que brochada.

— Ô, garçom, desce outra aqui. E rápido!