Esperantina-PI celebra memória literária em livro de Valdemir Miranda
Em: 15/01/2026, às 23H43
DA REDAÇÃO
Em concorrida solenidade, no Auditório A. Sampaio Pereira, em Esperantina, Piauí, lançou-se em 11 de janeiro, A Criação, A Harpa e A Lira Poética do professor e escritor Valdemir Miranda de Castro, secretário da Educação daquela cidade. Diversos segmentos sociais se fizeram presentes no auditório, que reuniu mais de 200 pessoas, entre as quais, o vice-governador do Estado Themístocles de Sampaio Pereira Filho.
Coube ao escritor Dílson Lages Monteiro realizar a apresentação da obra. Em discurso carregado de referências históricas, literárias e afetivas, a obra foi apresentada como mais um marco no esforço de preservação da memória cultural e literária do norte do Piauí.
A fala destacou o espírito coletivo que, segundo o orador, define Esperantina desde sua origem às margens do rio Longá e explica a vitalidade cultural da cidade. Esse mesmo espírito estaria na base das grandes transformações sociais e do compromisso permanente com a educação, a cultura e a memória.
No centro da apresentação estiveram os poetas Leonardo, Teodoro e Hermínio Castelo Branco, figuras fundadoras da literatura piauiense, nascidos na antiga Vila de Barras, região que hoje integra o município de Esperantina. A trajetória e a relevância literária do trio foram contextualizadas a partir de avaliações críticas consagradas, que reconhecem, em Leonardo, um poeta à frente de seu tempo; em Teodoro, um clássico de linhagem camoniana; e, em Hermínio, um cronista insuperável dos costumes regionais.
A atuação do professor Valdemir Miranda foi ressaltada como decisiva para manter viva essa herança. Desde a juventude, o autor se dedica à divulgação da obra dos poetas Castelo Branco, seja em sala de aula, em pesquisas acadêmicas, em estudos biográficos ou em publicações de referência, como Enlaces de Famílias, considerado um dos mais relevantes trabalhos genealógicos sobre os Castello Branco do Piauí. Segundo a apresentação, sua abordagem da genealogia ultrapassa distinções sociais e busca compreender os processos de ocupação e formação humana da região dos Cocais.
No novo livro, Valdemir propõe uma escrita acessível, sem academicismo excessivo, reunindo dados biográficos, análises críticas e textos literários em tom de conversa, aproximando o leitor de um passado que permanece vivo. A obra foi definida como um convite à convivência íntima com a história cultural de Esperantina e como leitura destinada a ocupar lugar permanente nas bibliotecas de quem valoriza a memória regional.
Encerrando a apresentação, o livro foi celebrado como expressão da grandeza cultural de Esperantina — ontem e hoje — e Valdemir Miranda recebeu aplausos como um dos principais guardiões da identidade literária do norte piauiense.
A PRESENÇA DO VICE-GOVERNADOR THEMÍSTOCLES PEREIRA FILHO
Durante o lançamento do livro de Valdemir Miranda, em Esperantina, o vice-governador do Piauí, Themístocles Pereira Sampaio Filho, fez um pronunciamento em que não polpou elogios ao autor e fez apresentação de ações estruturantes em vigor voltadas ao desenvolvimento do município e da região Norte do estado.
Ao iniciar a fala, o vice-governador ressaltou o prestígio de Valdemir Miranda, atribuindo a presença numerosa no auditório à capacidade do escritor de mobilizar amigos, lideranças políticas, educadores e agentes culturais. Destacou o perfil multifacetado do autor, definido como poeta, escritor, artista e um cidadão profundamente comprometido com a cultura local.
Themístocles aproveitou a ocasião para anunciar e reafirmar investimentos na área da educação em Esperantina. Entre eles, a inauguração de novas escolas nas zonas rural e urbana, a implantação do Instituto Federal no município — com previsão de atender cerca de 1.400 alunos — e as articulações para a instalação de um campus da Universidade Federal. Também citou a chegada de uma instituição de ensino superior privada, com cursos como Odontologia, Direito, Enfermagem e Psicologia, viabilizada por meio de doação de terreno pela Prefeitura.
Na área cultural, o vice-governador destacou a futura requalificação do Teatro de Esperantina, projetando-o como um dos principais equipamentos culturais do estado e palco de grandes eventos artísticos. Segundo ele, Valdemir Miranda terá papel central nesse novo momento cultural da cidade, por sua dedicação permanente à valorização da arte e da memória local.
O discurso também abordou obras de infraestrutura consideradas estratégicas para o desenvolvimento regional, como a conclusão de trechos da BR-912, a construção de pontes, a melhoria de ligações rodoviárias entre Esperantina, Batalha, Piripiri e municípios vizinhos, além de novas conexões com o Ceará e o litoral. Essas intervenções, segundo Themístocles, reduzirão distâncias, fortalecerão a economia e integrarão a região aos principais corredores logísticos do Norte e Nordeste.
Encerrando a fala, o vice-governador enfatizou que o crescimento de Esperantina depende não apenas de obras e investimentos públicos, mas também da participação cotidiana dos cidadãos. Defendeu a educação de qualidade, o cuidado com a cidade e o compromisso coletivo como fundamentos para a construção de uma “Esperantina do amanhã”, mais desenvolvida, organizada e culturalmente ativa.
A FALA DO AUTOR VALDEMIR MIRANDA DE CASTRO
Durante o lançamento de seu livro, Valdemir Miranda destacou que a obra é resultado de um longo processo de pesquisa, iniciado ainda na década de 1990, marcado por esforço pessoal e pela circulação independente das primeiras edições.
O autor explicou que o trabalho tem como eixo central a reconstrução histórica e literária de Leonardo, Teodoro e Hermínio Castelo Branco, figuras fundamentais da formação da literatura piauiense. Sobre Leonardo, Valdemir foi enfático ao defender sua grandeza intelectual: “Ele é o primórdio da história da literatura piauiense. Um dia nós ainda vamos fazer o memorial de Leonardo. Se Esperantina tivesse esse memorial, seria objeto de visitação do Brasil inteiro”.
Ao detalhar a trajetória de Leonardo Castelo Branco, Valdemir ressaltou seu perfil multifacetado, pouco conhecido do grande público. “Leonardo tentou criar o moto contínuo, tentou várias invenções, criou máquinas, ideias que ninguém conseguiu realizar até hoje”, afirmou. Segundo o autor, Leonardo viveu 14 anos na Europa, manteve contato com Dom Pedro II e atuou como diplomata brasileiro em Portugal, o que reforça, em sua avaliação, o caráter extraordinário da personagem: “É uma história grandiosa, monstruosa no sentido da grandeza”.
Sobre Teodoro Castelo Branco, Valdemir destacou a injustiça histórica sofrida pelo poeta. “Se Teodoro tivesse nascido no Sul do país, ele seria um poeta nacional”, afirmou, citando comparações feitas por críticos entre sua poesia e a de grandes nomes da literatura internacional. Ele lembrou ainda a participação de Teodoro na Guerra do Paraguai e a força estética de seus versos, que, segundo Valdemir, permanecem pouco estudados e difundidos.
Ao tratar de Hermínio Castelo Branco, o autor ressaltou sua popularidade e vínculo com a cultura oral. “Hermínio é o poeta mais popular do Piauí. É o único que teve doze edições publicadas”, disse, destacando a presença de seus versos entre vaqueiros, cantadores e comunidades rurais. “Ele juntou o fazer poético com a viola, com o desafio, com a vida do sertão”.
Valdemir explicou que o livro reúne poesia, crítica literária, biografia, documentos históricos e memória afetiva. “Aqui tem coisas que só eu pesquisei, só eu fui atrás. Tem histórias que a minha família me contou”, afirmou, emocionado ao lembrar do pai, que chorava ao ouvir poemas que remetiam à vida rural e às paisagens de Esperantina.
Encerrando sua fala, o autor convidou o público à leitura atenta da obra. “Eu não vou dizer tudo aqui, porque senão vocês não vão ler o livro”, brincou. Agradeceu a professores, pesquisadores, estudantes e instituições presentes e reforçou o objetivo central da publicação: “Esses três autores flagraram a alma, a individualidade e a memória de um tempo. E essa memória precisa continuar viva”.

