Diego Mendes Sousa e o seu "Igaraçal" de origem
Diego Mendes Sousa e o seu "Igaraçal" de origem

LANÇAMENTO NACIONAL

"Igaraçal" é o título do mais recente livro de poemas do escritor brasileiro Diego Mendes Sousa, publicado em 2026 pela Editora Litteralux. 

A obra de 64 páginas mistura elementos da natureza (água e fogo) e sentimentos (abundância e ausência) para retratar a alma litorânea e a ancestralidade piauiense.

O nome inventivo "Igaraçal" faz referência poética ao Rio Igaraçu, um braço do delta do Rio Parnaíba, localizado na cidade natal do autor, Parnaíba, no Piauí.

O livro explora temas como o encantamento do cotidiano, a tensão entre a seca, a abundância de vida e a profunda ligação com as próprias raízes.

 

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DEPOIMENTOS DE DIEGO MENDES SOUSA SOBRE O SEU PROCESSO CRIATIVO

 

Nasci com a capacidade de transformar elementos regionais em poesia de alcance universal. 

 

A minha escolha vocabular reconstrói a identidade cultural da minha origem e consolida o conceito de "alma litorânea" na minha poética.

 

Tenho a estética do cotidiano, que contrapõe a crueza do dia a dia com o encantamento lírico e a iluminação espiritual.

 

A minha poesia é um inventário do tempo: as linhas da escrita atuam como uma ferramenta para fixar memórias e salvar vivências que o tempo tenta apagar.

 

Em "Igaraçal", a estrutura dos poemas simula o movimento de navegação e a transição poética da linguagem, bem como a flutuação linguística, pois o ritmo transborda o movimento das águas, gerando uma experiência fluida de leitura.

 

Sigo a mesma escola lírica de Ferreira Gullar (São Luís do Maranhão / Poema Sujo) e de Adriano Espínola (Fortaleza / Táxi), aproprio-me da geografia física e humana da Parnaíba, no Norte do Piauí, e do Rio Igaraçu, braço do Rio Parnaíba, como os eixos centrais da minha identidade poética.

 

Escrevo para transformar o cotidiano banal em matéria de espanto, usando as palavras para salvar as vivências miúdas da ação destrutiva do tempo.

 

Meu ponto de partida é a memória afetiva do território natal.

 

Em obras como "Igaraçal", reconstruo esse território idealizado por meio de memórias afetivas, sensoriais e telúricas.

 

O Rio Igaraçu da minha paisagem natal funciona como o portal de entrada para essa "Pasárgada" particular. É o rio da infância que delimita o espaço da inocência e do eterno retorno.

 

Em vez dos reis e amigos que Manuel Bandeira imaginava ter em seu refúgio, a minha "Pasárgada" é povoada por pescadores, peixes encantados (fidalgo, curimatã), caranguejos e siris, e a vegetação nativa da Parnaíba.

 

O tempo cronológico é suspenso na minha meninice intacta. A poesia funciona como um mecanismo de defesa que mantém a pureza e o deslumbramento do olhar infantil imunes à crueza da vida adulta.

 

Construo a minha "Pasárgada" a partir da presença e do resgate histórico. O meu refúgio lírico existiu fisicamente na infância litorânea e é reativado na memória através do verso sensorial. 

 

Para mim, o poema é o único veículo capaz de fazer a travessia de volta a esse estado de espírito originário. Ao registrar os nomes nativos, o cheiro da maresia e o movimento das águas em "Igaraçal", garanto que a minha "Pasárgada" permaneça viva e acessível para o leitor.