Tinha a cara da Jodie Comer

[Chagas Botelho] 

A moça, que tinha as feições da atriz britânica Jodie Comer, cruza a faixa de pedestre entre as avenidas Higino Cunha e São Raimundo, debaixo de um guarda-chuva escuro e luzidio, em pleno sol do meio-dia. Aquele de fritar ovo no asfalto.

Ela tem passadas elegantes que lembram personagens machadianas. Usa um longo vestido marrom que cai muito bem sobre sua pele diáfana. Dirige-se rumo ao mercado da Piçarra, nem apressada e nem muito lenta. Sob medida para ser admirada por quem a nota.

Antes de completar o percurso da faixa, a desconhecida conspícua, como disse, que lembra a protagonista de “O Último Duelo”, balança o cabelo loiro e ainda úmido, na intenção de regar a pista árida por onde desfila. Um gesto, de fato, cinematográfico.

Ao chegar no outro lado da margem, um homem baixo, de estatura ínfima, e musculoso toma a sua mão. Aparenta ser seu esposo, pelo menos, o segurar de mão e em seguida um selinho carinhoso, demonstram estreita cumplicidade conjugal.

Os dois então seguem de mãos dadas ao destino que planejaram aportar. Ele, bem mediano, e ela, alta e vistosa, desproporcionais na vertical, não se importam com a diferença de altura. Caminham juntos e apaixonados até sumirem pela avenida movimentada que dá acesso à linha do horizonte.

Hoje comprovei o oposto de um propagado dito popular, por isso, em contraposição, sugiro a imediata mudança. Agora, o correto será: ao lado de uma grande mulher, haverá sempre um grande homem nanico