
A discussão recente era se Ronaldo poderia ser comparado a Pelé. Acho que a única coisa em comum entre eles é o fato de que foram grandes artilheiros em Copas. Pelé era um jogador completo, talvez o mais completo de todos os tempos, o jogador que era craque em praticamente todos os fundamentos. Ronaldo não foi um craque completo. Era um artilheiro, com enorme visão de gol e precisão ao bater na bola, e acima de tudo um jogador de arranque extraordinário, como o provam os numerosos gols (consultem o YouTube, ou a memória) em que ele parte do meio do campo, perseguido por uma alcatéia de zagueiros que tentam tomar-lhe a bola, e consegue levá-la ao fundo das redes. Saber entrar na área em velocidade com a bola, sem ser desarmado, é uma virtude cada vez mais rara no futebol de hoje (ninguém, hoje, faz isto melhor do que Lionel Messi). Era um dos pontos fortes de Ronaldo, que parecia capaz de dar a volta à arquibancada do Maracanã com a bola nos pés sem que ninguém da torcida conseguisse roubá-la.
A agilidade do começo da carreira, quando era magrinho, foi destruída pela preparação física que o tornou um gladiador musculoso. E que destruiu sua carreira, porque seus tendões e ligamentos não suportaram aquela massa muscular. Seu auge foi no período entre o Barcelona (1996-97), Inter de Milão (1997-2002) e Real Madrid (2002-2007).
Além de ser um goleador fantástico e ter jeito de menino bom, Ronaldo ganhou o amor da torcida pela impressionante recuperação entre as Copas de 1998 (quando sua misteriosa convulsão desarmou o Brasil no jogo final) e 2002, quando, contra as expectativas de muitos que o deram como acabado para o futebol, não somente jogou, como foi o artilheiro da Copa e deu o título ao Brasil. Foi um daqueles jogadores que fazem o estádio inteiro ficar de pé quando eles recebem a bola, porque naquele instante tudo pode acontecer. Não pode haver homenagem maior do que esta