Poemas de Marcos Freitas
Por Marcos Freitas Em: 03/02/2026, às 08H58
massa de ar de alta pressão
plumagens de frio roçam a pele
desprotegida de sonhos:
aragens frescas polares
na relva cristalizada
tremem destroços de pensamentos
sucumbo ao desencontro de nuvens
botas acolchoadas
aquecem os pés
no caminho porteira a fora,
mundo a fora
cá dentro, enrijeço ossos e medula
alinho metas
desalinho sons do céu:
yakecan
entre o frio e a dor
estendo ao tíbio sol
todo amor
extradorso do aerofólio
para Antônio Cardoso Neto
a pedra nos dá a lição da dureza
mesmo assim ela se desfaz
a água nos dá a lição da moleza
mesmo assim ela não nos satisfaz
pedra: rispidez da água saltitando no poema
lilás
na seca caatinga
leveza e beleza:
outono de jitiranas
rioRioRIO
i.
a água dos canais
torna o cinza
verde-planta
ii.
um velho passeia
(de nome Chico?)
à margem do velho e seco rio
iii.
barcos nos bancos de areia,
o que mais
as carrancas assustam?
iv.
pedras pedras pedras
solo rachado
macambiras e bodes
diatonicamente
nudez no azul do dia
há pouco uma chuva fina
tocava harpa
haboob no meu cerrado
nuvens de poeira
agigantam-se por cima
de prédios, cidades, campos e gerais
Marcos Freitas. Especialista em Regulação de Recursos Hídricos e Saneamento Básico. Mais de 70 livros e 50 capítulos de livros técnicos e de literatura, em autoria e coautoria, em 13 idiomas. Membro da UBC, ANE, UBE-SP, Sindescritores-DF, da Academia de Letras e Música do Brasil (ALMUB), da Academia de Letras do Brasil (ALB) e co-chair da BRICS Literature Network.
Publicados no Jornal Pororoca, Aságuas, Janeiro de 2026, página 3.

