Os Botelho de Miranda de Vila Real: documentos, linhagens e novos subsídios para a genealogia de Jacinto Botelho de Miranda
Por Reginaldo Miranda Em: 06/10/2026, às 07H58
Reginaldo Miranda[1]
Resumo: O artigo investiga a origem de Jacinto Botelho de Miranda e reexamina núcleos familiares de Vila Real nos séculos XVI e XVII. Por meio do confronto entre livros paroquiais, disposições testamentárias, habilitações do Santo Ofício, inquirições de genere e genealogias tradicionais, estabelece documentalmente que Jacinto era filho de Sebastião de Miranda. Examina, em seguida, os testemunhos de 1732 que o apresentam como neto de um alcaide-mor de Vila Real e os registros que identificam Antônio Botelho de Sampaio no exercício desse ofício entre 1594 e 1620. A possível filiação de Sebastião a Antônio é apresentada como hipótese, ainda dependente de prova direta. O estudo reúne também subsídios sobre famílias aparentadas ou presentes no mesmo meio social, observando a circulação dos apelidos e distinguindo os vínculos documentados daqueles ainda não demonstrados.
Palavras-chave: Botelho de Miranda; Jacinto Botelho de Miranda; Vila Real; genealogia; alcaidaria-mor.
Abstract: This article investigates the origins of Jacinto Botelho de Miranda and re-examines family groups in Vila Real during the sixteenth and seventeenth centuries. By comparing parish records, testamentary provisions, Holy Office inquiries, ecclesiastical lineage investigations, and traditional genealogies, it establishes through documentary evidence that Jacinto was the son of Sebastião de Miranda. It then examines testimony from 1732 describing Jacinto as the grandson of a chief castellan of Vila Real, alongside records identifying Antônio Botelho de Sampaio as holding that office between 1594 and 1620. Sebastião’s proposed descent from Antônio remains a hypothesis requiring direct evidence. The article also brings together findings on related families and others from the same social setting, tracing the varied use of surnames while distinguishing documented relationships from connections yet to be established.
Keywords: Botelho de Miranda; Jacinto Botelho de Miranda; Vila Real; genealogy; chief castellanship.
Introdução
A genealogia das antigas famílias de Vila Real encontra em autores clássicos um patrimônio de informações cuja importância dificilmente pode ser exagerada. Linhagens extensas, alianças matrimoniais e sucessões patrimoniais, muitas vezes recuando aos primeiros séculos da monarquia portuguesa, chegaram ao conhecimento dos estudiosos graças ao paciente labor daqueles genealogistas. A abertura progressiva dos arquivos e, sobretudo, a disponibilização de fundos documentais antes acessíveis apenas mediante demoradas pesquisas presenciais permitem hoje reafirmar muitas dessas notícias, complementá-las com novos elementos e, por vezes, alcançar personagens e ramificações que permaneceram à margem das genealogias impressas.
Foi nesse campo que se desenvolveu a investigação ora apresentada. Seu ponto de partida não era propriamente a reconstituição dos Botelho de Vila Real, mas a procura das origens de Jacinto Botelho de Miranda, personagem seiscentista cuja descendência viria a projetar-se para além de Trás-os-Montes. A pesquisa dos livros paroquiais, disposições testamentárias, habilitações do Santo Ofício e inquirições de genere, confrontada com as genealogias tradicionais, permitiu recuar seguramente uma geração, até Sebastião de Miranda, e, a partir dele, formular uma hipótese para a geração anterior que merece ser examinada à luz do conjunto documental reunido.
A investigação trouxe, entretanto, resultado mais amplo. Ao redor dos Miranda e Botelho apareceram sucessivamente outros núcleos familiares vila-realenses: Borges, Machado, Pimentel, Correia, Queirós, Nóbrega, Cão e outros, frequentemente entrelaçados e caracterizados por grande mobilidade na adoção dos apelidos. Algumas dessas famílias já se encontram largamente representadas nas genealogias clássicas; outras puderam ser complementadas pelas habilitações inquisitoriais e registros paroquiais agora examinados. Registrá-las pareceu-nos conveniente não apenas porque ajudam a compreender o meio familiar em que viveram Sebastião e Jacinto, mas porque os elementos recolhidos poderão servir a outros pesquisadores da sociedade vila-realense dos séculos XVI e XVII.
Não se pretende, pois, substituir as genealogias tradicionais, muito menos submetê-las anacronicamente às possibilidades documentais de nosso tempo. Luís de Salazar y Castro, Felgueiras Gayo e, em período posterior, Júlio Teixeira, entre outros investigadores, trabalharam com os meios e os arquivos que lhes eram disponíveis[2]. Nosso propósito é mais modesto: colocar a documentação novamente em diálogo com a tradição genealógica, reafirmando-a onde ambas coincidem, complementando-a onde novos documentos permitem avançar e assinalando, quando necessário, as variantes oferecidas pelas fontes coevas.
I — Sebastião de Miranda e a origem documentada do núcleo familiar
Entre os moradores da freguesia de São Pedro de Vila Real nas primeiras décadas do século XVII encontrava-se Sebastião de Miranda, casado com Francisca da Nóbrega. É nele que, no estado atual da pesquisa, começa documentalmente a ascendência segura de Jacinto Botelho de Miranda.
Francisca da Nóbrega faleceu em 24 de abril de 1624, sendo identificada no próprio assento paroquial como mulher de Sebastião de Miranda[3]. A documentação da freguesia de São Pedro permite acompanhar outros membros da família e revela desde logo circunstância de particular interesse para o problema genealógico aqui estudado: embora o pai figure ordinariamente apenas como Sebastião de Miranda, o apelido Botelho aparece ostensivamente na geração seguinte.
A circunstância emerge com singular clareza das disposições de última vontade do próprio Sebastião. Falecido em 12 de maio de 1647, nomeou sua filha Catarina Botelho em suas compras e benfeitorias, casas, vinhas, olivais, soutos, terras de semeadura e outros bens; ao filho Jacinto Botelho deixou as vinhas de Goincar, de São Miguel Velho e algumas casas pequenas[4].
A filiação de Jacinto, portanto, não repousa em tradição genealógica tardia, nem decorre da simples identidade ou combinação de apelidos. É estabelecida pelas próprias disposições testamentárias de Sebastião de Miranda.
Os livros de óbitos de São Pedro permitem ampliar esse núcleo. Em 4 de julho de 1620 faleceu Inês, filha de Sebastião de Miranda, aos dezoito anos; em 20 de março de 1625, Antônio Botelho Robles, igualmente declarado filho de Sebastião; e, em 8 de março de 1641, faleceu Jorge de Miranda Botelho, ab intestato, sendo sepultado no convento de São Francisco[5]. Somados a Catarina Botelho e Jacinto Botelho, expressamente mencionados nas disposições paternas, esses registros revelam dentro da mesma geração a alternância e a combinação dos apelidos Miranda e Botelho.
A documentação posterior oferece elemento ainda mais expressivo. Em 11 de novembro de 1662, ao falecer Isabel Botelho, mulher do comendador Antônio Botelho Borges, suas disposições testamentárias contemplaram, entre outros parentes, Sebastiana Botelho, filha de seu primo Jacinto Botelho. Isabel mencionou ainda seu irmão João Correia Botelho, Phellipa de Miranda, filha de seu primo Francisco Machado, Helena Botelho, filha de Manoel Machado e Maria Botelho, e sua prima Inês de Miranda, além de bem que lhe ficara de Jorge de Miranda[6]. O documento não apenas comprova a existência de uma filha de Jacinto chamada Sebastiana Botelho, mas insere o próprio Jacinto, expressamente chamado primo da testadora, numa rede familiar em que Botelho, Miranda, Correia e Machado se entrelaçavam.
A variedade dos nomes empregados nesse círculo familiar oferece pequena amostra de prática que se tornará particularmente importante no desenvolvimento desta investigação. Numa mesma parentela, Miranda e Botelho podiam aparecer isolados, combinados ou associados a outros apelidos, sem a regularidade patronímica que os séculos posteriores tenderiam a impor.
O fenômeno não constitui peculiaridade dos descendentes de Sebastião. A pesquisa das famílias contemporâneas de Vila Real revelou numerosos exemplos de associação e alternância dos mesmos apelidos. Encontraremos adiante Francisco de Miranda Botelho, sua filha Helena Botelho de Miranda, além de Clara Guiomar Borges de Miranda e outros indivíduos em cujas designações os apelidos familiares se sucedem segundo formas diversas. A própria tradição genealógica vila-realense preservou numerosos ramos em que Botelho se associa a outros apelidos, circunstância amplamente documentada por Felgueiras Gayo e, posteriormente, por Júlio Teixeira[7].
No caso de Sebastião ocorre, entretanto, fenômeno inverso e não menos significativo. Ele é justamente aquele que aparece, nos documentos até agora encontrados, apenas como de Miranda, enquanto Botelho reaparece em seus filhos. A constatação adquirirá maior importância quando examinarmos a ascendência possível desse personagem.
Francisca da Nóbrega, por sua vez, conduziu a pesquisa para outro universo familiar. Os elementos encontrados aproximam-na do núcleo dos Nóbrega e Cão, família igualmente presente em Vila Real e arredores. A investigação dessa linha será registrada em lugar próprio, porque oferece subsídios de interesse independente, embora não tenha produzido, até o momento, elemento comparável àquele que emergiu da ascendência atribuível a Sebastião.
II — Jacinto Botelho de Miranda e a memória dos alcaides-mores
Jacinto aparece nas fontes sob a forma que acabaria por individualizá-lo: Jacinto Botelho de Miranda. A documentação de seus descendentes permite acompanhá-lo em Vila Real, onde esteve ligado à freguesia de São Pedro e à Rua do Campo, antes de estabelecer relações familiares que projetariam sua descendência por diferentes ramos.
Foi, entretanto, uma habilitação do Santo Ofício realizada muitas décadas depois que conservou a notícia destinada a modificar o rumo desta pesquisa.
Em 1732, nas diligências realizadas em Vila Real para a habilitação de João de Miranda Ferraz, diversas testemunhas foram interrogadas acerca da família. Eram homens inseridos naquele meio, alguns bastante idosos, capazes de recordar pessoas, casas e relações familiares de gerações anteriores. As declarações acerca de Jacinto apresentam notável convergência. Foi lembrado como homem principal, pertencente às melhores famílias da terra e ligado aos antigos alcaides-mores de Vila Real[8].
Uma das testemunhas declarou que Jacinto “era pessoa principal e dos Alcaides Maiores desta vila”. Outra, Antônio Gouveia de Figueiredo, morador na Rua do Campo e vizinho das casas que haviam pertencido a Jacinto, declarou que este “era neto do alcaide mor desta vila, pessoa muito grave e que foi casar à quinta dos Torneiros, o que tudo é público”.[9]
A fórmula merece ser conservada em sua inteireza. A testemunha não afirmou que Jacinto descendesse vagamente de um alcaide-mor entre tantos que haviam ocupado o posto. Disse que era neto “do alcaide-mor desta vila”. A outra declaração, ao incluí-lo entre os “Alcaides Maiores desta vila”, reforça o caráter familiar daquela memória.
Estava, assim, colocado o problema que passou a orientar a etapa seguinte da investigação: quem era o alcaide-mor de Vila Real pertencente à geração do avô de Jacinto Botelho de Miranda?
III — Antônio Botelho de Sampaio, alcaide-mor de Vila Real
A procura conduziu a Antônio Botelho, personagem que surge reiteradamente na documentação vila-realense entre os últimos anos do século XVI e as primeiras décadas do seguinte.
Já em 22 de julho de 1594, Antônio Botelho aparece qualificado como alcaide-mor de Vila Real em assento paroquial da freguesia de São Pedro, no qual figura como padrinho[10]. Cinco anos depois, em 28 de novembro de 1599, volta a aparecer nessa qualidade entre as testemunhas do casamento de Salvador Moutinho da Mesquita com Maria Borges Botelho, celebrado na Misericórdia de Vila Real[11].
Uma terceira ocorrência, entretanto, revelou-se ainda mais esclarecedora. Nas diligências da habilitação de Antônio Botelho Pimentel para Familiar do Santo Ofício, realizadas em Vila Real, compareceu, em 27 de abril de 1620, Antônio Botelho de Sampaio, expressamente qualificado como “alcaide mor desta vila”. Declarou então ter sessenta e cinco anos de idade, circunstância que permite situar seu nascimento aproximadamente em 1555[12].
O documento oferece mais. Antônio declarou ser parente do habilitando dentro do quarto grau, por parte de André Botelho, inserindo-se, portanto, documentalmente na parentela dos Botelho de Vila Real. Ao final do depoimento deixou sua própria assinatura: “Ant.º Botelho de Sampaio”[13].
A habilitação de Antônio Botelho Pimentel viria também a interessar aos estudos genealógicos modernos sobre os Botelho, particularmente aos trabalhos de Manuel Abranches de Soveral, que retomou documentalmente diversos problemas relativos à família[14]. O retorno ao processo original permite, porém, acrescentar diretamente ao quadro a declaração do próprio Antônio Botelho de Sampaio acerca de seu parentesco por parte de André Botelho.
A forma mais extensa do nome não constitui obstáculo à identificação com o Antônio Botelho que aparece nos registros anteriores. No processo inquisitorial havia razão imediata para distingui-lo do próprio habilitando, Antônio Botelho Pimentel, ao passo que nos outros atos bastava a forma abreviada acompanhada da qualificação de alcaide-mor. A continuidade cronológica, territorial e funcional permite reconhecer, com naturalidade, o mesmo personagem documentado em 1594, 1599 e 1620.
A presença dos Botelho na alcaidaria-mor de Vila Real era, de resto, antiga. Felgueiras Gayo, no título dos Botelho, e Júlio Teixeira, ao estudar extensamente a família e seus ramos vila-realenses, preservaram essa tradição genealógica; pesquisas documentais posteriores de Manuel Abranches de Soveral permitiram ainda rever e complementar alguns dos antigos entroncamentos[15]. Antônio Botelho de Sampaio, entretanto, não foi localizado por nós nas árvores consultadas, emergindo diretamente da documentação coeva.
Temos, pois, Antônio Botelho de Sampaio, nascido por volta de 1555, pertencente à parentela Botelho e documentado como alcaide-mor de Vila Real durante o período correspondente à geração do avô de Jacinto.
É nesse encontro entre documentos independentes que se funda a hipótese genealógica proposta neste estudo.
Sebastião de Miranda é documentalmente pai de Jacinto Botelho; Jacinto é documentalmente referido como neto do alcaide-mor de Vila Real e pertencente à família dos alcaides-mores; Antônio Botelho de Sampaio encontra-se documentado como alcaide-mor de Vila Real por aqueles dias, pertencendo ele próprio à parentela dos Botelho. Finalmente, embora Sebastião figure apenas como de Miranda, Botelho reaparece ostensivamente em seus filhos, entre os quais Antônio Botelho Robles, Jorge de Miranda Botelho, Catarina Botelho e Jacinto Botelho.
Da conjugação desses elementos propõe-se que Sebastião de Miranda fosse filho de Antônio Botelho de Sampaio, alcaide-mor de Vila Real, fazendo de Jacinto Botelho de Miranda seu neto.
A ligação ainda reclama o encontro de documento que declare diretamente a filiação de Sebastião. Não é, porém, aproximação fundada apenas na semelhança de nomes. Resulta da concordância entre cronologia, exercício da alcaidaria, memória genealógica recolhida pelo Santo Ofício, pertencimento à parentela Botelho e transmissão do apelido à geração de Jacinto.
IV — Miranda e Botelho na Vila Real seiscentista
A hipótese anteriormente formulada ganha melhor compreensão quando confrontada com a maneira pela qual os apelidos eram empregados entre as famílias de Vila Real. A documentação reunida durante a pesquisa revelou diversos núcleos em que Miranda e Botelho aparecem associados, alternados ou recuperados em gerações sucessivas.
Um dos exemplos mais expressivos encontra-se na família de Francisco de Miranda Botelho, natural de Vila Real, casado com Isabel Borges. A ascendência do casal é conhecida pelas diligências do Santo Ofício: Francisco era filho de Gaspar Rodrigues e Helena Botelho, enquanto Isabel Borges era filha de Jorge de Miranda e Guiomar Borges[16].
A disposição das gerações já demonstra a mobilidade onomástica: Gaspar Rodrigues × Helena Botelho → Francisco de Miranda Botelho; Jorge de Miranda × Guiomar Borges → Isabel Borges
Do casamento de Francisco de Miranda Botelho com Isabel Borges nasceram filhas que voltariam a combinar, de diferentes maneiras, os mesmos apelidos familiares. Entre elas estava Helena Botelho de Miranda, natural de Vila Real, cuja habilitação de 1650 fornece expressamente sua ascendência. Helena veio a ser segunda mulher de Francisco Machado Pimentel, pertencente à família de larga presença na documentação vila-realense[17].
Outra filha do mesmo casal foi Clara Guiomar Borges de Miranda, casada com Félix Manuel de Queirós de Mesquita. A descendência desse matrimônio reaparece nas habilitações do Santo Ofício, permitindo reconstituir parcela considerável da família. Entre seus filhos encontravam-se Francisco Botelho de Queirós, Isabel Teresa de Queirós e Maria Guiomar de Queirós[18].
Temos, portanto, em poucas gerações de uma mesma família, Helena Botelho, Francisco de Miranda Botelho, Jorge de Miranda, Isabel Borges, Helena Botelho de Miranda e Clara Guiomar Borges de Miranda. O exemplo é suficientemente eloquente. Os apelidos não percorrem necessariamente uma linha rígida de pai para filho, nem sua ausência na forma nominal ordinariamente usada por determinado indivíduo significa que aquele nome estivesse ausente de sua ascendência.
Esse quadro interessa diretamente a Sebastião de Miranda. A circunstância de ele não aparecer, nos documentos até agora localizados, como Sebastião Botelho de Miranda perde grande parte da estranheza quando observada no ambiente onomástico em que viveu. Mais significativo é o fato positivo de que Botelho reaparece largamente entre seus filhos: Antônio Botelho Robles, Jorge de Miranda Botelho, Catarina Botelho e Jacinto Botelho encontram-se assim nomeados nos registros paroquiais ou nas disposições paternas[19].
Não se estabelece, apenas por essa circunstância, parentesco entre o núcleo de Francisco de Miranda Botelho e o de Sebastião de Miranda. O interesse do primeiro grupo reside em demonstrar, dentro da mesma Vila Real e em período próximo, a efetiva circulação das formas Miranda Botelho e Botelho de Miranda, fenômeno que deve ser levado em conta na interpretação da família de Jacinto.
A associação dos dois apelidos seria também preservada pela tradição genealógica. Júlio A. Teixeira, ao estudar extensamente os Botelho de Vila Real e seus diferentes ramos, reservou título próprio aos “Botelho de Miranda”; em Felgueiras Gayo, a matéria pode ser confrontada nos títulos dos Botelho e dos Miranda[20]. A documentação inquisitorial e paroquial permite, por sua vez, observar diretamente essa circulação entre indivíduos que viveram na Vila Real seiscentista.
Há, finalmente, um personagem desse núcleo que merece registro particular: Jorge de Miranda, pai de Isabel Borges. Seu nome reapareceu em mais de um documento consultado durante a investigação. Não se demonstrou que fosse o mesmo personagem ou parente próximo de Jorge de Miranda Botelho, filho de Sebastião, falecido em 1641. Devem, portanto, permanecer como indivíduos distintos. A coincidência serve apenas para mostrar a presença contemporânea do apelido e do prenome no mesmo meio vila-realense.
V — Os Machado-Botelho e as variantes nominais
Outro conjunto documental de particular interesse é constituído pelos Machado-Botelho. As habilitações do Santo Ofício permitem reconhecer Martim, ou Martinho, Machado Pinto, filho de Domingos Rodrigues Pinto e Isabel Machado Malrasca, casado com Maria Botelho da Fonseca. Esta, por sua vez, pertencia a outro núcleo Botelho bem definido, sendo filha de Baltazar Borges Botelho e Isabel Botelho de Barros da Fonseca[21].
A presença desse casal na sociedade vila-realense encontra confirmação interessante nos livros de São Pedro. Isabel Botelho, mulher de Baltazar Borges Botelho, faleceu em 8 de agosto de 1633, com testamento, sendo sepultada no convento de São Domingos; Baltazar Borges Botelho faleceu em 29 de dezembro de 1634, igualmente com testamento e sepultura naquele convento[22].
Do casamento de Martim/Martinho Machado Pinto com Maria Botelho da Fonseca procedeu, entre outros, Francisco Machado Botelho, habilitado no Santo Ofício em 1687, que aparece na documentação como moço da Câmara da Casa Real e cavaleiro da Ordem de Cristo[23].
A sucessão oferece novamente interessante combinação de apelidos: Domingos Rodrigues Pinto × Isabel Machado Malrasca → Martim/Martinho Machado Pinto; Baltazar Borges Botelho × Isabel Botelho de Barros da Fonseca
→ Maria Botelho da Fonseca; e, do casamento de ambos: Martim/Martinho Machado Pinto × Maria Botelho da Fonseca
→ Francisco Machado Botelho.
A documentação trouxe, porém, outro personagem chamado Martim Machado Botelho. A semelhança nominal, por si só, não basta para identificá-lo com Martim ou Martinho Machado Pinto.
A experiência adquirida no curso desta própria investigação recomenda considerar o conjunto dos elementos identificadores. Fabião, descendente do núcleo de Jacinto, apareceu nos documentos sob formas nominais diferentes sem que isso obrigasse à criação de personagens distintos. Inversamente, variantes onomásticas não autorizam reunir homônimos ou quase homônimos quando filiação, casamento, residência, cronologia e relações familiares não fornecem elementos suficientes para tanto.
Por isso, Martim Machado Pinto e Martim Machado Botelho serão mantidos como registros distintos enquanto a documentação não oferecer elemento bastante para reuni-los.
Felgueiras Gayo dedica título próprio aos Machado, e Júlio Teixeira desenvolve diversos ramos em que Machado e Botelho se associam[24]. O confronto com as habilitações inquisitoriais e os registros paroquiais interessa justamente porque permite distinguir indivíduos que a simples semelhança dos apelidos poderia levar a aproximar prematuramente.
VI — Os Borges-Botelho
Também os Borges aparecem repetidamente associados aos Botelho. Um dos núcleos encontrados tem por tronco Antônio Pimentel Borges, casado com Maria Martins Rebelo. Deles procedeu Manuel Borges Pimentel, que se casou com Luísa Borges Botelho Lobo de Lacerda. Desta união nasceu Sebastião Borges Botelho, cuja habilitação para Familiar do Santo Ofício, iniciada em 1713, preservou sua ascendência[25].
Pela linha materna, esse Sebastião era neto de outro Sebastião Borges Botelho e de D. Faustina Lobo Barbosa. A repetição do mesmo nome em gerações sucessivas recomenda que os indivíduos sejam acompanhados de suas respectivas filiações.
Outro grupo documental apresenta Sebastião Borges Botelho de Lemos, casado com Helena Pinto da Fonseca, em ramificação própria. Sua descendência alcança, entre outros, Joana Botelho de Lemos[26]. Os registros de São Pedro acrescentam elementos contemporâneos a esse núcleo: em 20 de outubro de 1667 faleceu Maria Botelho, solteira, filha de Sebastião Borges de Lemos; e, em 3 de julho de 1664, falecera Helena Botelho, mulher de Gonçalo de Lemas Botelho[27].
A documentação paroquial registra ainda, em 8 de outubro de 1668, o falecimento de Antônio Botelho Borges, precisamente a combinação inversa dos mesmos apelidos[28]. Décadas antes, em 1633 e 1634, os assentos de Isabel Botelho e Baltazar Borges Botelho já documentavam outra família em que ambos se encontravam associados.
Esses exemplos têm valor que ultrapassa cada genealogia particular. Demonstram que Borges Botelho e Botelho Borges eram formas efetivamente empregadas no meio vila-realense e que determinados nomes podiam repetir-se em gerações próximas. Felgueiras Gayo trata separadamente dos Borges e dos Botelho, enquanto a documentação local permite observar concretamente os pontos em que os apelidos se cruzavam[29].
A reconstrução genealógica deve, por isso, acompanhar cada indivíduo por sua filiação, casamento, residência e cronologia, sempre que as fontes os forneçam, sem transformar a mobilidade dos apelidos em identidade automática entre pessoas distintas.
VII — Os Botelho de Queirós e uma nova aproximação aos Miranda
O núcleo dos Botelho de Queirós é especialmente interessante porque volta a aproximar, por outro caminho, os apelidos Botelho e Miranda.
Como vimos, Clara Guiomar Borges de Miranda, filha de Francisco de Miranda Botelho e Isabel Borges, casou-se com Félix Manuel de Queirós de Mesquita. Seu filho Francisco Botelho de Queirós, natural de Vila Real, requereu habilitação para Familiar do Santo Ofício em 1689[30].
A documentação desse processo é particularmente rica em relações familiares. Entre os parentes já habilitados do pretendente aparece Gonçalo Teixeira de Miranda, referido como seu tio-avô materno-materno e igualmente Familiar do Santo Ofício[31].
O nome não era desconhecido quando surgiu nessa habilitação. Gonçalo Teixeira de Miranda já aparecera nas informações de genere dos eclesiásticos pertencentes à descendência de Jacinto Botelho de Miranda, circunstância que chamou nossa atenção durante a pesquisa[32].
As duas ocorrências não autorizam, isoladamente, a fazer de Gonçalo ascendente de Sebastião ou de Jacinto. Demonstram, entretanto, a existência de outro núcleo Miranda inserido documentalmente nas redes de parentesco dos Botelho e Queirós de Vila Real, cujo nome volta a aparecer nas informações relativas à descendência estudada.
Essa aproximação é valiosa porque mostra, uma vez mais, que os apelidos encontrados em Jacinto não estavam isolados. Botelho, Miranda, Borges e Queirós formavam redes familiares que se cruzavam por matrimônios sucessivos, embora nem todos esses cruzamentos possam, no estado atual da pesquisa, ser reconduzidos a um tronco comum conhecido.
VIII — Antônio Botelho Pimentel e a parentela de Antônio Botelho de Sampaio
A habilitação de Antônio Botelho Pimentel merece retornar à narrativa por razão diversa. Foi justamente nela que encontramos o depoimento mais completo de Antônio Botelho de Sampaio. O habilitando pertencia ele próprio a extensa parentela Botelho-Pimentel. As diligências recolheram testemunhos destinados a verificar sua genealogia, limpeza de sangue, condição e reputação. Entre os depoentes apresentou-se, em 27 de abril de 1620, o alcaide-mor Antônio Botelho de Sampaio.
Sua declaração de parentesco possui interesse particular. Antônio afirmou ser parente do habilitando dentro do quarto grau, por parte de André Botelho[33]. Não conhecemos todas as gerações que estabeleciam esse parentesco, mas o depoimento comprova que o próprio alcaide-mor se reconhecia integrante daquela parentela Botelho.
A informação ganha maior relevo quando confrontada com a genealogia do habilitando. Manuel Abranches de Soveral, ao retomar documentalmente esse ramo, situa Antônio Botelho Pimentel entre os descendentes dos Botelho que estuda, registrando André Botelho Machado e Isabel Pimentel em sua ascendência[34]. A declaração prestada em 1620 pelo alcaide-mor acrescenta a esse quadro um testemunho contemporâneo: Antônio Botelho de Sampaio reconhecia seu parentesco com o habilitando precisamente “por parte de André Botelho”.
O depoimento acrescenta, assim, dimensão genealógica àquilo que os registros de 1594 e 1599 já demonstravam funcionalmente. Antônio não era apenas um homem de apelido Botelho que exercia a alcaidaria-mor. Pertencia à parentela dos Botelho e declarou relação de consanguinidade que as diligências do Santo Ofício tiveram por pertinente registrar.
As genealogias consultadas não nos permitiram localizar com segurança Antônio Botelho de Sampaio em suas extensas árvores familiares. A documentação arquivística vem, nesse ponto, complementar o quadro conhecido, acrescentando personagem cuja existência, condição social, idade aproximada, cargo, assinatura e parentesco estão diretamente testemunhados pelas fontes.
É justamente nesse terreno que se revela a fecundidade do confronto entre genealogia e arquivo. As grandes compilações oferecem a estrutura das linhagens; os processos individuais podem conservar personagens que escaparam àquelas árvores, além de relações colaterais, variantes nominais e memórias familiares dificilmente acomodáveis em genealogias já extensas.
IX — Os Correia-Botelho e outros núcleos encontrados
A pesquisa revelou ainda outros agrupamentos cuja preservação se justifica pelo interesse que apresentam para futuros estudos sobre as famílias de Vila Real. Entre eles encontra-se o núcleo de Pedro Correia Botelho, casado com Catarina Teixeira de Mesquita Pimentel, do qual procedeu Antônio Correia de Mesquita, casado com Isabel Rebelo Machado, ascendentes do capitão José Correia de Mesquita[35].
Outro ramo apresenta Francisco Botelho Carneiro, casado com Guiomar de Mendonça, dos quais descendeu Jerônimo Correia de Mendonça, unido a Leonor de Magalhães. Entre seus descendentes encontram-se o padre João Correia de Mendonça e Francisco Botelho de Magalhães[36].
Este último, por seu casamento com Maria Teixeira Taveira de Macedo, liga-se ao núcleo de que procedeu o padre João Taveira Botelho. Mais uma vez, os documentos mostram a conservação de Botelho através de gerações nas quais outros apelidos assumiram posição igualmente destacada[37].
Também merece registro Francisco Botelho Correia, filho de Luís Vaz Cão e Inês Correia, cuja habilitação ao Santo Ofício, embora não tenha alcançado resultado favorável, preservou valiosa informação genealógica. Pela linha paterna aparecem Gonçalo Vaz Pinto e Guiomar Cão; pela materna, Diogo Álvares da Veiga e Ana Correia de Barros[38].
Esse último núcleo adquire interesse adicional por trazer novamente o apelido Cão, encontrado no universo familiar ao qual nos conduziu a investigação de Francisca da Nóbrega. O dado merece ser conservado para eventual confronto com uma reconstrução mais completa dos Nóbrega e Cão de Vila Real.
Os próprios livros de São Pedro oferecem outros testemunhos da associação entre os apelidos aqui examinados. Em 18 de setembro de 1635 faleceu Maria de Miranda, mulher de José Correia, sepultada no convento de São Francisco; e, em 10 de junho de 1673, faleceu Antônio Botelho Correia, deixando testamento[39]. Não se atribui a esses registros, isoladamente, entroncamento com os núcleos anteriormente descritos; sua importância está em documentar, no mesmo espaço social, combinações familiares que reaparecem nas habilitações inquisitoriais.
Outras habilitações trouxeram ainda os Teixeira de Magalhães Couceiro, Pimentel, Machado, Lobo de Lacerda e diversas famílias aparentadas. Nem todas podem ser desenvolvidas neste estudo sem afastá-lo excessivamente de seu objeto. Serão, por isso, preservadas no Apêndice, onde seus núcleos poderão ser registrados com as respectivas fontes.
O conjunto confirma aquilo que os documentos anteriores já indicavam: a sociedade vila-realense dos séculos XVI e XVII era formada por redes familiares densamente entrelaçadas, nas quais os apelidos circulavam, eram recuperados de ascendentes e reapareciam depois de uma ou mais gerações.
X — A tradição genealógica e os documentos
O confronto desse material com as genealogias tradicionais deve ser feito reconhecendo a importância de obras que permanecem fundamentais para o conhecimento das antigas famílias portuguesas.
Felgueiras Gayo, nos títulos dedicados aos Botelho, Machado, Miranda e Borges, oferece extensa matéria para a compreensão dessas linhagens[40]. Júlio A. Teixeira, voltado particularmente para Vila Real e seu termo, desenvolveu numerosos ramos locais, entre eles os próprios Botelho de Miranda[41]. Manuel Abranches de Soveral, trabalhando posteriormente com documentação medieval e moderna, retomou diversos desses problemas genealógicos, revendo alguns entroncamentos e acrescentando elementos documentais à tradição recebida[42].
A documentação reunida neste estudo reafirma em diversos pontos o quadro transmitido por esses autores; em outros, acrescenta personagens, formas nominais ou relações de parentesco que não encontramos nas genealogias consultadas. É o que sucede, de maneira particularmente expressiva, com Antônio Botelho de Sampaio. Três ocorrências documentais permitem acompanhá-lo como alcaide-mor de Vila Real entre 1594 e 1620. A última delas oferece elementos incomuns: em 27 de abril de 1620, Antônio compareceu perante os inquisidores, declarou ter sessenta e cinco anos, afirmou seu parentesco com Antônio Botelho Pimentel por parte de André Botelho e apôs ao depoimento sua assinatura: Ant.º Botelho de Sampaio[43]. O personagem emerge, portanto, dos próprios arquivos. E é dos arquivos que regressamos a Jacinto Botelho de Miranda.
XI — Volvendo a Jacinto Botelho de Miranda
Depois desse percurso pelas famílias que gravitavam em torno dos Botelho e Miranda de Vila Real, podemos volver a Jacinto Botelho de Miranda e examinar, em conjunto, os elementos encontrados para sua ascendência.
O primeiro deles não comporta dúvida. Jacinto era filho de Sebastião de Miranda. Nas disposições testamentárias deste último, lavradas por ocasião de seu falecimento em 12 de maio de 1647, Jacinto é expressamente chamado filho e recebe as vinhas de Goincar, de São Miguel Velho e algumas casas pequenas. No mesmo documento aparece Catarina Botelho, também filha de Sebastião[44]. A filiação de Jacinto não resulta, portanto, das genealogias tradicionais nem de inferência fundada na identidade dos apelidos.
O segundo elemento provém de fonte inteiramente independente. Mais de oitenta anos depois da morte de Sebastião, as diligências realizadas em Vila Real para a habilitação de João de Miranda Ferraz recolheram a memória ainda existente acerca de Jacinto. Uma testemunha declarou que ele “era pessoa principal e dos Alcaides Maiores desta vila”; outra, Antônio Gouveia de Figueiredo, homem de setenta anos, natural e morador na Rua do Campo e vizinho das casas em que Jacinto vivera, afirmou que este “era neto do alcaide-mor desta vila, pessoa muito grave”[45].
As duas declarações se completam. A primeira associa Jacinto à família dos alcaides-mores; a segunda estabelece concretamente o grau de parentesco: era neto do alcaide-mor.
A partir desse testemunho, a investigação voltou-se para a identificação do titular da alcaidaria na geração correspondente.
Foi então que surgiu Antônio Botelho, documentado no exercício do posto em 1594 e novamente em 1599[46]. Em 1620, nas diligências para habilitação de Antônio Botelho Pimentel ao Santo Ofício, o mesmo personagem aparece sob forma nominal mais completa: Antônio Botelho de Sampaio, “alcaide mor desta vila”, declarando sessenta e cinco anos de idade. Nascera, portanto, cerca de 1555[47].
A cronologia ajusta-se à posição genealógica indicada pelo testemunho de 1732. Mais do que isso, o personagem encontrado é precisamente um Botelho.
O depoimento de 1620 acrescenta elemento ainda mais significativo. Antônio Botelho de Sampaio declarou ser parente do habilitando Antônio Botelho Pimentel dentro do quarto grau, por parte de André Botelho[48]. Sua inserção na parentela dos Botelho de Vila Real não resulta, assim, apenas do apelido: foi declarada pelo próprio alcaide-mor perante os oficiais do Santo Ofício.
Temos, portanto, três fatos estabelecidos por documentos independentes: Sebastião de Miranda era pai de Jacinto Botelho; Jacinto era neto do alcaide-mor de Vila Real; Antônio Botelho de Sampaio era o alcaide-mor documentado na época correspondente à geração desse avô. É entre o primeiro e o terceiro desses fatos que permanece uma geração ainda não expressamente declarada pelas fontes encontradas.
XII — Sebastião de Miranda, possível filho de Antônio Botelho de Sampaio
A reconstrução proposta pode ser representada de maneira simples: Antônio Botelho de Sampaio, alcaide-mor de Vila real nasceu cerca de 1555; era provavelmente pai de Sebastião [Botelho] de Miranda e este comprovadamente pai de Jacinto Botelho de Miranda.
A ligação entre Antônio e Sebastião permanece hipotética. A filiação Sebastião–Jacinto e a condição de Jacinto como neto do alcaide-mor estão documentadas. Há, contudo, elementos convergentes que dão consistência à identificação proposta.
O primeiro é cronológico. Antônio Botelho de Sampaio, com sessenta e cinco anos em 1620, nascera aproximadamente em 1555. Pertence, pois, à geração em que deve ser procurado o avô de Jacinto.
O segundo é institucional. Não se chegou a Antônio procurando simplesmente um Botelho que pudesse ser transformado em ascendente da família. O caminho documental foi inverso: as diligências de 1732 informaram que Jacinto era “neto do alcaide-mor desta vila”; a pesquisa da alcaidaria na época pertinente encontrou Antônio Botelho no exercício do posto em 1594 e 1599 e Antônio Botelho de Sampaio assim qualificado em 1620[49].
O terceiro é familiar. Em 1620, o próprio Antônio declarou parentesco com Antônio Botelho Pimentel, dentro do quarto grau, “por parte de André Botelho”. Sua inserção na parentela Botelho encontra-se, portanto, afirmada por ele próprio em documento contemporâneo[50].
O quarto é onomástico. Sebastião aparece nos documentos encontrados simplesmente como Sebastião de Miranda; seus filhos, porém, apresentam largamente o apelido Botelho. Em 1625 faleceu Antônio Botelho Robles, filho de Sebastião de Miranda; em 1641, Jorge de Miranda Botelho; e nas disposições paternas de 1647 encontram-se Catarina Botelho e Jacinto Botelho[51]. Não estamos, portanto, diante de apelido adotado isoladamente por Jacinto.
Esse último aspecto ganha especial significado quando comparado aos núcleos contemporâneos examinados anteriormente. Na mesma sociedade vila-realense encontramos Francisco de Miranda Botelho, filho de Gaspar Rodrigues e Helena Botelho; Helena Botelho de Miranda, filha daquele; Clara Guiomar Borges de Miranda, sua irmã; e numerosos exemplos em que apelidos de ascendentes reaparecem, desaparecem ou mudam de posição nas gerações seguintes[52].
A ausência de Botelho na forma nominal até agora encontrada para Sebastião não constitui, por conseguinte, anomalia no ambiente onomástico documentado em Vila Real, nem impede a hipótese de que o apelido procedesse de sua ascendência e reaparecesse ostensivamente entre seus filhos.
Resta considerar a linha materna. Francisca da Nóbrega, mulher de Sebastião, conduziu a pesquisa para outro círculo familiar, relacionado aos Nóbrega e Cão. Faleceu em 24 de abril de 1624, sendo identificada no assento de São Pedro como mulher de Sebastião de Miranda[53]. Essa ascendência merece estudo próprio e será parcialmente registrada adiante. No estado atual da documentação, entretanto, foi pela linha de Sebastião que surgiram os elementos convergentes com a notícia dos alcaides-mores.
A hipótese pode, assim, ser formulada em seus exatos limites: Sebastião de Miranda seria filho de Antônio Botelho de Sampaio, alcaide-mor de Vila Real, e por essa via Jacinto Botelho de Miranda seria neto daquele personagem.
O encontro futuro de um assento de batismo, casamento, testamento, partilha, prazo ou instrumento notarial que declare diretamente a filiação de Sebastião poderá confirmar ou afastar a proposição. Até que isso ocorra, ela permanece hipótese genealógica, assentada, entretanto, na convergência entre cronologia, exercício da alcaidaria-mor, memória familiar recolhida em 1732, parentesco Botelho declarado pelo próprio Antônio e transmissão desse apelido entre os filhos de Sebastião.
XIII — Uma genealogia preservada pela memória local
Há outro aspecto das diligências de 1732 que merece consideração. A informação acerca da alcaidaria-mor não aparece isolada num rol genealógico copiado de geração em geração. Integra depoimentos prestados por antigos moradores de Vila Real, interrogados acerca de pessoas, famílias, residências e relações que permaneciam na memória da comunidade[54].
Antônio Gouveia de Figueiredo não se limita a fornecer uma notícia genealógica isolada. Seu depoimento insere Jacinto num quadro de relações familiares e espaciais ainda conservado pela memória local. Ao referir-se à sua ascendência e casamento, declarou que Jacinto “era neto do alcaide mor desta vila, pessoa muito grave e que foi casar à quinta dos Torneiros, o que tudo é público”[55].
Evidentemente, não se tratava de lembrança pessoal dos acontecimentos pertencentes à geração de Jacinto, mas de memória familiar e comunitária ainda conservada em Vila Real. É justamente nesse plano que deve ser apreciado o testemunho.
A distância temporal recomenda cautela, mas não esvazia a informação, sobretudo porque ela não aparece desacompanhada. Uma testemunha declarou que Jacinto “era pessoa principal e dos Alcaides Maiores desta vila”; Antônio Gouveia de Figueiredo afirmou que era “neto do alcaide-mor desta vila”; outros depoimentos recordaram sua condição social e a família a que pertencia[56].
As declarações preservam, portanto, dois elementos complementares: o pertencimento de Jacinto à família dos alcaides-mores e seu parentesco, no grau de neto, com o titular da alcaidaria.
O valor dessa memória torna-se mais expressivo quando confrontado com documentação muito anterior às diligências. A notícia recolhida em 1732 conduziu a pesquisa aos registros contemporâneos que mostram Antônio Botelho no exercício da alcaidaria-mor em 1594 e 1599 e Antônio Botelho de Sampaio, assim qualificado, em 1620[57].
A memória local e a documentação seiscentista, produzidas em momentos e contextos distintos, encontraram-se, assim, no mesmo ponto: a alcaidaria-mor de Vila Real.
XIV — O que as genealogias não registraram
A ausência de Antônio Botelho de Sampaio nas genealogias consultadas merece breve reflexão. Procuramos o personagem sob as formas Antônio Botelho e Antônio Botelho de Sampaio, examinando os títulos familiares pertinentes de Felgueiras Gayo e os ramos vila-realenses estudados por Júlio Teixeira, sem alcançar identificação que permitisse inseri-lo com segurança nas árvores conhecidas[58]. Não seria adequado escolher entre os vários Botelho nelas registrados aquele que melhor se acomodasse à cronologia e atribuir-lhe identidade que os documentos não demonstram.
A documentação primária permite caminho diverso. Sabemos que Antônio existiu; conhecemos seu nome completo e sua idade aproximada; encontramo-lo documentado como alcaide-mor de Vila Real em momentos distintos; possuímos sua assinatura; e sabemos, por declaração própria, que era parente de Antônio Botelho Pimentel dentro do quarto grau, por parte de André Botelho[59].
Essas informações permitem restituir-lhe lugar entre os Botelho da Vila Real seiscentista, ainda que sua filiação permaneça desconhecida.
Também aqui a documentação não se opõe à tradição genealógica. Completa-a. Um personagem ausente das grandes árvores pode reaparecer em assentos paroquiais e processos inquisitoriais, trazendo consigo relações familiares que o genealogista antigo não conheceu ou não teve ocasião de registrar.
O mesmo ocorreu com diversos núcleos encontrados no curso desta investigação. Alguns puderam ser aproximados das genealogias conhecidas; outros permaneceram independentes; vários forneceram apenas pequenas sequências familiares preservadas nas habilitações inquisitoriais e nos livros paroquiais. Reuni-los pareceu-nos útil justamente para que tais informações não voltassem a dispersar-se.
Daí a opção por conservar, em Apêndice, os núcleos documentais encontrados durante a pesquisa, inclusive aqueles cujo entroncamento com Jacinto Botelho de Miranda não pôde ser estabelecido. Além de documentarem o ambiente familiar de Vila Real nos séculos XVI e XVII, poderão servir de ponto de partida a outros pesquisadores.
XV — Subsídios para outros núcleos familiares de Vila Real
Convém, antes de concluir, ordenar os principais núcleos que emergiram da investigação. Alguns participam diretamente da demonstração desenvolvida neste estudo; outros permanecem independentes. Todos, porém, procedem de documentação que poderá ser útil a futuras pesquisas.
1. Francisco de Miranda Botelho e Isabel Borges
Gaspar Rodrigues
c.c. Helena Botelho
│
└── Francisco de Miranda Botelho
c.c. Isabel Borges, filha de Jorge de Miranda e Guiomar Borges
│
├── Helena Botelho de Miranda
│ c.c. Francisco Machado Pimentel
│
└── Clara Guiomar Borges de Miranda
c.c. Félix Manuel de Queirós de Mesquita
A descendência da última alcança Francisco Botelho de Queirós, Isabel Teresa de Queirós e Maria Guiomar de Queirós, todos documentados nas habilitações do Santo Ofício[60].
2. Martim ou Martinho Machado Pinto e Maria Botelho da Fonseca
Domingos Rodrigues Pinto
c.c. Isabel Machado Malrasca
│
└── Martim/Martinho Machado Pinto
c.c. Maria Botelho da Fonseca, filha de Baltazar Borges Botelho e Isabel Botelho de Barros da Fonseca
│
└── Francisco Machado Botelho
A documentação inquisitorial permite reconstituir esse núcleo, enquanto os livros de São Pedro registram os óbitos de Isabel Botelho e Baltazar Borges Botelho, respectivamente em 1633 e 1634[61].
Deve permanecer distinto, no estado atual da pesquisa, daquele em que aparece Martim Machado Botelho, cuja identidade com Martim/Martinho Machado Pinto não foi demonstrada.
3. Os Botelho de Queirós
Félix Manuel de Queirós de Mesquita
c.c. Clara Guiomar Borges de Miranda
│
├── Francisco Botelho de Queirós
├── Isabel Teresa de Queirós
└── Maria Guiomar de Queirós
As habilitações dessa descendência preservam ainda a notícia de Gonçalo Teixeira de Miranda, Familiar do Santo Ofício, referido como tio-avô materno-materno de Francisco Botelho de Queirós[62].
4. Os Correia de Mesquita
Pedro Correia Botelho
c.c. Catarina Teixeira de Mesquita Pimentel
│
└── Antônio Correia de Mesquita
c.c. Isabel Rebelo Machado
│
└── capitão José Correia de Mesquita[63]
5. Os Botelho Carneiro e Botelho de Magalhães
Francisco Botelho Carneiro
c.c. Guiomar de Mendonça
│
└── Jerónimo Correia de Mendonça
c.c. Leonor de Magalhães
│
├── Padre João Correia de Mendonça
└── Francisco Botelho de Magalhães
c.c. Maria Teixeira Taveira de Macedo
│
└── Padre João Taveira Botelho[64]
6. Francisco Botelho Correia e os Cão
Gonçalo Vaz Pinto
c.c. Guiomar Cão
│
└── Luís Vaz Cão
c.c. Inês Correia, filha de Diogo Álvares da Veiga e Ana Correia de Barros
│
└── Francisco Botelho Correia[65]
A presença dos Cão neste último núcleo merece ser conservada para confronto quando se retomar especificamente a ascendência de Francisca da Nóbrega. Por ora, nenhum documento encontrado autoriza estabelecer entre ambos os grupos parentesco determinado.
As árvores acima não devem ser interpretadas como ramos de uma única família já reconstruída. Algumas apresentam relações documentais entre si; outras permanecem autônomas. Sua reunião obedece a propósito diverso: preservar os núcleos efetivamente alcançados pela documentação, distinguindo aquilo que sabemos daquilo que ainda procuramos.
O Apêndice reunirá esses e os demais núcleos encontrados durante a investigação em quadro mais amplo, acompanhado das respectivas fontes, de modo a preservar informações que, embora não indispensáveis à demonstração central deste estudo, poderão auxiliar futuras pesquisas sobre as famílias de Vila Real.
XVI — Conclusão
A procura das origens de Jacinto Botelho de Miranda começou com um problema aparentemente simples: recuar uma geração além do personagem conhecido pelas informações de seus descendentes. Os documentos conduziram a Sebastião de Miranda, morador de Vila Real, casado com Francisca da Nóbrega e pai documental de Jacinto[66].
A partir daí, porém, a investigação tomou rumo inesperado. As diligências do Santo Ofício de 1732 conservaram a memória de que Jacinto pertencia aos “Alcaides Maiores desta vila” e, de maneira ainda mais precisa, de que era “neto do alcaide-mor desta vila”. A busca pelo titular da alcaidaria na geração correspondente conduziu a Antônio Botelho, encontrado no exercício do cargo em 1594 e 1599 e novamente documentado, em 1620, sob o nome completo de Antônio Botelho de Sampaio, então com sessenta e cinco anos[67].
O depoimento deste último acrescentou elemento inesperado: o próprio alcaide-mor declarou-se parente de Antônio Botelho Pimentel dentro do quarto grau, por parte de André Botelho. Não encontramos, portanto, apenas um titular da alcaidaria cronologicamente adequado. Encontramos um Botelho, pertencente documentalmente à parentela Botelho, exercendo precisamente o posto ao qual a memória familiar ligava o avô de Jacinto[68].
Entre Antônio e Jacinto permanece Sebastião. É nesse único elo ainda não declarado diretamente pelos documentos que se situa a hipótese proposta neste estudo: Sebastião de Miranda seria filho de Antônio Botelho de Sampaio, alcaide-mor de Vila Real, e pai de Jacinto Botelho de Miranda.
A hipótese encontra apoio na cronologia, no exercício documentado da alcaidaria-mor, na memória familiar recolhida pelo Santo Ofício e na própria onomástica. Sebastião, embora conhecido apenas como de Miranda nos documentos encontrados, vê reaparecer largamente entre seus filhos o apelido Botelho: Antônio Botelho Robles, Jorge de Miranda Botelho, Catarina Botelho e Jacinto Botelho. A documentação de outras famílias vila-realenses demonstra, por sua vez, que semelhante circulação dos apelidos entre gerações era corrente naquele meio.
A pesquisa permitiu ainda recuperar numerosos núcleos paralelos, entre os quais: Miranda Botelho, Botelho de Miranda, Borges de Miranda, Machado Botelho, Borges Botelho, Botelho de Queirós, Correia Botelho e outros, que enriquecem o conhecimento das famílias de Vila Real entre os séculos XVI e XVII. Alguns se aproximam documentalmente dos círculos familiares examinados; outros permanecem independentes. Foram aqui preservados porque a genealogia também se constrói pelo registro daquilo que ainda não encontrou seu entroncamento.
Um documento ainda desconhecido poderá estabelecer diretamente a filiação de Sebastião de Miranda e confirmar, modificar ou afastar a reconstrução proposta. Mas a investigação já permite avançar além do ponto em que começamos. Jacinto Botelho de Miranda não surge isoladamente na Vila Real seiscentista. Era filho de Sebastião de Miranda, pertencia à família dos alcaides-mores e era neto do alcaide-mor da vila. Na geração correspondente a esse avô, a documentação revela Antônio Botelho de Sampaio, alcaide-mor, nascido cerca de 1555 e pertencente à parentela dos Botelho. É aí que, no estado presente das fontes, se encontram a documentação e a hipótese.
FONTES E BIBLIOGRAFIA
I — Fontes manuscritas e documentais
Arquivo Nacional da Torre do Tombo — Lisboa
PORTUGAL. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações.
— Antônio Botelho Pimentel. Antônio, mç. 40, doc. 961. PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1123.
— Francisco Botelho Correia. PT/TT/TSO-CG/A/008-001/7873.
— Francisco Botelho de Queirós. PT/TT/TSO-CG/A/008-001/7878.
— Francisco Machado Botelho. PT/TT/TSO-CG/A/008-002/1822.
— Helena Botelho de Miranda. PT/TT/TSO-CG/A/008-001/8772.
— Isabel Teresa de Queirós. PT/TT/TSO-CG/A/008-001/16566.
— Jacinto Teixeira de Magalhães Couceiro. PT/TT/TSO-CG/A/008-001/10605.
— João Correia de Mendonça. PT/TT/TSO-CG/A/008-001/11712.
— João de Miranda Ferraz. João, mç. 66, doc. 1237. PT/TT/TSO-CG/A/008-001/12825.
— João Taveira Botelho. PT/TT/TSO-CG/A/008-001/13645.
— José Correia de Mesquita. PT/TT/TSO-CG/A/008-001/14814.
— Luís de Ataíde Pimentel. PT/TT/TSO-CG/A/008-001/17086.
— Maria Guiomar de Queirós. PT/TT/TSO-CG/A/008-001/8958.
— Sebastião Borges Botelho. PT/TT/TSO-CG/A/008-001/23999.
— Documentação relativa aos Machado-Botelho e Botelho da Fonseca. PT/TT/TSO-CG/A/008-001/6191 e PT/TT/TSO-CG/A/008-001/8767.
— Documentação relativa a Francisco Machado Pimentel e sua segunda mulher. PT/TT/TSO-CG/A/008-002/1825.
— Documentação relativa aos Botelho de Queirós Pimentel. PT/TT/TSO-CG/A/008-001/8768 e PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1124.
Arquivo Distrital de Vila Real
PORTUGAL. Arquivo Distrital de Vila Real. Paróquia de São Pedro de Vila Real.
— Livro de Registo de Óbitos, 1617–1638. PT-ADVRL-PRQ-PVRL24-003-107.
— Livro de Registo de Óbitos, 1638–1645. PT-ADVRL-PRQ-PVRL24-003-108.
— Livro de Registo de Óbitos, 1645–1666. PT-ADVRL-PRQ-PVRL24-003-109.
— Livro de Registo de Óbitos, 1666–1692.
— Livro de Registo de Batismos. Assento de 22 jul. 1594, no qual Antônio Botelho figura como alcaide-mor de Vila Real.
PORTUGAL. Arquivo Distrital de Vila Real. Paróquia de São Dinis de Vila Real.
— Livro de Registo de Casamentos. Assento de casamento de Salvador Moutinho da Mesquita e Maria Borges Botelho, celebrado na Misericórdia de Vila Real, 28 nov. 1599, no qual Antônio Botelho figura como alcaide-mor.
Real Academia de la Historia — Madrid
REAL ACADEMIA DE LA HISTORIA. Colección Salazar y Castro. Coleção documental reunida por Luis de Salazar y Castro (1658–1734), constituída por documentos originais e cópias, escrituras, memoriais, correspondência, genealogias e documentação heráldica e nobiliária.
II — Genealogias, nobiliários e estudos
GAYO, Manuel José da Costa Felgueiras. Nobiliário de famílias de Portugal. 2. ed., fac-similada da 1. ed. Braga: Carvalhos de Basto, 1989–1990. 12 v.
GUERRA, Luiz de Bivar. Um caderno de cristãos-novos de Barcelos. Braga, 1960. 134 p. Separata de Armas e Troféus, II série, t. I.
MINHAVA, Ângelo do Carmo. Aleo Aleo: quem adivinha? Estudo sobre a divisa de D. Pedro de Meneses, primeiro Conde de Vila Real (história — lenda — fantasia). Vila Real, 1998. 54 p. (Cadernos Culturais, III série, n.º 2).
SÃO PAYO, Luiz de Mello Vaz de. “As distracções de D. Antônio Caetano de Sousa”. Armas e Troféus, IV série, t. I, 1979, p. 22–54.
SÃO PAYO, Luiz de Mello Vaz de. Estudo biobibliográfico e notas. In: TEIXEIRA, Júlio A. Fidalgos e morgados de Vila Real e seu termo: genealogias, brazões, vínculos. Reedição fac-similada. Lisboa: J. A. Telles da Sylva, 1990. 4 v.
SILVA, Manuel de Souza da. Nobiliário das Gerações de Entre-Douro-e-Minho. Anotações de Camilo Castelo Branco; apresentação e revisão de M. Antonino Fernandes. Ponte de Lima: Edições Carvalhos de Basto, 2000. 2 v. (558 + 447 p.).
SOVERAL, Manuel Abranches de. Ensaio sobre a origem dos Correa, senhores de Fralães: séculos XIV e XV. 2005. Edição digital.
SOVERAL, Manuel Abranches de. Errata e aditamentos de Ascendências Visienses. Edição digital.
TEIXEIRA, Júlio A. Fidalgos e morgados de Vila Real e seu termo: genealogias, brazões, vínculos. Vila Real: Imprensa Artística, 1946–1954. 4 v.
TEIXEIRA, Júlio A. Fidalgos e morgados de Vila Real e seu termo: genealogias, brazões, vínculos. Reedição fac-similada, com estudo biobibliográfico sobre o autor e notas de Luiz de Mello Vaz de São Payo. Lisboa: J. A. Telles da Sylva, 1990. 4 v.
III — Repertórios e instrumentos de pesquisa
CUARTERO HUERTA, Baltasar; VARGAS-ZÚÑIGA Y MONTERO DE ESPINOSA, Antonio, Marqués de Siete Iglesias. Índice de la Colección de don Luis de Salazar y Castro. Madrid: Real Academia de la Historia, 1949–1979. 49 v.
ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO. Digitarq — Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Base de dados e repositório digital utilizados para localização e consulta das habilitações e diligências do Tribunal do Santo Ofício.
ARQUIVO DISTRITAL DE VILA REAL. Digitarq — Arquivo Distrital de Vila Real. Base de dados e repositório digital utilizados para localização e consulta dos livros paroquiais de Vila Real.
TOMBO.PT. Índice digital dos livros paroquiais portugueses, utilizado para localização dos fundos e livros das freguesias de Vila Real.
IRARGI — Centro de Patrimonio Documental de Euskadi. Base de dados para consulta da Colección Salazar y Castro, elaborada a partir do Índice de la Colección de don Luis de Salazar y Castro, de Baltasar Cuartero Huerta e Antonio Vargas-Zúñiga.
APÊNDICE — NÚCLEOS GENEALÓGICOS DOCUMENTADOS NO CURSO DA PESQUISA
O levantamento documental realizado para o estudo da ascendência de Jacinto Botelho de Miranda trouxe à luz diversos núcleos familiares de Vila Real e localidades próximas, alguns diretamente relacionados à família estudada, outros encontrados no curso das diligências. Como muitas dessas informações se acham dispersas em habilitações do Santo Ofício, informações de genere, livros paroquiais e genealogias, pareceu-nos útil reuni-las neste Apêndice.
Não se pretende estabelecer parentesco entre todos os grupos abaixo relacionados. Conservam-se separados aqueles cujo entroncamento não foi documentalmente demonstrado. A finalidade é preservar as filiações encontradas, indicar as respectivas fontes e oferecer subsídios a outros pesquisadores.
A — Núcleo de Sebastião de Miranda e Francisca da Nóbrega
Sebastião de Miranda, morador e freguês de São Pedro de Vila Real, foi casado com Francisca da Nóbrega. Os livros paroquiais e as disposições de última vontade de Sebastião permitiram recompor parcela considerável dessa família.
Francisca faleceu em 24 de abril de 1624, sendo expressamente identificada no assento como mulher de Sebastião de Miranda. Sebastião sobreviveu-lhe por mais de duas décadas e faleceu em 12 de maio de 1647. Suas disposições testamentárias assumem particular importância nesta investigação porque nelas aparecem expressamente seus filhos Catarina Botelho e Jacinto Botelho, estabelecendo documentalmente a filiação deste último[69].
Os filhos até agora documentados são:
Sebastião de Miranda † 12.05.1647
c.c. Francisca da Nóbrega † 24.04.1624
│
├── Inês † 04.07.1620, aos 18 anos
├── Antônio Botelho Robles † 20.03.1625
├── Jorge de Miranda Botelho † 08.03.1641
├── Catarina Botelho
└── Jacinto Botelho [de Miranda]
Inês faleceu em 4 de julho de 1620, aos dezoito anos; Antônio Botelho Robles, expressamente chamado filho de Sebastião de Miranda, em 20 de março de 1625; e Jorge de Miranda Botelho, ab intestato, em 8 de março de 1641, sendo sepultado no convento de São Francisco[70].
A composição da irmandade oferece exemplo particularmente expressivo da mobilidade dos apelidos. Entre os cinco filhos conhecidos de Sebastião encontramos Botelho Robles, Miranda Botelho e Botelho, enquanto Inês aparece sem outro apelido no registro disponível. A documentação paterna chama Jacinto simplesmente Jacinto Botelho; a documentação posterior de sua descendência permite reconhecê-lo como Jacinto Botelho de Miranda.
A.1 — Sebastiana Botelho
Sebastiana Botelho não pertence à prole de Sebastião de Miranda. O testamento de Isabel Botelho, mulher do comendador Antônio Botelho Borges, falecida em 11 de novembro de 1662, identifica-a como filha de seu primo Jacinto Botelho[71].
A sequência documental é, portanto:
Sebastião de Miranda × Francisca da Nóbrega
│
└── Jacinto Botelho [de Miranda]
│
└── Sebastiana Botelho
O mesmo testamento constitui documento de grande interesse para o estudo da parentela, pois menciona ainda João Correia Botelho, irmão da testadora; Phellipa de Miranda, filha de seu primo Francisco Machado; Helena Botelho, filha de Manoel Machado e Maria Botelho; e Inês de Miranda, prima da testadora, além de bem que ficara de Jorge de Miranda.
B — Antônio Botelho de Sampaio e a ascendência proposta para Sebastião de Miranda
A documentação permite representar a hipótese central do estudo:
Antônio Botelho de Sampaio, n. c. 1555
alcaide-mor de Vila Real[72]
│
└── [Sebastião de Miranda]
c.c. Francisca da Nóbrega
│
└── Jacinto Botelho de Miranda
A filiação Antônio Botelho de Sampaio → Sebastião de Miranda constitui a hipótese proposta no estudo. A filiação Sebastião de Miranda → Jacinto Botelho é documental. Também se encontra documentalmente preservada a notícia de que Jacinto era “neto do alcaide-mor desta vila” e pertencia aos “Alcaides Maiores desta vila”.
Antônio Botelho aparece como alcaide-mor de Vila Real em 1594, figurando como padrinho em assento da freguesia de São Pedro. Em 28 de novembro de 1599, Antônio Botelho, alcaide-mor, surge entre as testemunhas do casamento de Salvador Moutinho da Mesquita e Maria Borges Botelho, celebrado na Misericórdia de Vila Real[73].
Em 27 de abril de 1620, nas diligências para habilitação de Antônio Botelho Pimentel, compareceu sob o nome completo de Antônio Botelho de Sampaio, “alcaide mor desta vila”, declarando sessenta e cinco anos de idade. No mesmo depoimento afirmou ser parente do habilitando dentro do quarto grau, por parte de André Botelho[74].
Temos, assim:
1594 — Antônio Botelho, alcaide-mor de Vila Real;
1599 — Antônio Botelho, alcaide-mor;
1620 — Antônio Botelho de Sampaio, “alcaide mor desta vila”, 65 anos, parente de Antônio Botelho Pimentel por parte de André Botelho.
Em 1732, por sua vez, as diligências relativas a João de Miranda Ferraz conservaram a memória da ascendência de Jacinto Botelho de Miranda. Uma testemunha declarou que este “era pessoa principal e dos Alcaides Maiores desta vila”; Antônio Gouveia de Figueiredo afirmou que Jacinto “era neto do alcaide-mor desta vila, pessoa muito grave”[75].
C — Antônio Botelho de Sampaio e André Botelho
Convém conservar separadamente a informação genealógica fornecida pelo próprio alcaide-mor:
André Botelho
│
├── [...]
│
├── ramo de Antônio Botelho de Sampaio
│ alcaide-mor de Vila Real
│
└── ramo de Antônio Botelho Pimentel[76]
O esquema não pretende estabelecer descendência direta de André Botelho nem determinar as gerações intermediárias. Representa apenas o conteúdo do depoimento de 1620: Antônio Botelho de Sampaio declarou ser parente do habilitando dentro do quarto grau, por parte de André Botelho[77].
O dado demonstra a existência de parentesco entre os dois homens por esse ramo, mas não permite reconstruir as gerações omitidas.
D — Francisco de Miranda Botelho e Isabel Borges
Gaspar Rodrigues
c.c. Helena Botelho
│
└── Francisco de Miranda Botelho
c.c. Isabel Borges
│
├── Helena Botelho de Miranda
└── Clara Guiomar Borges de Miranda
Ascendência materna:
Jorge de Miranda
c.c. Guiomar Borges
│
└── Isabel Borges
Helena Botelho de Miranda foi segunda mulher de Francisco Machado Pimentel.
Clara Guiomar Borges de Miranda casou-se com Félix Manuel de Queirós de Mesquita, dando origem ao núcleo seguinte.
A sucessão Helena Botelho → Francisco de Miranda Botelho → Helena Botelho de Miranda / Clara Guiomar Borges de Miranda constitui um dos exemplos mais claros encontrados na pesquisa para a circulação dos apelidos Miranda e Botelho entre gerações sucessivas.
E — Botelho de Queirós
Félix Manuel de Queirós de Mesquita
c.c. Clara Guiomar Borges de Miranda
│
├── Francisco Botelho de Queirós
├── Isabel Teresa de Queirós
└── Maria Guiomar de Queirós[78]
Francisco Botelho de Queirós foi habilitado para Familiar do Santo Ofício. Seu processo registra, entre parentes já habilitados, Gonçalo Teixeira de Miranda, referido como seu tio-avô materno-materno.
Isabel Teresa de Queirós casou-se com José Teixeira de Macedo.
Maria Guiomar de Queirós casou-se com Francisco de Morais de Mesquita de Castro.
F — Núcleo Teixeira de Miranda
Gonçalo Teixeira de Miranda, Familiar do Santo Ofício, aparece documentalmente relacionado à família de Clara Guiomar Borges de Miranda, sendo referido na habilitação de Francisco Botelho de Queirós como seu tio-avô materno-materno[79].
O mesmo nome foi encontrado nas informações de genere examinadas no curso da pesquisa sobre os descendentes de Jacinto Botelho de Miranda.
Enquanto não for recomposta documentalmente sua ascendência, o núcleo deve permanecer autônomo. A repetição do personagem em documentação pertencente a círculos familiares próximos constitui ponto de contato a preservar, não entroncamento já demonstrado.
G — Machado Pinto — Botelho da Fonseca
Domingos Rodrigues Pinto
c.c. Isabel Machado Malrasca
│
└── Martim/Martinho Machado Pinto
c.c. Maria Botelho da Fonseca
Ascendência de Maria:
Baltazar Borges Botelho
c.c. Isabel Botelho de Barros da Fonseca
│
└── Maria Botelho da Fonseca
Do casamento de Martim/Martinho e Maria:
└── Francisco Machado Botelho, moço da Câmara da Casa Real e cavaleiro da Ordem de Cristo.
Os livros de São Pedro registram Isabel Botelho, mulher de Baltazar Borges Botelho, falecida em 8 de agosto de 1633 e sepultada no convento de São Domingos, e o próprio Baltazar Borges Botelho, falecido em 29 de dezembro de 1634[80].
H — Outro núcleo Machado Botelho
A documentação registra outro grupo:
Martim Machado Botelho
c.c. Maria Botelho da Fonseca
│
└── Baltazar Borges Botelho
c.c. Ana Maria de Araújo da Silva Tenebres
│
└── Francisco Machado Botelho
A proximidade nominal com o núcleo anterior é evidente. Não se identifica, entretanto, Martim Machado Botelho com Martim/Martinho Machado Pinto enquanto não surgir documentação suficiente para estabelecer que se trata do mesmo indivíduo[81].
I — Núcleos Borges Botelho
I.1 — Antônio Pimentel Borges
Antônio Pimentel Borges
c.c. Maria Martins Rebelo
│
└── Manuel Borges Pimentel
c.c. Luísa Borges Botelho Lobo de Lacerda
│
└── Sebastião Borges Botelho
Pela linha materna deste último aparece outro Sebastião Borges Botelho, casado com D. Faustina Lobo Barbosa[82].
I.2 — Sebastião Borges Botelho de Lemos
Gaspar da Rosa de Lemos
c.c. Maria Correia Borges
│
└── Sebastião Borges Botelho de Lemos
c.c. Helena Pinto da Fonseca
│
└── Joana Botelho de Lemos
Os livros paroquiais acrescentam ao quadro uma Maria Botelho, solteira, filha de Sebastião Borges de Lemos, falecida em 20 de outubro de 1667.
Os dois núcleos Borges Botelho acima devem permanecer distintos enquanto não houver demonstração documental de parentesco[83].
J — Correia de Mesquita
Pedro Correia Botelho
c.c. Catarina Teixeira de Mesquita Pimentel
│
└── Antônio Correia de Mesquita
c.c. Isabel Rebelo Machado
│
└── capitão José Correia de Mesquita[84]
K — Botelho Carneiro — Correia de Mendonça — Botelho de Magalhães
Francisco Botelho Carneiro
c.c. Guiomar de Mendonça
│
└── Jerónimo Correia de Mendonça
c.c. Leonor de Magalhães
│
├── Padre João Correia de Mendonça
└── Francisco Botelho de Magalhães
c.c. Maria Teixeira Taveira de Macedo
│
└── Padre João Taveira Botelho[85]
L — Cão — Correia — Botelho
Gonçalo Vaz Pinto
c.c. Guiomar Cão
│
└── Luís Vaz Cão
c.c. Inês Correia
│
└── Francisco Botelho Correia
Ascendência materna:
Diogo Álvares da Veiga
c.c. Ana Correia de Barros
│
└── Inês Correia
A habilitação de Francisco Botelho Correia, embora não tenha alcançado resultado favorável, preservou essa ascendência.
A presença do apelido Cão merece registro para futuro confronto com os elementos encontrados durante a investigação da ascendência de Francisca da Nóbrega. Nenhum parentesco determinado entre os dois núcleos é afirmado no estado atual da pesquisa[86].
M — Botelho de Queirós Pimentel
A documentação permite ainda registrar o seguinte núcleo: Francisco Botelho Machado de Queirós Pimentel c.c. Brites Correia Botelho.
Entre seus descendentes ou parentes próximos aparecem: Padre Dâmaso Botelho de Queirós, abade de Cumieira e Comissário do Santo Ofício; Dr. Francisco Machado Botelho, habilitado; outros membros da parentela Machado–Botelho–Queirós.
Em geração relacionada encontra-se:
Manuel Teixeira de Queirós
c.c. D. Maria da Cunha de Cerqueira
│
└── Antônio Botelho de Queirós Pimentel, natural de Amarante, estudante de Filosofia e posteriormente habilitado ao Santo Ofício.
Pela linha paterna deste último aparecem Francisco Botelho Machado de Queirós Pimentel e Francisca Botelho de Mesquita Sampaio[87].
N — Outros registros paroquiais de Botelho e Miranda em São Pedro de Vila Real
Além dos núcleos recompostos pelas habilitações, os livros de óbitos de São Pedro preservam numerosos indivíduos cujas relações completas ainda não foram estabelecidas. Convém registrá-los, tanto pela proximidade cronológica como pela recorrência dos apelidos estudados.
26.06.1632 — Maria Botelho, mulher de Gaspar da Rosa.
13.06.1634 — Maria Botelho, mulher de Diogo Bocarro.
18.09.1635 — Maria de Miranda, mulher de José Correia; deixou três ofícios de trinta missas e foi sepultada no convento de São Francisco, fl. 78.
01.10.1635 — Antônio Rodrigues Botelho, sepultado no convento de São Domingos, fl. 78.
10.03.1637 — D. Filipa, mulher de Antônio Botelho de Mesquita, sepultada no convento de São Domingos.
17.04.1638 — Antônio Botelho, com testamento, deixando bens à mulher Beatriz e, depois da morte desta, à filha de Jerônimo Gomes.
26.09.1639 — Juliana de Barros, solteira, cunhada de Antônio Botelho.
02.10.1650 — André Botelho de Sampaio.
16.11.1650 — Phellipa de Miranda, viúva de Jerônimo da Cunha.
26.01.1653 — Maria de Miranda, mulher de Antônio de Miranda.
23.06.1653 — Francisca Botelho, mulher de Francisco Machado.
03.07.1664 — Helena Botelho, mulher de Gonçalo de Lemas Botelho.
08.10.1668 — Antônio Botelho Borges.
08.02.1672 — Rev. Luís de Miranda, sepultado na capela-mor da igreja de São Pedro, com testamento; instituiu por herdeiros seu irmão Rodrigo Teixeira e sobrinhos cuja identificação integral não foi possível na leitura realizada.
10.06.1673 — Antônio Botelho Correia, com testamento.
18.01.1676 — Faustina de Miranda, falecida sem testamento e sepultada no adro de São Pedro.
Esses registros não são aqui convertidos em parentescos que os documentos não declaram. Sua reunião permite, contudo, visualizar a densidade da presença de Botelho e Miranda na freguesia de São Pedro durante o século XVII e preserva pontos de partida para investigações posteriores[88].
O — Outros núcleos preservados
A investigação alcançou ainda famílias que, embora não interfiram diretamente na reconstrução da ascendência de Jacinto, merecem registro.
O.1 — Luís de Ataíde Pimentel
Luís de Ataíde Pimentel descendia de Francisco Teixeira Pimentel e Antónia Trigueiros Mendes, por intermédio do capitão Luís Pimentel Teixeira e Maria de Morais[89].
O.2 — Teixeira de Magalhães Couceiro
Dr. Jacinto Teixeira de Magalhães Couceiro pertencia ao núcleo formado por Luís Teixeira de Magalhães e Maria Couceiro Rebelo Botelho, através de Antônio Teixeira de Magalhães Couceiro e Catarina de Barros[90].
Esses registros são conservados porque poderão contribuir para estudos futuros acerca das relações entre as principais famílias de Vila Real e seu termo.
Nota final ao Apêndice
As genealogias acima reproduzem o estado alcançado pela documentação consultada. As filiações e casamentos são apresentados como documentais quando assim resultam das fontes; relações propostas no corpo do estudo são expressamente assinaladas como hipóteses.
A reunião desses núcleos permite perceber com particular clareza a circulação dos apelidos Botelho, Miranda, Borges, Machado, Correia, Pimentel, Queirós, Sampaio e Cão entre famílias que viveram em Vila Real e seu entorno nos séculos XVI e XVII. Mais do que simples repertório nominal, o conjunto oferece subsídios para futuras pesquisas sobre parentesco, alianças matrimoniais, mobilidade dos apelidos e formação das famílias locais.
Sobretudo, permite preservar aquilo que frequentemente se perde durante uma investigação genealógica: os ramos encontrados à margem do caminho principal, documentalmente relevantes, embora nem sempre seja possível fazê-los convergir numa única árvore.
[1] Da Academia Piauiense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí. Contato: E-mail: [email protected]
[2] GAYO, Manuel José da Costa Felgueiras. Nobiliário de Famílias de Portugal, especialmente os títulos Botelho, Miranda, Machados e Borges; TEIXEIRA, Júlio A. Fidalgos e Morgados de Vila Real e seu termo: genealogias, brasões, vínculos. Vila Real: Imprensa Artística, 1946–1952.
[3] Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro de Vila Real, Livro de Registro de Óbitos, 1617–1638, assento de Francisca da Nóbrega, mulher de Sebastião de Miranda, 24 abr. 1624, fl. 22.
[4] Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro de Vila Real, Livro de Registro de Óbitos, 1645–1666, assento de Sebastião de Miranda, 12 maio 1647, e respectivas disposições testamentárias, fls. 54–56.
[5] Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro de Vila Real, Livro de Registro de Óbitos, 1617–1638, assentos de Inês, filha de Sebastião de Miranda, 4 jul. 1620, e de Antônio Botelho Robles, filho de Sebastião de Miranda, 20 mar. 1625, este último à fl. 35; Livro de Registro de Óbitos, 1638–1645, assento de Jorge de Miranda Botelho, 8 mar. 1641.
[6] Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro de Vila Real, Livro de Registro de Óbitos, 1645–1666, assento de Isabel Botelho, mulher do comendador Antônio Botelho Borges, 11 nov. 1662, e respectivas disposições testamentárias.
[7] GAYO, Manuel José da Costa Felgueiras. Nobiliário de Famílias de Portugal, Livro VII, tít. Botelho, H.G. 40105 V, a partir da imagem 118 da cópia consultada; Livro XX, tít. Miranda, H.G. 40111 V, a partir da imagem 409. Cf. ainda Livro XIX, tít. Machados, H.G. 40111 V, a partir da imagem 67, e Livro VII, tít. Borges, H.G. 40105 V, a partir da imagem 98. TEIXEIRA, Júlio A. Fidalgos e Morgados de Vila Real e seu termo, v. I, “Botelho”, p. 49 e ss.; v. III, “Botelho de Miranda”, p. 228.
[8] Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, João, mç. 66, doc. 1237, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/12825, diligências realizadas em Vila Real, 1732.
[9] Idem. Depoimentos relativos a Jacinto Botelho de Miranda, especialmente o de Antônio Gouveia de Figueiredo, de setenta anos, natural e morador na Rua do Campo.
[10] Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro de Vila Real, Livro de Batismos, assento de 22 jul. 1594, imagem m0009, no qual Antônio Botelho figura como padrinho, qualificado como alcaide-mor de Vila Real.
[11] Paróquia de São Dinis de Vila Real, registro do casamento de Salvador Moutinho da Mesquita e Maria Borges Botelho, celebrado na Misericórdia de Vila Real, 28 nov. 1599, imagem 87; entre as testemunhas, Antônio Botelho, alcaide-mor.
[12] Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, Antônio, mç. 40, doc. 961, habilitação de Antônio Botelho Pimentel, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1123, especialmente imagens m0009–m0011, diligências de Vila Real, 27 abr. 1620.
[13] Idem. Depoimento e assinatura de Antônio Botelho de Sampaio, que declarou ser parente do habilitando dentro do quarto grau, por parte de André Botelho.
[14] SOVERAL, Manuel Abranches de. Errata e aditamentos de Ascendências Visienses, aditamentos relativos aos Botelho e à ascendência de Antônio Botelho Pimentel. Cf. ANTT, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1123.
[15] GAYO, Manuel José da Costa Felgueiras. Nobiliário de Famílias de Portugal, Livro VII, tít. Botelho, H.G. 40105 V, a partir da imagem 118; TEIXEIRA, Júlio A. Fidalgos e Morgados de Vila Real e seu termo, v. I, “Botelho”, p. 49 e ss.; SOVERAL, Manuel Abranches de. Ensaio sobre a origem dos Correa, passagens relativas a Pedro Botelho, Afonso Botelho e aos antigos alcaides-mores de Vila Real.
[16] Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, processo relativo a Helena Botelho de Miranda, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/8772. A habilitação registra Francisco de Miranda Botelho e Isabel Borges como seus pais, Gaspar Rodrigues e Helena Botelho como avós paternos, e Jorge de Miranda e Guiomar Borges como avós maternos.
[17] Idem. Cf. também ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, processo relativo às diligências de Francisco Machado Pimentel, PT/TT/TSO-CG/A/008-002/1825.
[18] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações: Francisco Botelho de Queirós, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/7878; Maria Guiomar de Queirós, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/8958; Isabel Teresa de Queirós, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/16566.
[19] Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro de Vila Real, Livro de Registro de Óbitos, 1617–1638, assento de Antônio Botelho Robles, filho de Sebastião de Miranda, 20 mar. 1625, fl. 35; Livro de Registro de Óbitos, 1638–1645, assento de Jorge de Miranda Botelho, 8 mar. 1641; Livro de Registro de Óbitos, 1645–1666, assento e disposições testamentárias de Sebastião de Miranda, 12 maio 1647, fls. 54–56, com menção a Catarina Botelho e Jacinto Botelho.
[20] GAYO, Manuel José da Costa Felgueiras. Nobiliário de Famílias de Portugal, Livro VII, tít. Botelho, H.G. 40105 V, a partir da imagem 118; Livro XX, tít. Miranda, H.G. 40111 V, a partir da imagem 409. TEIXEIRA, Júlio A. Fidalgos e Morgados de Vila Real e seu termo, v. I, “Botelho”, p. 49 e ss.; v. III, “Botelho de Miranda”, p. 228.
[21] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, documentação relativa aos Machado-Botelho e Botelho da Fonseca, especialmente PT/TT/TSO-CG/A/008-001/8767 e PT/TT/TSO-CG/A/008-001/6191.
[22] Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro de Vila Real, Livro de Registro de Óbitos, 1617–1638, assentos de Isabel Botelho, mulher de Baltazar Borges Botelho, 8 ago. 1633, fl. 67, e de Baltazar Borges Botelho, 29 dez. 1634.
[23] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/8767, habilitação de Francisco Machado Botelho, 1687.
[24] GAYO, Nobiliário de Famílias de Portugal, Livro XIX, tít. Machados, H.G. 40111 V, a partir da imagem 67; cf. TEIXEIRA, Júlio A., Fidalgos e Morgados de Vila Real e seu termo, títulos relativos aos Machado-Botelho.
[25] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, Sebastião Borges Botelho, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/23999, processo iniciado em 1713.
[26] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, documentação relativa a Sebastião Borges Botelho de Lemos e sua descendência.
[27] Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro de Vila Real, Livro de Registro de Óbitos, 1645–1666, assento de Helena Botelho, mulher de Gonçalo de Lemas Botelho, 3 jul. 1664; Livro de Registro de Óbitos, 1666–1692, assento de Maria Botelho, filha de Sebastião Borges de Lemos, 20 out. 1667.
[28] Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro de Vila Real, Livro de Registro de Óbitos, 1666–1692, assento de Antônio Botelho Borges, 8 out. 1668.
[29] GAYO, Nobiliário de Famílias de Portugal, Livro VII, tít. Borges, H.G. 40105 V, a partir da imagem 98; e tít. Botelho, a partir da imagem 118.
[30] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, Francisco Botelho de Queirós, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/7878, habilitação iniciada em 1689.
[31] Idem, referência a Gonçalo Teixeira de Miranda entre os parentes habilitados do pretendente.
[32] Arquivo Distrital de Braga, Inquirições de genere. Entre os processos relativos à descendência de Jacinto Botelho de Miranda consultados nesta pesquisa, veja-se a inquirição de Antônio Teixeira Botelho, de 26 set. 1695, PT/UM-ADB/DIO/MAB/006/00535, filho de Fabião Botelho de Miranda e, portanto, neto de Jacinto Botelho de Miranda e Maria Coelho de Figueiredo; e a de Luís de Miranda Botelho, de 29 jul. 1703, oai/UM-ADB:1354480, filho de Gonçalo Teixeira de Miranda e Sebastiana Botelho de Faria, esta também filha de Jacinto. Foram igualmente examinadas as informações de genere de José Botelho de Miranda [Teixeira], iniciadas por petição de 5 nov. 1720, igualmente filho de Gonçalo Teixeira de Miranda e Sebastiana Botelho de Faria, e de Antônio Luís Teixeira Botelho, de 17 nov. 1732.
[33] Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, Antônio, mç. 40, doc. 961, habilitação de Antônio Botelho Pimentel, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1123, imagens m0009–m0011, depoimento de Antônio Botelho de Sampaio, Vila Real, 27 abr. 1620.
[34]SOVERAL, Manuel Abranches de. Errata e aditamentos de Ascendências Visienses, aditamento relativo à família Botelho e à ascendência de Antônio Botelho Pimentel. Confronte-se com ANTT, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1123. A documentação primária é aqui utilizada diretamente para a declaração de Antônio Botelho de Sampaio acerca do parentesco “por parte de André Botelho”.
[35] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, José Correia de Mesquita, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/14814.
[36] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, documentação relativa ao padre João Correia de Mendonça, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/11712.
[37] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, documentação relativa ao padre João Taveira Botelho, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/13645.
[38] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, Francisco Botelho Correia, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/7873.
[39] Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro de Vila Real, Livro de Registro de Óbitos, 1617–1638, assento de Maria de Miranda, mulher de José Correia, 18 set. 1635, fl. 78; Livro de Registro de Óbitos, 1666–1692, assento de Antônio Botelho Correia, 10 jun. 1673.
[40] GAYO, Manuel José da Costa Felgueiras. Nobiliário de Famílias de Portugal: Livro VII, tít. Borges, H.G. 40105 V, a partir da imagem 98; Livro VII, tít. Botelho, no mesmo volume, a partir da imagem 118; Livro XIX, tít. Machados, H.G. 40111 V, a partir da imagem 67; Livro XX, tít. Miranda, no mesmo volume, a partir da imagem 409.
[41] TEIXEIRA, Júlio A. Fidalgos e Morgados de Vila Real e seu termo: genealogias, brasões, vínculos. Vila Real: Imprensa Artística, 1946–1952, v. I, “Botelho”, p. 49 e ss.; v. III, “Botelho de Miranda”, p. 228.
[42] SOVERAL, Manuel Abranches de. Ensaio sobre a origem dos Correa, especialmente a reconstrução documental dos primeiros Botelho e dos alcaides-mores de Vila Real; Id. Errata e aditamentos de Ascendências Visienses, aditamentos relativos aos Botelho.
[43] Para as três ocorrências, cf. Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro, Livro de Batismos, assento de 22 jul. 1594, imagem m0009; Paróquia de São Dinis de Vila Real, casamento de Salvador Moutinho da Mesquita e Maria Borges Botelho, 28 nov. 1599, imagem 87; e ANTT, habilitação de Antônio Botelho Pimentel, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1123, imagens m0009–m0011, 27 abr. 1620.
[44] Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro de Vila Real, Livro de Registro de Óbitos, 1645–1666, assento de Sebastião de Miranda, 12 maio 1647, e respectivas disposições testamentárias, fls. 54–56.
[45] Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, João, mç. 66, doc. 1237, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/12825, diligências realizadas em Vila Real, 1732, especialmente os depoimentos que qualificam Jacinto como pertencente aos “Alcaides Maiores desta vila” e o de Antônio Gouveia de Figueiredo, segundo o qual Jacinto “era neto do alcaide-mor desta vila, pessoa muito grave”.
[46] Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro de Vila Real, Livro de Batismos, assento de 22 jul. 1594, imagem m0009, no qual Antônio Botelho figura como padrinho e alcaide-mor de Vila Real; Paróquia de São Dinis de Vila Real, registro do casamento de Salvador Moutinho da Mesquita e Maria Borges Botelho, celebrado na Misericórdia de Vila Real, 28 nov. 1599, imagem 87, figurando entre as testemunhas Antônio Botelho, alcaide-mor.
[47] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, Antônio, mç. 40, doc. 961, habilitação de Antônio Botelho Pimentel, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1123, imagens m0009–m0011, depoimento de Antônio Botelho de Sampaio, Vila Real, 27 abr. 1620.
[48] Idem. Antônio Botelho de Sampaio declarou ser parente do habilitando dentro do quarto grau, por parte de André Botelho.
[49] Cf. notas 44–46.
[50] ANTT, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1123, imagens m0009–m0011.
[51] Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro de Vila Real, Livro de Registro de Óbitos, 1617–1638, assento de Antônio Botelho Robles, filho de Sebastião de Miranda, 20 mar. 1625, fl. 35; Livro de Registro de Óbitos, 1638–1645, assento de Jorge de Miranda Botelho, 8 mar. 1641; Livro de Registro de Óbitos, 1645–1666, assento e disposições de Sebastião de Miranda, 12 maio 1647, fls. 54–56.
[52] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, processo relativo a Helena Botelho de Miranda, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/8772; cf. também os processos relativos à descendência de Clara Guiomar Borges de Miranda, especialmente PT/TT/TSO-CG/A/008-001/7878, /8958 e /16566.
[53] Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro de Vila Real, Livro de Registro de Óbitos, 1617–1638, assento de Francisca da Nóbrega, mulher de Sebastião de Miranda, 24 abr. 1624, fl. 22.
[54] Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, João, mç. 66, doc. 1237, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/12825, diligências realizadas em Vila Real, 1732.
[55] Idem, depoimento de Antônio Gouveia de Figueiredo, de setenta anos, natural e morador na Rua do Campo, acerca de Jacinto Botelho de Miranda.
[56] Idem, depoimentos relativos a Jacinto Botelho de Miranda, especialmente as declarações segundo as quais era “pessoa principal e dos Alcaides Maiores desta vila” e “neto do alcaide-mor desta vila, pessoa muito grave”.
[57] Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro de Vila Real, Livro de Batismos, assento de 22 jul. 1594, imagem m0009; Paróquia de São Dinis de Vila Real, registro do casamento de Salvador Moutinho da Mesquita e Maria Borges Botelho, 28 nov. 1599, imagem 87; ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, Antônio, mç. 40, doc. 961, habilitação de Antônio Botelho Pimentel, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1123, imagens m0009–m0011, depoimento de Antônio Botelho de Sampaio, 27 abr. 1620.
[58] GAYO, Manuel José da Costa Felgueiras. Nobiliário de Famílias de Portugal, Livro VII, tít. Botelho, H.G. 40105 V, a partir da imagem 118; Livro XX, tít. Miranda, H.G. 40111 V, a partir da imagem 409. TEIXEIRA, Júlio A. Fidalgos e Morgados de Vila Real e seu termo, v. I, “Botelho”, p. 49 e ss.; v. III, “Botelho de Miranda”, p. 228.
[59] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, Antônio, mç. 40, doc. 961, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1123, imagens m0009–m0011, depoimento e assinatura de Antônio Botelho de Sampaio, 27 abr. 1620.
[60] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, processo relativo a Helena Botelho de Miranda, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/8772; Francisco Botelho de Queirós, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/7878; Maria Guiomar de Queirós, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/8958; Isabel Teresa de Queirós, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/16566.
[61] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, documentação relativa aos Machado-Botelho e Botelho da Fonseca, especialmente PT/TT/TSO-CG/A/008-001/8767 e PT/TT/TSO-CG/A/008-001/6191. Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro, Livro de Registro de Óbitos, 1617–1638, assentos de Isabel Botelho, mulher de Baltazar Borges Botelho, 8 ago. 1633, fl. 67, e de Baltazar Borges Botelho, 29 dez. 1634.
[62] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, Francisco Botelho de Queirós, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/7878, processo iniciado em 1689, inclusive referência a Gonçalo Teixeira de Miranda como tio-avô materno-materno do habilitando.
[63] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, José Correia de Mesquita, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/14814.
[64] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, documentação relativa ao padre João Correia de Mendonça, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/11712, e ao padre João Taveira Botelho, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/13645.
[65] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, Francisco Botelho Correia, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/7873.
[66] Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro de Vila Real, Livro de Registro de Óbitos, 1645–1666, assento de Sebastião de Miranda, 12 maio 1647, e respectivas disposições testamentárias, fls. 54–56. Para Francisca da Nóbrega, Livro de Registro de Óbitos, 1617–1638, assento de 24 abr. 1624, fl. 22. Sobre os demais filhos: no mesmo livro, Antônio Botelho Robles, 20 mar. 1625, fl. 35; e Livro de Registro de Óbitos, 1638–1645, Jorge de Miranda Botelho, 8 mar. 1641.
[67] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, João, mç. 66, doc. 1237, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/12825, diligências de Vila Real, 1732. Para Antônio Botelho: Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro, Livro de Batismos, assento de 22 jul. 1594, imagem m0009; Paróquia de São Dinis de Vila Real, casamento de Salvador Moutinho da Mesquita e Maria Borges Botelho, 28 nov. 1599, imagem 87; ANTT, habilitação de Antônio Botelho Pimentel, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1123, imagens m0009–m0011, 27 abr. 1620.
[68] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, Antônio, mç. 40, doc. 961, habilitação de Antônio Botelho Pimentel, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1123, imagens m0009–m0011, depoimento e assinatura de Antônio Botelho de Sampaio, 27 abr. 1620.
[69] Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro de Vila Real, Livro de Óbitos, 1617–1638, PT-ADVRL-PRQ-PVRL24-003-107, fl. 22, imagem m0029, óbito de Francisca da Nóbrega, 24 abr. 1624; Livro de Óbitos, 1645–1666, PT-ADVRL-PRQ-PVRL24-003-109, óbito e disposições testamentárias de Sebastião de Miranda, 12 maio 1647.
[70] Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro: Livro de Óbitos, 1617–1638, óbito de Inês, filha de Sebastião de Miranda, 4 jul. 1620; ibid., fl. 35, Antônio Botelho Robles, 20 mar. 1625; Livro de Óbitos, 1638–1645, PT-ADVRL-PRQ-PVRL24-003-108, Jorge de Miranda Botelho, 8 mar. 1641.
[71] Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro, Livro de Óbitos, 1645–1666, testamento referido no assento de Isabel Botelho, mulher do comendador Antônio Botelho Borges, 11 nov. 1662.
[72] Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro, Livro de Batismos, assento de 22 jul. 1594, imagem m0009.
[73] Paróquia de São Dinis de Vila Real, casamento de Salvador Moutinho da Mesquita e Maria Borges Botelho, Misericórdia de Vila Real, 28 nov. 1599, imagem 87.
[74] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, Antônio, mç. 40, doc. 961, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1123, imagens m0009–m0011, depoimento de Antônio Botelho de Sampaio, 27 abr. 1620.
[75] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, João, mç. 66, doc. 1237, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/12825, diligências de Vila Real, 1732.
[76] ANTT, Habilitações do Santo Ofício, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/8772; diligências relativas à mulher de Francisco Machado Pimentel, PT/TT/TSO-CG/A/008-002/1825.
[77] ANTT, habilitação de Antônio Botelho Pimentel, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1123, imagens m0009–m0011.
[78] Francisco Botelho de Queirós — PT/TT/TSO-CG/A/008-001/7878; Maria Guiomar de Queirós — PT/TT/TSO-CG/A/008-001/8958; Isabel Teresa de Queirós — PT/TT/TSO-CG/A/008-001/16566.
[79] ANTT, habilitação de Francisco Botelho de Queirós, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/7878, além das informações de genere indicadas no corpo do estudo.
[80] ANTT, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/8767 e PT/TT/TSO-CG/A/008-001/6191; Arquivo Distrital de Vila Real, São Pedro, Livro de Óbitos, 1617–1638, assentos de 8 ago. 1633, fl. 67, e 29 dez. 1634.
[81] ANTT, PT/TT/TSO-CG/A/008-002/1822, processo de 1719.
[82] ANTT, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/23999.
[83] Documentação inquisitorial correspondente ao núcleo; Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro, Livro de Óbitos, 1666–1692, assento de Maria Botelho, 20 out. 1667.
[84] ANTT, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/14814.
[85] ANTT, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/11712 e PT/TT/TSO-CG/A/008-001/13645.
[86] ANTT, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/7873.
[87] ANTT, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/8768 e PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1124.
[88] Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro de Vila Real, Livros de Registro de Óbitos, 1617–1638; 1638–1645; 1645–1666; 1666–1692.
[89] ANTT, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/17086.
[90] ANTT, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/10605.

