Cunha e Silva Filho


                         Não sei lidar com estatísticas e gráficos e, se o faço, enfio as mãos pelos pés e o resultado disso torna-se desastroso pra mim e pros leitores. Contudo, me safo pela poder de síntese ou de generalizações intuídas pelas observações diárias, pelos noticiários da imprensa escrita mundial e nacional, leituras de livros e, finalmente, pela poderosa e utilíssima internet que, se empregada para o bem, o bem faz. 
                       Mas, uma coisa está me espantando ultimamente: está morrendo gente demais, até me leva a pensar que, indiretamente, vivemos tempos de guerra ou de pandemias, pois só, pelo menos, nesses dois caso mais graves, se assiste a tantas perdas humanas.Mortes por toda a parte, aqui, ali,, acolá, mortes de toda a natureza. Não estou falando simplesmente de mortes por velhice, por doenças do coração, do câncer, por erros médicos , por acidentes de carros, de aviões.
                      Estou antes falando de mortes por brigas entre pessoas, de assaltos cruéis, de lenocínios, de crimes por motivos fúteis , de crimes por vingança de natureza política, econômica, de interesses contrariados, de crimes pessoais, de crimes diabólicos de filhos contra pais, de crimes por divisão de herança, de crimes contra quem recebeu um prêmio de loteria que aguçou a inveja de outros que, por essa razão, mataram o milionário para ficarem com a dinheirama, de crimes, de crimes contra crianças que choram muito e, por isso, são vítimas de padrastos- monstros, de crimes contra velhos em lares ou mesmo em asilos. São inumeráveis os exemplos de diferentes modalidades de crimes causados por esse bicho que andam ainda chamando de humano, de crimes cometidos por inversões de papéis em que a polícia, paga pelo Estado com o dinheiro público, assassina inocentes a quem devia proteger.
                  Até aqui falei de crimes terríveis envolvendo certas razões injustificáveis. Entretanto, não falei de outros tipos de crimes que levam a mortes fatais. Quero me referir a mortes por acidentes da natureza, algumas incontroláveis, de dimensões ciclópicas, as chamada catástrofes das eras, os tsunamis, os terremotos, as inundações e finalmente, as mortes por motivos ideológicos, religiosos, políticos, geopolíticos, até o seu grau maior, os genocídios de que a Terra já tanto padeceu ao longo de sua História remota e de sua História contemporânea, com vítimas calculadas em milhares e até milhões de seres. Dá arrepios só em pensar quantas vítimas foram imoladas injustamente ao longo da História da humanidade. Pensemos só nas duas grandes guerras mundiais.
                Pensemos em Hiroxima, em Nagasaki, no Holocausto, na guerra do Vietnam, só para ficarmos com três casos amedrontadores do passado e acontecidos num só século, imagine! Pensemos nos conflitos mais recentes nos quais as guerras são filmadas como se fossem espetáculos pirotécnicos de fim de ano, com imagens instantâneas, sob olhares horrorizados ou embrutecidos, dependendo do caso, dos telespectadores mundiais - imagens apocalípticas vistas pela internet! Estamos em plena sintonia da era da “banalização” diante da morte do próximo. A morte é tão natural, seja qual for a sua natureza, quanto o olhar de alguém para um poste. Tantas são as mortes, ao longo dos tempos, que já se tornaram em algo descartável ou sem tanta importância. Quem está vivo pensa que é eterno. Doce ilusão. Quem é moço pensa que tem a juventude eterna, tão preso está aos acenos do presente imediato. Com tantas mortes parece que está acabando a capacidade de o ser humano poder chorar ou se compadecer do outro.A morte nos tem anestesiado diante da dor última.
              Veja-se o exemplo dos repórteres ou apresentadores de noticiários. Num minuto, fala de preparação para o carnaval, em outro minuto, de uma grande tragédia, em outro ainda, de um grande desastre, e assim sucessivamente vai nutrindo o telespectador de emoções diferentes, díspares, contraditórias, anestesiantes. Ao término do programa, só resta a eles e a nós uma indefinível sensação de naturalização do bem e do mal. Um leitor, porém, poderá, com direito que lhe assiste, argumentar: “Mas, não socorremos tantos em casos de tragédias, por exemplo, agora no Haiti? Sim, é verdade. Mas, isso não basta nem reponde por toda essa carnificina onímoda que devora a essência do ser do homem. Haja vista, a defesa agora fria e cruel de Tony Blair justificando toda a carnificina da invasão do Iraque em parceria com o ex-presidente Bush filho.
           As tropas americanas de Bush filho e daquele ex-primeiro ministro britânico arrasaram o Iraque impiedosamente sem uma grande e plausível justificativa. Apenas o fizeram em nome da prepotência e do desrespeito diante dos organismos internacionais de Segurança. Agindo como criminosos réus confessos, não se pejam de seus atos bárbaros e, no caso de Tony Blair, de reafirmar que faria tudo de novo. Uma das justificativas da invasão iraquiana, segundo se afirma, foi o ataque de 11 de Setembro do World Trade Center. Claro que não aprovo isso, mas não aprovo com mais veemência o ato de carnificina perpetrado contra o povo iraquiano, com inumeráveis perdas de inocentes, de adultos e idosos civis que nada tinham com a ditadura de Saddam Hussein.

          Matar civis indiscriminadamente é crime contra a humanidade. A reportagem informa que pais de soldados ingleses mortos na invasão do Iraque (2003), em protesto contra as declarações hediondas de Tony Blair, consideraram este um criminoso  de guerra.(JB, Internacional, 30/01/2010) Onde fica, leitor, a chamada civilização ocidental? Quem são os novos bárbaros da Terra? É fácil responder e apontar.