Entre nobiliários e documentos: divergências genealógicas e vínculos de parentesco dos Botelhos de Vila Real
Por Reginaldo Miranda Em: 31/10/2026, às 17H45
Reginaldo Miranda[1]
Resumo: O artigo examina o parentesco entre Antônio Botelho de Sampaio, alcaide-mor de Vila Real, e Antônio Botelho Pimentel, mediante o confronto das genealogias de Felgueiras Gayo, Júlio Teixeira e Manuel Abranches de Soveral com habilitações do Santo Ofício e registros paroquiais. A análise reúne filiações, consigna divergências e investiga os percursos de parentesco associados à declaração prestada pelo alcaide-mor em 1620. Destacam-se a identificação documental de Antônio Machado e Helena Botelho como avós paternos do habilitando e as dificuldades de conciliação entre a árvore genealógica reconstituída e o grau de parentesco declarado. O estudo também apresenta subsídios à investigação da ascendência de Jacinto Botelho de Miranda, filho de Sebastião de Miranda e referido em testemunhos como neto de um alcaide-mor de Vila Real. Os resultados permitem corrigir identificações, esclarecer relações familiares e formular hipóteses sobre os elos ainda desconhecidos. A investigação distingue os vínculos expressamente declarados nas fontes das reconstruções genealógicas e das hipóteses propostas, contribuindo para o conhecimento dos Botelhos de Vila Real e para a leitura crítica dos nobiliários portugueses.
Palavras-chave: Botelhos de Vila Real; Antônio Botelho de Sampaio; Antônio Botelho Pimentel; genealogia; crítica de fontes.
Abstract: This article examines the kinship between Antônio Botelho de Sampaio, chief warden (alcaide-mor) of Vila Real, and Antônio Botelho Pimentel by comparing the genealogies of Felgueiras Gayo, Júlio Teixeira, and Manuel Abranches de Soveral with Holy Office qualification proceedings and parish registers. The analysis brings together evidence of parentage, records discrepancies, and investigates the lines of kinship associated with the chief warden’s testimony in 1620. Particular attention is given to the documentary identification of Antônio Machado and Helena Botelho as the applicant’s paternal grandparents and to the difficulties in reconciling the reconstructed family tree with the stated degree of kinship. The study also contributes to research on the ancestry of Jacinto Botelho de Miranda, son of Sebastião de Miranda and described in witness testimony as the grandson of a chief warden of Vila Real. The findings support corrections to personal identifications, clarify family relationships, and provide grounds for hypotheses concerning unresolved genealogical links. By distinguishing relationships explicitly stated in the sources from genealogical reconstructions and proposed hypotheses, the study advances knowledge of the Botelhos of Vila Real and contributes to the critical reading of Portuguese genealogical compilations.
Keywords: Botelhos of Vila Real; Antônio Botelho de Sampaio; Antônio Botelho Pimentel; genealogy; source criticism.
1. Um testemunho de parentesco em Vila Real
Em 27 de abril de 1620, nas diligências realizadas em Vila Real para a habilitação de Antônio Botelho Pimentel ao Santo Ofício, compareceu Antônio Botelho de Sampaio, identificado como alcaide-mor da vila. Declarou ter aproximadamente sessenta e cinco anos e ser parente do habilitando dentro do quarto grau, por parte de André Botelho. Ao final, deixou sua assinatura: “Ant.º Botelho de Sampaio”[2].
O depoimento individualiza o alcaide-mor pelo nome, pelo exercício do cargo e pela idade aproximada, situando seu nascimento em torno de 1555. Acrescenta, sobretudo, uma declaração pessoal de parentesco que permite confrontar as ramificações dos Botelho de Vila Real descritas nos nobiliários. Antônio Botelho Pimentel era filho de André Botelho Machado e Isabel Pimentel; a referência à parte de André orienta, portanto, a investigação para sua ascendência paterna.
A declaração não enumera as gerações que ligavam os dois Antônios. Tampouco identifica o ancestral comum: indica, porém, o lado pelo qual corria o parentesco. O vínculo declarado constitui o ponto de partida deste estudo; a tarefa consiste em reconstituir o percurso familiar que o explica.
Antônio Botelho já aparece qualificado como alcaide-mor em um registro paroquial de 1594 e, novamente, entre as testemunhas do casamento de Salvador Moutinho da Mesquita com Maria Borges Botelho, celebrado em 28 de novembro de 1599. A ocorrência de 1620 reúne a forma extensa do nome à mesma qualificação funcional. Esses registros integram o conjunto documental utilizado para acompanhar sua presença em Vila Real[3].
O exame de Felgueiras Gayo oferece uma localização genealógica para Antônio Botelho de Sampaio. No título “Botelhos”, o genealogista o apresenta entre os filhos de Afonso Botelho Borges e Leonor de Vasconcelos, ao lado de Rui Pereira de Sampaio. A exposição conserva, entretanto, notícias divergentes sobre sua descendência e sua relação com Rui. A indicação de ausência de geração, atribuída ao nobiliário de Faya, aparece acompanhada de uma anotação de Vila Real segundo a qual Antônio teria casado com Maria da Silva e tido Leonor de Sampaio. Gayo registra ainda a tradição que fazia Rui filho de Antônio, em vez de seu irmão, declarando não a seguir[4]. Em suma, a mesma pessoa que aparece em uma nota sem geração aparece em outras com dois filhos, o que demonstra divergência de muitas dessas informações coligidas por Felgueiras Gayo.
Essas notícias devem ser examinadas separadamente. Uma trata da filiação de Antônio; outra, de seu casamento e descendência; a terceira altera sua relação com Rui. Sua reunião numa única árvore, sem indicação das variantes, apagaria diferenças que o próprio nobiliário conservou.
No ramo de Antônio Botelho Pimentel, também existem divergências internas. O título “Botelhos” relaciona Juliana Botelho de Barros e Elena Botelho Ribeiro entre os filhos de Isabel Ribeiro Botelho e Diogo Rodrigues de Barros, associando ambas a notícias matrimoniais que remetem ao mesmo lugar de “Machados”. Neste último título, Antônio Colaço Machado aparece casado com Ellena Botelho, mãe de André Botelho Machado; talvez por equívoco, ela é chamada neta de Diogo Rodrigues de Barros e Isabel Botelho[5]. A diferença entre filha e neta afeta a sequência das gerações e exige confronto com os testemunhos documentais e com as retificações posteriores.
Outra divergência com relação a Antônio Botelho Pimentel é que ele aparece corretamente colocado no título dos “Machados” como filho de Izabel Pimentel e André Botelho Machado, este filho de Antônio Colaço Machado e Elena Botelho. Porém, diz ser Izabel Pimentel filha de João Jácome Pimentel, fidalgo da Casa Real e de sua mulher Brittes Correa (§ 79, n.º 5). Por sua vez, no título dos “Botelhos”, informa ser ele neto de Juliana Botelho de Barros e Antônio Machado, o velho (§ 15, n.º 11). Porém, essas divergências genealógicas podem ser dirimidas com o processo de habilitação ao Santo Ofício de Antônio Botelho Pimentel, ali qualificado com filho de André Botelho e Izabel Pimentel; neto paterno de Antônio Machado e Elena Botelho; e neto materno de Luís Jácome e Brittes Correa[6].
Ainda no título dos “Botelhos” (§ 79, n.º 3), Felgueiras Gayo dá Elena Botelho e Antônio Colaço Machado como pais de André Botelho Machado, Afonso Botelho Machado e Izabel Botelho. No entanto, em documentação primária encontramos outro filho deste casal, por nome Pedro Francisco Machado. De fato, no processo de habilitação ao santo Ofício de Domingos de Miranda Alcoforado, consta ser ele filho de Pedro Francisco Machado e de Inês de Miranda Teixeira[7]; e por via de seu pai, neto de Antônio Machado e Helena Botelho de Barros; bisneto de Pedro Pires Machado e de Maria Colaço[8].
Portanto, está equivocada em Felgueiras Gayo tanto a informação que dá o pai de André Botelho como sendo Antônio Colaço Machado, ao invés de simplesmente Antônio Machado, embora ele seja um legítimo Colaço por via materna; da mesma forma, está equivocada a informação que o dá como filho bastardo de Violante Colaço Machado e do clérigo Pedro Annes (“Machados”, § 79, n.º 3 e 4).
2. O objeto do confronto
As duas ramificações reconstruídas a partir de “Botelhos” encontram seu tronco comum em Afonso Botelho, marido de Teresa Correa, dado pelos clássicos da genealogia portuguesa como primeiro alcaide-mor de Vila Real. Trata-se do segundo Afonso, filho de outro homônimo situado na geração anterior, que fora casado com Mécia Vasques, ambos combativos militares com relevantes serviços prestados à coroa portuguesa. A distinção dos dois personagens, já estabelecida em investigação precedente, não modifica o parentesco calculado a partir do casal comum.
Pela sequência examinada, o ramo de Antônio Botelho Pimentel passa por Mécia Botelho, Isabel Ribeiro Botelho, Helena Botelho e André Botelho Machado. O ramo de Antônio Botelho de Sampaio passa por Pedro Botelho, Afonso Botelho, Isabel Pereira e Afonso Botelho Borges. Ambos alcançam os respectivos Antônios na quinta geração de descendência do casal Afonso Botelho e Teresa Correa.
Essa reconstrução constitui uma base de comparação. Seu percurso até o tronco comum precisa ser confrontado com a declaração de parentesco dentro do quarto grau, feita pelo alcaide-mor em 1620. A diferença pode decorrer de uma filiação incorretamente transmitida, de problemas na identificação dos personagens ou de outro vínculo entre os ramos. Cada possibilidade reclama elementos próprios de demonstração.
O estudo acompanha esse confronto entre as genealogias de Felgueiras Gayo, os trechos disponíveis de Júlio Teixeira e Manuel Abranches de Soveral e a documentação primária examinada. Seu propósito é reunir as filiações sustentadas pelas fontes, consignar as divergências e delimitar os elos ainda procurados. A ascendência de Jacinto Botelho de Miranda, ancestral deste genealogista, integra a investigação como questão relacionada: identificado documentalmente como filho de Sebastião de Miranda e referido nos testemunhos sobre sua família como neto de um alcaide-mor de Vila Real, pertence à descendência de Afonso Botelho e Teresa Corrêa, permanecendo por identificar as filiações intermediárias que o ligam a esse tronco[9].
3. As duas ramificações no título “Botelhos”
No título “Botelhos”, Felgueiras Gayo apresenta Afonso Botelho, marido de Teresa Correa, sob a variante nominal “Aff.º Botelho ou Martim Aff.º Botelho”, como achou em diferentes fontes. É desse casal que partem as duas ramificações aqui confrontadas: uma por Pedro Botelho, na ascendência de Antônio Botelho de Sampaio; outra por Mécia Botelho, na ascendência de Antônio Botelho Pimentel[10].
A linha de Pedro desenvolve-se por sucessivas alianças matrimoniais. Pedro Botelho, informado como alcaide-mor de Vila Real e Senhor do Prazo de Escariz e Paredes, se casou com Catarina Álvares Taveira; seu filho Afonso Botelho, com Genebra Pereira de Sampaio. Na geração seguinte, Isabel Pereira se casou com Pedro Borges, em virtude do casamento sendo feito alcaide-mor de Vila Real. Esses últimos foram pais de Afonso Botelho Borges, também alcaide-mor de Vila Real e Senhor da quinta de Passos e Morgado de Escariz, casado com Leonor de Vasconcelos. Entre os filhos deste último casal, Felgueiras Gayo relaciona Antônio Botelho de Sampaio e Rui Pereira de Sampaio, Senhor da quinta de Passos[11].
O ramo de Mécia Botelho passa por seu casamento com Pedro Ribeiro. Deles nasceu Isabel Ribeiro Botelho, mulher de Diogo Rodrigues de Barros. A descendência desse casal conduz ao núcleo Machado, no qual se encontram André Botelho Machado e seu filho Antônio Botelho Pimentel[12].
Conservada a sequência do título “Botelhos”, os percursos ficam dispostos da seguinte maneira:
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Geração a partir do casal comum |
Ramo de Antônio Botelho de Sampaio |
Ramo de Antônio Botelho Pimentel |
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Tronco comum |
Afonso Botelho × Teresa Correa |
Afonso Botelho × Teresa Correa |
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1 |
Pedro Botelho × Catarina Álvares Taveira |
Mécia Botelho × Pedro Ribeiro |
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2 |
Afonso Botelho × Genebra Pereira de Sampaio |
Isabel Ribeiro Botelho × Diogo Rodrigues de Barros |
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3 |
Isabel Pereira × Pedro Borges |
Helena Botelho × Antônio Machado |
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4 |
Afonso Botelho Borges × Leonor de Vasconcelos |
André Botelho Machado × Isabel Pimentel |
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5 |
Antônio Botelho de Sampaio |
Antônio Botelho Pimentel |
A terceira geração do ramo Pimentel requer a exposição das variantes examinadas adiante. A última geração do ramo Sampaio corresponde à posição atribuída ao personagem por Gayo; sua identificação com o alcaide-mor que depôs em 1620, encontra em Gayo a indicação do mesmo cargo exercido por diversos ancestrais que lhe precederam e para ele deve ser sustentada pelo confronto documental.
A transmissão dos apelidos acompanha essas ramificações sem reproduzir uma sequência uniforme. Ribeiro, Barros e Machado integram o ramo de Mécia; Pereira, Borges e Sampaio aparecem no de Pedro. Botelho reaparece associado a diferentes combinações nominais. A reconstituição depende, por isso, das filiações e alianças expressamente indicadas nas fontes, e não apenas da continuidade de um apelido.
4. Juliana e Helena: uma divergência na ascendência de Antônio Botelho Pimentel
Na página 123 de “Botelhos”, entre os filhos de Isabel Ribeiro Botelho e Diogo Rodrigues de Barros, Felgueiras Gayo relaciona Juliana Botelho de Barros como mulher de Antônio Machado, o Velho, avô de Antônio Botelho Pimentel. Na mesma relação, Elena Botelho Ribeiro aparece casada com Antônio Colaço Machado. Ambas as notícias remetem a “Machados”, § 79, n.º 4[13].
A coincidência da remissão permite localizar a dificuldade. As duas entradas associam mulheres apresentadas como filhas do mesmo casal a notícias matrimoniais desenvolvidas num único lugar do nobiliário. O confronto deve conservar os dois nomes, pois a passagem não autoriza decidir silenciosamente se houve duplicação, confusão nominal ou duas pessoas distintas.
Em “Machados”, o desenvolvimento é explícito. Antônio Colaço Machado se casou em Vila Real com Ellena Botelho; entre os filhos figuram André Botelho Machado, Afonso Botelho Machado e Isabel Botelho. André se casou com Isabel Pimentel, sendo pai de Antônio Botelho Pimentel, Catarina Botelho Pimentel e Ellena Botelho Pimentel[14].
Essa sequência identifica Ellena como mãe de André e avó paterna do habilitando. Entretanto, o mesmo texto a chama neta de Diogo Rodrigues de Barros e Isabel Botelho, remetendo precisamente à entrada de “Botelhos” que a apresenta entre os filhos do casal. A divergência possui, assim, dois aspectos: o nome da mulher de Antônio Machado e sua posição na descendência dos Ribeiro–Barros.
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Ponto confrontado |
«Botelhos», p. 123 |
«Machados», p. 108 |
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Mulher ligada a Antônio Machado |
Juliana Botelho de Barros e Elena Botelho Ribeiro, em entradas distintas |
Ellena Botelho |
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Relação com Isabel Ribeiro Botelho e Diogo Rodrigues de Barros |
Incluída entre os filhos do casal |
Chamada neta do casal |
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Desenvolvimento até Antônio Pimentel |
Remissão a «Machados», § 79, n.º 4 |
Ellena → André → Antônio |
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A leitura literal de “neta” exigiria uma geração intermediária. A divergência nominal de Felgueiras Gayo encontra esclarecimento na habilitação de Antônio Botelho Pimentel, que identifica seus avós paternos como Antônio Machado e Helena Botelho. Adota-se, portanto, Helena na ascendência do habilitando, conservando a entrada de Juliana Botelho de Barros como notícia divergente do nobiliário. A referência documental permite decidir qual versão utilizar nessa árvore, embora não esclareça, por si só, a origem da duplicidade em Gayo.
O excerto de Soveral examinado no curso da pesquisa apresenta Helena Botelho como filha de Diogo Rodrigues de Barros e Isabel Ribeiro Botelho, mulher do licenciado Antônio Machado e mãe de André Botelho Machado. Ao tratar da habilitação de Antônio Botelho Pimentel, reproduz ainda a notícia de que Francisco Botelho Carneiro conhecera Isabel Ribeiro Botelho, viúva de Diogo Rodrigues de Barros, identificados como bisavós do habilitando[15].
A condição de bisavós corresponde ao percurso Antônio Pimentel–André–Helena–Isabel e Diogo, sem geração intermediária. Constitui, portanto, um elemento de confronto favorável à posição de Helena como filha do casal. Na apresentação da prova, deve permanecer distinguido o conteúdo do testemunho inquisitorial da reconstrução desenvolvida pelo genealogista que o utilizou.
5. Antônio de Sampaio: filiação, descendência e relação com Rui
As variantes relativas a Antônio Botelho de Sampaio não possuem todas o mesmo alcance. Sua organização permite distinguir a posição que ocupa na árvore das notícias acerca de sua descendência.
Felgueiras Gayo apresenta Antônio entre os filhos de Afonso Botelho Borges e Leonor de Vasconcelos. Nessa disposição, Rui Pereira de Sampaio é seu irmão. Ao desenvolver a notícia sobre Rui, registra que outros autores o faziam filho de Antônio, acrescentando “o que não seguimos”[16]. O genealogista conserva a versão divergente, mas adota a relação fraterna.
Quanto à descendência de Antônio, a passagem atribui ao nobiliário de Faya a indicação “s. g.”. Registra também uma anotação feita em Vila Real segundo a qual Antônio teria casado com Maria da Silva e tido Leonor de Sampaio[17]. A notícia matrimonial e a filha mencionada precisam acompanhar a indicação negativa, pois pertencem ao conjunto de informações transmitido pela mesma exposição.
Temos, assim, três questões:
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Questão |
Notícias conservadas |
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Quem eram os pais de Antônio? |
Afonso Botelho Borges e Leonor de Vasconcelos, na disposição acolhida por Gayo |
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Antônio deixou descendência? |
“S. g.” no nobiliário de Faya; casamento com Maria da Silva e filha Leonor na anotação de Vila Real |
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Qual era sua relação com Rui? |
Irmão, segundo Gayo; pai, segundo a tradição que ele rejeita |
A indicação “sem geração” deve ser lida nesse contexto de informações discordantes. É uma afirmação expressa de uma das fontes utilizadas, acompanhada de notícias positivas de descendência. Sua presença não encerra a investigação dos filhos de Antônio.
Para o cálculo do parentesco com Antônio Botelho Pimentel, a distinção é decisiva. O casamento com Maria da Silva e a existência de Leonor não alteram a ascendência de Antônio. A versão que faz Rui seu filho também não o desloca automaticamente para outra geração: mantida sua filiação em Afonso Botelho Borges, Antônio continua no mesmo lugar, sendo Rui colocado uma geração abaixo. A divergência de descendência precisa ser examinada, mas não basta para aproximar os dois Antônios dentro do quarto grau.
6. A contagem das gerações e o parentesco declarado em 1620
A árvore reconstruída a partir do título “Botelhos” coloca Antônio Botelho de Sampaio e Antônio Botelho Pimentel na quinta geração de descendência de Afonso Botelho e Teresa Correa, tetravós de ambos. A contagem começa nos filhos do casal comum e termina nos dois personagens confrontados.
No ramo de Sampaio, o percurso é: Antônio Botelho de Sampaio → Afonso Botelho Borges → Isabel Pereira → Afonso Botelho → Pedro Botelho → Afonso Botelho e Teresa Correa.
No ramo de Pimentel: Antônio Botelho Pimentel → André Botelho Machado → Helena Botelho → Isabel Ribeiro Botelho → Mécia Botelho → Afonso Botelho e Teresa Correa.
Essa disposição corresponde ao quinto grau pela contagem canônica antiga, em linhas iguais. Na designação genealógica corrente, os dois Antônios seriam primos quartos. O cálculo expressa a consequência das filiações representadas na árvore; depende, portanto, da correção dessas filiações e da identificação do Antônio de Sampaio de Gayo com o alcaide-mor documentado em 1620.
A posição de André Botelho Machado ajuda a esclarecer a diferença. Como pai do habilitando, André está a quatro gerações do casal comum, enquanto Antônio de Sampaio permanece a cinco. O parentesco entre Sampaio e André seria, nessa reconstrução, de quinto grau em linhas desiguais: prevalece o percurso mais longo.
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Pessoas confrontadas |
Percursos até o casal comum |
Resultado na contagem canónica antiga |
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Antônio de Sampaio e Antônio Pimentel |
5 e 5 gerações |
Quinto grau, em linhas iguais |
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Antônio de Sampaio e André Botelho Machado |
5 e 4 gerações |
Quinto grau, em linhas desiguais |
A expressão “por parte de André Botelho”, empregada no depoimento de 1620, não resolve essa diferença por uma simples mudança do termo da comparação. O parentesco declarado é com Antônio Botelho Pimentel; André identifica o lado familiar pelo qual ele corria[18].
Também a expressão “dentro do quarto grau” conserva um alcance próprio: situa o vínculo no limite indicado, sem necessariamente o fixar no quarto grau exato. Para explicar a declaração, é necessário encontrar um percurso de parentesco que não ultrapasse esse limite.
O caminho por Afonso Botelho e Teresa Correa estabelece o entroncamento amplo das duas ramificações. A declaração pessoal do alcaide-mor aponta para uma ligação mais próxima do que aquela representada pela árvore. O confronto deixa, assim, uma questão delimitada: quais ascendentes, alianças ou filiações permitem reconstituir esse vínculo?
7. Os núcleos familiares em que procurar a ligação
A ascendência paterna de Antônio Botelho Pimentel oferece uma sequência de núcleos a examinar. André Botelho Machado era filho de Antônio Machado e Helena Botelho; pelo lado desta, o percurso alcança Isabel Ribeiro Botelho e Diogo Rodrigues de Barros, seguindo depois por Mécia Botelho e Pedro Ribeiro.
Uma ligação de Antônio de Sampaio a qualquer desses núcleos pode produzir parentesco mais próximo, conforme o número de gerações de seu próprio percurso. Essa possibilidade não exige abandonar sua ascendência pelo ramo de Pedro Botelho: uma pessoa pode alcançar o mesmo grupo familiar por diferentes linhas.
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Ascendente ou casal no ramo Pimentel |
Distância até Antônio Pimentel |
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André Botelho Machado |
1 geração |
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Helena Botelho e Antônio Machado |
2 gerações |
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Isabel Ribeiro Botelho e Diogo Rodrigues de Barros |
3 gerações |
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Mécia Botelho e Pedro Ribeiro |
4 gerações |
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Afonso Botelho e Teresa Correa |
5 gerações |
O quadro delimita os lugares possíveis de entroncamento. A referência à parte de André inclui tanto a ascendência paterna quanto a materna deste último. Convém, portanto, conservar o núcleo Machado ao lado dos Ribeiro–Barros, sem restringir antecipadamente o parentesco à transmissão do apelido Botelho.
A notícia relativa a Francisco Botelho Carneiro acrescenta outro elemento de comparação. No excerto examinado, ele aparece como testemunha da habilitação, com setenta e dois anos, parente do habilitando no quarto grau, e declara ter conhecido Isabel Ribeiro Botelho, viúva de Diogo Rodrigues de Barros, bisavós de Antônio Botelho Pimentel[19]. A reconstituição de sua ascendência poderá oferecer um percurso documentado dentro da mesma parentela e ajudar a compreender as relações evocadas nas diligências.
As declarações das duas testemunhas devem permanecer individualizadas. O parentesco de Francisco Botelho Carneiro não demonstra o caminho do parentesco de Antônio de Sampaio. Seu interesse está em acrescentar um segundo vínculo, referido ao mesmo habilitando, que pode ser confrontado com os ramos descritos nos nobiliários.
8. A identificação histórica do alcaide-mor
O depoimento de 1620 fornece um ponto de referência para a identificação de Antônio Botelho de Sampaio: nome, cargo, residência no meio vila-realense e idade aproximada. Esses elementos devem acompanhar cada tentativa de correspondência com personagens das genealogias.
A idade declarada situa seu nascimento em torno de 1555. As ocorrências de 1594 e 1599 permitem acompanhá-lo anteriormente no exercício da alcaidaria-mor. A cronologia assim reunida constitui um critério para examinar a filiação proposta por Gayo, seus possíveis casamentos e a posição de Rui Pereira de Sampaio. Uma concordância cronológica fortalece a identificação, mas precisa ser associada a referências familiares ou patrimoniais que individualizem o personagem.
Nesse confronto, a assinatura do depoente possui valor particular. Ela permite conservar a forma Antônio Botelho de Sampaio diante de leituras divergentes encontradas nas reconstruções posteriores. O exame deve partir dessa identificação documental, evitando transferir para outro personagem o testemunho prestado pelo alcaide-mor.
As notícias de Maria da Silva e Leonor de Sampaio oferecem nomes concretos para a investigação de sua família. Sua utilidade está na possibilidade de encontrar documentos que relacionem essas pessoas ao alcaide-mor, à Casa de Passos ou a parentes já identificados. Até que essa correspondência seja estabelecida, permanecem como notícias genealógicas atribuídas ao Antônio descrito por Gayo.
A leitura dos livros de óbitos de São Pedro de Vila Real acrescentou ocorrências familiares, mas ainda não forneceu o assento procurado do alcaide-mor. Esse resultado delimita o alcance da consulta realizada; não autoriza concluir que ele tenha falecido em outra freguesia ou que o registro inexista.
9. A relação com a ascendência de Jacinto Botelho de Miranda
A identificação da família de Antônio Botelho de Sampaio interessa à ascendência de Jacinto Botelho de Miranda, ancestral do autor dessas notas. O testamento de Sebastião de Miranda, falecido em 12 de maio de 1647, nomeia Jacinto Botelho e Catarina Botelho como filhos[20]. Esse documento estabelece a geração imediatamente anterior a Jacinto e permite examinar o patrimônio transmitido no núcleo familiar.
Por sua vez, nas diligências de 1732 relativas à habilitação de João de Miranda Ferraz, Jacinto foi lembrado como pessoa principal, pertencente aos alcaides-mores de Vila Real. Antônio de Gouveia de Figueiredo declarou que ele era “neto do alcaide-mor desta vila, pessoa muito grave”[21]. Esses testemunhos orientam a investigação do avô e do percurso pelo qual Jacinto se integrava à linhagem.
A filiação de Jacinto em Sebastião não determina, sozinha, se o vínculo com o alcaide-mor corria pelo pai ou pela mãe, Francisca da Nóbrega. Ambos os caminhos precisam permanecer representados enquanto se procuram as filiações dessa geração.
Do mesmo modo, a presença de Antônio Botelho de Sampaio na alcaidaria durante o período pertinente torna sua família um objeto prioritário de investigação, mas não basta para atribuir-lhe Sebastião ou Francisca como filhos. O elo procurado deve resultar de uma declaração de parentesco, de uma disposição patrimonial ou de outro documento que estabeleça a relação.
A pesquisa reúne, portanto, dois problemas relacionados: explicar o parentesco declarado por Antônio Botelho de Sampaio com Antônio Botelho Pimentel e identificar o percurso de Jacinto até os alcaides-mores. O primeiro pode esclarecer a posição familiar de Sampaio; esse esclarecimento, por sua vez, poderá contribuir para o segundo. Cada filiação encontrada deverá ser incorporada com sua fonte, preservando a distinção entre o vínculo documentado e o caminho ainda em reconstrução.
10. Subsídios paroquiais para o estudo da parentela
A consulta dos livros de óbitos de São Pedro de Vila Real reuniu referências a pessoas e relações familiares que podem contribuir para o esclarecimento dos ramos estudados. Seu aproveitamento exige conservar o conteúdo de cada assento e distinguir as identificações expressas das correspondências ainda propostas.
Entre esses registros encontra-se o falecimento de Juliana de Barros, solteira, em 22 de abril de 1639. Segundo a leitura realizada, deixou seu cunhado Antônio Botelho por herdeiro e testamenteiro, mencionando também o primo Gaspar Monteiro e a sobrinha Maria Monteiro[22]. O assento oferece três relações familiares positivas, embora não identifique a mulher por cujo casamento Antônio se tornara cunhado da falecida.
Essa Juliana não deve ser confundida com Juliana Botelho de Barros, apresentada por Gayo como mulher de Antônio Machado, o Velho. O estado de solteira e o contexto cronológico recomendam conservar separadamente as duas referências. A coincidência parcial do nome constitui um elemento para investigação, sem autorizar a identificação.
O óbito de Jorge de Miranda Botelho, em 8 de março de 1641, com sepultura no convento de São Francisco, acrescenta outro nome ao levantamento[23]. A forma composta interessa ao estudo dos Miranda e Botelho de Vila Real. Seu confronto com o Jorge de Miranda mencionado nas disposições de Isabel Botelho, em 1662, depende de elementos que estabeleçam a correspondência entre os registros.
Também foi encontrado o falecimento de Gonçalo da Nóbrega, viúvo, em 24 de março de 1642[24]. O assento amplia o levantamento dos Nóbrega presentes na freguesia, núcleo pertinente à investigação de Francisca da Nóbrega. Os dados recolhidos ainda não identificam sua mulher nem estabelecem parentesco com Francisca.
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Data |
Pessoa |
Informação recolhida |
Questão para confronto |
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22 abr. 1639 |
Juliana de Barros |
Solteira; cunhado Antônio Botelho, herdeiro e testamenteiro; primo Gaspar Monteiro; sobrinha Maria Monteiro |
Identificar o cunhado e os demais parentes |
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8 mar. 1641 |
Jorge de Miranda Botelho |
Sepultado no convento de São Francisco |
Confrontar com outras ocorrências de Jorge de Miranda |
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24 mar. 1642 |
Gonçalo da Nóbrega |
Viúvo |
Identificar a mulher e sua inserção familiar |
Essas ocorrências devem integrar a nossa pesquisa. Seu valor não depende de uma ligação imediata aos dois Antônios: podem fornecer nomes de cônjuges, parentes ou beneficiários que permitam reconhecer posteriormente uma relação.
11. O testamento de 1662 e os vínculos entre os ramos
As disposições de Isabel Botelho, falecida em 11 de novembro de 1662, oferecem um conjunto de relações particularmente relevante. Mulher do comendador Antônio Botelho Borges, foi sepultada em São Domingos. Deixou bens ao marido durante sua vida e, depois de sua morte, ao irmão João Correa Botelho[25].
Entre os legados aparecem Sebastiana Botelho, filha do primo Jacinto Botelho, e Phellipa de Miranda, filha do primo Francisco Machado. O registro menciona ainda Helena Botelho, filha de Manoel Machado e Maria Botelho, e um bem que ficara de Jorge de Miranda, destinado à prima Inês de Miranda.
As expressões de parentesco devem ser conservadas nos termos do documento. “Primo” e “sobrinha”, nesse contexto, não fornecem necessariamente uma contagem precisa de gerações. Permitem, contudo, reconhecer relações familiares declaradas pela testadora e orientar o confronto com as habilitações e genealogias.
O assento aproxima Jacinto do núcleo de Isabel e João Correa Botelho e o coloca numa rede em que aparecem os Machado e os Miranda. Essa ligação pode contribuir para o exame da ascendência de Sebastião de Miranda e Francisca da Nóbrega. Para maior aproveitamento seria interessante reconstruir os percursos de cada pessoa mencionada, evitando atribuir a todos um único tronco imediato.
A transmissão do bem proveniente de Jorge de Miranda merece exame próprio. O documento registra uma relação patrimonial que pode ajudar a individualizar o personagem, sobretudo quando confrontada com testamentos, nomeações de prazos ou outros atos relativos ao mesmo bem. A identificação de sua origem e de seus sucessivos titulares poderá oferecer elementos de parentesco ausentes dos assentos mais breves.
12. Resultados e questões em aberto
O confronto entre os nobiliários e a documentação examinada permite estabelecer resultados e delimitar as questões que permanecem abertas. O depoimento de 27 de abril de 1620 identifica Antônio Botelho de Sampaio como alcaide-mor de Vila Real, com aproximadamente sessenta e cinco anos, e conserva sua declaração de parentesco com Antônio Botelho Pimentel dentro do quarto grau, por parte de André Botelho.
No ramo Pimentel, a habilitação identifica Antônio Machado e Helena Botelho como avós paternos do habilitando, resolvendo documentalmente a divergência nominal de Gayo em favor de Helena. Estabelece-se, assim, a sequência Antônio Machado e Helena Botelho → André Botelho Machado e Isabel Pimentel → Antônio Botelho Pimentel. A entrada de Juliana Botelho de Barros permanece registrada como notícia divergente do nobiliário, mas não integra a ascendência adotada neste estudo.
Quanto à ascendência de Helena, subsiste a diferença entre os títulos de Gayo: em “Botelhos”, aparece entre os filhos de Isabel Ribeiro Botelho e Diogo Rodrigues de Barros; em “Machados”, é chamada neta do casal. A notícia de que Isabel e Diogo eram bisavós do habilitando, reproduzida no excerto de Soveral a partir do depoimento de Francisco Botelho Carneiro, favorece a primeira versão. A localização precisa dessa declaração no processo permite fundamentar diretamente a correção.
No ramo Sampaio, Gayo apresenta Antônio como filho de Afonso Botelho Borges e Leonor de Vasconcelos e irmão de Rui Pereira de Sampaio. Conserva, entretanto, notícias discordantes: a indicação “sem geração”, atribuída ao nobiliário de Faya; a anotação de Vila Real que lhe atribui casamento com Maria da Silva e uma filha, Leonor de Sampaio; e a tradição que fazia Rui seu filho. Essas informações devem permanecer individualizadas. A correspondência entre o Antônio descrito por Gayo e o alcaide-mor documentado em 1594, 1599 e 1620, é praticamente certa, mas sua comprovação exige esclarecimento de seus vínculos familiares.
A árvore examinada conduz a cinco gerações de cada lado até o segundo Afonso Botelho e Teresa Correa. Esse percurso corresponde ao quinto grau na contagem canônica antiga e não explica, isoladamente, o parentesco dentro do quarto grau declarado em 1620. A diferença orienta a procura de uma ligação mais próxima entre os ramos ou de uma correção das filiações representadas.
As questões centrais que permanecem abertas são: Qual era a posição exata de Antônio Botelho de Sampaio na descendência dos alcaides-mores de Vila Real? Por qual ancestral ou casal corria seu parentesco, dentro do quarto grau, com Antônio Botelho Pimentel? Quais notícias de casamento e descendência de Antônio de Sampaio encontram confirmação documental? Por Sebastião de Miranda ou por Francisca da Nóbrega corria o vínculo de Jacinto com seu avô alcaide-mor?
A filiação de Jacinto em Sebastião de Miranda está estabelecida pelo testamento de 1647, enquanto os testemunhos de 1732 conservam sua condição de neto de um alcaide-mor e seu pertencimento à família dos alcaides-mores de Vila Real. A investigação procura identificar esse avô e reconstituir o percurso genealógico correspondente. Do mesmo modo, o parentesco dos dois Antônios está declarado no documento de 1620; permanece por esclarecer a cadeia de relações que o explica. Uma coisa, porém, não comporta dúvidas: o parentesco entre Jacinto Botelho de Miranda e a família Botelho, dos alcaides-mores de Vila Real. Pelas razões expostas, é muito atraente a hipótese de ser ele neto do alcaide-mor Antônio Botelho de Sampaio.
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Considerações finais
A investigação dos Botelho de Vila Real mostra a utilidade de conservar as divergências dos nobiliários e confrontá-las com declarações pessoais, disposições testamentárias e registros paroquiais. Os nomes e relações transmitidos pelos genealogistas orientam a busca; os documentos permitem corrigir leituras, individualizar personagens e verificar filiações.
O depoimento de Antônio Botelho de Sampaio constitui o eixo deste estudo. Sua declaração fornece uma medida de proximidade familiar que a árvore reconstruída ainda não explica. A diferença não elimina o entroncamento dos ramos: indica o ponto em que a investigação precisa avançar.
O conjunto reunido também preserva subsídios para a ascendência de Jacinto Botelho de Miranda. Seu pai, seus vínculos com a parentela vila-realense e a memória de sua ligação aos alcaides-mores possuem fundamentos documentais distintos, que devem permanecer associados às respectivas fontes.
A contribuição deste trabalho consiste em organizar esses resultados, expor as variantes e delimitar os elos procurados. Essa base permite continuar a pesquisa sem perder os achados já alcançados nem converter as lacunas em filiações.
Obras genealógicas
GAYO, Manuel José da Costa Felgueiras. Nobiliário de famílias de Portugal. Edição de Agostinho de Azevedo Meirelles e Domingos de Araújo Affonso. Braga: Agostinho de Azevedo Meirelles; Domingos de Araújo Affonso, 1938–1941. No presente estudo: tomo VII, título «Botelhos», p. 114–145; título «Machados», § 79, p. 107–108. bdlb.bn.gov.br
GAYO, Manuel José da Costa Felgueiras. Nobiliário de famílias de Portugal. Edição de Agostinho de Azevedo Meirelles e Domingos de Araújo Affonso. Braga: Agostinho de Azevedo Meirelles; Domingos de Araújo Affonso, 1938–1941. Passagens utilizadas: tomo VII, título «Botelhos», p. 114–145; título «Machados», § 79, p. 107–108. Disponível em: Biblioteca Digital Luso-Brasileira.
SOVERAL, Manuel Abranches de. Errata e aditamentos de «Ascendências Visienses: ensaio genealógico sobre a nobreza de Viseu, séculos XIV a XVII». [S. l.]: Manuel Abranches de Soveral, 2014. Última atualização: 19 jun. 2014. Especialmente os aditamentos ao v. I, p. 99, 100 e 284. Disponível em: https://www.soveral.info/AVerrata.htm. Acesso em: 31 out. 2026.
TEIXEIRA, Júlio A. Fidalgos e morgados de Vila Real e seu termo: genealogias, brazões, vínculos. Lisboa: J. A. Telles da Sylva, 1990. 4 v. Reedição fac-similada da edição de Vila Real: Imprensa Artística, 1946–1952. No presente estudo: v. 1, trechos disponíveis relativos aos Botelhos, alcaides-mores e morgados de Passos. bibliotecaadrianomoreira.cm-braganca.pt
Fontes arquivísticas
ARQUIVO DISTRITAL DE VILA REAL. Paróquia de São Pedro de Vila Real. Livro de óbitos. Código de referência: PT-ADVRL-PRQ-PVRL24-003-108. Registros utilizados: Juliana de Barros, 22 abr. 1639, imagem m0006; Jorge de Miranda Botelho, 8 mar. 1641, imagem m0014; Gonçalo da Nóbrega, 24 mar. 1642, imagem m0026.
ARQUIVO DISTRITAL DE VILA REAL. Paróquia de São Pedro de Vila Real. Livro de óbitos, 1645–1666. Código de referência: PT-ADVRL-PRQ-PVRL24-003-109. Registros utilizados: Sebastião de Miranda, 12 maio 1647; Isabel Botelho, 11 nov. 1662.
ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO. Tribunal do Santo Ofício. Conselho Geral. Habilitação de Antônio Botelho Pimentel. Habilitações, Antônio, mç. 40, doc. 961. Código de referência: PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1123. Especialmente as diligências de Vila Real e o depoimento de Antônio Botelho de Sampaio, 27 abr. 1620, imagens m0009–m0011.
ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO. Tribunal do Santo Ofício. Conselho Geral. Habilitação de João de Miranda Ferraz. Habilitações, João, mç. 66, doc. 1237. Código de referência: PT/TT/TSO-CG/A/008-001/12825. Especialmente as diligências realizadas em Vila Real em 1732.
ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO. Tribunal do Santo Ofício. Conselho Geral. Diligência de habilitação de Domingos de Miranda Alcoforado. 1613. Habilitações Incompletas, doc. 1385. Código de referência: PT/TT/TSO-CG/A/008-002/1385. Disponível em: Digitarq. Acesso em: 31 out. 2026.
[1] Membro efetivo da Academia Piauiense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí e do Instituto dos Advogados do Brasileiros. Contato: [email protected]
[2] ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO — Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, Antônio, mç. 40, doc. 961, habilitação de Antônio Botelho Pimentel. Código de referência: PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1123, diligências de Vila Real, 27 abr. 1620, imagens m0009–m0011.
[3] Arquivo Distrital de Vila Real, Paróquia de São Pedro de Vila Real, Livro de Batismos, assento de 22 jul. 1594, imagem m0009; Paróquia de São Dinis de Vila Real, Livro de Casamentos, casamento de Salvador Moutinho da Mesquita e Maria Borges Botelho, 28 nov. 1599, imagem 87; ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, Antônio, mç. 40, doc. 961, habilitação de Antônio Botelho Pimentel, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1123, imagens m0009–m0011, depoimento de Antônio Botelho de Sampaio, 27 abr. 1620.
[4] GAYO, Manuel José da Costa Felgueiras. Nobiliário de Famílias de Portugal. Vol. VII, título «Botelhos», § 11, n.º 13 e relação de descendentes, p. 121.
[5] GAYO, Nobiliário, vol. VII, «Botelhos», § 15, n.º 11 e relação de descendentes, p. 123; vol. XIX, título «Machados», § 79, n.os 4–6, p. 108.
[6] ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, Antônio, mç. 40, doc. 961, habilitação de Antônio Botelho Pimentel, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1123, imagens m0009–m0011, depoimento de Antônio Botelho de Sampaio, 27 abr. 1620.
[7] Filha de Gonçalo Teixeira Alcoforado e de sua mulher Joana de Miranda de Sá, aquele filho de Pero Teixeira e de Hilária Fernandes Alcoforado; esta de Antônio de Barros e Leonor de Miranda.
[8] Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT), Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações Incompletas, doc. 1385, «Diligência de habilitação de Domingos de Miranda Alcoforado», 1613, código de referência PT/TT/TSO-CG/A/008-002/1385.
[9] ARQUIVO DISTRITAL DE VILA REAL — Paróquia de São Pedro de Vila Real, livro de óbitos, PT-ADVRL-PRQ-PVRL24-003-109, disposições de Sebastião de Miranda, 12 maio 1647. ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO — Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, João, mç. 66, doc. 1237, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/12825, diligências de 1732.
[10] GAYO, Nobiliário de Famílias de Portugal, vol. VII, «Botelhos», § 11, n.º 9, p. 120; § 15, n.º 10, p. 123.
[11] Idem, «Botelhos», § 11, n.º 10, p. 120; n.os 11–13 e relação de descendentes, p. 121.
[12] Idem, «Botelhos», § 15, n.os 10–11, p. 123; «Machados», § 79, n.os 4–6, p. 108.
[13] Idem, «Botelhos», § 15, relação de filhos do n.º 11, p. 123.
[14] Idem, «Machados», § 79, n.os 4–6, p. 108.
[15] SOVERAL, Manuel Abranches de. Ascendências Visienses: ensaio genealógico sobre a nobreza de Viseu, séculos XIV a XVII — Errata e aditamentos. Aditamentos ao v. I, p. 99, linha 28; p. 100, linha 1; e p. 284. Última atualização: 19 jun. 2014. Nos dois primeiros, o autor apresenta a ascendência de André Botelho Machado e de seu filho Antônio Botelho Pimentel; no aditamento à p. 284, retoma a notícia do depoimento de Francisco Botelho Carneiro, que declarara ter conhecido Isabel Ribeiro Botelho, viúva de Diogo Rodrigues de Barros, bisavós do habilitando. O processo referido corresponde a: ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, Antônio, mç. 40, doc. 961, código PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1123. Disponível em: https://www.soveral.info/AVerrata.htm. Acesso em: 31 out. 2026. Errata e aditamentos de «Ascendências Visienses»
[16] GAYO, Nobiliário, vol. VII, «Botelhos», § 11, relação de descendentes de Afonso Botelho Borges, p. 121.
[17] Ibidem, notícia de Antônio Botelho de Sampaio.
[18] ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO — Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, Antônio, mç. 40, doc. 961, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1123, depoimento de Antônio Botelho de Sampaio, 27 abr. 1620, imagens m0009–m0011.
[19] SOVERAL, Manuel Abranches de. Ascendências Visienses — Errata e aditamentos, aditamentos ao v. I, p. 99, linha 28, e p. 284. O autor reproduz a notícia do depoimento de Francisco Botelho Carneiro na habilitação de António Botelho Pimentel: ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, António, mç. 40, doc. 961, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1123. Disponível em: https://www.soveral.info/AVerrata.htm. Acesso em: 31 out. 2026.
[20] ARQUIVO DISTRITAL DE VILA REAL — Paróquia de São Pedro de Vila Real, livro de óbitos, PT-ADVRL-PRQ-PVRL24-003-109, registro e disposições de Sebastião de Miranda, 12 maio 1647.
[21] ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO — Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, João, mç. 66, doc. 1237, PT/TT/TSO-CG/A/008-001/12825, diligências de Vila Real, 1732. Depoimento de Antônio Gouveia de Figueiredo, segundo o qual Jacinto “era neto do alcaide-mor desta vila, pessoa muito grave”.
[22] ARQUIVO DISTRITAL DE VILA REAL — Paróquia de São Pedro de Vila Real, livro de óbitos, PT-ADVRL-PRQ-PVRL24-003-108, registro de Juliana de Barros, 22 abr. 1639, imagem m0006.
[23] Idem, registro de Jorge de Miranda Botelho, 8 mar. 1641, imagem m0014.
[24] Idem, registro de Gonçalo da Nóbrega, 24 mar. 1642, imagem m0026.
[25] ARQUIVO DISTRITAL DE VILA REAL — Paróquia de São Pedro de Vila Real, livro de óbitos, PT-ADVRL-PRQ-PVRL24-003-109, registro e disposições de Isabel Botelho, 11 nov. 1662.

