Elas por ela

Outro dia, conversando com um amigo, constatamos que a escrita de mulheres piauienses ainda é pouco conhecida. Um incômodo reverberou em meu peito. Sendo eu uma escritora piauiense, essa ausência me atravessa de forma direta: quero conhecer meus pares, quero saber quem são as outras mulheres do meu estado que escrevem, o que escrevem, de onde escrevem e por que escrevem. Quero escutá-las e criar espaços de troca onde a escrita não seja apenas produto final, mas um processo gestado, nutrido e perene.

Foi assim que nasceu este projeto: de uma vontade de partilha com as minhas iguais. Mulheres que encontram na escrita a desforra ou o desabafo, as fantasias ou o hodierno, o divino ou o devasso. Mulheres que escrevem para organizar o caos, para tensionar vazios, para nomear aquilo que muitas vezes não encontra lugar na fala. Artistas que escrevem porque precisam, porque sabem, porque querem, e porque, apesar de tudo, insistem. Escritas diversas, singulares, cruzadas por território, memória e corpo, que pedem circulação, escuta e reconhecimento. Este trabalho é, antes de tudo, um gesto de aproximação: um convite para que essas vozes se encontrem, se reconheçam e permaneçam.

Cada encontro busca compreender como essas autoras constroem suas narrativas, de que modo a experiência pessoal, o corpo, o território, a memória e o tempo se inscrevem nos textos, e quais estratégias são mobilizadas para existir e persistir no campo literário. O projeto também se interessa pelas condições materiais da escrita: rotinas, pausas, bloqueios, rituais, influências e deslocamentos.

Ao reunir vozes diversas, estas entrevistas pretendem criar um arquivo de reflexões sobre a literatura produzida por mulheres piauienses hoje, contribuindo para ampliar o debate sobre autoria, criação e representação, e fortalecendo redes de escuta, reconhecimento e partilha.

A partir de agora, entrevistarei escritoras deste estado, buscando ampliar a visibilidade de suas obras e promover encontros em torno deste ofício solitário e tantas vezes invisibilizado que é a escrita. Que estas conversas funcionem como pontes entre autoras e leitores. Sejam bem-vindos e bem-vindas a este novo ciclo.