Cunha e Silva: um  jornalismo  militante e humanista (Estudo atualizado)

                                                              Cunha e Silva Filho

            Ontem estive uma boas horas examinando  meus  modestos  arquivos  procurando  organizá-los melhor com  o objetivo de torná-los mais  facilmente  acessíveis  às minhas  próprias  pesquisas. O leitor bem sabe o quanto é trabalhosa a tarefa de  distribuição   de matérias  impressas de acordo com  a  área do conhecimento, ou melhor dizendo,  com os   assuntos  guardados  há tantos anos. No entanto,  há um dado delicado  que não se pode perder de vista: o extremo cuidado de manusear uma quantidade  de velhos artigos de meu pai, o jornalista, professor, membro da Academia Piauiense de Letras (1975) e  escritor  Cunha e Silva (1905-1990). Além disso,  pertenceu ao antigo Cenáculo Piauiense de Letras, ao Instituto Histórico e Geográfico do Piauí,  à União Brasileira de Escritores e ao Sindicato  do  Jornalistas  do Piauí.

            Foi ficcionista, historiador,  poeta,  orador  eloquente, polemista  ferino de grandes recursos, cronista literário.  Tinha  vocação  para a crítica literária, embora  tenha sempre negado   essa dimensão  do seu  talento  polimorfo. Escrevia com facilidade sobre  vários assuntos e era um  espírito de intelectual   sempre  ativo e antenado aos grandes problemas  e temas da humanidade. Fervoroso admirador  das conquistas  tecnológicas e científicas, sem, contudo,  deixar-se contaminar   pelo  materialismo e pelas delícias terrenas, visto que seu mundo  se direcionava  para a dimensão da  espiritualidade,  para  um cristianismo   puro, sem formalismos   eclesiais nem  suntuosidades  do catolicismo. Era um crente em Deus.

             Sua visão do  Criador,  exposta  em artigos,  está presente num soneto  de sua autoria sob o título “Deus”: Deus é a inteligência infinita/Increada, mas criadora e eterna/Em torno  da qual o Cosmo se agita/Se move em ordem em harmonia terna//Deus é a fonte de toda a energia,/`É  a causa primeira do que existe,/Neste mundo imensurável e de magia,/Em tudo que de belo nele consiste.//Deus é a raiz de toda  sabedoria,/A razão de ser de toda  grandeza,/Que nos conforta mais do que na alegria.//Deus está presente em todos os seres/,/Mais próximo do homem em sua  tristeza/Em suas mágoas mais do que em seus  prazeres.

            Passando os olhos  em  artigos  do veterano   jornalista, nascido em Amarante, e onde está sepultado,  comprovo,  mais uma vez,  a operosidade  de  sua   atividade  na imprensa. É muito  extensa,  espantosa  mesmo,  tomou-lhe toda a vida  útil  e posso  afirmar com orgulho  que provavelmente  tenha  sido em vida um dos jornalistas  brasileiros que mais tenha  escrito no tocante a número  de artigos para a imprensa principalmente.

            Era da velha  geração dos  jornalistas  que não  passaram  pelo curso  de comunicação social,   na sub-área de jornalismo,  que só surgiria  com  a  fundação  das  nossas universidades, alargando  os estudos das  áreas humanas, que não  mais  se restringiriam   ao curso de direito e de filosofia.

          Os jornalistas da geração de meu pai tinham  que ter talento para escrever  bem e com  a  necessária   velocidade de  publicar    artigos  quase diariamente e,  em  alguns casos,  diariamente  nos jornais, sobretudo das capitais   e de algumas cidades  mais desenvolvidas do interior do país. Quem  não se  enquadrasse  nesse perfil seria mais difícil manter-se  como colaborador   da imprensa. Do  jornalista  os leitores  exigiam  cultura geral,   visão  abrangente  e atenta  aos  fatos  acontecidos  diariamente  na cidade  do profissional  da imprensa,  no país  e no mundo.

        Mas, o  tipo de jornalista  que mais  se  distinguia na época  era aquele que  mantinha coluna   versando sobre  política. Meu pai   se encaixava neste  perfil: era um apaixonado pelos temas  políticos e sociais.Acredito que tenha  tido  interesse  pela  política desde a  infância e a adolescência em Amarante, pois uma vez me relatou  algumas   discussões calorosas    que teve com  colegas em  posições  políticas  de oposição. Amarante, nas primeiras décadas do século  passado, era cenário  de  acirradas  competições  políticas envolvendo sobretudo   o governo  municipal e os partidos  de então. Era tão intensa   a atividade  política  local  que famílias se dividiam  em campos   antagônicos  disputando  as eleições municipais e se posicionando  quanto às suas preferências  por candidatos  a deputados,  vereadores, governadores, senadores e presidentes  da República nos períodos, é claro,   de vigência democrática.(1)

Foi a partir  dessa convivência  provinciana que Cunha e Silva se foi  formando,   preparando-se para   futuros  dias  em que, já como  jornalista,   mergulharia  fundo nessa atividade até os últimos dias  de sua   existência.  

Culturalmente,  tinha a seu favor acumulado  uma sólida formação humanística,   adquirida   quando aluno do Colégio Salesiano “Santa Rosa” em Niterói, Estado do Rio de Janeiro,   no qual ficou de 1920 a 1922, cursando  humanidades, mas sem  terminar o  último ano. No entanto,  repetiu o  último ano do Secundário  no Colégio Salesiano “São  Manuel,” em Lavrinhas (São Paulo) concluindo  o Secundário e, segundo ele mesmo  declarou em artigo muitos anos depois, isso lhe serviu para  “adiantar-se  mais  no estudo do latim e grego.”(2)

Em 1923, meu pai  terminou o Noviciado, cursando,  depois,  filosofia sem porém, concluí-lo, visto que  desistira  da carreira  eclesiástica. Se  tivesse dado  continuidade aos estudo de seminarista, de  Lavrinhas    iria para Turim,  na Itália, a fim de  fazer o  curso de Teologia, ordenando-se  sacerdote.(3)

 Em 1926,  volta ao Piauí para rever seus familiares e, logo,  retorna ao Rio de Janeiro, onde casa em 1927, ano  em que  regressa definitivamente  para o Piauí, indo morar na sua terra natal, Amarante. Antes dos  trinta anos,  torna-se professor do  Ginásio Amarantino, dirigido  por Odilon  Nunes,  futuro  grande historiador  piauiense

 Tornou-se  competente   em  várias  disciplinas,  filosofia,  latim,  nas línguas  latina,  francesa,  italiana, conhecia  regularmente  inglês,   era profundo  em  geografia,  filosofia  e história, da última das quais se tornaria   professor catedrático em Teresina.

Em seguida,  tendo Odilon Nunes dirigido o Ginásio Amarantino,  em cuja direção  ficou durante uns  quatro anos,  “passa’    a direção   desse colégio para o professor  Joca Vieira (4). Depois, meu pai  adquire suas instalações e  funda o seu  Ateneu “Rui Barbosa’, onde vai  lecionar, sozinho,    os cursos  primário, de admissão e complementar.  Em entrevista  memorável (5), já bem idoso,  meu pai  afirmou  que era um  professor nato e, por isso mesmo  é que seu  colégio  se tornou  um  educandário famoso  pela competência  provada de Cunha e Silva. Lá o aluno  aprendia  de tudo, num leque  de disciplinas que  ia do estudo de português, matemática (aritmética,  álgebra, geometria),  geografia,  história e até francês e inglês.O Ateneu  “Rui Barbosa” durou  quinze anos e só foi extinto  porque meu pai, em 1947, foi estabelecer-se em Teresina, onde ficaria definitivamente. Na capital  daria continuidade à sua carreira no magistério e à sua atividade  jornalística durante longos anos.

O maior orgulho de Cunha e Silva  era porque  por sua  escola,   por sua orientação  pedagógica, séria   e  rigorosa,  passaram  diversos alunos  que  se tornariam nomes conhecidos  em  várias áreas do conhecimento   e de profissões, como  altos  funcionários do Banco do Brasil,  governadores,  senadores, deputados,   engenheiros,  militares de  alta patente.(6)

Enquanto dava aulas  no Ateneu “Rui Barbosa”começara  a  escrever para jornais  de Teresina e de Floriano, interior do Piauí. Tornou-se bem conhecido como jornalista talentoso  e respeitado ainda bem  moço. Seus artigos  eram  originais,  destemidos  e  criticavam a “mentalidade reacionária e fascista do momento”.(7)   Na Intentona Comunista, em 1935,   é injustamente acusado,  processado e  condenado pelo extinto Tribunal de Segurança  Nacional (8), tendo cumprido  pena   durante um ano em  quartel de polícia  de Teresina. por motivos  políticos e   sob a alegação   de que era  comunista e dispunha  na biblioteca de sua casa, em Amarante, de livros marxista-leninistas, além de  estar ligado à Aliança Renovadora  Nacional.

          Foi denunciado à Polícia em Amarante, que lhe vasculhou  a casa e, por ordem do Cel. Delfino Vaz (9),  figura sinistra que,  infelizmente,  não sei por que  motivo,  virou até  nome de Praça em Teresina. Um  intelectual  piauiense, cujo nome desejo   resguardar,  uma vez,  em Teresina,  me apontou,  de carro, um lugar  privilegiado, no coração de Teresina   Era uma  praça que leva o nome  do  responsável pela prisão de meu pai,  Fez-me a seguinte  observação: “Veja, Cunha, esta praça deveria  levar o nome  de seu pai, não do seu  verdugo.”

        O  então jovem jornalista, em Amarante,  ao receber a “visita”  da  polícia,  entrou  em luta  corporal  com  os policiais,, que lhe tomaram um revólver,  com muito custo,  pois  meu pai  era homem  forte e corajoso, embora  de estatura   baixa.(10)

Confessara-me  meu pai que realmente  tinha  alguns livros  de orientação marxista  de uma pessoa que  aparecera de passagem por Amarante, e lhe  pedira que ficasse com  eles. Ora,  para um jovem  intelectual  com tantos  projetos de vida no campo  cultural,  não pode haver discriminação  de tipos de leituras e autores sob pena  de deformar  sua   própria  formação cultural. Durante toda a vida, meu pai lia  intensamente  livros  das áreas de sua  predileção,  ciências  políticas, filosofia,   sociologia,  economia,  geografia e história. Após deixar a prisão,  voltara para Amarante dando continuidade às suas aulas de professor até 1947  quando,  segundo   salientamos antes,   mudara-se para Teresina.

Foi nos anos de  permanência em Teresina que  meu pai  viveu  provavelmente os anos mais  duros  de sua vida, quer como  professor,  quer como   jornalista. Porém, foi nessa cidade que contraditoriamente   também  experimentou   alegrias  e conquistas  no magistério e no jornalismo.

       Neste artigo,  me limitarei  a comentar  esquematicamente   o seu papel de jornalista  na  vida política  piauiense, ainda que  jornalismo e  magistério  estão sempre  interligados  na vida  desse escritor.

      O jornalismo  de Cunha e Silva  possui uma  característica  inconfundível  e exponencial  e pode-se dividir em três fases: 1) a que vai  dos meados  de 1940 à década de 1960, antes da ditadura militar; a segunda fase  abrange sobretudo todo o período   da ditadura  militar e a terceira  fase  vai  do final da ditadura  militar  ao período de redemocratização.

        Pelo visto, é um longo   período de militância  ininterrupta  e qualitativamente  fecunda, visto que  praticamente  escreveu para todos os jornais  do Piauí e uma vez, teve publicados   artigos seus no Diário de Notícias  do Rio de Janeiro, e no  jornal O Imparcial,  de São Luís, Maranhão,citando-se, para ilustração,  os seguintes jornais  piauienses  em que  colaborou  como  colunista,  redator ou editorialista, praticamente  sem  remuneração:  O Floriano, O Piauí,  Resistência ( diretor),  A Gazeta,  O TempoO Dia, Jornal do Piauí, A Luta,  O PirralhoO Liberal, Estado do Piauí,  entre outros, a par de  publicações  de  artigos em revistas diversas do Piauí:

         Na primeira  fase, que  se inicia ainda em Amarante e já  com   expressiva  participação  no jornal,  seu jornalismo já despontava com  uma marca  de uma pena ágil,  clara,  objetiva e destemida  a serviço   da defesa  de causas  sociais,   e de repúdio  a quaisquer regimes   autoritários, fosse em Amarante,  fosse na política estadual e federal,  fosse no mundo  com as suas  grandes,  complexas  e desafiadoras   questões nos anos trinta e quarenta do século  XX.

         Da  mesma maneira, nessa fase o jornalista aprofunda  cada vez mais   as sua militância, acompanhando  de perto  os  sucessivos governos do Estado do Piauí,  quase sempre  na oposição contra os  desmandos   dos governantes, Fez campanha a favor  da UDN que elegeu  o governador  Rocha Furtado. Como estivesse  ao lado da UDN, o governador  lhe conseguiu  uma cadeira de geografia  no Colégio Estadual do Piauí (antigo Liceu Piauiense). 

          Desentendo-se com a UDN,  passou a fazer  acerbas  críticas  ao governador  Rocha Furtado que,  como retaliação,  o destituiu da cadeira  de geografia, deixando-o  desempregado e curtindo as  privações   financeiras além  de  ameaças  contra ele   seguramente  vindas de setores do governo  estadual. Foram  dias de  grandes  atribulações   financeiras,  pois como  professor em escolas   particulares, conquanto desse aulas   da manhã à noite,   não conseguia   sustentar dignamente a família  e dos artigos  que   escrevi  para os jornais nada recebia, artigos  cada vez mais  corrosivos  e virulentos  contra  o governador e seus auxiliares (11).

        Meu pai recebia ajuda  de alguns amigos e colegas. O escritor  A.Tito  Filho, em artigo  por ocasião, do falecimento  de meu pai,  escreveu-lhe um  comovido e importante   artigo-homenagem. Num trecho resume  a agressividade  que era a norma   da política daquela  época: “ política da época não aceitava  rebeldias, A punição se fazia  necessária e rigorosa. Os que se rebelavam perdiam o emprego público, tivessem ou não  responsabilidade de família.” (12)

         Ao romper com a UDN,  passou para o Partido  Social Democrático. Com a eleição de Pedro Freitas,  candidato da oposição a Rocha  Furtado,  meu  pai  recuperou um pouco   o abalo  financeiro,  conseguindo    do novo  governador  duas cadeiras  no magistério,  no Colégio Estadual do Piauí e na Escola Normal  “Antonino Freire”. Nos jornais,  continuava  na defesa  do PSD  e verberando  contra a oposição. Foram anos  de  intensas lutas  político-partidárias. (13)

        Veio o governo de Petrônio Portella e do governador  ganhou o cargo de   diretor da Casa Anísio  Britto que englobava administrativamente  o Arquivo Público, a Biblioteca  e o Museu  do Piauí. Fora nesse período  que  teve  oportunidade  de aprofundar ainda mais seus conhecimentos, sobretudo  no campo da História do Brasil, quando aproveitou  para se preparar  a uma   prova   para a cátedra  de História do Brasil da Escola Normal “Antonino Freire.”

         Escreveu, então, a tese, A odisseia do cativeiro  no Brasil.(14)  Realizou-se o concurso e dele saiu aprovado não sem  ter enfrentado  alguns   obstáculos  decorrentes  de suas  posições  políticas e da  sua veia  crítica. Escrevera ainda outra tese de título O papel de Floriano  Peixoto na obra de proclamação e consolidação da República (1957), apresentada à cátedra de História do Brasil do Colégio Estadual do Piauí. Não me consta que tenha  sido realizado   o concurso de defesa dessa   tese. Deixou, por último,  uma obra, de título  Gatos do Palácio, sátira política, ainda inédita.

         Desejo  acentuar que meu pai  sempre   encontrou    algumas pedras no caminho que procuravam   prejudicá-lo.  Da função de diretor  da Casa Anísio  Britto pediu  demissão simplesmente  para  solidarizar-se  com um amigo  desafeto do governador.(15) Era assim  meu pai,  um espírito elevado,    que colocava a dignidade  pessoal em primeiro  lugar ainda que isso lhe custasse dissabores  de toda ordem.

         No governo de Chagas  Rodrigues,  foi nomeado  diretor  do Colégio Estadual do Piauí,  função na qual  pouco  demorou, pois,  tendo  punido  um professor que saiu  da linha de seus critérios de administração, o professor  recorreu à Justiça e o juiz de direito da capital concedeu-lhe mandado de segurança. Considerando-se  desprestigiado,   deixou  o cargo.(16)

         Na segunda fase, houve um longo  e tumultuado caminho  de sua militância  jornalística. Era o tempo   de uma fase  delicada do governo   federal  que, em última análise, resultou  na tomada do poder pelos  militares. Foram longos anos  de autoritarismo,  de ausência  de liberdade e de partidos  de fachada,  de prefeitos e  governadores   biônicos,Vieram os anos de chumbo.

          Nesses anos,  meu pai  prosseguia  escrevendo no meio  do vendaval  de profundas  mudanças  na estrutura  política do país, tendo, além disso,   a presença atuante da censura  à imprensa. Veio o AI-5, o exílio de políticos de projeção,  de professores,  de cientistas,  de artistas e  intelectuais que combatiam  a ditadura.

         Cunha e Silva não se deixou  intimidar,  mostrava os erros dos governantes,  defendia  o seu credo  político,  a democracia  social. Combatia  sempre  os regimes  discricionários, quer no país , quer no  exterior. Seu jornalismo  já o encontrava na fase de grande amadurecimento  e equilíbrio e sabia como  criticar  sem  se expor  ingenuamente. Até  mesmo  na sua produção  fora do jornalismo,  suas ideias  de esperança   na democracia e na vontade de ver  seu país   um dia   vivendo  sob um  regime de democracia  social nunca arrefecera  de seu espírito e e de suas  preocupações  constantes.

          Tal se refletiu  em dois livros  publicados,  A república dos mendigos (16),do qual tive  o privilégio de  fazer as orelhas e uma pequena   introdução, e  do seu  livro  Copa e cozinha (17). Em ambos,  ainda que, no primeiro tenha   utilizado o gênero  ficcional, há  o viés  político, a crítica aos regimes fechados e a defesa da democracia social.

         Sua forte  vocação  de jornalista  político,  malgré lui,  não consegue se desprender  da notação  ideológica   por ele cultivada, ou seja,   há na sua  visão  de escritor um elemento  jamais descartável,   o proselitismo de um  espírito  para quem  a única  saída   para os  problemas sociais do mundo é o exercício da democracia  social,  implantada  na sua plenitude  desde que o homem  político e o ser humano em geral   se transformem  pela humanização  e desprendimento   dos  bens materiais, tal como se pode ver  encarnado no protagonista – e seguramente  o alter-ego  do autor -,  Simão Lopes, da novela A república dos mendigos, já citada. Simão Lopes não é apenas  uma mera   construção ficcional.

          É, antes,  símbolo, com sua  matriz na República de Platão, de um  mundo  de harmonia  e paz  social,  de justiça   e  de humanidade entre  as pessoas, mundo para alguns   utópico, mas que, na  verdade,  é real na possibilidade  da  arte de ficção.

À guisa de conclusão:

             O presente  estudo está longe de ser desenvolvido em maior  profundidade, inclusive  em virtude  de falhas de pesquisas, que demandariam  deslocamentos do autor para consultas  em Arquivos e Bibliotecas  de Teresina, Amarante,  Floriano,Niterói e Lavrinhas,além de testemunhos   de pessoas   que o conheceram na melhores fases de sua  atuação  jornalística. 

            No tocante a leituras e releituras  dos artigos e da  produção  existente  de meu pai  visando a um  trabalho  de envergadura   de análises dos seus textos e de seu  pensamento  político  e intelectual, é minha pretensão,     por enquanto fica apenas  no  desejo  de ver um estudo  realizado  neste  nível. Desejo  acrescentar que a bibliografia passiva sobre meu pai ainda foi    levantada  com todo o cuidado  que  a relevância que o  jornalista  piauiense  merece da parte de um estudioso.

Notas bibliográficas:

(1)  Grande parte dos  dados informativos  de caráter biográfico  deveram-se a  diversas  conversas que com  meu  pai  mantive na adolescência em Teresina, Piauí, depois confirmadas  por alguns artigos  de cunho  memorialístico  que  publicou  ao logo da vida. Devo  acrescentar que sentia que ele  tinha   prazer de contar-me alguns  aspectos  de sua vida passada, tanto no Piauí quanto no Rio de Janeiro e em Lavrinhas,  Estado de  São Paulo.

(2) SILVA, Cunha e. A virtude está no meio. Só tenho o recorte do jornal, mas provavelmente foi  publicado em O Liberal, Teresina( PI). Só uma indicação  :  encontro no verso  do recorte: Teresina,  Dom./Seg. 26/27 de Setembro de 1988.

(3) Em conversa com meu  pai nas condições  indicadas na nota  “1”  acima.

(4) TITO FILHO, A.  Cunha e Silva. In: Crônicas de  A. Tito Filho. Teresina, PI.: Gráfica do Jornal O Dia, 1990, p. 65-66. Texto conseguido em cópia-xerox.   Antes,  tinha  do mesmo  outra  cópia-xerox que um  amigo piauiense  há muito tempo    me  ofertou, mas não   apresentava a fornece a imprenta  correspondente anotada à mão e à tinta. Este texto, assim  como    outro de autoria de José Maria  Soares Ribeiro,  Elogio da sombra, com extensão  de um  ensaio  de 5 páginas,  constitui  parte do   capítulo  “Perfis”. Vale  enfatizar  que ambos,   a meu ver,  de tudo  que  pude  ler sobre Cunha e Silva, me parecem  o que há de melhor sobre  o entendimento  da personalidade intelectual e do pensamento e ideias   de meu pai. Essa obra de José Maria Soares Ribeiro, que também um cópia-xerox que presenteada  pelo mesmo amigo  piauiense, não contém tampouco dados da imprenta.

 (5) SILVA,  Cunha e. Omissão injusta. Jornal Estado do Piauí, Teresina,  22 de julho de  1983. Tais informações  se encontram  igualmente em outros artigos   memorialísticos  de Cunha e Silva

(6) SILVA,  Cunha e. Amarantinos  ilustres.  Recorte do artigo provavelmente  publicado no  jornal Estado do Piauí, Teresina, s.d.

(6) Entrevista: Prof. Cunha e Silva. In: EDUCAÇÃO. Ano III, Nº 06 – Revista Trimestral – 15/10/1986., p. 17-22. Órgão Oficial da Secretaria de Educação do Estado do Piauí.

(7) SILVA, Cunha e. Profissão de fé. Jornal Estado do Piauí, Teresina(PI),  publicado em  duas partes, a primeira em 24/06/1980, a segunda, em 27/06/1980.

(8) TITO FILHO, A. Op. cit.

(9) SILVA , Cunha e. Profissão de fé. Op. cit.

(10) Informação   a mim  transmitido por  um amigo  de Cunha e Silva.

(11) TITO  FILHO,  A. Op. cit.

(12) Idem, ibidem.

(13)Idem, ibidem.

(14) SILVA, Cunha e. A odisseia e o cativeiro no Brasil. Op. cit. 

(15) TITO FILHO,  A. Op. cit. 

(16) Idem, ibidem.

(17) A república   dos mendigos (novela). Rio de Janeiro, RJ.: Folha Carioca Editora Ltd.,  1984, 135 p. Introdução de Cunha e Silva Filho.

(17) SILVA, Cunha e. Copa e cozinha. Teresina: Academia Piauiense de Letras/Projeto Petrônio Portella, 1988,  127 p.

Alguns  artigos meus sobre Cunha e Silva:

Esboço bibliográfico  e crítico. Estado do Piauí, Teresina,  29/07/1974.

Carta aberta a meu pai: uma   homenagem ao seu 74º aniversário (inédito)

Em defesa de um autor. Jornal do Piauí,  Teresina, PI., 22/01/1982.

Cunha e Silva: oitenta anos. Jornal  do Piauí, 07/08/1984.

A ausência presente. In: SILVA FILHO, Cunha e. As ideias no tempo: crônicas, artigos, resenhas e ensaios.Prefáacio de M. Paulo Nunes. Teresina: Academia Piauiense de Letras/Gráfica do Senado,  Brasília, DF., 2010, p. 47-48. Artigo anteriormente em jornal  de Teresina,PI.

Três encontros com meu pai. Idem, ibidem, p. 262-264.

Relendo Copa e cozinha. Jornal da Manhã, Teresina, PI., 1988. Posteriormente  publicado na minha  obra As ideias no tempo, op. cit., 77-79.

Um ano sem Cunha e Silva. Jornal da Manhã, Teresina, PI., 17/02/1991.

Nas estantes de Cunha e Silva. Meio-Norte, Teresina, PI., 03/10/2004Cunha e Silva: centenário, fotos e saudades (em duas partes). Meio-Norte, 20/01/2006. Seção Presença da Academia.

Recordando Papai (duas partes). Diário do Povo, Teresina, PI., 30/10/2007.

Cartas a meu pai (1). Diário do Povo. Teresina, PI., 14/08/2008

Cartas a me pai (Conclusão). Diário do Povo. Teresina, PI., 14/08/2008.

Apenas memórias. Rio de Janeiro: Quártica  2016,  299 p. [passim]

A tristeza de meu pai. Ver https://www.portalentretextos.com.br/   Acesso em  20/10/2021

Carta imaginária a meu pai, Cunha e Silva (1905-1990). Ver shttps://www.portalentretextos.com.br/Entretextos. Acesso em  20/10?2021