Ataque nuclear aos Estados Unidos está autorizado, diz Exército da Coreia do Norte
Por Flávio BittencourtEm: 03/04/2013, às 21H19
[Flávio Bittencourt]
Ataque nuclear aos Estados Unidos está autorizado, diz Exército da Coreia do Norte
Os EUA alardearam que "defenderão", em caso de ataque do perigoso Kim Jong-un, seus aliados sul-coreanos.
ESSE "DUMBO" EM TAMANHO-FAMÍLIA
NÃO VOA, MAS TAMBÉM NÃO PISA NOS HOMENS!
"MODELO ATÔMICO DE DEMÓCRITO
Demócrito afirma na sua teoria Atomística que o universo tem uma constituição elementar única que é o átomo, partícula invisível, indivisível, impenetrável e animada de movimento próprio. As vibrações dos átomos provocam todas as nossas sensações (...)"
"Cartaz do Gran Circo anunciava sua chegada na cidade de Niterói, no Rio
Foi assim que, há exatos 50 anos, começou o que se considera “a maior tragédia circense da história”, como noticiaram os jornais da época. O incêndio do Gran Circo deixou um sentimento de aversão aos espetáculos itinerantes em Niterói, e promoveu uma enorme comoção no Brasil inteiro. Fez surgir o profeta Gentileza, e também se tornou um marco na carreira do cirurgião Ivo Pitanguy. Foi neste episódio que João Goulart, presidente à época, chorou na frente dos fotógrafos, ao conversar com uma das vítimas. (...)"
"
Extraído de: Carta Forense - 10 de Fevereiro de 2012
Homem que matou um tatu e um cateto [Zool O mesmo que caititu; Zool Mamífero artiodáctilo, não ruminante, da família dos Taiaçuídeos, que apresenta uma faixa de pelos brancos no pescoço (Tayassu tajacu tajacu); porco-do-mato, cateto, catetu, catete, pecari. Voz: grunhe, ronca. Var: caitatu, catitu, taitatu] na zona rural é condenado
Um homem que, utilizando uma arma de fogo sem registro, matou um cateto e um tatu na zona rural do Município de Guaratuba (PR), foi condenado à pena de 2 anos de reclusão e 6 meses de detenção, bem como ao pagamento de 20 dias-multa. Ele infringiu o art. 14 da Lei n.º 10.826/03 ( porte ilegal de arma de fogo de uso permitido ) e o art. 29 da Lei n.º 9.605/98 ( crime contra a fauna ).
A pena privativa de liberdade foi substituída por duas restritivas de direitos, ou seja, prestação de serviços à comunidade e prestação pecuniária (seis cestas-básicas).
Essa decisão da 2.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná manteve, por unanimidade de votos, a sentença do Juízo da Vara Criminal de Guaratuba que julgou procedente denúncia formulada pelo Ministério Público.
Inconformado com a decisão de 1.º grau, o réu interpôs recurso de apelação alegando que não era o proprietário da arma com ele encontrada e que os animais não foram abatidos a tiros. Disse que, para defender o seu cachorro, que foi atacado pelo cateto, abateu este a golpes de facão, e que o tatu foi pego pelo cachorro na volta para o acampamento.
Entretanto, essa fantasiosa tese não foi acolhida pelo relator do recurso, juiz substituto em 2º grau Carlos Augusto Altheia de Mello , que ponderou: "Interessante destacar que o apelante admite que abateu o cateto, todavia, disse que foi com um facão - já que não tinha nenhuma arma de fogo -, e para defender um de seus cachorros, e que o tatu foi morto pelo seu cachorro. Todavia, no auto de constatação de caça abatida (fl. 17), 'constataram-se que os animais foram mortos a tiros' , o que faz cair por terra a alegação de que um foi morto a facadas e o outro pelo cachorro. Ainda, se os animais tivessem sido abatidos há pouco tempo, e, como se constatou, a tiros, não há dúvidas de que a arma encontrada pertencia ao apelante, desmentindo a versão por ele apresentada" .
"E, ao contrário do alegado pela defesa, os depoimentos dos policiais são perfeitamente válidos para firmar a convicção do julgador, quando ouvidos sob o crivo do contraditório. Seus relatos são revestidos de fé pública até prova em contrário", acrescentou o relator.
Em qualquer triângulo retângulo, o quadrado do comprimento da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos comprimentos dos catetos.
”
Por definição, a hipotenusa é o lado oposto ao ângulo reto, e os catetos são os dois lados que o formam. O enunciado anterior relaciona comprimentos, mas o teorema também pode ser enunciado como uma relação entre áreas:
“
Em qualquer triângulo retângulo, a área do quadrado cujo lado é a hipotenusa é igual à soma das áreas dos quadrados cujos lados são os catetos.
onde c representa o comprimento da hipotenusa, e a e b representam os comprimentos dos outros dois lados.
O teorema de Pitágoras leva o nome do matemáticogregoPitágoras (570 a.C. – 495 a.C.), que tradicionalmente é creditado pela sua descoberta e demonstração,[2][3] embora seja frequentemente argumentado que o conhecimento do teorema seja anterior a ele (há muitas evidências de que matemáticos babilônicos conheciam algoritmos para calcular os lados em casos específicos, mas não se sabe se conheciam um algoritmo tão geral quanto o teorema de Pitágoras).[4][5][6]
O teorema de Pitágoras é um caso particular da lei dos cossenos, do matemáticopersaGhiyath al-Kashi (1380 – 1429), que permite o cálculo do comprimento do terceiro lado de qualquertriângulo, dados os comprimentos de dois lados e a medida de algum dos três ângulos. (...)"
"L'expression tonnerre de Brest vient du coup de canon qui annonçait chaque jour l'ouverture et la fermeture des portes de l'arsenal à 6 heures et à 19 heures aux pieds du château de Brest.
Contrairement à une idée répandue, l'expression tonnerre de Brest ne fait pas référence au canon du bagne de Brest dont le tir signalait les évasions, même s'il est vrai qu'un coup de canon était effectivement tiré lorsqu'un bagnard s'évadait pour avertir la population, car une récompense était offerte à ceux qui le capturaient.
Cette exclamation est l'expression favorite du capitaine Haddock, le célèbre personnage de Hergé dans les aventures de Tintin : « mille millions de mille sabords [OBS.: 'SABORD' - que não á mesma coisa que ESCOTILHA ("janela náutica") - SIGNIFICA 'orifício em casco de navio para canos de canhões que para fora da embarcação apontam'] de tonnerre de Brest » (les dérivés sont multiples.)
Expression reprise comme nom par le club de football américain de Brest. (...)".
"Logo depois da notícia do incêndio na boate em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, que deixou mais de 230 [240] mortos na madrugada deste domingo (27), o telefone do jornalista Mauro Ventura começou a tocar. Ele é autor do livro “O espetáculo mais triste da Terra”, lançado no fim de 2011, que lembra outra tragédia semelhante, ocorrida em 1961 em Niterói, (...)"
"Pitanguy conta ao 'JB' os momentos mais marcantes da tragédia [DE 1961] no circo
Quando houve o incêndio, o cirurgião plástico Ivo Pitanguy trabalhava como professor na PUC, e ainda não tinha inaugurado a famosa clínica na rua Dona Mariana, em Botafogo. No dia, conta aoJB, ele seguia para a Santa Casa da Misericórdia quando ouviu, pela rádio, o anúncio de que o circo pegava fogo. Pitanguy seguiu para o Iate Clube do Rio e, a bordo da sua lancha particular, atravessou a Baía de Guanabara para se juntar ao mutirão que procurava ajudar as vítimas."
Uma elefante fêmea que estava no picadeiro se tornou, anos depois, uma das heroínas do incêndio. Pronta para entrar em cena, Semba disparou em uma corrida desesperada quando um pedaço de lona queimada lhe caiu sobre o couro. Ao atravessar a lona, o animal abriu caminho e acabou salvando inúmeras pessoas – mas também fez vítimas em seu trajeto. Nos jornais da época, o feito de Semba ganhou destaque: 'Com a tromba, atirou a distância dois assistentes, que conseguiram salvar-se. As feras escaparam, embora nenhuma delas tenha conseguido abandonar as jaulas. Só alguns elefantes saíram a correr, sendo imediatamente dominados pelos domadores', escreveu o JB."
(http://limiaretransformacao.blogspot.com.br/)
"Tonnerre de Brest, ça va chier!" ("TROVÃO DE BREST,
"(...) "Operação s Corcova" (Hump), em substituição à Estrada da Birmânia, cuja perda significou sério revés para a causa aliada. Com a queda de Lashio, as forças aliadas se retraíram, rapidamente, na direção da China. Durante essa retirada, o AVG desempenhou importante papel por vários motivos: seus aviões, decolando de bases situadas na China, constituíram-se no único meio à disposição das forças aliadas para obterem informações e fazerem reconhecimento; destruíram a seção setentrional da Estrada da Birmânia e todas as pontes sobre o rio Salween, impedindo, dessa forma - ou pelo menos retardando _ qualquer progressão japonesa que, (...)"
B-52 Stratofortress é um bombardeiro estratégico sub-sónico de longo raio de ação, propulsionado por oito motores a jato. Originalmente concebido como substituto do Convair B-36 Peacemaker na função de bombardeamento nuclear e convencional de grande altitude, foi no entanto adaptado no início da década de 1960 para a função de penetração a baixa altitude como forma de contornar a cada vez maior, eficaz e sofisticada defesa aérea da ex-União Soviética .
Iniciou a atividade operacional na Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), seu único utilizador, em fevereiro de 1955, atuando em todos os conflitos nos quais os EUA se envolveram. Sessenta anos após o seu primeiro voo e fruto de sucessivas modificações e atualizações, é ainda uma versátil plataforma apta a desempenhar uma grande variedade de missões que os engenheiros responsáveis pelo sua criação e desenvolvimento imaginaram que fosse possível nos finais de 1950.
Durante o período da chamada guerra fria, desempenhou um papel de extrema relevância na dissuasão nuclear dos Estados Unidos, mantendo um contínuo estado de alerta em voo, armado com armas nucleares, porém as mais de cinco décadas de serviço na linha da frente serão a sua mais extraordinária faceta. Provavelmente, esta extraordinária longevidade[nota 1], e de acordo com os planos da Força Aérea, irá manter-se até 2040, e para que tal aconteça as unidades ainda operacionais começaram a ser submetidas a um programa de reformas e extensão de vida útil.
Entre as atuais tripulações, maioritariamente (ou mesmo na totalidade) mais novas que as aeronaves que tripulam, é usual ouvir dizer-se que ainda não nasceu o último piloto que assumirá os seus comandos. (...)"
E AO PAPA FRANCISCO, QUE ANDA DE ÔNIBUS PORQUE É SIMPLES
COMO NÓS, O POVO A QUEM ELE DÁ SANTOS CONSELHOS
E ESPIRITUAMENTE ORIENTA,
para o Dr. Ivo Pitanguy, herói brasileiro que honra a sua categoria profissional, e
para a elefanta SEMBA, em memória, porque OS ANIMAIS TAMBÉM TÊM ALMA E
SÃO FILHOS DE DEUS, PODENDO DEVORAR OS HUMANOS - QUE, ALIÁS,
NÃO ESTÃO NO TOPO DA CADEIA ALIMENTAR! - SÓ QUANDO ESTÃO FAMINTOS,
mas não os paquidermes: "Os elefantes são animais herbívoros, alimentando-se de ervas, gramíneas, frutas e folhas de árvores (...)"
4.4.2013 - OS ESTADOS UNIDOS PODERÃO, TALVEZ, ATACAR A COREIA DO NORTE - A Coreia do Norte poderá, talvez, atacar a Coréia do Sul. (Dificilmente a Coreia do Norte atacará os EUA, pela simples razão de que, como dizia Ivan Lessa "Hiroshima levou".) F. A. L. B
"Exército da Coreia do Norte diz que ataque nuclear aos EUA está autorizado
Do UOL, em São Paulo 03/04/2013 18h34
(Com AFP e Reuters)
O Exército da Coreia do Norte disse nesta quinta-feira (4, no horário local) que recebeu a autorização final para lançar um ataque com eventual uso de armas nucleares contra os Estados Unidos, segundo um comunicado divulgado pela agência estatal KCNA.
3.abr.2013 - Militares norte-coreanos marcham em comício realizado nesta quarta-feira (3), em Nampo, no sudoeste do país, para reafirmar a confiança na vitória em caso de uma guerra contra os Estados Unidos e a Coreia do Sul. O Exército da Coreia do Norte afirmou nesta quinta-feira (4, no horário local) que recebeu a autorização final para lançar um ataque com o eventual uso de armas nucleares contra os Estados Unidos, segundo um comunicado divulgado pela agência estatal KCNA Reuters/KCNA
O comunicado avisou "formalmente" os Estados Unidos de que as ameaças americanas serão "esmagadas" utilizando "meios nucleares modernos, leves e diversos".
"A operação sem compaixão das forças armadas revolucionárias neste aspecto foi finalmente examinada e ratificada", indicou.
Segundo a nota, "o momento de uma explosão [da situação] se aproxima rapidamente" e uma guerra na península coreana pode eclodir "hoje ou amanhã".
6.mar.2013 - Norte-coreanos assistem a um jogo de voleibol diante de edifício na cidade de Sinuiju, na fronteira com a cidade chinesa de Dandong Jacky Chen/Reuters
Ainda nesta quarta-feira, o secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel anunciou que o país vê um perigo "real e claro" da Coreia do Norte, devido à capacidade nuclear e de mísseis e à retórica belicosa do país.
Veja vídeos sobre a tensão entre as Coreias - 27 vídeos
3.abr.2013 - Norte barra sul-coreanos em complexo industrial
3.abr.2013 - Rússia teme que tensão 'saia do controle'
2.abr.2013 - Coreia do Norte reativará reator nuclear
1º.abr.2013 - Cooperação econômica entre Coreias continua
1º.abr.2013 - Sul alerta para represália a ações do Norte
1º.abr.2013 - Norte anuncia que reforçará poderio nuclear
30.mar.2013 - Coreia do Norte anuncia 'estado de guerra'
28.mar.2013 - Aviões dos EUA fazem treinamento de ataque
27.mar.2013 - Norte corta comunicação militar com Seul
27.mar.2013 - EUA se dizem prontos para se defender
26.mar.2013 - Coreia do Norte prepara tropas para ataques
22.mar.2013 - Propaganda mostra Pyongyang conquistando Seul
21.mar.2013 - Exército emite alerta contra bases dos EUA
20.mar.2013 - Norte divulga vídeo com simulação de 'ataque'
12.mar.2013 - Norte anuncia escolha de primeiro alvo no Sul
11.mar.2013 - EUA e Sul iniciam exercícios militares
7.mar.2013 - ONU adota novas sanções contra Coreia do Norte
23.fev.2013 - EUA e Japão se unem contra a Coreia do Norte
21.fev.2013 - Norte comemora teste nuclear com musical
14.fev.2013- Norte-coreanoscomemoram teste nuclear
14.fev.2013 - Coreia do Sul testa míssil
12.fev.2013 - Coreia do Norte faz 3º teste nuclear
5.fev.2013 - Norte simula vídeo com imagens de NY destruída
12.dez.2012- Coreia do Norte comemora lançamento de foguete
13.dez.2012 - Norte divulga imagens do lançamento de foguete
9.out.2012 - Norte diz ter mísseis capazes de atingir os EUA
"Nós levamos essa ameaça a sério", afirmou Hagel a uma plateia na Universidade de Defesa Nacional, em Washington
"Estamos fazendo tudo que podemos, trabalhando com os chineses, e outros, para acalmar a situação na península."
Escalada de tensão
Em dezembro passado, houve uma escalada da tensão com o lançamento de um foguete norte-coreano --considerado pelo Ocidente como um teste de míssil de longo alcance--, seguido em fevereiro do terceiro teste nuclear norte-coreano.
Pouco depois, a ONU impôs novas sanções contra o regime do país, no momento em que Estados Unidos e Coreia do Sul realizavam manobras militares conjuntas durante as quais Washington mobilizou aviões B-52, com capacidade de transporte de armas nucleares.
Em resposta, a Coreia do Norte ameaçou efetuar ataques com mísseis e bombardeios nucleares contra a Coreia do Sul e contra interesses americanos no Pacífico.
No sábado (30), Pyongayng se declarou em "estado de guerra" com o Sul e na terça (2) anunciou sua intenção de reativar um reator nuclear que teve suas operações suspensas em 2007, desafiando as resoluções da ONU que proíbem qualquer programa atômico.
Os Estados Unidos prometeram nesse mesmo dia que defenderão seus aliados sul-coreanos, e o secretário de Estado, John Kerry, classificou como "perigoso" e "irresponsável" o comportamento do líder norte-coreano, Kim Jong-un. (Com AFP e Reuters)"
Essa palestra do chef inglês Jamie Oliver no TED Talk é um dos mais engajados e inspirados discursos pela saúde na alimentação que eu vi nos últimos anos, e vem de um competente profissional do ramo, que vem se dedicando há 7 anos a trabalhar em casas, escolas e restaurantes pela reforma do panorama alimentar na Inglaterra e nos Estados Unidos. “Temos uma pavorosa, pavorosa realidade agora mesmo. Doenças relacionadas à dieta são o maior matador nos Estados Unidos, agora mesmo, aqui, hoje. Este é um problema global. É uma catástrofe. Está se espalhando pelo mundo”. Como é bem evidente na energia que Jamie coloca nessa palestra, o ignorância alimentar é um dos maiores elefantes que mantemos em nossas salas (e cozinhas…). Além do grave problema do fast-food, que persiste, há negligência das grandes cadeias de supermercados, dosrestaurantes corporativos, há uma cultura crescente de não mais se cozinhar em casa e em família, e ainda mais grave são as dietas deficientes e não-instrutivas nas escolas.
Numa das cenas que Jamie mostra no telão, crianças de aparentemente 5-6 anos de idade em uma escola tentam dar nomes a vegetais que são mostrados, como tomate, beringela e repolho, mas muito poucas sabem responder. “A realidade é, o alimento que seus filhos consomem a cada dia é fast food, é muito processado, não há alimentos frescos suficientes neles, de modo algum. Vocês sabem, a quantidade de aditivos, códigos numéricos, ingredientes em que vocês não acreditariam… Não há vegetais suficientes de modo algum. Até batatas fritas são consideradas vegetais”, diz Oliver.
Jamie propõe mudanças pragmáticas e possíveis em setores como supermercados e escolas, dando exemplos e quantificando financeiramente a mudança. Entre as sugestões mais educativas e simples, estão a proposta de um embaixador da alimentação nos supermercados e a de fazer as crianças sairem da escola sabendo ao menos 10 receitas que as ajudem a sobreviver com saúde. “Habilidades para a vida”, defende, sob aplausos.
“Meu desejo é que vocês apoiem um forte movimento sustentável para educar cada criança sobre alimentação, para inspirar as famílias a cozinharem novamente, e motivas as pessoas em toda parte a combater a obesidade”.
~ Jamie Oliver, Vencedor do TED Prize 2011
Segue a palestra de Jamie Oliver (21min), com legendas em português:
Uau! dura realidade. Nos alimentamos e também os nossos filhos com lixo… isso precisa mudar
Simplesmente maravilhoso e inspirador. Fiquei emocionada de ver a quantidade de gente assistindo e apoiando o trabalho desse rapaz. Que maravilha assistir ao grande Despertar dos seres humanos.
Mauro Ventura escreveu um livro com esse título sombrio.
"É lamentável constatar que mais de 50 anos depois aquilo não serviu de lição, que a gente continue perpetuando os mesmos erros”
(MAURO VENTURA, em entrevista ao G1 / Globo)
AGRADECENDO-LHE POR SUA SOLIDARIEDADE, EIS UMCOMENTÁRIO DO SR. MAURICE DEVERS, DE ONTEM (DOMINGO, 27/01/2013, 21h29); M. DEVERS É UM LEITOR-PARTICIPANTE DO LE MONDE, PARIS, EM SUA VERSÃO ELETRÔNICA:
"Cet incendie tel qu'il est relaté (inflammabilité des matériaux, fumées mortelles, évacuation entravée), rappelle le drame du « 5-7 », à Saint Laurent du Pont en 1970, qui avait au moins servi à faire évoluer la législation française sur la sécurité incendie. Force est de constater qu'elle est efficace, même si on n'est jamais sûr de rien. Et il est navrant de constater, à chaque catastrophe de ce genre dans le monde que de tels progrès, chèrement payés, ne servent pas au-delà de nos frontières. Il est tout aussi navrant de voir qu'après d'autres catastrophes du même genre, rappelées dans l'article, un pays comme le Brésil n'ait apparemment pas réagi."
[*] - MAS... CUIDADO! A ELEFANTE FÊMEA QUE SALVOU MUITA GENTE ABRINDO UM
PORTÃO DE SAÍDA NO CIRCO, EM NITERÓI (DEZ. / 1961), NA SUA DESABALADA
CARREIRA PARA SE SALVAR, FERIU VIOLENTAMENTE (COM UMA FORMIDÁVEL
FORÇA ELEFANTINA) QUEM ESTAVA NA FRENTE.
NITERÓI/RJ, EM DEZ. / 1961
(FATO HISTÓRICO SOBRE O QUAL
- NÃO SE SABE BEM A RAZÃO -
SE FALA POUCO):
"(...) A elefanta salvou
Uma elefante fêmea que estava no picadeiro se tornou, anos depois, uma das heroínas do incêndio. Pronta para entrar em cena, Semba disparou em uma corrida desesperada quando um pedaço de lona queimada lhe caiu sobre o couro. Ao atravessar a lona, o animal abriu caminho e acabou salvando inúmeras pessoas – mas também fez vítimas em seu trajeto. Nos jornais da época, o feito de Semba ganhou destaque: “Com a tromba, atirou a distância dois assistentes, que conseguiram salvar-se. As feras escaparam, embora nenhuma delas tenha conseguido abandonar as jaulas. Só alguns elefantes saíram a correr, sendo imediatamente dominados pelos domadores”, escreveu o JB. (...)"
HOMENAGEANDO TODAS AS VÍTIMAS DO RECENTE SINISTRO GENOCIDA,
REZANDO PELA SAÚDE DE QUEM ESCAPOU COM VIDA DAQUELE
CENÁRIO DANTESCO, OS
TRATADORES DE ANIMAIS DE GRANDE PORTE
DO MUNDO INTEIRO - E
AOS MORTOS DE NITERÓI (dez. / 1961) -
todos vivem em nossa lembrança! -,
in memoriam
28.1.2013 - Mauro Ventura escreveu o livro intitilado O Espetáculo Mais Triste da Terra - Niterói, 17.12.1961. F. A. L. Bittencourt ([email protected])
"27/01/2013 17h16 - Atualizado em 27/01/2013 23h07
Autor de livro sobre incêndio em Niiterói lamenta tragédia no RS
'Mais de 50 anos depois, aquilo não serviu de lição, critica Mauro Ventura.
Em 1961, mais de 500 morreram em Niterói; em Santa Maria, já são 233.
José Raphael BerrêdoDo G1 Rio
Capa do livro de Mauro Ventura (Foto: Reprodução)
Logo depois da notícia do incêndio na boate em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, que deixou mais de 230 mortos na madrugada deste domingo (27), o telefone do jornalista Mauro Ventura começou a tocar. Ele é autor do livro “O espetáculo mais triste da Terra”, lançado no fim de 2011, que lembra outra tragédia semelhante, ocorrida em 1961 em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, e é considerada a maior da história do país. Em 17 de dezembro daquele ano, mais de 500 pessoas, sendo 70% crianças, morreram após o fogo se alastrar pelo Gran Circo Norte-Americano.
"É lamentável constatar que mais de 50 anos depois aquilo não serviu de lição, que a gente continue perpetuando os mesmos erros”, diz Ventura, em entrevista ao G1, sobre as falhas que causaram tantas mortes. “Um dos meus objetivos do livro, mesmo que ilusório, era mostrar o que aconteceu para que o fato não se repetisse. Lamentavelmente, não se pode falar em fatalidade. É uma sucessão de erros, imprevidências, negligências.”
O escritor fez mais de 150 entrevistas, com vítimas, sobreviventes e parentes, durante dois anos e meio. Ele conta que, apesar de não ter saída de emergência nem extintores, e de ser coberto com uma lona altamente inflamável, o circo possuía alvará de funcionamento, ao contrário da boate Kiss, em Santa Maria.
Enquanto na Kiss, o principal indício é de que um show pirotécnico teria dado início ao incêndio, o que caracterizaria um crime culposo (quando não há a intenção), em Niterói o fogo foi criminoso, segundo as invetigações. Um ex-funcionário, Dilson Marcelino Alves (Dequinha), então com 20 anos, teria sido ajudado por dois homens para provocar o incêndio por vingança, após ser demitido e chamado de "preguiçoso".
“Naquela época não tinha saída de emergência, tinha uma única que era obstruída por grades retiradas no fim do espetáculo. Como não havia acabado, ninguém conseguia sair. Não havia extintor, a lona era altamente inflamável. Chegaram a dizer que era uma armadilha mortal. A lona era de algodão e passaram parafina para evitar que a água da chuva penetrasse. O fogo levou menos de 10 de minutos para se alastrar.”
Entre os mortos (503, segundo a prefeitura, na época, mas o número é contestado), havia queimados, pisoteados e asfixiados. “A saída foi apelidada de corredor da morte”, lembra Ventura.
Entre muitos parentes com os quais conversou, o jornalista conta que apenas para a alguns a tragédia foi superada, e que outros vivem intensamente a dor até hoje. O próprio escritor revelou que se aprofundar no tema deixou marcas. "Cada um lidou com a dor da sua maneira. Teve gente que conseguiu de forma melhor, com alegria de viver impressionante. Outros até hoje não conseguiram se recuperar emocionalmente. Realmente foi muito doloroso ficar ouvindo a história de gente que perdeu todo a família. E em vão, mais de 500 pessoas morreram e não aprendem", lamenta.
Sem punições
Mais de 50 anos depois, nenhum dos parentes das vítimas foi indenizado, segundo o escritor, e apenas os supostos autores do fogo criminosos — por muitos considerados "bodes-expiatórios" — foram presos. O dono do circo, Danilo Stevanovich, ficou solto, voltou a trabalhar com circo e a família até hoje segue no ramo.
"Na época não tinha cultura de se formar associação de vítimas. Ninguém entrou com processo. Um dos motivos era porque achavam que o circo era americano. Ninguém foi punido. Nem o dono do circo, que até retomou o circo anos depois".
Fogo em boate em Santa Maria
O incêndio ocorrido na madrugada deste domingo na boate Kiss, em Santa Maria já deixou pelo menos 232 mortos, segundo a Brigada Militar. O resgate dos corpos no local da tragédia foi concluído no final da manhã. Pelo menos outras 131 pessoas ficaram feridas e foram levadas para atendimento em hospitais da região. Mais cedo, a polícia havia dito que 245 pessoas haviam morrido na tragédia, mas o número foi corrigido no início da tarde.
Segundo informações preliminares, o fogo teria começado por volta das 2h30, depois que o vocalista da banda que se apresentava teria feito uma espécie de show pirotécnico, usando sinalizador. As faíscas teriam atingido a espuma do isolamento acústico no teto da boate e iniciado o fogo, que se espalhou em poucos minutos.
O incêndio provocou pânico entre os presentes, e muitas pessoas não conseguiram acessar a saída de emergência. Coronel Guido, comandante do Corpo de Bombeiros, disse que algumas pessoas presentes na festa relataram que seguranças da boate trancaram a porta de saída durante o incêndio.
"Vi as pessoas amontoadas e mortas perto da saída", disse o coronel. 'A maioria das pessoas acaba morrendo por asfixia, inalação da fumaça tóxica. Queimados mesmo ali foram poucos. O que matou foi o pânico, a inalação da fumaça tóxica e a dificuldade em sair'."
Niterói vivia há 50 anos o maior incêndio com vítimas do Brasil
Há 50 anos Niterói vivia seu pior pesadelo, o Brasil vivia seu maior incêndio com vítimas e o setor de entretenimento do país vivia sua maior tragédia: o incêndio do Gran Circo Norte-Americano, com 503 mortos, das quais 70% delas eram crianças. A tragédia foi a primeira e a maior das três grandes catástrofes que aconteceram na cidade nos últimos 50 anos - as outras foram a explosão do Bazar Santa Bárbara, em 1991, que matou 28 pessoas e atingiu aproximadamente 100 casas; e o deslizamento do Morro do Bumba, em 2010, culminando com o saldo de 44 mortos.
destroços do picadeiro e arquibancada após o incêndio
O curioso que passados 5 décadas, embora as cenas ainda estejam bem vivas na memória da população de Niterói, devido as perdas familiares e as marcas físicas nos sobreviventes, há um clima de silêncio, e não foram organizados eventos de homenagens às vítimas nesse cinquentenário, como também até hoje nunca foi construído um memorial na cidade, inclusive em agradecimento às centenas de heróis famosos e anônimos.
Apesar da dimensão dos eventos e do seu impacto até hoje, são poucas as lembranças nesse cinquentenário - além de poucos matérias de jornais e uma solenidade de homenagem aos profissionais de saúde da época -, é o lançamento do interessantíssimo livro do jornalista e pesquisador Mauro Ventura, "O Espetáculo Mais Triste da Terra", que análise a história da tragédia e seus desdobramentos na vida da cidade e do Brasil desde então.
Incêndio no Gran Circo: 50 anos de uma das piores tragédias de Niterói
Por: Ricardo Rigel 02/12/2011 O FLUMINENSE
Cinquenta anos depois, o escritor Mauro Ventura pesquisou sobre o maior incêndio do Brasil, ocorrido na cidade, que matou mais de 500 pessoas em 1961
No dia 17 de dezembro de 1961, os risos e aplausos que ecoavam do Gran Circo Norte-Americano, que se apresentava em Niterói, deram lugar ao silêncio e à perplexidade. Acontecia ali a maior tragédia circense da história e o pior incêndio com vítimas do Brasil. Cinquenta anos depois, o escritor Mauro Ventura lança, no próximo dia 13, na Biblioteca Pública de Niterói, um minucioso trabalho de apuração que durou cerca de dois anos e meio: o livro O espetáculo mais triste da terra. A obra revela uma trama que mistura drama e heroísmo, oportunismo e solidariedade, dor e superação.
O que te motivou a recontar a tragédia do Gran Circo Americano?
Eu trabalhava ao lado das pilastras do Caju, onde o profeta Gentileza fez suas inscrições. Aquelas frases e aquela figura me despertaram a curiosidade. Ouvi dizer que ele tinha perdido toda a família num circo de Niterói - história que só depois vim a descobrir ser mentira. Mais tarde, li Ivo Pitanguy escrever na autobiografia que o atendimento às vítimas do circo tinha sido a experiência que marcou mais fortemente sua vida. Resolvi pesquisar o tema e vi que em poucos anos ia ser o cinquentenário da tragédia. E notei que não havia nada escrito sobre o assunto, a não ser reportagens. Ficou a pergunta: por que algo que repercutiu em escala mundial havia sido esquecido? Essa questão me intrigou. Até que percebi que, na verdade, existia a memória do episódio, mas ele havia sido tão traumático que as pessoas não queriam lembrar. Era uma lembrança presente, mas incômoda. E, depois, conversando com algumas pessoas, entre elas parentes, vi que quase todo mundo tinha uma história para contar: ou quase foi, ou conhecia alguém que foi, ou era parente de alguém que foi.
Foi difícil ter que ficar por mais de dois anos pesquisando sobre uma das maiores tragédias que o País já presenciou? Foi um desafio emocional também?
Foi muito difícil, porque tive que conciliar com o trabalho no jornal. E foi muito complicado emocionalmente, porque coincidiu com o nascimento de minha filha, Alice. Não só eu não tinha tempo para vê-la como ainda estava lidando com a morte de muitas crianças.
Durante o período de apuração qual foi o personagem que mais te marcou? Por quê?
A Lenir (vítima do incêndio) me marcou muito, porque é a pessoa com mais alegria de viver que já conheci, apesar de ter perdido o marido e os filhos, e ter se ferido gravemente. Maria Pérola, chefe dos escoteiros, também, pela entrega e dedicação às vítimas.
José de Datrino é um personagem marcante na história de Niterói e do Rio de Janeiro. Em que momento do livro o Profeta Gentileza ganha destaque?
José Datrino aparece em vários momentos do livro. No início, ele é um pequeno empresário de transportes, e está em casa quando ouve a notícia da tragédia. Sente algo estranho, e, seis dias depois, na véspera do Natal, ouve um chamado divino (há quem ache que foi um surto psicótico). Depois, ele aparece em outro momento, quando larga a família - mulher e cinco filhos - e o trabalho, e vai morar no terreno do circo, consolando os parentes das vítimas. Constrói o seu “paraíso”, com horta e poço, e fica quatro anos lá. E ele aparece no fim, quando falo sobre sua vida após o incêndio.
Quem estuda a trajetória de vida de Datrino afirma que sua história renderia um livro. Concorda com essa ideia? Você tem vontade de escrever sobre a vida de figuras como o Gentileza?
Não só renderia como já rendeu, Univvverrsso Gentileza, do professor da UFF (Universidade Federal Fluminense) Leonardo Guelman, maior especialista no assunto do País.
Como essa tragédia ajudou a impulsionar a cirurgia plástica brasileira? Qual foi a importância do cirurgião plástico Ivo Pitanguy neste evento?
Como diz o professor Paulo Knauss, da UFF: “Não é à toa que a cirurgia plástica no Brasil é tão desenvolvida. Ela teve nessa tragédia seu maior campo de pesquisa e experimentação na história.” É preciso entender que os médicos se viram obrigados a lidar ao mesmo tempo com um volume imenso de queimados, e, ainda por cima, tendo que trabalhar em condições precárias, e com o principal hospital da região, o Antonio Pedro, inicialmente fechado. Um dos cirurgiões plásticos, Liacyr Ribeiro, diz que em um ano lá ele atendeu mais queimados que na vida inteira. Pitanguy fala que a tragédia evidenciou a importância da sua especialidade, até então vista pelos brasileiros como cosmética. Graças ao prestígio de Pitanguy, chegou do exterior um carregamento de pele liofilizada, que foi usada no tratamento. Era algo novo, e os médicos tiveram que aprender ali, na hora. Também veio a equipe do argentino Fortunato Benaim, que já estava preparada para casos de incêndio. Um médico me disse que aprendeu muito vendo a forma como eles trabalhavam. Com relação à participação de Pitanguy, se você olhar todo o noticiário sobre a tragédia nesses 50 anos verá que a única referência feita a um médico é ele.
Só que o atendimento foi em forma de mutirão. E esse mutirão era formado principalmente pelos médicos de Niterói. Pitanguy teve uma participação muito importante, seja porque todos os cirurgiões plásticos tinham sido formados por ele, seja porque graças a seu prestígio os pacientes receberam a pele e outros remédios de fora, seja porque serviu de referência para outros médicos, seja porque atraía a atenção das autoridades para o problema. Mas os médicos de Niterói passaram mais de um ano atendendo diretamente as vítimas e nunca tiveram reconhecimento algum.
O número de vítimas mortas no incêndio do circo é contestado até hoje. Durante a apuração chegou a números diferentes dos divulgados pelas autoridades?
Essa questão do número de mortos é polêmica. Oficialmente, foram 503, mas há quem fale em 200, assim como há quem fale em 1.500. Os cirurgiões plásticos Ramil Sinder e Pitanguy, que fizeram um trabalho sobre o atendimento, estimam em cerca de 400 os mortos. Nunca vai se chegar a um resultado preciso, porque há vítimas de fora de Niterói que foram transferidas e morreram em sua cidades; há pessoas que até hoje não apareceram; há muitos corpos que foram enterrados sem registro; e há o fato de que qualquer médico estava fornecendo atestado de óbito.
Há controvérsias sobre a verdadeira causa do incêndio. Nem as famílias aceitaram a versão de que o doente mental Adilson Marcelino Alves, o Dequinha, tenha ateado fogo nas lonas do circo. Como você se posicionou em meio a tantas contradições?
A ambiguidade perseguiu a feitura do livro. Eu me guiei pela sentença do juiz, que apontou Dequinha, Bigode e Pardal como os criminosos. Mas incorporei à narrativa as outras versões, principalmente curto-circuito. Como jornalista, eu quis desde o começo não deixar respostas em aberto, mas, no caso do circo, eram tantas as contradições, as lacunas e as versões que o jeito foi assimilá-las. Mas eu tenho laudo da perícia, que me ajudou a resolver muitas dúvidas.
Uma das conclusões do livro é a de que a tragédia foi agravada pelo descaso das autoridades. Por quê?
Mesmo que se admita que a causa foi criminosa, o circo, segundo a perícia, tinha uma lona altamente inflamável, que contribuiu para que o fogo se propagasse rapidamente. Além do mais, ainda segundo a perícia, o circo não tinha saídas de emergência, e as instalações elétricas eram precárias. Mesmo com esses problemas, foi autorizado a funcionar.
Você tem planos para escrever sobre outros episódios trágicos da história do Brasil?
Não. A ideia agora é variar, focar em personagens específicos.
Qual é a grande mensagem que o livro deixa para os leitores?
Não tem uma mensagem única, mas gostaria que os leitores conhecessem o trabalho impressionante dos médicos de Niterói, que se dedicaram até a exaustão e permaneceram anônimos esses anos todos; Que soubessem quem foram as vítimas e o absurdo que aconteceu a elas. Uma coisa é você dizer que centenas de pessoas morreram numa tragédia. Outra é dar um rosto às estatísticas, mostrar quem são elas, suas histórias, suas alegrias, seus dramas. Além do incêndio, elas sofreram preconceito e abandono - ninguém recebeu indenização. Que se entenda um pouco melhor o que ocorreu para evitar que tragédias semelhantes se repitam.
Há 50 anos Niterói vivia seu pior pesadelo
Publicado em: 17/12/2011
Foto: Arquivo
"Espetáculo de Pavor: Circo da Morte!”, com esta chamada de primeira página, A TRIBUNA noticiou o incêndio do Gran Circus Norte-Americano, que deixou cerca de 500 vítimas fatais e 120 mutilados, e que neste sábado (17) completa 50 anos. A tragédia foi a primeira e a maior das três grandes catástrofes que aconteceram na cidade. As outras foram a explosão do Bazar Santa Bárbara, no bairro de mesmo nome, em 21 de junho de 1991, que matou 28 pessoas e atingiu aproximadamente 100 casas; e o deslizamento do Morro do Bumba, no Viçoso Jardim, em 6 de abril de 2010, culminando com o saldo de 44 mortos.
Foram condenados como autores da tragédia, ocorrida na tarde de 17 de dezembro de 1961, Adilson Marcelino Alves, o Dequinha; José dos Santos, o Pardal; e Walter Rosa dos Santos, o Bigode, que confessaram o crime para a Justiça. Os três foram presos após os depoimentos de funcionários do circo, que relataram ameças de vingança de Dequinha.
Segundo a versão oficial dos fatos, ele foi contratado para a montagem da lona, na Praça do Expedicionário, sendo despedido dois dias depois, por possuir antecedentes criminais. Inconformado, Dequinha passou a rondar o circo. Na estreia, em 15 de dezembro, ele tentou entrar sem pagar, mas foi impedido. No dia seguinte, Dequinha provocou o funcionário que ele acreditava ser o causador da sua demissão, acabou agredido e jurou vingança.
No domingo (17 de fevereiro), Dequinha chamou Pardal e Bigode para incendiar o circo. Eles se reuniram no Ponto Cem Réis, compraram gasolina e incendiaram a lona do circo. Na confissão, Dequinha relatou que enquanto Bigode jogava gasolina, ele assistia ao espetáculo, se divertindo com o palhaço. Cinco minutos antes do termino do espetáculo, ele saiu e jogou um fósforo na cobertura, começando o incêndio.
Dequinha e Bigode foram submetidos a um interrogatório público iniciado pelo próprio governador Celso Peçanha. A versão, porém, chegou a ser contestada por alguns policiais e jornalistas, mas os três acusados foram levados à julgamento. Dequinha foi condenado a 16 anos de prisão, em 24 de outubro de 1962, e a mais seis anos de internação em manicômio judiciário, como medida de segurança. Ele foi assassinado em 1973, menos de um mês depois de fugir da prisão. Bigode recebeu 16 anos de condenação e mais um ano em colônia agrícola. Pardal foi condenado a 14 anos de prisão e mais dois anos em colônia agrícola.
Cerca de três mil pessoas estavam no circo durante o incêndio. Morreram no local 372 pessoas, o restante faleceu em consequência das queimaduras, nos dias posteriores, chegando o total a 500 vítimas. Cerca de 70% dos mortos eram crianças. Como não havia espaço no Instituto Médico Legal (IML) da cidade para tantos corpos, eles foram removidos para as câmaras de estocagem de carne bovina da Indústrias frigoríficas Maveroy. O Cemitério do Maruí também não comportou o número de vítimas, sendo necessário a construção do Cemitério de São Miguel, na cidade vizinha de São Gonçalo.
O Gran Circus Norte-Americano possuía 60 artistas, 20 empregados, 150 animais e a lona que caiu, em chamas, sobre a plateia pesava seis toneladas.
Registro da época
A cobertura realizada por A TRIBUNA ocupou três páginas da edição nº 4717. A matéria começava na capa, na qual foram diagramadas duas fotos, uma dos espectadores, na frente do circo aguardando o início do espetáculo, e outra de corpos carbonizados, amontoados no chão, após a catástrofe.
Pequenas chamadas, abaixo do título principal, transmitiram ao leitor a tragédia em toda a sua extensão: “Apavorados os espectadores pisotearam uns aos outros na fúria da salvação — Instantaneamente o circo incendiado ruiu sobre a multidão — Duas centenas de mortos e mais de seiscentos feridos — Pilhas de cadáveres — Hospitais abarrotados — Movimento de solidariedade convulsiona o Brasil — O Gov. Celso Peçanha à testa dos trabalhos de assistência — Presidente da República nesta capital”. Na época, Niterói era a capital do antigo Estado do Rio de Janeiro.
O texto, conforme o estilo jornalístico da época, começou o relato da tragédia com a introdução de que “o ano de 1961 não foi bom para a família fluminense”, abordando a morte do governador Roberto Silveira, ocorrida em 28 de fevereiro, após a queda do helicóptero, no qual estava, em Petrópolis, na Região Serrana.
A reportagem apresentou como primeira personagem o delegado Edalberto Garcia Aguiar, chefe da Delegacia de Plantão de Niterói. Devido ao calor, ele estava do lado de fora, quando percebeu o fogo se alastrando, pelo lado do Serviço de Abastecimento do Exército. Rapidamente entrou para salvar seu filho e seu sobrinho que assistiam ao espetáculo e, ao fugir, ainda conseguiu carregar o auxiliar de Censura da Polícia, Rafael dos Santos que estava caído e era pisoteado pelo povo em fuga. Pouco depois a lona caiu.
Elvenice, de 11 anos, filho do comissário Guimes Machado de Carvalho, também escapou com vida. Ele estava na arquibancada e viu as chamas crescerem próximo de onde estava e com uma desabalada carreira, conseguiu passar pela multidão e salvar sua vida.
A polícia criou um cordão de isolamento e deteve muitos indivíduos que saqueavam os cadáveres. Inúmeros profissionais da área médica se apresentaram para ajudar, assim como militares e populares se prontificaram para prestar auxílio às vítimas. Oito embarcações do Serviço de Salvação foram disponibilizadas para transportar médicos e medicamentos do Rio de Janeiro para Niterói.
O governador Celso Peçanha se manteve à frente da operação, montando dois centros de controles das atividades: um no Hospital Antônio Pedro e outro no seu próprio gabinete, no Palácio do Ingá. Celso Peçanha mobilizou todos os recursos do Estado para atender às vítimas, decretou estado de calamidade pública e lançou um apelo à colaboração da população, da União e dos demais Estados.
O texto também ressaltou o apoio logístico oferecido, com médicos e medicamentos e hospitais, do presidente da República, João Goulart; do primeiro ministro, Tancredo Neves (o país estava no parlamentarismo) e do governador do antigo Estado da Guanabara, Lopo Coelho. Prefeitos das cidades vizinhas também se colocaram à disposição.
A presidente nacional da Legião Brasileira de Assistência (LBA), Maria Teresa Goulart, esposa do presidente da República, e a presidente da LBA fluminense, Hilka Peçanha, esposa do governador, mobilizaram-se para obter plasma sanguíneo e soro antibiótico, além de organizar uma equipe médica.
O jornal também apresentou uma listagem com os nomes de 125 vítimas fatais que já haviam sido identificadas. Muitos corpos foram levados para o Estádio Caio Martins, onde caixões eram construídos. Funcionários do Cemitério do Maruí afirmaram que já não havia mais espaço onde enterrá-los.
A matéria informava que aquele era o terceiro circo dos irmãos Stevanovich que pegava fogo. O primeiro foi o Buffalo Bill, em 1952, o segundo, o Shangrilá, um ano depois. Os dois arderam quando estavam montados, na Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio de Janeiro. Em ambos os casos não houveram vítimas.
Danilo Stevanovich levantou a suspeita de que o incêndio fora criminoso, devido a muitas pessoas jogarem pedras e ameaçarem a atear fogo no circo, por não entrarem após o fechamento das bilheterias. Ele acrescentou que teve um prejuízo material de 50 milhões de cruzeiros. Stevanovich também anunciou a intenção de remontar o circo, em 15 dias, e fazer um espetáculo beneficente para as vítimas, no Caio Martins. Porém, dias depois, já em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, ele voltou atrás na decisão. A cidade traumatizada só voltou a receber um circo, cerca de 15 anos depois.
Incêndio no Gran Circo: 50 anos de uma das piores tragédias de Niterói
Por: Wilson Mendes 01/05/2011| Jornal O Fluminense
Profissionais da área de saúde que prestaram socorro às vitimas na época da catástrofe receberão honraria da Academia de Medicina do Estado do Rio de Janeiro no próximo dia 10
Gentileza gera gentileza e o carinho doado pelos médicos que cuidaram das vítimas da maior tragédia que Niterói já vivenciou, o incêndio do Gran Circus Norte Americano, será retribuído no próximo dia 10. A catástrofe completa 50 anos em dezembro e os profissionais de saúde que prestaram socorro às vitimas na época receberão honraria da Academia de Medicina do Estado do Rio de Janeiro.
Serão homenageados na solenidade os doutores Fortunato Benaim, da Academia de Medicina de Buenos Aires, e também o cirurgião plástico Ivo Pitanguy. Outros 27 profissionais também serão lembrados pela sua atuação.
“Logo depois do incêndio, um rádio amador brasileiro difundiu a notícia e pediu ajuda. A transmissão foi captada pelo Ministério da Saúde argentino, que perguntou se eu poderia colaborar”, disse Benaim, que, na época, era diretor do Instituto de Queimados de Buenos Aires.
O médico afirma que a experiência profissional e pessoal adquirida com a missão humanitária jamais será esquecida.
Os pacientes também não esqueceram.
“Eu tinha nove anos e o incêndio mudou minha vida. Tive queimaduras de até terceiro grau, fiquei internada por seis meses e, apesar de toda a dor dos enxertos de pele e das feridas, o carinho dos profissionais foi tamanho que nos encorajava a seguir em frente”, relembra Izabel Pires da Costa, hoje com 59 anos.
Para o doutor Alcir Chácar, presidente da academia, a homenagem do dia 10 é o reconhecimento pelo esforço em ajudar o próximo a “pessoas como o doutor Benaim, que ainda não recebeu este agradecimento”.
História - O Gran Circus Norte Americano estava montado onde, hoje, existe uma policlínica do Exército, próximo à Praça Renascença, no Centro e a lona estava lotada no dia 17 de dezembro de 1961. Adílson Marcelino Alves, um operário demitido durante o processo de montagem do circo, colocou seu plano de vingança em prática com um galão de gasolina. A lona de náilon rapidamente foi consumida e 500 pessoas morreram queimadas ou pisoteadas.
Estavam no circo cerca de três mil pessoas e de todas as vítimas, estima-se que 70% fossem crianças. A tragédia é considerada até hoje um dos maiores incêndios em locais fechados do mundo.
PU
Incêndio no Gran Circo em Niterói completa 50 anos. Relembre
Em 17 de dezembro de 1961, mais de 500 pessoas morreram na maior tragédia circense da história
O domingo parecia mergulhado no clima alegre que se instalara em Niterói com a chegada, dias antes, do que prometia ser o maior e mais completo circo da América Latina. No dia 17 de dezembro de 1961, sob a lona verde e laranja do Gran Circo Norte-Americano, a plateia esperava ansiosa pelo número que encerrava o espetáculo do dia. A trapezista Nena, apelidada de Antonietta Stevanovich, terminava o seu salto tríplice e esperava os costumeiros aplausos, quando um incêndio criminoso lambeu, às 15h45, a lona parafinada que cobria o picadeiro. Nena e os outros dois parceiros trapezistas escaparam ilesos. As outras 2.500 pessoas, não.
Cartaz do Gran Circo anunciava sua chegada na cidade de Niterói, no Rio
Foi assim que, há exatos 50 anos, começou o que se considera “a maior tragédia circense da história”, como noticiaram os jornais da época. O incêndio do Gran Circo deixou um sentimento de aversão aos espetáculos itinerantes em Niterói, e promoveu uma enorme comoção no Brasil inteiro. Fez surgir o profeta Gentileza, e também se tornou um marco na carreira do cirurgião Ivo Pitanguy. Foi neste episódio que João Goulart, presidente à época, chorou na frente dos fotógrafos, ao conversar com uma das vítimas.
Os números divulgados pela imprensa eram desencontrados, mas a tragédia terminou com um saldo oficial de 503 mortos, a maioria, crianças. Há famílias que contam nunca ter encontrado seus parentes. Hoje, a história detalhada do incêndio do Gran Circo é narrada nas páginas do recém lançado O espetáculo mais triste da história, livro do jornalista Mauro Ventura, pela editora Companhia das Letras. Conta o autor que, em suas pesquisas para estruturar a obra, o que mais lhe chamou atenção foi o fato de quase ninguém acreditar na versão oficial da polícia, de que Dilson Marcelino Alves, 20 anos, o Dequinha, ateou fogo no local com a ajuda de outros dois homens, Bigode e Pardal.
Oficiais dos Bombeiros trabalhavam para apagar o fogo que botou o Gran Circo abaixo
Dequinha estava entre os funcionários contratados provisoriamente pelo dono do circo, Danilo Stevanovich, para ajudar na montagem do picadeiro. Por ser "preguiçoso", o jovem foi demitido três dias antes do incêndio, mas sem antes prometer vingança. Dequinha logo se tornou o principal suspeito do crime, pelo qual confessou ser o autor, dias depois da tragédia. Mesmo assim, conta Mauro Ventura que, ao abordar os personagens que viveram o drama, muitos preferem acreditar na versão de que um curto-circuito pôs fim ao espetáculo.
Dequinha acabou confessando ter ateado fogo na lona por vingança ao proprietário do circo
“Também me chamou atenção o impacto que a tragédia teve na vida das pessoas, e não só dos sobreviventes”, lembra Ventura. “Assisti a um vídeo feito há dez anos em que os médicos falam do trabalho de atendimento às vítimas, e todos eles choram. Mesmo gente que não viveu diretamente o incêndio, tendo acompanhado apenas pelas revistas, ainda se diz marcada pelas fotos”.
Apesar da comoção, Niterói preferiu varrer da sua história a memória da tragédia que feriu quase um país inteiro. Os espetáculos circenses só voltariam ao município em 1975, com a chegada do circo Hagenback, que inaugurou com lona importada à prova de fogo, saídas de emergência, extintores de incêndio e bombeiros de plantão. Anos depois, no local onde se deu a tragédia de 61, o Exército decidiu erguer o hospital Policlínica Militar de Niterói – que neste sábado inaugura, às 11h, um memorial para as vítimas no local. Durante escavações para reforçar a estrutura do terreno, já na década de 80, funcionários encontraram ossadas humanas, resquícios do incêndio durante o espetáculo que, em menos de dez minutos, terminou em cinzas.
Prefeitura da cidade estimou em 503 o número de mortos, que não cabiam em um só cemitério
O circo
O Gran Circo Norte-Americano, de americano mesmo, tinha só o nome e um artista, o palhaço Walter Alex. O proprietário, Danilo Stevanovich, era gaúcho de Cacequi, membro de uma família de sete irmãos que dominavam uma rede de circos na América Latina. Afora uma portuguesa, um japonês, um chinês e um casal francês, os demais artistas eram todos brasileiros do Rio Grande do Sul.
Era o terceiro circo sob a administração dos irmãos Stevanovich que pegou fogo. Os outros dois, Bufalo-Bill e Shangri-lá, foram destruídos em 1951 e 52, respectivamente, na Avenida Presidente Vargas. Entre as vítimas, no entanto, estavam apenas animais do circo. Estes, por sinal, não eram poucos. Com três elefantes, uma girafa, 12 leões, dois tigres, quatro ursos pardos, dois polares, um chimpanzé, um camelo, um antílope, um cavalo e alguns cães, o Gran Circo se gabava de ser um zoológico itinerante.
A elefanta salvou
Uma elefante fêmea que estava no picadeiro se tornou, anos depois, uma das heroínas do incêndio. Pronta para entrar em cena, Semba disparou em uma corrida desesperada quando um pedaço de lona queimada lhe caiu sobre o couro. Ao atravessar a lona, o animal abriu caminho e acabou salvando inúmeras pessoas – mas também fez vítimas em seu trajeto. Nos jornais da época, o feito de Semba ganhou destaque: “Com a tromba, atirou a distância dois assistentes, que conseguiram salvar-se. As feras escaparam, embora nenhuma delas tenha conseguido abandonar as jaulas. Só alguns elefantes saíram a correr, sendo imediatamente dominados pelos domadores”, escreveu o JB.
Ivo Pitanguy
Pitanguy conta ao 'JB' os momentos mais marcantes da tragédia no circo
Quando houve o incêndio, o cirurgião plástico Ivo Pitanguy trabalhava como professor na PUC, e ainda não tinha inaugurado a famosa clínica na rua Dona Mariana, em Botafogo. No dia, conta aoJB, ele seguia para a Santa Casa da Misericórdia quando ouviu, pela rádio, o anúncio de que o circo pegava fogo. Pitanguy seguiu para o Iate Clube do Rio e, a bordo da sua lancha particular, atravessou a Baía de Guanabara para se juntar ao mutirão que procurava ajudar as vítimas.
“Cheguei com uma equipe em pleno momento de comoção. Havia muita gente querendo ajudar, mas também uma enorme desorganização”, lembra o médico. “Lembro de um caso muito heróico de um menino que tinha se salvado e voltou para debaixo da lona para buscar o seu amigo. O que era mais dramático é que eram muitas crianças, e ao lado delas, seus amigos, de modo que devia haver ali pelo menos 500 delas”.
Muitos personagens, além do menino Pablo, sobreviveram ao incêndio, outros foram salvos por qualquer acaso que os impediu de conferir o espetáculo. O dono do circo, Danilo Stevanovich, por exemplo, não abandonou o negócio e continuou no ramo circense até sua morte, em 2001, conforme conta Mauro Ventura. Hoje, a família ainda está à frente de três lonas: Le Cirque, Bolshoi e Karton.
Mas nem todos tiveram a sorte de se refazer como os Stevanovich. Maria José do Nascimento Vasconcelos, a Zezé, viveu durante anos com circofobia e constantes desmaios, diagnosticados por médicos como uma epilepsia adquirida. Salva pela elefanta Semba, Zezé adquiriu mesmo foi o gosto pelos paquidermes e coleciona em casa miniaturas dos animais. Há também os personagens que mostram a superação, caso de Lenir Ferreira de Queiroz Siqueira, que perdeu o marido e os dois filhos no incêndio, e ainda cultiva a alegria de viver.
Houve também os que se salvaram por algum acaso – ou interferência divina, para os mais supersticiosos. É o caso de Rosane Coelho, que tinha reservado o domingo para ir ao espetáculo, mas por conta de uma febre, foi para um lanche de família na casa de um tio.
“Na véspera, eu, meus pais e minha irmã tínhamos dito à nossa avó que iríamos ao circo, o que não aconteceu”, conta. “Quando soube do incêndio no dia seguinte, minha avó ligava desesperadamente para a minha casa, mas não atendíamos porque estávamos na casa do meu tio. Ela ficou desesperada”, acrescenta, lembrando das kombis que passavam com voluntários pedindo gelo nas casas para ajudar os feridos.
O profeta gentileza
O mundo é redondo e o circo é arredondado / Por este motivo, então, o mundo foi acabado. Profeta Gentileza
O incêndio do Gran Circo Norte-Americano fez surgir o profeta Gentileza, figura conhecida por suas famosas mensagens nas pilastras do Caju. Reza a lenda que o excêntrico personagem enlouqueceu ao perder a família na tragédia, mas Mauro Ventura desmente o mito em O espetáculo mais triste da Terra. José Datrino, nome verdadeiro de Gentileza, trabalhava com uma frota de caminhões.
Quando o Gran Circo foi incendiado, Datrino recebeu um “chamado divino”, segundo o qual deveria “consolar os desconsolados” que perderam tudo com a tragédia. A partir de então, Datrino virou Gentileza, o profeta. Deixou a família, pegou seu caminhão, comprou 200 litros de vinho e se dirigiu à Av. Rio Branco, em Niterói, para oferecer, de graça, um copo da bebida como consolo para quem quisesse. Gentileza também montou uma casa no local do incêndio, plantou flores e fincou uma placa: “Bem-vindo ao Paraíso do Gentileza. Entre, não fume, não diga palavras obcenas”. Viveu durante quatro anos no local consolando as pessoas que por lá passavam.
Outros trabalhos afirmaram que Gentileza preveniu muitas mortes ao oferecer palavras de consolo aos parentes e amigos que iam ao local do incêndio – onde ele estabeleceu morada – para tentar suicídio na linha do trem que passava por perto. Quando saiu do local do acidente, Gentileza peregrinou pelo país.
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O choro de Jango
O presidente João Goulart visitou o Hospital Antônio Pedro, onde se encontravam as vítimas nos dias que se seguiram ao incêndio. Á época, contou o Jornal do Brasil que, em companhia do primeiro-ministro, Tancredo Neves, e do governador Celso Peçanha, "o presidente parou diante de uma menina de cor, envolta em gaze até o queixo, e lhe perguntou se tudo corria bem. A menina sorriu - e o presidente levou as mãos aos olhos, afastando-se logo. Diante de uma criança que mal respirava, exclamou, quase num sussurro: ‘Não é possível, meu Deus’”. Na época, Jango colocou - ou pelo menos afirmou que colocaria - todos os recursos da União para o Governo do Estado do Rio reforçar o trabalho de socorro às vítimas."
Uau! dura realidade. Nos alimentamos e também os nossos filhos com lixo… isso precisa mudar
Simplesmente maravilhoso e inspirador. Fiquei emocionada de ver a quantidade de gente assistindo e apoiando o trabalho desse rapaz. Que maravilha assistir ao grande Despertar dos seres humanos.
Demais! Penso em fazer um trabalho semelhante no Brasil!
Que Deus abençoe à todos!
ETC. ETC.
(http://dharmalog.com/2012/02/23/jamie-oliver-e-a-necessidade-de-um-ataque-macico-contra-nossa-ignorancia-em-relacao-a-comida-no-ted-video/)
===
MATÉRIA ANTIGA (28.1.2013)
DESTA SINGELA COLUNA,
SOBRE O FEITO HERÓICO DE
UMA ELEFANTA DE CIRCO:
[Flávio Bittencourt]
O Espetáculo Mais Triste da Terra
Mauro Ventura escreveu um livro com esse título sombrio.
"É lamentável constatar que mais de 50 anos depois aquilo não serviu de lição, que a gente continue perpetuando os mesmos erros”
(MAURO VENTURA, em entrevista ao G1 / Globo)
AGRADECENDO-LHE POR SUA SOLIDARIEDADE, EIS UM COMENTÁRIO DO SR. MAURICE DEVERS, DE ONTEM (DOMINGO, 27/01/2013, 21h29); M. DEVERS É UM LEITOR-PARTICIPANTE DO LE MONDE, PARIS, EM SUA VERSÃO ELETRÔNICA:
"Cet incendie tel qu'il est relaté (inflammabilité des matériaux, fumées mortelles, évacuation entravée), rappelle le drame du « 5-7 », à Saint Laurent du Pont en 1970, qui avait au moins servi à faire évoluer la législation française sur la sécurité incendie. Force est de constater qu'elle est efficace, même si on n'est jamais sûr de rien. Et il est navrant de constater, à chaque catastrophe de ce genre dans le monde que de tels progrès, chèrement payés, ne servent pas au-delà de nos frontières. Il est tout aussi navrant de voir qu'après d'autres catastrophes du même genre, rappelées dans l'article, un pays comme le Brésil n'ait apparemment pas réagi."
(http://www.lemonde.fr/ameriques/article/2013/01/27/bresil-incendie-meurtrier-dans-une-boite-de-nuit_1823115_3222.html)
TRADUÇÃO:
"Este incêndio, tal como ele é relatado (inflamabilidade dos materiais, gases mortais,
evacuação impedida), lembra o drama da (discoteca) "5-7" em Saint Laurent du Pont em 1970
[1º de janeiro de 1970: LEIA MATÉRIA JORNALÍSTICA REPRODUZIDA AO FINAL DE:
http://www.portalentretextos.com.br/colunas/recontando-estorias-do-dominio-publico/um-proprietario-da-kiss-ja-esta-preso,236,8550.html],
que serviu pelo menos para fazer evoluir a legislação francesa de segurança contra
incêndio. Forçado é constatar que ela é eficaz, mesmo que jamais se tenha certeza de nada.
E é triste ver, a cada catástrofe deste gênero no mundo, que tais progressos, de custo
muito elevado, não servem para além de nossas fronteiras. Também é triste ver que
depois de outros desastres do mesmo gênero, lembrados no artigo [*], um país como
o Brasil aparentemente não reagiu."
[*] - http://www.lemonde.fr/ameriques/article/2013/01/27/bresil-incendie-meurtrier-dans-une-boite-de-nuit_1823115_3222.html.
O QUE É A REPRESENTAÇÃO DO povo (A
CLASSE OPERÁRIA) NUM DESENHO ANIMADO SENÃO
URUBUS, PAPAGAIOS [O LUMPESINATO DO RIO DE JANEIRO,
que já recebeu uma ópera de Chico Buarque]), ARARAS, TUCANOS
[geralmente ricos (não há aqui a intenção irônica anti-partidária)],
E RATOS (MICKEY MOUSE, JERRY [O PROLETARIADO],
MIGHTY MOUSE [SUPER MOUSE], O RATO FRANCÊS RATATOUILLE
[O TRABALHADOR DE COZINHA REQUINTADA]? O QUE É DUMBO SENÃO
UM HINO À VIDA EM LIBERDADE? E O QUE DIZER DE DUMBO COM SEUS
AMIGOS URUBUS E UM RATO QUE COM ELES VOA? ESSES ANIMAIS (DE
FÁBULAS DO BEM) SALVAM VIDAS NA VIDA VERDADEIRA [*], ENQUANTO
SEGURANÇAS BOÇAIS DE BOATE IMPEDIRAM PESSOAS QUE JÁ SABIAM O QUE
ESTAVA ACONTECENDO DE SE EVADIREM DE UM INCÊNDIO, PARA QUE PAGASSEM -
COM A VIDA - O CONSUMO DA BOATE GENOCIDA]:
(http://www.fanpop.com/clubs/classic-disney/images/6411703/title/dumbo-wallpaper)
[*] - MAS... CUIDADO! A ELEFANTE FÊMEA QUE SALVOU MUITA GENTE ABRINDO UM
PORTÃO DE SAÍDA NO CIRCO, EM NITERÓI (DEZ. / 1961), NA SUA DESABALADA
CARREIRA PARA SE SALVAR, FERIU VIOLENTAMENTE (COM UMA FORMIDÁVEL
FORÇA ELEFANTINA) QUEM ESTAVA NA FRENTE.
NITERÓI/RJ, EM DEZ. / 1961
(FATO HISTÓRICO SOBRE O QUAL
- NÃO SE SABE BEM A RAZÃO -
SE FALA POUCO):
A INACREDITÁVEL ELEFANTA-PINTORA DA INGLATERRA,
muito concentrada, produzindo arte abstrata:
(http://entretenimento.r7.com/bichos/noticias/elefanta-pintora-vira-sensacao-na-inglaterra-20111003.html)
HOMENAGEANDO TODAS AS VÍTIMAS DO RECENTE SINISTRO GENOCIDA,
REZANDO PELA SAÚDE DE QUEM ESCAPOU COM VIDA DAQUELE
CENÁRIO DANTESCO, OS
TRATADORES DE ANIMAIS DE GRANDE PORTE
DO MUNDO INTEIRO - E
AOS MORTOS DE NITERÓI (dez. / 1961) -
todos vivem em nossa lembrança! -,
in memoriam
28.1.2013 - Mauro Ventura escreveu o livro intitilado O Espetáculo Mais Triste da Terra - Niterói, 17.12.1961. F. A. L. Bittencourt ([email protected])
"27/01/2013 17h16 - Atualizado em 27/01/2013 23h07
Autor de livro sobre incêndio em Niiterói lamenta tragédia no RS
'Mais de 50 anos depois, aquilo não serviu de lição, critica Mauro Ventura.
Em 1961, mais de 500 morreram em Niterói; em Santa Maria, já são 233.
José Raphael BerrêdoDo G1 Rio
Logo depois da notícia do incêndio na boate em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, que deixou mais de 230 mortos na madrugada deste domingo (27), o telefone do jornalista Mauro Ventura começou a tocar. Ele é autor do livro “O espetáculo mais triste da Terra”, lançado no fim de 2011, que lembra outra tragédia semelhante, ocorrida em 1961 em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, e é considerada a maior da história do país. Em 17 de dezembro daquele ano, mais de 500 pessoas, sendo 70% crianças, morreram após o fogo se alastrar pelo Gran Circo Norte-Americano.
"É lamentável constatar que mais de 50 anos depois aquilo não serviu de lição, que a gente continue perpetuando os mesmos erros”, diz Ventura, em entrevista ao G1, sobre as falhas que causaram tantas mortes. “Um dos meus objetivos do livro, mesmo que ilusório, era mostrar o que aconteceu para que o fato não se repetisse. Lamentavelmente, não se pode falar em fatalidade. É uma sucessão de erros, imprevidências, negligências.”
O escritor fez mais de 150 entrevistas, com vítimas, sobreviventes e parentes, durante dois anos e meio. Ele conta que, apesar de não ter saída de emergência nem extintores, e de ser coberto com uma lona altamente inflamável, o circo possuía alvará de funcionamento, ao contrário da boate Kiss, em Santa Maria.
Enquanto na Kiss, o principal indício é de que um show pirotécnico teria dado início ao incêndio, o que caracterizaria um crime culposo (quando não há a intenção), em Niterói o fogo foi criminoso, segundo as invetigações. Um ex-funcionário, Dilson Marcelino Alves (Dequinha), então com 20 anos, teria sido ajudado por dois homens para provocar o incêndio por vingança, após ser demitido e chamado de "preguiçoso".
“Naquela época não tinha saída de emergência, tinha uma única que era obstruída por grades retiradas no fim do espetáculo. Como não havia acabado, ninguém conseguia sair. Não havia extintor, a lona era altamente inflamável. Chegaram a dizer que era uma armadilha mortal. A lona era de algodão e passaram parafina para evitar que a água da chuva penetrasse. O fogo levou menos de 10 de minutos para se alastrar.”
Entre os mortos (503, segundo a prefeitura, na época, mas o número é contestado), havia queimados, pisoteados e asfixiados. “A saída foi apelidada de corredor da morte”, lembra Ventura.
Entre muitos parentes com os quais conversou, o jornalista conta que apenas para a alguns a tragédia foi superada, e que outros vivem intensamente a dor até hoje. O próprio escritor revelou que se aprofundar no tema deixou marcas. "Cada um lidou com a dor da sua maneira. Teve gente que conseguiu de forma melhor, com alegria de viver impressionante. Outros até hoje não conseguiram se recuperar emocionalmente. Realmente foi muito doloroso ficar ouvindo a história de gente que perdeu todo a família. E em vão, mais de 500 pessoas morreram e não aprendem", lamenta.
Sem punições
Mais de 50 anos depois, nenhum dos parentes das vítimas foi indenizado, segundo o escritor, e apenas os supostos autores do fogo criminosos — por muitos considerados "bodes-expiatórios" — foram presos. O dono do circo, Danilo Stevanovich, ficou solto, voltou a trabalhar com circo e a família até hoje segue no ramo.
"Na época não tinha cultura de se formar associação de vítimas. Ninguém entrou com processo. Um dos motivos era porque achavam que o circo era americano. Ninguém foi punido. Nem o dono do circo, que até retomou o circo anos depois".
Fogo em boate em Santa Maria
O incêndio ocorrido na madrugada deste domingo na boate Kiss, em Santa Maria já deixou pelo menos 232 mortos, segundo a Brigada Militar. O resgate dos corpos no local da tragédia foi concluído no final da manhã. Pelo menos outras 131 pessoas ficaram feridas e foram levadas para atendimento em hospitais da região. Mais cedo, a polícia havia dito que 245 pessoas haviam morrido na tragédia, mas o número foi corrigido no início da tarde.
Segundo informações preliminares, o fogo teria começado por volta das 2h30, depois que o vocalista da banda que se apresentava teria feito uma espécie de show pirotécnico, usando sinalizador. As faíscas teriam atingido a espuma do isolamento acústico no teto da boate e iniciado o fogo, que se espalhou em poucos minutos.
O incêndio provocou pânico entre os presentes, e muitas pessoas não conseguiram acessar a saída de emergência. Coronel Guido, comandante do Corpo de Bombeiros, disse que algumas pessoas presentes na festa relataram que seguranças da boate trancaram a porta de saída durante o incêndio.
"Vi as pessoas amontoadas e mortas perto da saída", disse o coronel. 'A maioria das pessoas acaba morrendo por asfixia, inalação da fumaça tóxica. Queimados mesmo ali foram poucos. O que matou foi o pânico, a inalação da fumaça tóxica e a dificuldade em sair'."
(http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/01/autor-de-livro-sobre-incendio-de-circo-em-niteroi-rj-lamenta-tragedia-no-rs.html)
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"Terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Niterói vivia há 50 anos o maior incêndio com vítimas do Brasil
O curioso que passados 5 décadas, embora as cenas ainda estejam bem vivas na memória da população de Niterói, devido as perdas familiares e as marcas físicas nos sobreviventes, há um clima de silêncio, e não foram organizados eventos de homenagens às vítimas nesse cinquentenário, como também até hoje nunca foi construído um memorial na cidade, inclusive em agradecimento às centenas de heróis famosos e anônimos.
Apesar da dimensão dos eventos e do seu impacto até hoje, são poucas as lembranças nesse cinquentenário - além de poucos matérias de jornais e uma solenidade de homenagem aos profissionais de saúde da época -, é o lançamento do interessantíssimo livro do jornalista e pesquisador Mauro Ventura, "O Espetáculo Mais Triste da Terra", que análise a história da tragédia e seus desdobramentos na vida da cidade e do Brasil desde então.
Incêndio no Gran Circo: 50 anos de uma das piores tragédias de Niterói
Durante o período de apuração qual foi o personagem que mais te marcou? Por quê?
O número de vítimas mortas no incêndio do circo é contestado até hoje. Durante a apuração chegou a números diferentes dos divulgados pelas autoridades?
Há 50 anos Niterói vivia seu pior pesadelo
Foram condenados como autores da tragédia, ocorrida na tarde de 17 de dezembro de 1961, Adilson Marcelino Alves, o Dequinha; José dos Santos, o Pardal; e Walter Rosa dos Santos, o Bigode, que confessaram o crime para a Justiça. Os três foram presos após os depoimentos de funcionários do circo, que relataram ameças de vingança de Dequinha.
Segundo a versão oficial dos fatos, ele foi contratado para a montagem da lona, na Praça do Expedicionário, sendo despedido dois dias depois, por possuir antecedentes criminais. Inconformado, Dequinha passou a rondar o circo. Na estreia, em 15 de dezembro, ele tentou entrar sem pagar, mas foi impedido. No dia seguinte, Dequinha provocou o funcionário que ele acreditava ser o causador da sua demissão, acabou agredido e jurou vingança.
No domingo (17 de fevereiro), Dequinha chamou Pardal e Bigode para incendiar o circo. Eles se reuniram no Ponto Cem Réis, compraram gasolina e incendiaram a lona do circo. Na confissão, Dequinha relatou que enquanto Bigode jogava gasolina, ele assistia ao espetáculo, se divertindo com o palhaço. Cinco minutos antes do termino do espetáculo, ele saiu e jogou um fósforo na cobertura, começando o incêndio.
Dequinha e Bigode foram submetidos a um interrogatório público iniciado pelo próprio governador Celso Peçanha. A versão, porém, chegou a ser contestada por alguns policiais e jornalistas, mas os três acusados foram levados à julgamento. Dequinha foi condenado a 16 anos de prisão, em 24 de outubro de 1962, e a mais seis anos de internação em manicômio judiciário, como medida de segurança. Ele foi assassinado em 1973, menos de um mês depois de fugir da prisão. Bigode recebeu 16 anos de condenação e mais um ano em colônia agrícola. Pardal foi condenado a 14 anos de prisão e mais dois anos em colônia agrícola.
Cerca de três mil pessoas estavam no circo durante o incêndio. Morreram no local 372 pessoas, o restante faleceu em consequência das queimaduras, nos dias posteriores, chegando o total a 500 vítimas. Cerca de 70% dos mortos eram crianças. Como não havia espaço no Instituto Médico Legal (IML) da cidade para tantos corpos, eles foram removidos para as câmaras de estocagem de carne bovina da Indústrias frigoríficas Maveroy. O Cemitério do Maruí também não comportou o número de vítimas, sendo necessário a construção do Cemitério de São Miguel, na cidade vizinha de São Gonçalo.
O Gran Circus Norte-Americano possuía 60 artistas, 20 empregados, 150 animais e a lona que caiu, em chamas, sobre a plateia pesava seis toneladas.
Registro da época
A cobertura realizada por A TRIBUNA ocupou três páginas da edição nº 4717. A matéria começava na capa, na qual foram diagramadas duas fotos, uma dos espectadores, na frente do circo aguardando o início do espetáculo, e outra de corpos carbonizados, amontoados no chão, após a catástrofe.
Pequenas chamadas, abaixo do título principal, transmitiram ao leitor a tragédia em toda a sua extensão: “Apavorados os espectadores pisotearam uns aos outros na fúria da salvação — Instantaneamente o circo incendiado ruiu sobre a multidão — Duas centenas de mortos e mais de seiscentos feridos — Pilhas de cadáveres — Hospitais abarrotados — Movimento de solidariedade convulsiona o Brasil — O Gov. Celso Peçanha à testa dos trabalhos de assistência — Presidente da República nesta capital”. Na época, Niterói era a capital do antigo Estado do Rio de Janeiro.
O texto, conforme o estilo jornalístico da época, começou o relato da tragédia com a introdução de que “o ano de 1961 não foi bom para a família fluminense”, abordando a morte do governador Roberto Silveira, ocorrida em 28 de fevereiro, após a queda do helicóptero, no qual estava, em Petrópolis, na Região Serrana.
A reportagem apresentou como primeira personagem o delegado Edalberto Garcia Aguiar, chefe da Delegacia de Plantão de Niterói. Devido ao calor, ele estava do lado de fora, quando percebeu o fogo se alastrando, pelo lado do Serviço de Abastecimento do Exército. Rapidamente entrou para salvar seu filho e seu sobrinho que assistiam ao espetáculo e, ao fugir, ainda conseguiu carregar o auxiliar de Censura da Polícia, Rafael dos Santos que estava caído e era pisoteado pelo povo em fuga. Pouco depois a lona caiu.
Elvenice, de 11 anos, filho do comissário Guimes Machado de Carvalho, também escapou com vida. Ele estava na arquibancada e viu as chamas crescerem próximo de onde estava e com uma desabalada carreira, conseguiu passar pela multidão e salvar sua vida.
A polícia criou um cordão de isolamento e deteve muitos indivíduos que saqueavam os cadáveres. Inúmeros profissionais da área médica se apresentaram para ajudar, assim como militares e populares se prontificaram para prestar auxílio às vítimas. Oito embarcações do Serviço de Salvação foram disponibilizadas para transportar médicos e medicamentos do Rio de Janeiro para Niterói.
O governador Celso Peçanha se manteve à frente da operação, montando dois centros de controles das atividades: um no Hospital Antônio Pedro e outro no seu próprio gabinete, no Palácio do Ingá. Celso Peçanha mobilizou todos os recursos do Estado para atender às vítimas, decretou estado de calamidade pública e lançou um apelo à colaboração da população, da União e dos demais Estados.
O texto também ressaltou o apoio logístico oferecido, com médicos e medicamentos e hospitais, do presidente da República, João Goulart; do primeiro ministro, Tancredo Neves (o país estava no parlamentarismo) e do governador do antigo Estado da Guanabara, Lopo Coelho. Prefeitos das cidades vizinhas também se colocaram à disposição.
A presidente nacional da Legião Brasileira de Assistência (LBA), Maria Teresa Goulart, esposa do presidente da República, e a presidente da LBA fluminense, Hilka Peçanha, esposa do governador, mobilizaram-se para obter plasma sanguíneo e soro antibiótico, além de organizar uma equipe médica.
O jornal também apresentou uma listagem com os nomes de 125 vítimas fatais que já haviam sido identificadas. Muitos corpos foram levados para o Estádio Caio Martins, onde caixões eram construídos. Funcionários do Cemitério do Maruí afirmaram que já não havia mais espaço onde enterrá-los.
A matéria informava que aquele era o terceiro circo dos irmãos Stevanovich que pegava fogo. O primeiro foi o Buffalo Bill, em 1952, o segundo, o Shangrilá, um ano depois. Os dois arderam quando estavam montados, na Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio de Janeiro. Em ambos os casos não houveram vítimas.
Incêndio no Gran Circo: 50 anos de uma das piores tragédias de Niterói
Profissionais da área de saúde que prestaram socorro às vitimas na época da catástrofe receberão honraria da Academia de Medicina do Estado do Rio de Janeiro no próximo dia 10
“Logo depois do incêndio, um rádio amador brasileiro difundiu a notícia e pediu ajuda. A transmissão foi captada pelo Ministério da Saúde argentino, que perguntou se eu poderia colaborar”, disse Benaim, que, na época, era diretor do Instituto de Queimados de Buenos Aires.
Os pacientes também não esqueceram.
História - O Gran Circus Norte Americano estava montado onde, hoje, existe uma policlínica do Exército, próximo à Praça Renascença, no Centro e a lona estava lotada no dia 17 de dezembro de 1961. Adílson Marcelino Alves, um operário demitido durante o processo de montagem do circo, colocou seu plano de vingança em prática com um galão de gasolina. A lona de náilon rapidamente foi consumida e 500 pessoas morreram queimadas ou pisoteadas.
PU
Incêndio no Gran Circo em Niterói completa 50 anos. Relembre
Em 17 de dezembro de 1961, mais de 500 pessoas morreram na maior tragédia circense da história
Jornal do Brasil | Luisa Bustamante
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