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Ai dos que vivem, se não fora o sono!

O sol, brilhando em pleno espaço, cai

Em cascatas de luz; desce do trono

E beija a terra inquieta, como um pai.

E surge a primavera. O áureo patrono

Da terra é sempre o mesmo sol. Mas ai

Da primavera, se não fora o outono,

Que vem e vai, e volta, e outra vez vai.

Ao níveo luar que vaga nos outeiros

Sucedem sombras. Sempre a lua tem

A escuridão dos sonhos agoureiros.

Tudo vem, tudo vai, do mundo é a sorte…

Só a vida, que se esvai, não mais nos vem.

Mas ai da vida, se não fora a morte!