A   BESTA  NÃO  DESISTE 

            

Tudo começou em março de 2014. Agentes da Polícia Federal e do Ministério Publico Federal  de Curitiba descobriram que doleiros dessa cidade usavam uma rede de postos de combustíveis, inclusive um de Brasília para encobrir e lavar o  dinheiro  roubado da Petrobrás. Daí o nome da operação ser Lava Jato. A roubalheira ultrapassou a casa de bilhões de reais. E aconteceu com aval e cumplicidade dos governos petistas. Não fossem a dedicação e competência desses agentes a roubalheira, que se transformou no maior escândalo de corrupção da história do País, não teria vindo à tona.  Escândalo que envolveu, os grandes  empreiteiros, agentes públicos, deputados federais, senadores, ministros e o último  ex-presidente da República.

 Os processos criminais oriundos dessas investigações foram distribuídos para a  13ª Vara Federal de Curitiba, conduzida pelo juiz federal  Sérgio Moro, porque os doleiros investigados residiam e cometeram o crime  nessa cidade.

 Quanto aos políticos envolvidos ( deputados federais, senadores e ministros), por gozarem dessa excrescência e antidemocrática  figura chamada de "foro privilegiado",  tiveram seus nomes  enviados para o Supremo Tribunal Federal  (STF) para investigações e as devidas ações penais. Que, até agora, após dois anos e meses,  não produziu qualquer resultado efetivo.  Ou seja: ninguém foi julgado.  E nesse sentido, os precedentes não são alvissareiros.

 Pois, segundo levantamento feito pelo jornal "Folha de São Paulo", edição de 6/11/16, constam naquela Corte 84 ações penais que "tramitam, em média,  há sete anos e oito meses sem conclusão." Dentre elas uma contra o deputado Paulo Maluf, que, pasmem, corre secretamente há quase dez anos. (Acusado de desvio de quase um bilhão de reais da prefeitura de São Paulo). Injustificável  essa demora. A propósito, no famigerado caso do Mensalão, o ministro Ricardo Levandowski reteve o processo por  sete anos para proferir um parecer.  SETE  ANOS!  Na ação penal contra o senador Renan Calheiros (acusado de usar um lobista da empreiteira Mendes Júnior para pagar suas despesas pessoais  e as da jornalista Mônica Veloso, com quem teve uma filha), o mesmo ministro Levandowski   "ficou  dois anos e cinco meses com o processo na gaveta", segundo a revista "Veja",  edição 2502. DOIS ANOS E CINCO MESES!  Fato inadmissível. Algo surreal. A morosidade, como se sabe, só beneficia o bandido, que acaba contemplado pela  prescrição.  Nesse processo,  Renan já conseguiu livrar-se da acusação de dois crimes, atingidos pela  prescrição, e o terceiro está a caminho de ser prescrito.

Enquanto isso,  o doutor Sérgio Moro, de março de 2014  até a presente data,  isto é, em dois anos e meses,  já prolatou  118 sentenças e condenou 74  assaltantes do dinheiro da Petrobrás, mandando para a cadeia os empreiteiros mais ricos do País e políticos  poderosos da República. Afora, os quatro bilhões de reais que ele recuperou para os cofres da empresa - esta que os petistas chamavam de "nossa." Ainda chamam? É possível que sim, porque o cretinismo reside na mente deturpada  desses elementos. Logo depois das primeiras prisões, o ex presidente Lula, no seu estilo cínico e demagógico, foi  abraçar  o prédio da sede da Petrobrás, na Av. Chile, no Rio de Janeiro,  acompanhado de alguns bandoleiros, dizendo que a  estava defendendo. Até quando esse moço continuará debochando da nação e surrupiando o País?    

Fato é que o doutor  Sérgio Moro, com inteligência, serenidade e equilíbrio, quebrou a secular tradição brasileira de que rico não vai para a cadeia.  Provou que a lei é igual  para todos. E mostrou que a Justiça pode ser célere e eficiente, desde que o magistrado atue com operosidade e eficácia.          

 Já tentaram de tudo para acabarem com a Lava Jato. Depois das ameaças físicas ,  procuraram  desqualificar os agentes  da Polícia federal, os representantes do Ministério Público Federal  e o Juiz Sérgio Moro.  Em vão.  Agora, tentam boicotá-la através da criação de leis. No Congresso Nacional, uma organização criminosa formou  uma bancada pluripartidária para aprovação de projeto de lei que,  sob o pretexto, de  coibir "abusos de autoridade", pretende  limitar a atuação e independência do magistrado, dos procuradores e agentes policiais.  Outro, que, sob o manto de criminalizar o Caixa Dois, visa  anistiar  os congressistas ,  que se utilizaram dessa  bandalheira.

A Besta de sete cabeças não desiste.

Por isso, é preciso que o povo fique atento contra essas armadilhas. Que exija dos deputados e senadores do seu estado posicionamento contrário a esses projetos. E que vá às ruas denunciar essas falcatruas.  É com vigília  que se mantém a democracia.

 José Ribamar Garcia , escritor - Email: [email protected] com. br.