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[Flávio Bittencourt]

Quadrinhos: a lendária editora La Selva, de São Paulo

Lenda é lenda e, quando se fala na editora La Selva, lembro-me das narrativas adaptadas e desenhadas por Nico Rosso, que me apresentaram ao mitômano Barão de Münchausen.

 

 

 

 

 

 

 

 

The Adventures of the Baron Münchausen,

Youtube:

 

 

 

 

 

 

(http://www.portalentretextos.com.br/colunas/recontando-estorias-do-dominio-publico/centenario-do-nascimento-de-nico-rosso,236,4352.html, onde se cita:

http://www.universohq.com/quadrinhos/2003/n14062003_03.cfm)

 

 

 

 

 

Latvia [Letônia (em letão: Latvija)] Sc 615 2005 Baron Münchausen stamp mint NH

(http://stampwants-stamps.bidstart.com/Latvia-Sc-615-2005-Baron-Munchausen-stamp-mint-NH-/27922838/a.html)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

SELO ALEMÃO, ESTUPENDO, E CARIMBO DO "BARÃO":

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(http://www.philatelia.net/literature/stamps/?id=15860)

 

 

 

 

 

 

5.1.2013 - Lenda é lenda - A história, verdadeira, da saudosa La Selva é mais impressionante do que as mirabolantes estórias, inventadas, que foram recontadas em memoráveis páginas dos quadrinhos de nosso País.  F. A. L. Bittencourt ([email protected])

 

 

"Domingo, 8 de maio de 2011

 

A HISTÓRIA DOS SAUDOSOS QUADRINHOS DA LA SELVA

 


   De uma modesta casinha na rua Pedro de Toledo, em Vila Mariana, lembraria no ano passado, pouco antes de morrer, o grande artista português Jayme Cortez, saíram algumas das melhores revistas de quadrinhos do Brasil, produzidas pela Editora La Selva.

   Entre outras, "Terror Negro", "O crime não Compensa", "Dick Peter", "Sobrenatural – Mistérios do Alem", "Gato Félix", "Arrelia e Pimentinha", "Flash Gordon", Oscarito e Grande Otelo", "Jim das Selvas". Nenhuma dessas revistas circula mais, mas, aqueles privilegiados que liam todas elas, nos anos 50 e 60, ainda lembram com carinho e curiosidade da Editora La Selva. O que terá acontecido a essa gente?

   Foi para matar as saudades dessa época que Maria Souza  Almeida La Selva, mulher de Jácomo Antônio La Selva, uns do quatros filhos do fundador da editora, Vito La Selva, concordou em conversar longamente com um dos antigos funcionários da casa, Reinaldo de Oliveira, num paciente e terno trabalho de reconstituição da historia da editora e de seus produtos mais  famosos. O resultado é um livrinho de leitura gráfica modesta (Editora Sublime, 86 páginas), mas cheio de informação e dados curiosos, além de passagens comoventes, sobre o surgimento e depois o crescimento da Editora La Selva.

   Reinaldo, diz dona Maria, tinha de fato todas as condições para armar esse quadro histórico da editora, pois foi o primeiro secretário de redação da La Selva, conhecendo muito bem todos os momentos de luta e alegria que costumam marcar esse tipo de empreendimento num país como o Brasil, onde o negócio editorial ainda é coisa de gente paciente e incansável.

NA ESCOLA DA RUA

   Jácomo Antonio La Selva, lembra Reinaldo, filho do jornaleiro italiano Vito Antonio La Selva, nasceu no Brás, e cedo aprendeu a dividir seu tempo entre o Grupo Escolar Romão Pulgarri, na avenida Rangel Pestana e a venda de jornais nas ruas da cidade. Corriam os anos 30, e Jácomo mais tarde contaria como eram os meninos jornaleiros da cidade, "lépidos, vivos, gritalhões, corriam para todos os lados e pulavam de bonde em bonde, apregoando as folhas com entusiasmo, de modo a exagerar escandalosamente a importância da notícia e até a deturpar-lhes o sentido, na ânsia incontida de empurrar toda a mercadoria". O nome La Selva ficando conhecido, ao lado de outros do ramo, todos peninsulares como ele - Zambardino, Labate, Siciliano, Pelegrini, Modesto, Mastrochirico.

   Foi nas ruas que ele, com os irmãos Paschoal, Antoninho e Estevão, aprendeu Todos os truque do oficio de vender bem o produto editorial, chamando a atenção do leitor. O velho Vito, mais tarde começou também a distribuir publicações, e logo abriu sua portinha no centro da cidade, outra vez ao lado dos conterrâneos – Polano, Scafuto, Annunziato  , Soave. Foi o sucesso na distribuição de uma revista montada por argentinos, "Bom Humor", quinzenal, chegou a vender 45 mil exemplares , que estimulou Vito a abrir sua própria editora, La Selva, começando timidamente com uma pequena revista, "quase um panfleto", "Seleções de Modinhas","Instintivamente", diz o autor Reinaldo de Oliveira, os La Selva, "acostumados a trabalhar diretamente com o publico, sabiam que uma capa bem colorida ajudava a vender o conteúdo."

O GRANDE SUCESSO

   A grande  oportunidade, porém viria nos anos 50, com o surgimento da revista "Terror Negro", lançada com grande  sucesso no ano seguinte, tendo como diretores os irmãos Jácomo e Paschoal La Selva, e secretário Reinaldo de Oliveira. Era a primeira revista do Gênero terror publicada no Brasil, com histórias completas, e seu aparecimento, lembra Reinaldo "obedece a uma escala, crescente do próprio gênero no país", na verdade aproveitando inteligentemente o sucesso desse tipo de histórias – os "terror tales" – nos Estados Unidos.

   Com o sucesso de "O Terror Negro", a Editora La Selva, começou a crescer e "a precisar de colaboradores. Os primeiros foram Gedeone Malagola, Francisco Oliveira, João Batista Queiroz e, logo depois, Álvaro de Moya, Sillas Roberg, Jayme Cortez, Miguel Penteado" e caberia ao português do Bairro Alto de Lisboa, Jayme Cortez, fazer grande revolução nas capas da editora, sobretudo em "O Terror Negro". Até então as capas das revistas da La Selva eram desenhadas pelo pintor Waldemar Cordeiro. Foi preciso muita conversa para convencer os La Selva a dar uma oportunidade a Jayme Cortez, pelo menos um trabalho experimental. "A capa dele era tão espetacular, com um senso popular e apelativo tão grande que o resultado não poderia ser outra. Tomou conta!".

ATÉ OS DIAS DE HOJE

   Em 1951, a Editora La Selva continuava crescendo: publicava 28 revistas mensais , com uma tiragem de um milhão de exemplares, distribuídos pelo Fernando Chinaglia Distribuidora. Era preciso então ter gráfica própria, que foi comprada na rua Carneiro Leão, no Brás. O velho Vito, já cansado, preferiu se aposentar, deixando a Editora aos cuidados dos filhos Jácomo, Paschoal, Antoninho e Estevão. Em 1960, deu-se uma cisão na empresa,e na editora ficaram Paschoal e Antoninho. Jácomo e Estevão saíram. Em 1968, com a morte do velho Vito, a viúva passou a dirigir os negócios, "até a dissolução da firma e venda das máquinas".

   Mas o negócio editorial, diz Reinaldo de Oliveira, "não foi abandonado pela família. Estevão  La Selva, o mais novo dos irmãos, montou sua própria firma, a Editora e Gráfica Trieste, reiniciando a publicação de várias revistas, incluindo o antológico " Terror Negro".Jácomo La Selva também  fundou seu negócio, a Editora Sublime, que edita revistas eróticas, "Fiesta" e "Mini", entre outras. Agora Jácomo  está diversificando seus negócios, investindo no ramo turístico.

   Seja como for, observa Reinaldo de Oliveira, dentro ou fora do ramo, os La Selva podem se orgulhar, ao lado de Adolfo Aizen, da Ebal-América, Roberto Marinho de O Globo, e do começo da Editora Abril, sob o comando e Vitor Civita, de terem sido os grandes pioneiros das histórias em quadrinhos no Brasil. Com uma vantagem sentimental, quem sabe, para a Editora La Selva, que antes da solidificação gráfica e editorial de Aizen, Civita e Marinho, fazia um produto mais tosco, é verdade, mas muito mais saboroso.

 

 

                        A família La Selva : Jácomo, Antoninho, Paschoal e Estevão


(Matéria publicada na Folha da Tarde, São Paulo, no início dos anos 90)

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(http://icfaralexraymond.blogspot.com.br/2011/05/historia-dos-saudosos-quadrinhos-da-la.html)

 

 

 

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(http://www.mostrababelsberg.com.br/UFA/As_Aventuras_do_Barao_Munchausen)

 

 

 

 

 

 

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"As aventuras do Barão de Munchausen

O Barão de Munchausen chamava-se Karl Friedrich Hieronymus e viveu entre 1720 e 1797.

Serviu no exército russo, participou de duas árduas campanhas contra os turcos e foi promovido a capitão de cavalaria em 1750. Por volta de 1760, retirou-se para a propriedade rural da família em Bodenwerder, Hanover. Foi lá que passou a receber amigos e hóspedes, aos quais tinha
grande prazer em contar suas aventuras de guerra, caçadas e viagens, retocadas com as mais extravagantes mentiras. Isso sem esboçar nem um sorriso; com tal naturalidade que quem não o conhecia chegava a acreditar nele.

Quem transformou suas histórias em livro foi um bibliotecário e cientista chamado Rudolph Erich Raspe, nascido em Hanover, em 1737. Era conhecido por sua versatilidade intelectual, pois escrevia profusamente sobre todo tipo de tema. Tendo se apropriado de objetos da importante coleção pela qual era responsável e que pertencia a seu patrão – o landgrave de Hesse –, fugiu para a Inglaterra.

Em Londres, graças a seu domínio do inglês aliado a seus vastos conhecimentos, publicaria livros sobre vários assuntos para ganhar a vida, mas estava sempre em apuros financeiros: chegou até a ser preso por não poder pagar o alfaiate. Essa difícil situação, mais o fato de
sua péssima reputação o ter alcançado em Londres, fez que ele se mudasse para a Cornualha, onde pôs em prática seus conhecimentos de mineralogia no trabalho em uma mina. Foi lá que, sempre atrás de dinheiro, escreveu As Aventuras do Barão de Munchausen, a quem muito
provavelmente conheceu pessoalmente quando vivia em Gottingen, perto de Hanover. Escrito o livrinho, preocupado com assuntos mais sérios, nem deve ter pensado mais nisso.

Mais tarde, já na Escócia, veio a “descobrir” falsos veios de minérios valiosos nas terras de seu patrono da época. Prestes a ser desmascarado, mais “Munchausen” que o próprio – este, ao que
se sabe, sempre muito correto em seus negócios –, fugiu para a Irlanda, onde veio a falecer em 1794. Algumas histórias do Barão sobre caçadas foram reunidas e apareceram anonimamente em Berlim na revista Vade Mecum für Lustige Leute entre 1781 e 1783.

O pequeno livro escrito por Raspe foi publicado em Londres, também sem citar seu autor, em 1785, com o título Baron Munchausen’s Narrative of his Marvellous Travels and Campaigns in Russia (A Narrativa do Barão de Munchausen de suas Maravilhosas Viagens e Campanhas
na Rússia).

Nele, Raspe baseava-se nas histórias do Barão, mas acrescentava outras, próprias ou extraídas de outras fontes mais antigas, sendo que o próprio Munchausen não aprovava algumas das histórias mais absurdas que lhe eram atribuídas. Uma segunda edição foi feita em Oxford, no começo de 1786.

No mesmo ano, mudou de editora e publicou uma edição ilustrada e aumentada, co acréscimos não mais feitos por Raspe, intitulada Gulliver Reviv’d: the Singular Travels, Campaigns, Voyages, and Sporting Adventures of Baron Munnikhouson, Commonly Pronounced Munchausen; As He Relates them Over a bottle when Surrounded by his Friends
(Gulliver Renascido: as Extraordinárias Jornadas, Campanhas, Viagens e Aventuras nas Caçadas do Barão Munnikhouson, usualmente pronunciado Munchausen; conforme narradas por ele em torno de uma garrafa quando rodeado por seus amigos).

Da quinta edição, foi feita uma tradução livre para o alemão por Gottfried August Burger, que incluiu várias histórias de sua autoria, sendo publicada ainda em 1786. Essa obra tornou-se muito popular e uma segunda edição saiu em 1788. Por muito tempo, pensou-se que Burger fosse o autor original do livro, até que seu biógrafo esclareceu definitivamente a questão.

Em 1793, saiu a sétima edição inglesa – o texto mais comum -, com o subtítulo: Or the Vice of Lying Properly Exposed (Ou o Vício de Mentir devidamente desmascarado) e mais acréscimos.

Ao longo das várias edições, o livro foi sendo aumentado com trechos inspirados na Vera historia (História verdadeira) de Lucian (escritor grego do século II, que fez essa primeira narrativa satírica da viagem à Lua) ou nas Voyages imaginaires (Viagens imaginárias, livro publicado em 1787), ou nas memórias do Barão de Tott (tradução inglesa de 1785), nos voos em balões de Montgolfier e Blanchard ou em outras notícias da época, como a busca pela nascente do Nilo por James Bruce ou a expedição do capitão Phipps ao polo norte. 

Esse livro, portanto, é uma colcha de retalhos. Raspe é responsável apenas por seu núcleo inicial, mas esse núcleo é dotado de tal força que os acréscimos não conseguiram estragar a obra.

Com o tempo, Munchausen tornou-se cada vez mais popular, foi traduzido para muitas línguas e ilustrado por muitos artistas. A versão ilustrada por Gustave Doré é a mais célebre.

Ana Goldberger

 


Autor:
Rudolf Erich Raspe
Situação:
Lançamento
ISBN:
978-85-7321-331-7
No de Paginas:

200
(...)"
 
(http://www.iluminuras.com.br/v1/verdetalheslivros.asp?cod=435)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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(http://www.philatelia.net/literature/stamps/?id=8403)