Luiz Fernando Guimarães também gravou comerciais
Foto: Divulgação
O mais recente fenômeno do gênero é Fabiano Augusto, das Casas Bahia. Tal e qual um galã da Globo, ele é abordado nas ruas para dar autógrafos e tirar fotos. Ainda assim, ganhou um blog na Internet, odeiooidiotadascasasbahia.blogger.com.br. Com um cachê estimado em R$ 100 mil, Fabiano ri da situação.
"Todo dia, acesso o site para saber o que saiu a meu respeito na imprensa. Além disso, adoro as fotomontagens que eles fazem. Um sujeito que faz um trabalho desses não pode ter ódio de mim", argumenta o ator, demonstrando uma auto-estima inabalável.
A mais nova diretora artística da Band, Marlene Mattos, já pensa em convidar Fabiano para apresentar um programa infantil. Se aceitar, ele trilha o caminho inverso de Viviane Romanelli. À frente da nova campanha do Ponto Frio Bonzão, ela apresentava o "TV UD", no Shoptime, da Globosat, antes de enveredar pela publicidade. Modesta, a ex-"Rainha das televendas" atribui o sucesso ao jeito transparente de ser.
"Nunca tive vergonha de assumir os meus erros na frente das câmaras. As pessoas gostam disso. Fica mais natural", especula ela.
De todos os garotos-propaganda que já passaram pela tevê brasileira, nenhum fez tanto sucesso quanto Carlos Moreno, da Bombril. Desde que o primeiro anúncio foi ao ar em fevereiro de 1978, ele já apareceu em mais de 300 filmes, como índio, metaleiro, coelhinho da Páscoa, Bill Clinton e Che Guevara. Mesmo assim, garante não se importar por ter a imagem vinculada à marca.
"Já tive crises homéricas por isso. Mas o trabalho é muito prazeroso, pelo qual sou reconhecido e que me dá respaldo financeiro", analisa ele.
Tão famoso quanto Carlos Moreno, da Bombril, só mesmo Sebastião Aparecido Fonseca, o Sebastian, da C&A. Desde 1988, ele ajudou a construir uma imagem para a marca que, apesar de holandesa, ficou com a cara do Brasil.
"Se as pessoas me julgam com base na cor da minha pele, é porque elas são reféns de uma ignorância atroz. Mas, desde pequeno, sou bem-resolvido em relação à questão do preconceito. Sabe lá o que é ser bailarino no país do futebol?", minimiza.
Por conta do sucesso que fazem na hora do intervalo, muitos garotos-propaganda passam por situações típicas de astros e estrelas da tevê. O ator Roberto Arduim, por exemplo, já não encarna o "Tio Sukita" há dois anos. Mas até hoje recebe cantadas, não de "lolitas", como a interpretada por Michelly Machri no anúncio do refrigerante, mas de balzaquianas bem assanhadinhas.
"Certa vez, uma delas me entregou uma cartinha de amor e uma foto, só de calcinha, bem provocante. Morri de rir", diz encabulado, abreviando a história.
Mas a vida de um garoto-propaganda não é das mais simples. Os compromissos, lembra o catalão José Valien Royo, são muitos. Nos 16 anos em que interpretou o "Baixinho da Kaiser", ele teve de freqüentar micaretas, inauguração de choperias, palestras em faculdades... Num desses eventos, passou por apuros ao ter o inseparável boné surrupiado por um gatuno.
"O boné era uma das marcas registradas do personagem. Eu já saía de casa com ele para não ter problemas com o anunciante", esclarece.
Mas o que pode haver em comum entre o baixinho da Kaiser, o magricela da Bombril e o falastrão das Casas Bahia? Quem arrisca um palpite é o músico Dany Roland. Ele foi o rapaz dos anúncios da US Top, que popularizou o bordão "Bonita camisa, Fernandinho!".
Ao usar as camisas da marca, se diferenciava dos outros, que usavam sempre camisas iguais às do chefe. '"O Fernandinho era o típico anti-herói. Mesmo assim, angariou a simpatia do público porque fazia sucesso na firma e ganhava todas as garotas", afirma.
A "cara" do negócio
A atriz e apresentadora Neide Aparecida é do tempo em que comercial se chamava "reclame". Tudo porque o anúncio interrompia a programação e o público reclamava disso. Já nessa época, quando a maioria dos comerciais era ao vivo, ela se tornou uma das mais requisitadas "garotas-propaganda" da tevê brasileira. O sucesso foi tanto que a extinta Tupi convidou a moça para apresentar um programa infantil, o "Teatrinho Troll", de 1956 a 1966.
"Se a Tupi não tivesse falido, hoje eu seria a Ana Maria Braga da emissora", imagina ela.
Muitos garotos-propaganda ganham destaque na publicidade, mas logo enveredam por outros caminhos. Recém-saído do grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone, Luiz Fernando Guimarães debutou no intervalo comercial em 1984, quando fez uma campanha para a Shell. Aos poucos, conferiu credibilidade a outros clientes, como Credicard, Petrobras e Havaianas. Nenhuma campanha, porém, fez tanto sucesso quanto a da Caixa Econômica Federal.
"Geralmente, os anúncios ficam divertidos porque eu me divirto fazendo publicidade", explica ele, esfregando as mãos.
Em 20 anos de serviços prestados à propaganda, Luiz Fernando foi também um dos cinco casais Unibanco, ao lado de Débora Bloch. O mais famoso deles, no entanto, parece ter sido o formado por Drica Moraes e João Camargo. "Até hoje, quando paro na porta de outro banco, as pessoas caem no meu pé", diverte-se a atriz. Muitos telespectadores, lembra João, pensavam que ele e Drica fossem casados de verdade. "Certa vez, uma mulher me perguntou se o nosso filho já tinha nascido", completa o ator.
Instantâneas
# Antes de ficar famoso como o "Tio Sukita", Roberto Arduim já havia feito diversas novelas no SBT, comoÉramos Seis, Fascinação e Chiquititas.
# O ator Marco Nanini foi um dos primeiros cotados pelo publicitário Washington Olivetto para fazer o personagem que acabou celebrizando Carlos Moreno.
# Nos anos 80, Dany Roland, o "Fernandinho" da US Top, também fez sucesso como o baterista do grupo Metrô, responsável por "hits" como Beat Acelerado e Tudo Pode Mudar.
# Neide Aparecida convenceu tanto como "garota-propaganda" das Perucas Lady que muitos telespectadores pensavam que ela fosse sócia do negócio.
# Fabiano Augusto não é o primeiro "garoto-propaganda" das Casas Bahia. Nos anos 70, a firma contratou Pelé, recém-chegado ao Brasil vindo do Cosmos.
# Por contrato, José Valien Royo não podia aparecer sem boné em público ou dar entrevistas à televisão. Afinal, nos anúncios, ele não abria a boca.
(http://diversao.terra.com.br/gente/noticias/0,,OI3524835-EI13419,00-Atores+tornamse+estrelas+do+intervalo.html)
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QUANDO O MINISTRO DA FAZENDA
JÁ ERA EX-MINISTRO E TEVE DE RECORRER
À INTELIGÊNCIA PUBLICITÁRIA NACIONAL
- (DEZ. / 2003):
"03/12/2003 20:01


