Será lançado neste sábado, a partir das 9h30 no auditório da Academia Piauiense de Letras o livro Terra do Gado - a colonização da capitania do Piaui na Pata do boi, de autoria do jornalista e escritor Afonso Ligório Pires de Carvalho. O livro, que reescreve a o processo de ocupação do Norte piauiense, a partir de informações genealógicas, sociológicas e econômicas, será apresentado pelo escritor M. Paulo Nunes.


A obra será lançada também domingo em Barras no Auditório Monsenhor Uchôa, domingo, 16, a partir das 10horas, com apresentação do prof. Dílson Lages Monteiro


Afonso Ligório Pires de Carvalho é jornalista e autor dentre outros livros do premiado romance Capitania do Açúcar.

Leia o que escreveu sobre o livro o crítico M. Paulo Nunes.

Escreveu sobre o livro M. Paulo Nunes
Terra do gado
(*) M. Paulo Nunes

Será lançado sábado próximo, na Academia, com a presença do autor e apresentação do que escreve esta nota, o livro de Afonso Ligório Pires de Carvalho, Terra do Gado - A Conquista da Capitania do Piauí na pata do boi (Thesaurus Editora, Brasília, 2007).
O livro se insere entre os mais autorizados ensaios de interpretação sociológica da realidade piauiense que ultimamente têm enriquecido nossa bibliografia historiográfica e de certa forma vêm constituindo uma contrapartida ou um resgate em meio a tanto “ersatz”, ultimamente aparecido, desfigurando nossa história.
O autor aparece assim em boa hora, com um livro sério, substancioso e bem escrito, lastreado em boa pesquisa documental e trazendo algo de consistente para o estudo das origens, formação e desenvolvimento da velha Capitania de São José do Piauí.
Afonso é um velho companheiro de geração. Natural de Luzilândia, em nosso Estado, veio muito cedo para Teresina, onde passou a infância e parte da adolescência, mudando-se depois com a família para o Recife, cidade a que deve grande parte de sua formação jornalística e de seu exercício profissional. Ali trabalhou, inicialmente, no Jornal Pequeno, passando em seguida para o velho Diário de Pernambuco, o mais antigo periódico da América Latina, trabalhando sob a orientação do mestre Aníbal Fernandes, que lhe inspiraria um competente e aplaudido ensaio biográfico – Aníbal Fernandes, um Espadachim da Imprensa (Bagaço Editora, Recife, 2000). Mudando-se para o sul, trabalhou na Última Hora, de São Paulo e, ao fixar-se em Brasília, no Correio Braziliense, onde também foi, por duas vezes, membro do Conselho de Leitores da Editora de Cultura. Como escritor, publicou, naquela cidade, os livros de contos Só Esta Vez, traduzido para o Inglês e o espanhol, e A Hora Marcada (Thesaurus Editora, 1987 e 1991, respectivamente). Publicou ainda o romance Capitania do Açúcar (Bagaço Editora, Recife, 2000), com o qual conquistaria o Prêmio Literário Maestrale – San Marco Marengo D’Oro (Medalha de Prata), concorrendo com escritores europeus e latino-americanos. Publicou ainda os livros Tempos de Leônidas Melo, (Edição da Academia Piauiense de Letras, Teresina, 1994) e Outros Tempos, memórias, (Thesaurus, Brasília, 2002). É membro da Academia de Letras do Brasil (Brasília), da Academia Piauiense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Brasília (Brasília – DF).
O livro trata do aspecto dominante em nossa economia que é o ciclo do gado ou da chamada “civilização do couro”, como já a definiu o ensaísta e poeta Renato Castelo Branco. Enquanto a Capitania de Pernambuco, de que dela se desdobraria, pela comarca de Cabrobó, teve na cana de açúcar o suporte de sua economia, tão bem focalizada no romance admirável de Afonso Ligório, Capitania do Açúcar, an-tes mencionado, terá a do Piauí,na criação do gado, feita de forma extensiva, o fulcro de sua economia. Descreve nessa obra, passo a passo, sua evolução histórica, desde os primeiros currais, acompanhando o processo de expansão desses, através do concurso decisivo da Casa da Torre, de Garcia d’Ávila e de seus descendentes, passando pela ação de Mafrense, com o legado jesuítico, até o processo de sua emancipação política feita em 1718, com a criação da Capitania, a separação do Maranhão e sua instalação, 41 anos depois, com a nomeação do seu primeiro governador, João Pereira Caldas. Estuda o processo de formação das famílias que aqui se constituíram, a dizimação das nações indígenas existentes nesse atormentado espaço geográfico, num episódio que nos envergonha como colonizadores, até a criação de uma província e de um estado que nunca se modernizaram, em virtude dos fatores de atraso e pauperismo que impedem até hoje nosso desenvolvimento social e político. Tudo isto encontrará o leitor neste livro magnífico, escrito com amor, com uma imensa e calorosa simpatia desse filho ilustre que tanto dignifica nossa terra e sua amável gente. É lê-lo para comover-se até as lágrimas com o destino sofrido de nossa gente. Vamos assim aplaudi-lo na Academia e expressar aquela emoção do poeta maior Gonçalves Dias, ao dizer, nos versos de “Minha Terra”:
“Pois do que por fora vi, / A mais querer minha terra / E minha gente aprendi.”

(*) M. Paulo Nunes é escritor.

Veja mais sobre o livro
http://www.dilsonlages.com.br/noticias.asp?id=210

http://www.dilsonlages.com.br/podcast.asp?id=127

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