[Diego Mendes Sousa]

Terminei esta manhã 

de quarta-feira de cinzas 

como a natureza do tempo

apresenta-se agora.


O vento espalha-se frio

é chuva que vem

dizer

que a saudade é 

um murmurar melancólico.


Deus começa a chorar, Tufic!


Depois do reinado festivo do momo,

gota a gota, fico a relembrar 

os seus versos a uísque doze anos.


Guardanapos, pássaros, retratos,

noites, varandas, fraturações 

do Líbano...

Seu ócio secreto! 

Os espantos amazônicos!


Vou lendo a tarde extrema da sua floresta interior

e o coração hermético dos seus mistérios,

a memória não espera.


A vida ainda é dor, 

onde os deuses abrigam

lágrimas e lembranças.


Velho amigo boêmio, Jorge Tufic - derradeiro poeta de antanho - 

na ressaca deste e de outros 

milhentos silêncios.


Parnaíba, Costa do Piauí, 14 de Fevereiro de 2018.