Na tarde de Teresina o vapor das ruas

tem o hálito quente da mulher ardente

e queima o corpo de suor e volúpia

 

Em um horizonte só de luz

que palavra define a linha do equador?

 

Muros pintados de única cor

tetos cobertos pelo mesmo raio

tudo amarelo, fumaça e verão.

 

Verão os ventos o tempo pasmo de padecer?

 

A moça passa a mão na nuca

e onde mais a pele mina

as gotas da cidade fervem

o clima de sua  estação

 

Bancos de areia no rio doente

aguapés acenando sujeiras

árvores paradas  em sufoco e calor

do outubro que se vai indesejado e feroz.

 

Dílson Lages Monteiro é poeta e ficcionista. Autor, entre outros, de O sabor dos sentidos.