Crispim - Rios de desesperança (286 páginas). Publicado pela editora Nova Aliança, com capa e ilustrações do autor.

É o primeiro romance do professor, escritor, ilustrador, roteirista, cineasta, redator, crítico e publicitário Pádua Carvalho.

O livro é uma releitura da Lenda do Cabeça de Cuia, mas, excluindo toda a sobrenaturalidade fantástica, o enredo passa longe dessa mitologia que tanto povoou o imaginário popular e infantil. A lenda caminha paralela a esta versão que traz de maneira mais crível uma história já tão presente na alma do teresinense. A ideia do livro nasceu a partir de argumento escrito para ser um curta-metragem, um desejo do autor sempre de recontar essa história de uma outra forma, de uma maneira mais verosímil possível, tendo como pano de fundo uma Teresina em mudança. Nesta nova roupagem, o livro conta a história do menino Crispim, desde seu nascimento, passando pela infância, adolescência, juventude até sua mitificação como lenda. É uma narrativa mais perto da nossa realidade, onde os sentimentos reais de frustação, raiva, angústia, solidão e amor definem seus personagens. As crendices populares, a fé e os costumes estão presentes nos relatos e desafios vividos por uma família pobre de pescadores às margens do Poty, numa Teresina dos anos 1950, provinciana e aristocrática. As amizades, brincadeiras retratadas, paisagens, comportamento e costumes vão desde o comportamento familiar, pessoal e social mostrando um cotidiano por vezes, pueril, sofrido, inocentes e com pitadas de humor, mas que não deixa de trazer na sua essência uma visão de uma cidade em transformação. Crispim é uma viagem ao passado revisitando lugares pitoresco de nossa cidade, como a estrada do gado (Av. Miguel Rosa) à estrada da Catarina (Av. Higino Cunha), o mercado da Lama (Piçarra), o baixo meretrício do Morro do Querosene nas imediações da rua da cachaça (atual rua Tersandro Paz), Rua Honório de Paiva e adjacências, a construção da igreja de São Raimundo na Piçarra e até os namoros e retretas na praça Pedro II.

O drama vivido nos relatos de sobrevivente dos grandes incêndios dos anos 30 e 40 no Centro de Teresina através do testemunho prestados ao próprio Crispim por um velho andarilho. Bem como o uso costumeiro de remédios caseiros tirados de ervas e raízes que tão profundamente estão presentes em nossa cultura, utilizados ainda hoje através das farmácias homeopáticas.

Crispim é uma história de amor, tragédia, humor e ódio que beira o drama Shakesperiano de Romeu e Julieta. Ler crispim é descobrir nuances de nós mesmos em cada página. Um retrato de reminiscências de uma Teresina que não ficou no passado, mas está presente em nossas lembranças e vive através de nós mesmos. Com os personagens Maria, Crispim e Mundinho, muito de nossa infância será lembrada com alegria, como também a discriminação e o descaso social já tão marcado nas classes menos favorecidas. Através deste romance se descobre uma Teresina com histórias conservadas até hoje apenas através da oralidade, fatos curiosos que dão nomes aos bairros e desvendam acontecimentos obscuros até mesmo da lenda como até então é conhecida. Depois de ler Crispim, Rios de desesperança, a lenda do cabeça de cuia ganha um novo significado, o de como poderia de fato ter sido tão real a ponto de se tornar mítica. Mas isso, só se descobrirá, lendo o livro. Crispim – Rios de desesperança.

O livro é um dos primeiros frutos do Projeto da SOL (Sociedade Literária de Teresina), cujo um dos propósitos é a revelação de novos escritores. A SOL é formada por um grupo de escritores e amantes da literatura que se reúnem uma vez por mês (2ª Quarta-feira) na livraria Entrelivros e homenageia um escritor piauiense, na ocasião, o público tem a oportunidade de conversar com o escritor sobre sua obra. Desde sua fundação A SOL já homenageou os escritores, Dilson Lages, Eneas Barros, Lisete Napoleão, Homero Castelo Branco, Garrincha, Márcia Evelin, Eulália Teixeira, Anna Miranda, Ângela Rêgo, Nelson Nery e Gisleno Feitosa.