Um cenário que remonta ao ano de 1616, quando o Brasil colônia expulsou, em definitivo, os franceses do território. Assim é, ainda hoje, o Centro Histórico de Belém, no Pará, com postos intermediários e construção de fortalezas, em conformidade com as recomendações dos tratados de arquitetura militar da época. 

Atualmente, o centro histórico de Belém possui 23 bens tombados pelo Iphan, com cerca de 800 imóveis protegidos. Se a proposta for aprovada, serão 2,8 mil edificações sob a proteção do governo federal. O parecer do Departamento de Patrimônio Material – Depam/Iphan ressalta que a cidade de Belém, que tem nos bairros Cidade Velha e Campina sua porção mais antiga, tem grande importância no processo de conquista e colonização portuguesa no norte do país. Após a expulsão dos franceses da Ilha de São Luís do Maranhão, a cidade de Belém passa a ter função estratégica como elo de ligação entre o rio Amazonas e o mar, possibilitando a posse de toda a Amazônia e a transformação de Belém no maior entreposto comercial das riquezas produzidas na região. Neste contexto, foi erguido um conjunto arquitetônico misturando traços básicos da arquitetura européia com a cultura local, arquitetura neoclássica, exemplos arquitetônicos expressivos do período eclético, com grande concentração de exemplares de arquitetura azulejar, e arquitetura de ferro.

Os bairros da Cidade Velha e Campina condicionados por elementos naturais como baía, igarapé e alagadiços constituem, ainda, um dos maiores e mias íntegros conjuntos urbanos do país, dando à cidade de Belém configuração peculiar. O conjunto constituído pela trama da cidade consolidada entre os séculos XVII e XVIII, em que se destacam as igrejas com suas torres, os largos e praças, os coretos, os mercados e as feiras, em perfeita interação com a baía de Guajará, é suficientemente expressivo para retratar  a  história  urbana  de  Belém.  

O início da cidade de Belém do Gram Pará A formação da cidade a partir das duas áreas é um dos elementos importantes para a compreensão de Belém. Assim como a escolha do sítio não foi aleatória, as diretrizes da ocupação também foram dadas por um elemento natural, o rio, permitindo que as construções fossem aos poucos assinalando as etapas do desenvolvimento.  A política de proteção do território brasileiro, após  a expulsão dos franceses, escolheu o local como o mais adequado para a construção de uma fortificação e estabelecimento de uma cidade. Foi definida uma estreita faixa de terra confinada, de um lado, pela baía do rio Guarajá e, de outro, por um grande igarapé denominado de Piri – onde, mais tarde, foi instalado um fortim de madeira –, permitindo a defesa da área de um ataque pelo interior e o controle da entrada da baía.

Foi nessa área que surgiu o primeiro logradouro do núcleo, aberto paralelamente ao rio, denominado rua do Norte, atual rua Siqueira Mendes, ligando uma edificação militar, o  Forte do Presépio, às edificações religiosas como o Convento de Santo Antonio e Igreja e Convento do Carmo, uma característica comum a muitos núcleos coloniais. Os caminhos que surgiram, no sentido do interior, ligando as edificações, em especial aquelas vinculadas às diferentes ordens religiosas, consolidou a conformação do bairro depois denominado Cidade Velha. O crescimento do núcleo  urbano, inicialmente lento devido aos constantes conflitos entre nativos e estrangeiros, ganhou impulso a partir da Carta de Doação e Sesmaria que concedeu a primeira légua patrimonial, fazendo com que, em meados do século XVII, com a instalação da Igreja das Mercês, a área fosse ocupada e, no século seguinte, se  consolidasse como centro comercial com a fundação da Companhia do Comércio do Grão-Pará e Maranhão, em 1755.

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