Ronaldo Bressane

Alerta de “textão”: senta que lá vem ensaio. Mas calma. Só porque dizemos “ensaio” não precisamos pensar em sábios cofiando o queixo e mirando o infinito. O ensaio nunca foi tão popular quanto em nossa época de redes sociais: basta entrar no Facebook, no Medium ou até no Twitter e, com sorte e talento para a bateia, garimpar ensaios sobre a morosidade da justiça brasileira e as astúcias estranhas do ex-juiz Moro; o racismo nosso de cada dia expresso numa viagem de ônibus ou numa ida ao cinema; o machismo estrutural que permeia a sociedade numa discussão sobre as estrepolias de Neymar; o exasperante zeitgeist que infiltra o tom de indignação a cada polêmica sobre a) futebol feminino, b) a invasão do telemarketing em nossas horas íntimas, c) as fotos de nossas crianças no Instagram, d) o pior presente que já recebemos no dia dos namorados, etc., etc... Se antigamente se dizia que o Brasil era uma nação de 200 milhões de comentaristas esportivos, hoje se pode afimar que o Brasil tem 200 milhões de ensaístas. Todo dia um textão nas redes nos lembra como vivemos em um tempo em que ter e difundir uma opinião autoral contribui para a reputação; como as opiniões pessoais podem sucumbir à polarização entre eixos críticos; e como muitas vezes uma sim ples discrepância entre opiniões contrastantes é repentinamente fechada com uma frase de efeito, cortante e peremptória, cercada de joinhas e coraçõezinhos e aplaudida sob a claque de “Lacrou!”.
 
Mas calma: em que ponto um textão se transforma em um verdadeiro ensaio?
 
Leia na íntegra o ensaio de Ronaldo Bressane na "Cândido" de julho de 2019