No dia em que o Brasil perde uma de suas grandes vozes da música, Beth Carvalho, intérprete de uma das formas musicais que identifica o país, Entretextos convida à leitura de uma entrevista de fôlego com a cantora, realizada em 2010, por Edu Goldenber e Luiz Antônio Simas:

"Beth Carvalho: O nome do meu pai, João Francisco Leal de Carvalho, minha mãe, Maria Nair Santos Leal de Carvalho, e eu nasci na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro, no dia 5 de maio de 1946. Nessa ocasião meus pais moravam no Catete, na Bento Lisboa, 10. Esse prédio existe até hoje. É um prédio todo de pedra, todo de pedra, não fica velho nunca, resistente! Mas eu nasci na Pró-Matre, que fica na Gamboa. E meu pai, desde pequenininha, falava “você nasceu na Gamboa!”, e eu achava aquilo tão bonitinho… a palavra ”Gamboa”! E eu incorporei essa história… Qualquer pessoa que me perguntasse onde eu nasci, eu falava, “eu nasci na Gamboa!”. E isso ficou! E isso depois, bem mais tarde, em 72, quando eu fui fazer o disco “Pra Seu Governo” que eu pedi pro Mário Lago escrever a contracapa, ele me perguntou, “você nasceu aonde?”, eu falei, “eu nasci na Gamboa!” (ri). Aí ele disse, “ah, você nasceu no berço do samba” e tal, então ficou essa coisa… O Martinho da Vila fez um samba em minha homenagem, que é o “Enamorada do Sambão”… que ele fala (cantando) “Gamboa, Gamboa, Gamboa mas nem sempre estou na boa”, que eu também falava esse negócio de Gamboa pra ele, mas na verdade eu nasci no Catete, onde o Cartola nasceu também… (ri muito)"

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A cantora Beth Carvalho faleceu hoje, 30 de abril, às 17:30min, no Rio de Janeiro.

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