Com apresentação do Prof. M. Paulo Nunes, foi lançado no último dia 8 de novembro, no auditório da Academia Piauiense de Letras, o romance Vozes da Ribanceira (Teresina:EUFPI/APL, 2003. 261p.), de autoria do magistrado, jurista contista e romancista Oton Lustosa.

Natural de Parnaguá(1957), membro efetivo da APL, Oton Lustosa é um intelectual já reconhecido por suas publicações jurídicas, mas que vem se revelando ultimamente na esfera ficcional. E o livro em referência é um excelente romance ambientado no bairro Poti Velho, de Teresina, antiga vila do Poti, onde desfilam seus mais diversos personagens: oleiros, pescadores, vazanteiros, violeiros, artesãs, prostitutas, e também o padre, a beata, a radialista, o hippie, o traficante, o político fisiologista - infelizmente, praga que grassa em todos os tempos -, o latifundiário, o jagunço, o policial, a “autoridade”, e diversos outros personagens, todos se movimentando através da pena de um escritor com grande poder criativo, responsável por um enredo bem urdido e que prende a atenção do leitor do começo ao fim. Digo isto porque o li praticamente de um só fôlego, em apenas um final de semana. Li e gostei, razão pela qual recomendo a leitura.

Esse romance vigoroso, embora seja ambientado no bairro Poti Velho, zona norte da capital, poderia com o mesmo sucesso, ter por cenário qualquer pequena comunidade do Brasil e do mundo, porque seus personagens são clássicos, simbolizam um modelo, um modus vivendi comunitário, e assim como Menino de engenho, de José Lins do Rego se transformou num retrato perfeito do mundo rural, com seu personagem central representando o estilo de vida de qualquer menino do interior, a meu ver Vozes da Ribanceira, é um painel que sintetiza o modo de vida de qualquer pequena comunidade, resgatando a própria essência do povo brasileiro. Então pergunto: Quem de nós não se sente retratado nas páginas do magistral romance do escritor paraibano? Pois não tenho dúvidas de que quem ler Vozes da Ribanceira vai encontrar algo de familiar. É, pois, um romance que já tem seu lugar assegurado na moderna literatura brasileira, razão pela qual rogamos que seu autor continue a brindar a sociedade piauiense com outras publicações desse nível.

(Diário do Povo, 21.2.2004).