I- na praia um piaga fala pedradas na cara do padre

 

- o nosso povo não grava

sua palavra versada

que desenhou nessa areia

mas isso não é tristeza

para quem tem as mãos cheias

da sabedoria crua

contra a ignorância polida

do senhor que nos-acua

 

II- no tribunal um ex-escravo crava a palavra na carne do ar


- sou eu quem agora acusa:
tenho a marca da cultura
pelas falas que gravei
de tantos antepassados
mas comi as leis do rei
que me-quis escravizado
com o povo desprotegido
por isso contínuo grito

 

 

III- na calçada um branco livre (?!) não lê nestas suas marcas


- o que eu pedi pelo VERSO livre desse poeta meu amigo é que o que ele dissesse por mim tava DITO (e reescrito!) é isto: "após caminhar milanos o ser humano a cinco de TAL distância andando a jato dominou tal ARTEfato para dominar"


(Luiz Filho de Oliveira. Onde Humano. Tersina: Nova Aliança, 2009.)