O jornalista Zózimo Tavares acaba de brindar o público com o interessante livro Sociedade dos poetas trágicos – vida e obra de 10 poetas piauienses que morreram jovens (Teresina: Gráfica do Povo, 2004. 121 p). Como o próprio título indica o livro traz informações e análises da vida e obra de dez poetas piauienses falecidos com menos de quarenta anos de idade: Licurgo de Paiva, Alcides e Lucídio Freitas, Nogueira Tapety, Zito Batista, José Newton de Freitas, Mário Faustino, Torquato Neto, Paulo Veras e Ramsés Ramos, todos prematuramente falecidos, deixando obra incompleta, embora alguns tenham adquirido projeção nacional a exemplo de Mauro Faustino e Torquato Neto, falecidos com 32 e 28 anos de idade, respectivamente.

A leitura desse livro faz despertar a atenção do leitor para a riqueza da literatura piauiense e, ao mesmo tempo, pensar sobre como o destino tem sido ingrato com a dita terra de Mafrense, ceifando ainda no alvorecer a vida de grandes talentos que poderiam bem projetá-la nos domínios da cultura nacional. Basta lembrar os nomes de Mauro Faustino e Torquato Neto. Se produziram obra tão representativa com tão pouca idade, a que nível chegariam na maturidade? Não quis, porém, o destino que pudéssemos conferir. Perdeu a literatura, o Brasil e, em especial o Piauí. Maldita parca.

Todas essas reflexões nos trazem a leitura de Sociedade dos poetas trágicos, um bem escrito volume que honra o nome de seu autor, já reconhecido como jornalista de escol e escritor de grandes méritos. De estilo claro e sucinto, à moda jornalística, se constitui em leitura agradável e elucidativa. Embora aparentemente sem grandes pretensões, traz informações biográficas e críticas sobre os biografados, sem esquecer de demonstrar o estilo de cada um com trechos representativos de suas respectivas obras, cobrindo, assim, mais de século da literatura piauiense, desde o romantismo de Licurgo de Paiva(1844 – 1877) e Nogueira Tapety(1890 – 1918) ao tropicalismo de Torquato(1944 – 1972) e os estilos mais modernos de Paulo Veras(1953 – 1983) e Ramsés Ramos(1962 – 1998). É, pois, um livro que enriquece a literatura brasileira, colhendo subsídios, analisando dados e divulgando informações sobre representativos autores de uma das mais esquecidas unidades federativas. De parabéns o autor e que os estudantes e estudiosos saibam fazer bom proveito das preciosas informações divulgadas.

(Diário do Povo, 2004).