[Bráulio Tavares]

Inventar uma sopa que seja de carne e de feijão, em faixas alternadas. 

Descobrir onde foram parar todas as canetas Bic que perdi em 2015. 

Passar um telegrama para “Trupizupe, o Raio da Silibrina, Campina Grande, PB” e ver se chega. 

Ensinar os brinquedos da minha filha a se arrumarem sozinhos. 

Arranjar um clone para ir no meu lugar aos compromissos. 

Pintar “Guernica”. 

Comprar um armário que tenha uma porta secreta para o reino de Nárnia ou pelo menos para o cabaré da Nega Filomena. 

Juntar lençol, travesseiro, água mineral e livros, e passar cinco semanas num balão. 

Gravar um DVD toda vez que for a uma mesa de bar, vender e ficar rico. 

Arranjar um cachorro que saiba trazer meus chinelos e acender meu cachimbo. 

Tomar remédio para orelha grande. 

Comprar um ringue de boxe, botar na praça e cobrar dez reais por round, luvas incluídas. 

Remexer a casa toda, pra valer, até achar um objeto que, com sorte, eu vou reconhecer quando encontrar. 

Ter mais paciência com os outros. 

Pescar, logo na primeira tentativa, um peixe de 2,750 kg. 

Guardar um grão de arroz dentro de um diamante. 

Instalar na minha sala uma máquina de caldo de cana, um Banco 24 Horas e um telescópio. 

Vender meu cadáver, antecipadamente, a uma Faculdade de Medicina. 

Pegar o Expresso Transiberiano até a última estação e lá decidir se vale a pena voltar. 

Jogar uma partida de xadrez contra o computador e ganhar roubando. 

Localizar a cópia completa de “Sob o Céu Nordestino” que se perdeu em Paris após a morte de Walfredo Rodriguez. 

Pular toda noite o muro de alguma casa e abrir as gaiolas dos passarinhos. 

Atribuir uma letra do alfabeto a vinte e seis objetos aleatórios, e ir anotando as palavras que eles irão formando ao serem vistos no dia a dia. 

Cruzar a Paraíba a pé, da Ponta do Seixas à fronteira com o Ceará. 

Fazer um filme com uma cantoria em tempo real, sem cortes, em plano sequência, dure quantas horas durar. 

Zerar um videogame, não importa qual. 

Percorrer de moto todos os Estados brasileiros. 

Extrair a raiz quadrada da “Mona Lisa”, plantar o resultado no jardim e fazer um suco com a fruta que nascer. 

Montar num tubarão. 

Traduzir um livro meu para o inglês. 

Aprender a dançar tango para o caso de um dia alguém me chamar para ser ator num filme argentino. 

Tatuar no antebraço esquerdo que meu sangue é A-positivo e que sou alérgico a AAS. 

Publicar um poema de Adão Ventura com meu nome e ver quantos anos demora até alguém perceber. 

Assistir um filme no Cine Capitólio e outro no Cine Babilônia. 

Montar uma tapiocaria vendendo tapiocas em todos os sabores com que se vendem pizzas. 

Fazer o check-up que não fiz de novo no ano que passou..