RELEMBRANDO 1989

Miguel Carqueija

 

Naquele já longínquo ano de 1989 corria o período das eleições presidenciais. No primeiro turno passaram Fernando Collor de Mello e Lula. Na véspera do segundo turno, um sábado, eu me encontrava á noite em Copacabana. Ao me dirigir ao ponto de ônibus senti como o clima nas ruas estava pesado. Grupos petistas cantavam vitória. Aquelas roupas e bandeiras vermelhas. Aquela atitude agressiva. Estava assustador.

Ninguém me contou, eu vi e senti o clima opressivo que o PT trouxe ao nosso país.

Se Collor não houvesse ganho, teríamos provavelmente mergulhado numa Era das Trevas sem precedentes. Se duvidam das intenções do socialismo marxista, leiam “Arquipélago Gulag” de Alexandre Soljenitsin ou “Contra toda esperança” de Armando Valladares — o primeiro conheceu o sistema prisional soviético, o segundo, o cubano.

Se Collor não honrou seu mandato e se depois de cassado, ao retornar à política como senador, tornou-se aliado de Lula, isso não muda os fatos.

Pode alguém dizer que o PT chegou ao poder em 2003 e permaneceu 13 anos, com Lula e Dilma, e não veio a ditadura comunista. Bem, o que aconteceu é que eles não conseguiram dobrar todas as instituições e ainda houve meios de reagir — não se cheogu ao ponto em que a Venezuela chegou.

Se duvidam leiam a entrevista de José Dirceu ao jornal “El País”, onde ele declara: “E dentro do país é uma questão de tempo pra gente tomar o poder. Aí nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição.”

Isso faz poucos dias. Mudar eles não mudaram.

Infelizmente existe no Brasil o jogo de polarizar as eleições entre um candidato ruim e outro pior ainda, mandando para baixo, com o truque sujo das pesquisas eleitorais (que deviam ser proibidas) os melhores candidatos (com a agravante de não lhes dar tempo suficiente no horário de propaganda e até, muitas vezes, excluí-los dos debates). Já fizeram isso com Enéas Carneiro e ultimamente com Marina Silva. Escolher no segundo turno entre um partido de fanáticos da esquerda conhecidos por sua intolerância e truculência, e um candidato avulso (seu partido não é importante no caso) sem noção e temperamental, desastroso — será isso satisfatório para os conservadores? Ficaremos outra vez sem opção no segundo turno, afora a anulação?

Como diz o digno candidato Álvaro Dias, “Abre o olho!”.

Rio de Janeiro, 2 de outubro de 2018