[Doralice Araújo]

As expressões de descontentamento com a remuneração recebida e quadros de insegurança e desprestígio marcam as notícias que leio sobre os colegas professores da rede pública. Li agorinha, por exemplo, uma nota do UOLEducação acerca dos docentes estaduais do Rio de Janeiro, mas o leitor poderá avistar outras expressões pelo Brasil afora.


Reprodução via Google
A minha impressão é a que os gestores estaduais e municipais não têm filhos matriculados na escola pública; se tivessem a situação seria diferente. Veriam as suas crianças retornarem para casa, após as paralisações constantes. Ficar à margem da vida coletiva e usufruir de condições excepcionais pagas pelos cofres públicos faz de um político um reizinho. Do alto da sua condição, amparada pelas regalias do cargo outorgado pelos incautos, ele avista o servilismo, a indiferença dos que podem agir, mas não fazem nada e, assim, segue todo fagueiro durante o seu mandato. Ignorar as demandas dos que dependem da educação pública, entre outras necessidades, é prática usual. A vida do político corre em paralela distante da que dispõe o cidadão comum e a sua família.


Gostaria muito de conversar com um candidato a político municipal ou estadual; eu lhe faria duas perguntas: 
1ª-  Qual o valor que atribuiria ao salário base de um professor?
2ª-  Matricularia/ou mantém seu filho em uma escola pública? 


Como acreditar de que o salário pago a um professor brasileiro, a partir do piso nacional de R$1.451,00, é capaz de provocar desestabilização no orçamento da maioria dos Estados brasileiros? Eu teria vergonha de enfrentar os olhares internacionais que avistam o Brasil como uma nação que respeita a vontade popular, mas que trata com indignidade aos seus educadores públicos. Sediar uma Copa do Mundo e exibir um panorama tão deprimente no trato à vida educacional é de uma contradição revoltante, concorda comigo, leitor?