OS ENTREVISTADORES CARRANCUDOS

Miguel Carqueija

 

            Assisti ontem na íntegra, a entrevista de Marina Silva (pessoa por quem tenho instintiva admiração) no Jornal Nacional. Eu não assisto o JN, prefiro o noticiário construtivo da TV Canção Nova. Mas tinha de ver a Marina.

O que eu posso dizer: a candidata ao governo do país se saiu muito bem, não deixou nada sem resposta embora fosse cortada a toda hora. O que me espanta é o seguinte: embora eu já tenha passado um pouco dos 18 anos, nunca vi (pelo menos não me lembro) entrevistadores tão carrancudos e antipáticos como William Bonner e Renata Vasconcelos. Eu diria, até a Madame Min é mais simpática que essa repórter. Entendo que quem entrevista tem de respeitar a pessoa entrevistada, não pode tratá-la com hostilidade e grosseria, de cara amarrada e voz dura. Foi uma vergonha. Eu tinha visto no zap um pequeno trecho da entrevista com Bolsonaro, não gosto dele mas apreciei a sua reação às provocações, deixando os seus inimigos de calça curta. A essa altura Bonner e Renata deviam exibir os seus contra-cheques, quero ver essa mulher provar que ganha tanto quanto o Bonner para fazer a mesma coisa.

Embora não goste de Bolsonaro uma coisa dou por certo: se um dia tiver de escolher entre Bolsonaro e Bonner, entre Bolsonaro e Renata Vasconcelos, entre Bolsonaro e a Rede Globosta, eu fico com o Bolsonaro.

Não sei como foram as entrevistas com Ciro e Alkmin. O fato que me pareceu bem palpável é que Bonner e Renata tentaram de tudo para destruir Marina Silva; não conseguiram e estão ficando cada vez mais impopulares. Acho desaforo a Renata, fazendo cara feia, querer impor a opinião de que Marina Silva não tinha autoridade em seu próprio partido e, consequentemente, não pode ser presidente. A candidata se sau de modo excelente, lembrou que não segue aquele conceito de velha política, de que partido tem dono; quanto aos que saíram da Rede, ela fez uma observação importante: se em outros partidos quem sai é considerado inimigo, isso não acontece em seu partido.

E ela lembrou que veio de baixo, tendo sido seringueira e empregada doméstica, e alfabetizou-se aos 16 anos. É uma mulher sofrida e lutadora, não obstante culta, bem informada e de palavra penetrante. Ela é mil vezes melhor que Bonner e Renata juntos.

 

Rio de Janeiro, 31 de agosto de 2018.