Miguel Carqueija

 

            Na revista “Seleções” de abril de 1994 (esta revista é a edição em português da conhecida “Reader’s digest”) saiu um impressionante artigo intitulado “Tudo em nome do Islã” assinado por Ann Louise Bardach. Ele dá conta das coisas terríveis que não param de acontecer em países muçulmanos e mesmo em outros, do Ocidente ex-cristão, onde existam comunidades muçulmanas. E lança uma luz sobre o fundamento de tais atrocidades, que na verdade não representam a substância da religião islamita, ou do Alcorão; mas por surpreendente que pareça, possuem origem real mais recente.

            O pior, os países democráticos, que quando querem exercem pressões poderosas (como a que exerceram sobre Portugal para que desse autonomia aos territórios de ultramar), revelam-se bastante omissos nesse particular. Por exemplo, em abril de 1991 uma saudita de 22 anos desembarcou em Montreal, Canadá, e pediu asilo, pois se tornasse á Arábia Saudita correria risco de morrer. E por que? Por ter saído de casa sem estar “coberta da cabeça aos pés”. Estranhamente as autoridades canadenses relutaram em conceder o asilo, embora o tenham feito no fim; segundo a autora, aparentemente não acreditavam que as coisas na Arábia fossem tão duras para as mulheres.

            Diz a autora do artigo: “Interpretando seletivamente o Corão, o Hadith (as palavras do Profeta) e o Shariah (um código de leis religiosas), os regimes de certos países muçulmanos restringiram seriamente os direitos das mulheres. Muitos legalizaram a poligamia e o repúdio — através do qual um homem se divorcia da mulher simplesmente pronunciando as palavras “Divorcio-me de ti”. Ao mesmo tempo recusaram às mulheres o direito a se divorciarem por sua vontade, a custódia dos filhos e a propriedade comum.”

            Para piorar existe a mutilação genital feminina, que embora mnão seja originaria do Islã, passou na África para regiões islâmicas, causando até tétano e septicemia, por ser praticada sem regras de assepsia. “Esse expediente de mutilar é praticado em mais de 30 países, sobretudo em toda a cintura central da África, do Senegal à Somália, chegando ao Egito. Apesar de se pensar que se trata de um dever religioso, na realidade o Corão não encoraja tal uso” (sic).

            Outro dado estarrecedor: “Em 1990, o Iraque aprovou um decreto que permite aos homens matarem suas mulheres, filhas ou irmãs por adultério.” Não sei se essa monstruosidade ainda se acha em vigor. Mas afinal de contas por que tanto ódio e violência contra as mulheres???

            Agora vamos ao ponto mais importante, para o qual peço a sua especial atenção. Ann Louise observa que “O problema não é o Islamismo (...) mas o fundamentalismo extremista, que se serve do Islã como pretexto para reprimir. “ E cita a socióloga marroquina Fatima Mernissi, que afirmou mesmo ter Maomé revolucionado a condição das mulheres no século VII, pois concedeu-lhes acesso às mesquitas, direitos de herança e participação nas coisas públicas. Ou seja, pela doutrina maometana verificar-se-ia o contrário dessa tirania masculina de hoje em dia. O que causou tal retrocesso?

            A explicação vem por intermédio de Benazir Bhutto, que foi primeira-ministra do Paquistão, fato em si auspicioso (porém ela foi assassinada em 2007). Segundo ela, creio que se referindo a diversos países: “Quase todos os partidos políticos foram proibidos.” Em consequência: “A mesquita tornou-se um local onde as pessoas podem se juntar, e os membros do clero tornaram-se muito poderosos. Começaram uma doutrina nova, na qual só eles sabem (sic) o que convém a todos.”

            Por aí se vê: os novos fariseus.

            A conclusão vem nesta citação de Hélie-Lucas: “O fundamentalismo islâmico é um movimento político e não religioso. É a extrema direita se servindo da religião como capa. É o fascismo atual.”

            Essa brilhante dedução lança uma nova luz sobre movimentos horripilantes atuais como o Estado islâmico e o Boko-Haram, que surgiu na Nigéria e chegou a sequestrar centenas de meninas para impedi-las de estudar. Estamos, portanto, diante dos sucessores de Hitler.

            Quando é que o Ocidente ex-cristão despertará para a verdadeira situação de infâmia trazido por tais pessoas ao mundo?

            Segue matéria sobre a Boko-Haram e uma de suas vítimas:

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/18/internacional/1505754685_977820.html

 

Rio de Janeiro, 10 de fevereiro de 2018.

 

 

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