I,9

 

A neve espessa já pesa nos píncaros,

A mata mal suporta o fardo branco:

             Gelam os ribeirões,

             Paralisam-se os córregos.

 

Ó Taliarca do festim, apague o frio

Com as achas no fogão. Pródigo, verse

De uma ânfora sabina de duas ansas

            Um vinho de quatro anos!

 

O resto, amigo, entregue aos deuses. Mal

Morram os ventos guerreiros no mar,

            Não chacoalhem ciprestes,

            Nem cabeceiem freixos,

 

Não queiram saber nada do amanhã:

Credite à sua conta o dia de hoje.

Não se esquive, menino, dos namoros

           E nem das contradanças;

 

Bem longe os anos velhos, aproveite,

Antes da idade trôpega e grisalha,

           Dos risos abafados

           Nos cantos escondidos,

 

Quando o dia se vai, da namorada,

E roube dela anéis e braceletes

De amor, depois de uns queixumes, após

          Alguma resistência.

 

 

 

 

Tradução: Décio Pignatari