O “TÁ” E O “TAMOS” DO GOVERNADOR

Miguel Carqueija

 

            Girando os canais para ver o que rolava eu flagrei ontem, no programa da Margarida Godoy no 6, uma entrevista com o Geraldo Alkmin, governador de São Paulo.

            Nunca fui com a cara dele e não lhe dei meu voto quando o mesmo foi candidato à presidência da República. Seu jeito forçado de bom moço não me ilude seu envolvimento com Fernando Henrique Cardoso. Seu estilo, apresentando-se como um grande empreendedor, não faz a minha cabeça. De PSDB já estou cheio, aliás nunca votei em candidatos desse partido que defende a nefasta doutrina do neoliberalismo. Com essa gente todo cuidado é pouco.  

            Mas o que dessa vez me causou espécie é que apesar de seus ares professorais o Alkmin abusa do “tá” e do “tamos”, parecendo incapaz de falar “está” e “estamos”.  É bem verdade que os brasileiros estão falando muito mal, inclusive os repórteres de televisão, mas se o Sr. Alkmin pretende mesmo se candidatar de novo à presidência bem que podia se esforçar em melhorar sua linguagem.

            Já peguei a entrevista começada e só assisti alguns minutos. Não suportei quando a apresentadora interrompeu para fazer anúncio de bebida. Julgo uma coisa grandemente ridícula uma apresentadora de programa dar uma de garota-propaganda, fazendo anúncios ao vivo. Isso inclusive é desvio ou usurpação de função, pois não cabe à apresentadora. A emissora não pode pagar uma funcionária que se encarregue dos anúncios?

 

Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 2017.