Nosso estudo encontra-se dividido em quatro momentos ou partes. Procedemos inicialmente a um apanhado dos fatores históricos caracterizadores do ciclo. Esse procedimento teve como objetivo apresentar as determinações econômicas do ciclo como forma de situar as obras nesse contexto. Na segunda parte do estudo, apresentamos um apanhado do universo de obras do “ciclo da borracha” na literatura amazonense a fim de identificarmos a constância da abordagem. Na terceira parte do estudo, apresentamos as obras que constituem o recorte em torno da problemática da diversificação e desenvolvemos uma análise particular de cada uma delas. Encerramos o estudo, procedendo a interligação entre as três obras e os seus respectivos autores, fazendo uma análise comparativa em que procuramos apontar tanto os pontos de contato quanto os de afastamento entre os autores e as obras.
            O referencial teórico que dá suporte ao nosso estudo concentra-se principalmente no argumento que Mário Ypiranga Monteiro desenvolve em Fatos da literatura amazonense, a saber: a literatura amazonense em torno do “ciclo da borracha” não apresenta diversificação em relação ao tratamento do tema. Nessa carência, o autor aponta como exceção o romance A selva, de Ferreira de Castro. A selva é igualmente apontada por Márcio Souza em A expressão amazonense como o único romance que conseguiu desfazer o círculo de ostentação das letras amazonenses, baseado numa retórica vazia e acrítica. Segundo o autor, a obra desvela realisticamente o processo do “ciclo da borracha”.
            Empreendendo a análise de A selva apontamos detalhadamente a coerência da organização estrutural do romance em relação à abordagem do tema. Acrescentamos, todavia, as nossas considerações acerca do determinismo acentuado na obra, o qual prejudicou a sua construção crítica sobre o ciclo.
            Na abordagem de Beiradão, consideramos e dialogamos com o estudo empreendido por Neide Gondim em Simá, Beiradão, Galvez, imperador do Acre: ficção e história. Especialmente a assertiva de que Beiradão rompeu com o protótipo do coronel de barranco foi de valia para o nosso estudo que se pauta pela ocorrência de diversificação nas obras do ciclo. Consideramos e nos apoiamos também no estudo de Heloína Monteiro dos Santos: Uma liderança política cabocla – Álvaro Maia - apontando a ideologia subjacente no posicionamento político do autor.   Por fim, a análise que procedemos em relação à obra O amante das amazonas teve como suporte teórico o texto Crítica da escrita,  do próprio autor, mediante o qual podemos compreender as concepções estéticas explicitadas na criação de sua obra ficcional.