[Gilberto de Abreu Sodré Carvalho] – A importância de plena liberdade de imprensa é maior no Brasil do que em países onde o Congresso, ou Parlamento, exerce efetiva centralidade no debate da coisa pública e dos interesses públicos. Concordo que é uma afirmação estranha. O inverso parece mais convincente; ou seja, a liberdade de imprensa seria o coroamento final das democracias verdadeiras, onde haja igual representação político-eleitoral de todos os cidadãos e poucas diferenças socioeconômicas.
 No entanto, contra o chamado “senso comum”, nas democracias representativas plenas e maduras, em países de gente letrada e mais uniforme socioeconomicamente, a Imprensa Livre é pouco importante. Ela não é o eixo  garantidor dos limites éticos do poder político.
 Observo que nos países onde há democracias representativas plenas e atuantes, e povo letrado funcionalmente, as iniciativas de prevenção e repressão da corrupção, de monitoramento dos gastos públicos, de definição de prioridades de investimento e despesas correntes são feitos pelo Congresso, com o apoio marcante de uma série de organismos, aparatos e instituições que “governam” o Governo, e que não deixam os governantes e políticos livres para transgressões. É o caso de países como a Suíça, a Suécia, Reino Unido, a Dinamarca e outros. Surge um “círculo virtuoso” em favor de lisura, comprometimento e efetividade no cumprimento dos interesses públicos.
 No Brasil e nas demais “democracias hierárquicas”, onde há tutela do povo, como o Egito, a Argentina, a Rússia, a Índia e a África do Sul, - não falo da China, por essa fugir ao padrão ocidental -, a população precisa da Imprensa Livre. Sem ela, a dominação dos governantes e políticos seria invisível e absoluta.  
 Se o leitor observar, no plano federal, ao menos, só se questiona algo, fato ou pessoa, se antes sair na imprensa. A Imprensa Livre faz a pauta. Só é verdade, ou só existe, o que tenha saído na mídia; o resto vai para baixo do tapete. O que não é publicado não existe. Como novidade, as redes sociais da internet, nos últimos anos, têm servido como braço auxiliar da imprensa formal no seu papel de criticismo, de questionamento e de denúncia.   
 Uma vez que a Imprensa livre e as redes sociais substituem o Congresso Nacional na atividade fiscalizatória, a grande guerra dos corruptos é o enfraquecimento da Imprensa Livre e da liberdade de opinião nas redes sociais. 
 Em suma, sem Imprensa e sem a liberdade de opinião, a pouca democracia brasileira estará em perigo, uma vez que tal qual nas ditaduras, de direita ou de esquerda, os aparatos de dominação política têm ojeriza a controles.