BONFIM

Há pouco tempo publiquei livro com a árvore genealógica da família Nunes, que povoou a região do Médio Parnaíba piauiense. Com o início da pesquisa logo percebi que muitos dos pioneiros daquela família eram matrimoniados com membros da família Costa Veloso-Bonfim. Embora tenha elaborado notas sobre a família Costa Veloso fiquei devendo maiores informações sobre os Bonfim, que serão incluídas em eventual segunda edição daquela obra. De toda forma, os Costa Veloso que casaram com os pioneiros da família Nunes, eram também pertencentes à família Bonfim, pois essas duas famílias são bastante entrelaçadas. No Médio Parnaíba ainda se consorciaram com Nunes e Barbosa Ribeiro, formando um clã bastante homogêneo.

A família Bonfim é bastante antiga no termo de Jerumenha, vale do rio Gurgueia, centro-sul do Piauí, onde se fixaram seus pioneiros. Em nossas pesquisas surpreendemos o primeiro deles em princípio da era dos mil e oitocentos. Trata-se de ALEXANDRE JOSÉ DO BONFIM, procurador do Senado da Câmara em 1807. Mais tarde, aparece o nome de um provável filho, GERALDINO JOSÉ DO BONFIM, fazendeiro, f. em 1849, provavelmente casado com D. EUGÊNIA MARIA DE JESUS, f. em 1861, ambos residentes na fazenda Morros, do termo de Jerumenha; são estreitamente ligados à família Costa Veloso; filhos:

F.1- Major Frederico José do Bonfim

F.2- D. Desidéria Maria do Bonfim

F.3- D. Ana Celestina Celidônia do Bonfim

F.4- Geraldino José do Bonfim, f. em 1861.

F.1 – MAJOR FREDERICO JOSÉ DO BONFIM, n. em 1812, fazendeiro, residente na fazenda “Morros”(1849) e depois na fazenda “Serra”, ambas do Município de Jerumenha, falecendo nesta última em 23.11.1883, aos 71 anos de idade, sem deixar testamento; foi c.c. D. ROSA MARIA DO BONFIM, falecida em 13.08.1865(o inventário processou-se no ano seguinte, constando diversas posses de terras nas fazendas Vereda dos Morros, Jacaré e Sítio, todas contíguas e localizadas no vale do rio Gurgueia para o rumo Nascente, sendo adquiridas umas por compra a Vicente Gonçalves de Almeida e sua mulher Floriana da Costa de Jesus, Francisco Gonçalves de Brito, Conrado Gonçalves de Assis e Antônio Francisco Pires e outras por herança dos pais do viúvo inventariante, o que demonstra que a família encontrava-se desde antes bem estabelecida na região; também, posses de terras no lugar Pindaíba, ribeira do riacho do Uruçuí, da ribeira da Parnaíba, havida por compra a Alexandre José de Lima; e três posses de terra na fazenda Uruçu, sendo uma comprada a José Antônio Gonçalves, outra a Alexandre Antônio Gonçalves e outra havida por herança do pai da inventariada, bem como diversas outras posses entre imóveis, móveis e semoventes); filhos(idades em 1883):

F.1.1- José Frederico do Bonfim, 45 anos(entre seus filhos localizamos Geraldino José do Bonfim, n. em 1867, solteiro, lavrador, residente em Jerumenha, conforme informações constantes na Relação de Eleitores do ano de 1849).

F.1.2- D. Umbelina Maria do Bonfim, 40 anos, casada com Antônio José do Bonfim; filha(ao que conseguimos apurar): D. Luiza Maria do Bonfim, foi c.c. Belisário da Costa Veloso(2.º do nome)(Belisário e s/m Luiza, em 19.08.1915, venderam terras no lugar Brejo Grande, havidas por herança de sua sogra e mãe, respectivamente, Umbelina Maria do Bonfim).

F.1.3- Antônio José do Bonfim faleceu antes dos genitores, solteiro; s.g.

F.1.4- Theodoro Emídio do Bonfim, 38 anos.

F.1.5- D. Iva Francisca do Bonfim, 35 anos, f. em 1888, foi c.c. Tte. João Antônio Lopes Guimarães; filhos: 1) Antônio; 2) Gabriciano; 3) Jovinilha.

F.1.6- Maria Francisca do Bonfim, n. em 1850, falecida solteira; s.g.

F.1.7- D. Modesta Maria do Bonfim, n. em 1852, falecida antes do genitor, foi c.c. o fazendeiro João José Ribeiro(2.º casamento deste); filha única: Rosa, de 6 anos. Por esse tempo João José Ribeiro, residia em Amarante, e constitui seus procuradores em Jerumenha, para acompanhar os interesses de sua filha órfã, no inventário que se processou em Jerumenha, a Manoel da Costa Veloso e João Raimundo de Sousa Guimarães.

Além desses cinco filhos legítimos, o major Frederico José do Bonfim deixou ainda seis filhos órfãos por ele reconhecidos e habilitados no inventário, havidos de um relacionamento pós-viuvez com D. RAIMUNDA ALEXANDRINA DE CASTRO, solteira e que lhe sobreviveu, a saber:

F.1.8- Fausto José Bonfim, 13 anos, foi c.c. D. Ana Almeida do Bonfim

F.1.9- Rosa, 11 anos.

F.1.10- Brasilina, 10 anos.

F.1.11- D. Maria Alexandrina do Bonfim, n. em 1875, em 25.06.1902, casou-se civilmente (já eram casados no eclesiástico), José Duarte Sobrinho, n. em 1870, filho de Manoel Duarte Franco e D. Ursulina Maria da Conceição; filho: Gentil, n. em 1901.

F.1.12- Gentil, 7 anos

F.1.13-  Maria, 5 anos.

E outros dois reconhecidos por escritura pública, a saber:

F.1.14- Maria, nascida em 08.12.1979.

F.1-15 – Anna, nascida em 15.07.1881.

F.2 – D. DESIDÉRIA MARIA DO BONFIM, n. c. de 1815, filha de D. Eugênia Maria de Jesus e de seu marido; faleceu em 20.9.1885, depois de longa viuvez, no sítio Jenipapo, da fazenda Morros, onde residia em companhia do filho secundogênito; deixou bens constituídos por ouro, prata, ferro, semoventes e imóveis nas fazendas Morros, Sítio, Boa Vista, Jacaré e Morro Redondo, nos Municípios de Jerumenha e Amarante; interessante é que possuía posses na fazenda Jacaré, do termo de Jerumenha, advindo uma na meação de seu marido e outras por herança de sua mãe, Eugênia Maria de Jesus, indicando provável parentesco do casal, ambos proprietários na mesma fazenda; em 18.1.1832, na fazenda Brejo, da freguesia de São Gonçalo de Amarante, hoje município de Regeneração, c.c. BELISÁRIO DA COSTA VELOSO, n. c. 1808, fazendeiro, vereador da antiga Câmara Municipal de São Gonçalo(1833), cidadão do corpo de jurados de São Gonçalo(leia-se São Gonçalo Velho, hoje Regeneração) em 22.4.1834; depois mudou-se para a fazenda Caraíbas, do termo de Jerumenha, onde era criador, e onde faleceu em 7.1.1846, vítima “de moléstia que Deus lhe deu, e foi sepultado na igreja matriz de Santo Antônio de Jerumenha”, conforme informou a viúva nos autos de inventário, que se processou em Jerumenha, no mesmo ano; os quatro filhos órfãos receberam por tutor o tio materno, major Frederico José do Bonfim, que assumiu a administração dos bens deixados, entre os quais: escravos, ouro, prata, semoventes e duas posses de terras nas fazendas Morros e Jacaré, ambas do termo de Jerumenha e outras no termo de São Gonçalo; filhos(idades constantes em 1846):

F.2.1- D. Raimunda Joaquina de Araújo – 13 anos.

F.2.2- Capitão Manoel da Costa Veloso – 11 anos, juiz de órfãos em Jerumenha.

F.2.3- Targino da Costa Veloso – 10 anos, era mudo, desassisado, conforme consta nos autos de inventário dos pais.

F.2.4- Alferes Deodato da Costa Veloso – 9 anos.

F.2.2- D. RAIMUNDA JOAQUINA DE ARAÚJO, foi c.c. JOÃO JOSÉ RIBEIRO (1.º casamento deste), residiram em Jerumenha e na fazenda Buriti, de Amarante, ele nascido em 1825, filho de José Barbosa ribeiro(1793 – 1873) e Antônia Pereira de Araújo, todos oriundos de tradicionais famílias do Médio-Parnaíba piauiense; filhos, todos residentes no termo de Amarante(idades constantes no inventário da avó materna, em 1886):

F.2.2.1- Belisário Antônio Ribeiro – 36 anos, residente no lugar “Nova Olinda”, do termo de Amarante, c.c. Bernardina de Souza Ribeiro.

F.2.2.2- Antônio José Ribeiro (Antoninho) – 34 anos.

F.2.2.3- Francisco José Ribeiro – 32 anos.

F.2.2.4- Laudislina Joaquina de Araújo – 30 anos.

F.2.2.5- D. Presilina do Bonfim Nunes – 28 anos, c.c. Gil José Nunes, negociante em Amarante, pais do historiador Odilon Nunes e de João Robeiro Nunes, comerciante em Regeneração, onde faleceu, entre outros.

F.2.2.6- Altino José Ribeiro – 20 anos, negociante e deputado estadual, residente em Amarante.

F.2.2.7- Marcolino José Ribeiro – 17 anos, c.c. a prima Senhorinha Souza Ribeiro, são os avós dos doutores Agenor Barbosa de Almeida (deputado estadual e prefeito de Teresina), Deusdedt Sousa (ex-presidente da OAB-PI) e Aluísio Soares Ribeiro (desembargador TJESPI), entre outros.

F.2.2.8- Francisca Joaquina Ribeiro – 13 anos.

F.2.2.9- Raimundo José Ribeiro – 12 anos.

F.2.2- Capitão MANOEL DA COSTA VELOSO, n. em 1834 e falecido em 13.9.1896, fazendeiro, juiz de órfãos de Jerumenha(1881 e 1885), residente no sítio Jenipapo, da fazenda Morros, do Município de Jerumenha; c. 1854, c.c. sua prima D. MILITANA MARIA DO BONFIM, n. em 1840, na fazenda Santa Cruz e falecida em 7.12.1912, no sítio Jenipapo, onde residia, filha do alferes José Lourenço Clemente de Sousa e D. Ana Celestina Celidônia do Bonfim(F.3.5); filhos(idades em 1896):

F.2.2.1- D. Laura Maria do Bonfim, 41 anos, c.c. Alexandre José de Sousa.

F.2.2.2- D. Umbelina Maria do Bonfim, f. em 23.09.1889, foi c.c. Joaquim Alves de Castro(1.º casamento deste), filho de Antônio Alves de Castro(n. em 1836) e D. Thomazia Maria de Barros; n. p. de Geraldino Alves de Castro e sua mulher; filhos: 1) Manoel Alves de Castro, 11 anos; 2) João Alves de Castro Sobrinho, 9 anos; 3) Francisco Alves de Castro, 7 anos.

F.2.2.3- D. Francisca Maria do Bonfim, 32 anos, c.c. Cel. João Alves de Castro, residente na fazenda Boqueirão, do termo de Jerumenha(1924), filho de Antônio Alves de Castro(n. em 1836) e D. Thomazia Maria de Barros; n. p. de Geraldino Alves de Castro e sua mulher; filho(entre outros): 1) Antonio Alves de Castro, foi c.c. D. Maria Amália da Fonseca, filha de Canuto José da Fonseca e D. Zelina Maria da Fonseca; filho: Alcides, n. em 07.07.1922, na fazenda Bonita, do Município de Aparecida(Bertolínia).

F.2.2.4- D. Maria Francisca do Bonfim, 30 anos, c.c. Joaquim Alves de Castro(2.º casamento deste), filho de Antônio Alves de Castro(n. em 1836) e D. Thomazia Maria de Barros; n. p. de Geraldino Alves de Castro e sua mulher; filho(entre outros): 1) D. Ernestina Alves de Castro, n. em 1898, moldista, em 20.6.1917, na fazenda Morros, lugar denominado Jenipapo, c.c. Durval Alves da Rocha, n. em 1896, filho de Miguel Alves da Rocha e D. Antônia Francisca de Abreu Rocha; 2) Domingos Alves de Castro, n. em 26.7.1905, no lugar Jenipapo, município de Jerumenha.

F.2.2.5- D. Raimunda Maria do Bonfim, 28 anos, ainda solteira em 1912, aos 46 anos de idade.

F.2.2.6- D. Antônia Maria do Bonfim, 23 anos, c.c. Manoel Cerqueira de Medrado.

F.2.2.7- D. Aurora Maria do Bonfim, 22 anos, ainda solteira em 1912, aos 35 anos de idade.

F.2.2.8- D. Zelina Maria do Bonfim, 19 anos, foi c.c. Fabriciano Lopes Guimarães.

F.2.2.6- D. ANTÔNIA MARIA DO BONFIM, n. em 1873 e falecida antes da mãe, foi c.c. MANOEL CERQUEIRA DE MEDRADO; filhos(idades em 1912):

F.2.2.6.1- D. Ana Maria do Bonfim, 16 anos, c.c. Sabino Segisnando Coelho.

F.2.2.6.2- José, 13 anos.

F.2.2.6.3- Joaquim, 12 anos.

F.2.2.6.4- Raimundo, 11 anos.

F.2.2.6.5- Maria, 8 anos.

F.2.2.6.6- João, 3 anos.

F.2.1- Alferes DEODATO DA COSTA VELOSO, n. em 1839, fazendeiro, residente na fazenda Boa Vista, Município de Jerumenha(1899), onde faleceu em 15.5.1904, foi c.c. D. ROSALINA LIBERALINA DO BONFIM; filhos(idades em 1904):

F.2.1.1- Luiz Elias da Costa Veloso, casado, 39 anos.

F.2.1.2- D. Maria Lopes da Conceição, falecida antes do genitor, foi c.c. Antônio Lopes Guimarães; filhos: 1) Francisco, 12 anos; 2) Raimundo, 9 anos.

F.2.1.3- Umbelino da Costa Veloso, falecido antes do genitor; filhos: 1) Antônio, 12 anos; 2) Cândido, 10 anos.

F.2.1.4- Manoel da Costa Veloso(2.º do nome), casado, n. em 1877, em 10.8.1901, c.c. sua prima D. Juvinilha Francisca do Bonfim, n. em 1886, filha do Tte. João Antonio Lopes Guimarães e D. Iva Francisca do Bonfim; n. m. do major Frederico José do Bonfim e de D. Rosa Maria do Bonfim(F.1.5).

F.2.1.5- Francisco da Costa Veloso, casado, 25 anos.

F.2.1.6- D. Lisbela Maria da Conceição, 18 anos, c.c. Francisco Carreiro Varão.

F.3- D. ANA CELESTINA CELIDÔNIA DO BONFIM, residente na fazenda Santa Cruz, onde faleceu em 29.3.1846, vítima de problemas no parto, sendo sepultada no   fazenda “Saco”, ambas do termo de Jerumenha; foi c.c. o Alferes JOSÉ LOURENÇO CLEMENTE DE SOUSA, fazendeiro, falecido no lugar “Águas Belas”, da fazenda Macaúba, na ribeira do Itauiera, em 1859; filhos(idades em 1846):

F.3.1- Herculano José do Bonfim, falecido aos 14 anos de idade.

F.3.2- D. Raimunda Maria do Bonfim, 11 anos, foi c.c. o T.te. Conrado Gonçalves de Alv, n. em 1828.

F.3.3- Américo José do Bonfim, 9 anos.

F.3.4- D. Francisca Celidônia do Bonfim, 8 anos, falecida em 19.5.1924, foi c.c. Lourenço Rodrigues de Carvalho, n. em 1831 e falecido “em 12.9.1918, com mais de 90 anos de idade”(era irmão germano de D. Maria Rodrigues de Carvalho, mãe de Francelino Rodrigues de Miranda); s.g.

F.3.5- D. Militana Maria do Bonfim, 6 anos, foi c.c. o parente capitão Manoel da Costa Veloso(F.2.2), n. em 1833.

F.3.6- Alexandre José do Bonfim, 3 anos.

F.3.7- Ana Maria do Bonfim, 2 meses.

O alferes José Lourenço Clemente de Sousa, também deixou um filho natural reconhecido e havido logo depois da viuvez, por nome Lívio, de 12 anos quando se processou o inventário(1859). Por curiosidade, entre seus bens imóveis, deixou “uma posse de terras na fazenda Buriti, hoje conhecida por Canto do Buriti, na ribeira do Piauí, termo de São Raimundo Nonato”.

F.4- D. MARIA ROSA DO BONFIM, f. em 10.12.1875, foi c.c. FLORÊNCIO DE SOUSA MIRANDA; filho único;

F.4.1- Francisco, 1 ano de idade.

 

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* A fotografia que ilustra a matéria, é do ex-deputado Altino José Ribeiro, descendente desta família.

**REGINALDO MIRANDA é membro efetivo da Academia Piauiense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí e do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-PI.