[Gilberto de Abreu Sodré Carvalho] – A morte de Eduardo Campos provocou  comentários, aparentemente elogiosos, de Dilma e de Lula, políticos adversários dele, na atual corrida presidencial. Ambos os petistas usaram para descrevê-lo das palavras “político promissor”, e ainda “politico jovem, com grande futuro”.
Essas manifestações de opinião sobre o antigo governador fizeram-me ter vergonha alheia. Pus-me na pele dos dois citados formadores de opinião, e senti vergonha por eles. 
Ocorre, leitor, que Eduardo Campos não pode ser tido por ninguém, de boa fé, como um “político promissor”. Não havia ninguém mais completo ou robusto de experiência e sucessos como ele. Mesmo que pudesse ser suplantado por outros currículos, que mostrem mais que dois mandatos de governador de grande estado, ele poderia compensar com sua exposição pessoal, desde muito cedo, como chefe de gabinete de seu avô materno Miguel Arraes. De rigor, sua vida foi semelhante à de Aécio Neves, inclusive quanto a esse último ter assistido ao seu avô, também materno, Tancredo Neves.
Por quer Eduardo seria um “político promissor” na visão da dupla Lula e Dilma?
Porque isso o faz alguém que ainda devia dotar-se de informação, de desembaraço, de capacidade de articulação e de competência para chegar ao seu melhor. “Promissor” é aquele que ainda não é, mas que promete ser, ou faz antever sucesso possível. É uma forma de sonegar, ao talentoso Eduardo, a sua condição de já ser (ou ter sido) alguém forjado e pronto, para o cargo de presidente da República; cargo, esse, a que Dilma e Lula chegaram com currículos modestos. Em suma, dizê-lo “promissor” é de envergonhar os observadores da cena política, ou seja, fazer-nos ficar constrangidos, pela falsidade embutida no aparente cumprimento.  
Resta comentar a referência a “político jovem, com grande futuro”. Ora, leitor, alguém ser casado, havia longo tempo, com a mesma namorada da juventude, e ter com ela cinco filhos bem amados, é o máximo da maturidade, pelas regras convencionais e prestigiadas. O futuro, a ser de alguém, o será dos filhos dele, de Eduardo. O “grande futuro” já estava no tempo presente do grande brasileiro morto. O que lhe faltava, ao neto de Arraes, era assumi-lo para o bem da nossa capenga democracia e do Brasil, tão deseducado, tão desservido, tão embrulhado.