MACHADO, Ana Maria, Como e por que ler os clássicos universais desde cedo, Editora Objetiva: 2002.

                                                                                             Neurivânia Rodrigues Guilhermi – UERR[1]

 

 No ensaio “A importância de ler os clássicos infantis desde cedo”, da obra Como e por que ler os clássicos universais desde cedo, a autora Ana Maria Machado (2002) relembra fatos de quando ela era criança, lembranças que nunca foram esquecidas, como a curiosidade em conhecer as histórias de Dom Quixote e Sancho Pança, e promove assim uma reflexão sobre a leitura dos clássicos infantis.

A autora elucida sobre a pertinência de se conhecer os clássicos infantis na infância, uma vez que, segundo ela, hoje os estudos estão diferentes, e a ausência de leitura dos clássicos acarreta a repulsa pelos livros atuais, lembrando que um clássico sempre será atual. Percebe-se que antes os clássicos despertavam curiosidade nas crianças, ao passo que hoje a leitura deles causa preguiça pelo fato de a obra ser volumosa. É por isso que Ana Maria Machado enfatiza que a leitura dos clássicos deve se iniciar na infância porque é nessa fase que a mente está apta para o aprendizado e imaginação mais aflorada.

Uma das soluções possíveis para resgatar o interesse pelas obras clássicas é a adaptação. Entretanto, não deve ser qualquer adaptação. De acordo com a escritora, a leitura dos clássicos deve ser empolgante, fazendo com que as crianças e jovens conheçam a tradição literária que está acessível a eles. Mas, autora ressalta que a primeira leitura dos clássicos não deve ser das obras originais, porque a falta de maturidade do leitor pode causar um desafeto a esses textos, e não é isso que leitura deve proporcionar nas crianças e jovens e sim um contato sedutor, atraente e tentador, ocasionando no leitor uma lembrança que permaneça para vida toda.

Ana Maria Machado salienta ainda acerca da disputa do livro com as tecnologias, pois os recursos midiáticos parecem ser uma distração das crianças e jovens para que eles não percebam o rico universo de livros que há ao seu redor. Dessa forma, o nosso patrimônio de livros raros fica sendo acumulado sem consumo, esquecido na prateleira de uma biblioteca. Nesta perspectiva, parece ser muito mais difícil conseguir uma leitura prazerosa, se existe uma forma de distração e entretenimento divertido para tirar a atenção das crianças e jovens.

Diante disso, a autora defende que uma das soluções possíveis para mudar esse quadro encontra-se na escola que deve explorar novas metodologias para que os textos infantis tenham um espaço na vida escolar e cotidiana deles. Outra forma de apresentar o livro ao leitor é comparar as semelhanças das histórias do livro com a realidade. Há diversos métodos de fazer com que a leitura seja prazerosa e importante. Não basta apenas dizer que ela é importante, mas realmente defendê-la em metodologias eficientes. Entre elas, a autora destaca que quando um bom professor traz para sua aula trechos de uma obra que lhe chamou atenção e que seja capaz de falar com entusiasmo e paixão, com certeza, faz a diferença e pode fazer com que o aluno crie essa emoção e entusiasmo pela leitura.

Entretanto, nem sempre é assim que acontece em sala de aula, muitas vezes, a leitura dos textos clássicos é feita como avaliação para notas, causando uma antipatia com a leitura. Quando isso acontece, a escritora explana que a culpa é da má formação dos professores. E isso é um problema recorrente nas escolas que precisam de apoio para haver mudanças significativas no gosto pela leitura universal.

Portanto, com base no capítulo “A importância de ler os clássicos infantis”, pode-se asseverar que a leitura dos clássicos desde cedo não causa nenhum dano às futuras leituras das crianças que têm o contato com a literatura clássica, pois esse contato se atém em criar o hábito de ler, e um “elo” entre à leitura e leitor com um único intuito: o conhecimento do novo.

 

 


[1] Aluna do Curso de Letras/Literatura, da Universidade Estadual de Roraima. Esta resenha foi produzida a partir das aulas de literatura infantojuvenil, ministrada pela professora doutora Rosidelma Fraga, Campus de Rorainópolis, ano 2015/1.