Foi figura marcante na sociedade teresinense, onde fundou tradicional farmácia e exerceu liderança na sociedade. Nascido em 1857, na antiga vila, depois cidade de Jerumenha, filho de Anacleto José da Fonseca (1819 – 1886) e de sua esposa Francelina Carolina da Fonseca, cedo mudou-se daquela vila em busca de melhor sorte.

Pouco sabemos sobre a sua infância e estudos, porém, traçando-se um paralelo com a trajetória de seus contemporâneos é de supor-se que tenha estudado as primeiras letras na terra natal, depois passando a Teresina, onde estudaria os Preparatórios. Dado os vínculos profissionais que manteria por toda a vida, com a cidade do Rio de Janeiro, é de supor-se que tenha se formado em Farmácia, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde fora aluno do pioneiro farmacêutico Eugênio Marques de Holanda, piauiense ilustrado, que viria ser parente de sua futura esposa.

Começou a atividade profissional no Rio de Janeiro, como colaborador e gerente do laboratório farmacêutico Eugênio M de Hollanda e Cia, depois passando à cidade de Teresina, onde se radicou em definitivo, angariando amplo prestígio profissional e influenciando em sua vida social.

Em Teresina, à Rua Grande, hoje Álvaro Mendes, 36 (também aparece o endereço à Rua Firmino Pires, 36, provavelmente a esquina onde elas se cruzam), fundou um prestigioso laboratório de produtos farmacêuticos da flora brasileira, onde aplicou os ensinamentos adquiridos nas lições da Faculdade e, sobretudo, ao lado daquele indicado preceptor. Com a morte deste, em 1892, depois de dirimir conflito de interesses com a viúva, aparece também com farmácia na Rua do Hospício, 89, no Rio de Janeiro, na qualidade de ex-gerente e sucessor de Eugenio M de Hollanda e Cia(1897).

No início do século XIX, anunciava na imprensa piauiense, em sua farmácia e drogaria, produtos conhecidos há mais de 20 anos, tais como: salsa, caroba e manacá, depurativos do sangue.

Dado o sucesso de sua indústria farmacêutica, tanto em Teresina quanto no Rio de Janeiro, fez fortuna, adquirindo grande patrimônio imobiliário, ao ponto de aparecer, no ano de 1910, como o maior contribuinte de Imposto Predial Territorial Urbano de Teresina(IPTU). Da mesma forma, no mesmo exercício financeiro constava como o sexto maior contribuinte de indústria e profissão da cidade. Por esse tempo, dada a qualidade de seus produtos, a farmácia Collect da Fonseca & Cia, gozava de renome nacional. Em 1904, para expandir sua atividade no sertão, associou-se ao farmacêutico Fernando de Oliveira Marques, amarantino radicado em Floriano, no centro-sul do Estado.

Certamente, muito o favoreceu na abertura do mercado nacional para a venda de seus produtos, a credibilidade adquirida com a associação ao nome do já notabilizado Eugênio Marques de Holanda, que atuava com destaque no Rio de Janeiro. Para fortalecer essa união, aqui na província natal convolar-se-ia com uma sobrinha daquele, a senhorita Lavínia de Holanda, filha de Ilídio Marques de Holanda e Amélia Teixeira de Holanda.

Então, para conforto da família, por volta de 1900, adquiriu terreno e construiu uma das mais aprazíveis residências da cidade, belo palacete situado entre a atual Avenida Frei Serafim e a Rua Álvaro Mendes, assim como entre o atual Palácio Episcopal e a igreja de São Benedito, onde hoje está o Posto Mercury, denominando-a de Chácara Lavinópolis, em homenagem à esposa. Com vistosas colunas e platibanda vazada com balaústres, era a residência mais glamorosa e refinada na cidade, decorada com belos tapetes, confortáveis sofás, móveis de época e as refeições servidas em pratos de porcelana e talheres de prata e ouro importados da Europa, que muito dizem do refinado gosto de seus proprietários. Em 1906, aí hospedou o presidente da República, Afonso Pena.

Porém, em 27 de junho de 1913, a tristeza se abateu sobre aquele lar, quando faleceu vítima de aneurisma da aorta, a distinta esposa Lavínia de Holanda Fonseca(26.12.1862 – 27.6.1913), aos 50 anos de idade, sem deixar descendência.  Era uma das finas damas da sociedade, tendo lutado juntamente com outras senhoras, pela fundação do Teatro 4 de Setembro(1889), liderou campanhas sociais, atividades católicas, ajudou aos menos favorecidos da sorte e deixou a imagem de extrema gentileza e cativante fidalguia. Também, muito conhecida na sociedade piauiense foi sua irmã, D. Encarnadinha, que lhe sobreviveu.

Exerceu ainda atividade pecuária, sendo criador na fazenda Bananeiras, na zona rural de Teresina.

Collect Antônio da Fonseca, também atendeu ao canto de sereia da política partidária, elegendo-se vereador e conselheiro municipal de Teresina, por algumas vezes. Foi um dos redatores do jornal “O Apóstolo”, de Teresina.

Um seu irmão que permaneceu morando em Jerumenha, coronel Vicente José da Fonseca, foi grande fazendeiro e importante chefe político, elegendo-se intendente municipal daquela vila e deputado estadual entre 1916 e 1930.

É importante ressaltar que Collect Antônio da Fonseca, proprietário do Laboratório de Produtos Medicinais Brasileiros, fazia questão de divulgar ser sucessor de Eugênio Marques de Holanda, isto depois de ter sido vencido em demanda judicial pela esposa daquele, sinal de que houve posterior reconciliação extrajudicial.

Mais tarde, em segundas núpcias, Collect Antônio da Fonseca casou-se com Porcina Ribeiro da Fonseca, que lhe sobreviveu.

O Dr. Collect Antônio da Fonseca, faleceu em 17 de setembro de 1928, às quatro horas da manhã, com 71 anos de idade, vítima de uremia, segundo foi atestado pelo médico Vaz da Silveira. Por esse tempo, mudara da Chácara, onde deixara sua cunhada D. Encarnadinha, e era residente à Rua Álvaro Mendes, 40, onde veio a falecer, sem deixar filhos ou fazer testamento, sendo o corpo sepultado no cemitério São José. Desapareceria, assim, um importante nome na história do comércio e da indústria farmacêutica no Piauí.