Cinema Digital

Artigo de Pedro Butcher

 

Cinema Digital

Em 20 perguntas e respostas


 

 

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Publicado em maio/2008 – Revista Filme B Edição especial Show de Inverno

CINEMA DIGITAL

Por Pedro Butcher

 

O circuito exibidor brasileiro está prestes a enfrentar um de seus maiores desafios: a transição digital. Dez anos depois da revolução do multiplex, que em seu conjunto representou investimentos da ordem de R$ 1 bilhão, os grupos de exibição em atividade no país começam a se preparar para uma nova transformação radical, que implica a substituição de todo seu aparato tecnológico de projeção.

 

No último ShoWest, a maior convenção da indústria cinematográfica americana, o cinema digital foi o assunto dominante. Todas as apresentações dos estúdios (fossem elas apenas de trailers ou de filmes completos) foram realizadas no formato digital. Sessões especiais de filmes em 3D como a aventura Viagem ao centro da Terra - O filme e a exibição de trechos inéditos da primeira animação 3D da DreamWorks, Monsters vs. Aliens, deixaram os exibidores encantados com as possibilidades do novo formato.

 

Na reportagem a seguir, procuramos resumir, no formato de perguntas e respostas, as principais dúvidas em torno da questão e apontar os cenários que começam a se formar com a chegada da transição digital no Brasil.





1. O QUE É, EXATAMENTE, A “TRANSIÇÃO DIGITAL” DO CINEMA?

 

É a substituição de todos os equipamentos de projeção de cinema que exibem cópias em película por projetores digitais. A exibição no formato analógico, utilizando-se de cópias no formato 35 milímetros, estabeleceu-se como padrão da exploração comercial do cinema durante mais de um século. Com a perspectiva do fim da fabricação de película em grande escala pela indústria fotográfica, a necessidade de migração para a tecnologia digital se impõe. Como explica Luiz Gonzaga de Luca, maior especialista em cinema digital no Brasil, até alguns anos atrás a fotografia caseira sustentava a fabricação de película em escala industrial, mas, com a adoção de câmeras digitais amadoras, a produção de película tem se reduzido drasticamente, encarecendo o produto. Na verdade, a exibição cinematográfica será um dos últimos segmentos da indústria a adotar a tecnologia digital, já amplamente utilizada na realização e finalização de produtos audiovisuais. A transição digital, portanto, é um fato; a questão é quando migrar e em que condições.

 

2. POR QUE A TRANSIÇÃO DIGITAL TEM SE MOSTRADO TÃO DEMORADA?

 

São vários fatores. Como explica Michael Karagosian, consultor da Nato (a associação de exibidores dos EUA), a projeção digital é uma tecnologia de reposição, e não de inovação. Com exceção da possibilidade de exibição de filmes no formato de três dimensões estereoscópico (3D), ela não oferece novidades ao espectador e, portanto, não garante, por si só, o aumento da freqüência do público e do faturamento das salas de cinema (ao contrário, por exemplo, da chegada do som e da cor). A demora na definição de padrões de resolução pelos grandes estúdios, cujos produtos são responsáveis por boa parte da arrecadação do mercado theatrical no mundo, também “atrasou” a transição digital.

 

3. O QUE É DCI?

 

DCI é a sigla para Digital Cinema Initiative, comitê criado pelos sete grandes estúdios de Hollywood (Warner, Fox, Universal, Paramount, Disney, DreamWorks e Sony) com o objetivo de estudar os padrões digitais que seriam adotados para a projeção de seus filmes. O DCI foi formado sem prazos estabelecidos a fim de escapar da pressão de fornecedores. Com a divulgação de suas normas em julho de 2006, verificou-se que a digitalização das salas nesses padrões não seria tão simples, pois os equipamentos envolvidos não são de linha industrial. Os principais requisitos são a compressão de imagem em JPEG 2000 e a resolução de 2K ou 4K. Um dos objetivos da DCI foi a criação de um estudo único dos estúdios para diminuir ao máximo concorrências internas que terminassem por polarizar a indústria, como aconteceu, por exemplo, na guerra entre o BluRay e o HD-DVD, na substituição do DVD.

 

4. QUEM PAGA A CONTA DA TRANSIÇÃO DIGITAL?

 

Essa tem sido uma das questões mais complexas desse processo. O padrão DCI estabeleceu custos altos para os grupos de exibição, e, ao mesmo tempo, O setor da indústria que mais economiza com a tecnologia é a distribuição. A questão “quem vai pagar a conta” foi discutida exaustivamente. Nos Estados Unidos, a solução encontrada foi uma fórmula batizada de virtual print fee (vpf).

 

5. O QUE É VIRTUAL PRINT FEE (VPF)?

 

É um dos modelos possíveis de financiamento da substituição dos projetores das salas de cinema, em que o distribuidor arca com parte dos custos do projetor. Este é o modelo que vem sendo amplamente adotado nos Estados Unidos. Em tradução literal, seria algo como uma “remuneração pela cópia virtual”, isto é, uma contribuição que o distribuidor dá pelo fato de o exibidor ter optado pelo formato digital, proporcionando a economia da confecção de uma cópia 35mm. Na verdade, esse pagamento não é feito diretamente ao exibidor, mas a uma terceira parte, um elemento integrador que se mostrou fundamental para viabilizar a transição digital. Esse elemento é formado por uma associação entre fabricantes de projetores e fornecedores de softwares. O elemento integrador se encarrega da instalação dos projetores e sistemas operacionais, cabendo ao exibidor os custos de manutenção. Cada vez que um distribuidor substitui a entrega de uma cópia 35mm por suportes digitais (em geral, HDs), remunera o fornecedor de equipamentos e o transmissor do suporte digital num valor equivalente (ou menor) ao que despenderia pela cópia. Em média, o vpf que tem sido pago nos EUA fica em torno de US$ 800 a US$ 1 mil por cada fornecimento de cópia digital. Mas, como explica Luiz Gonzaga de Luca, “além de ser uma remuneração, o vpf é também uma garantia ao financiador dos equipamentos”. Ele é a única relação entre o distribuidor e o financiador, que fez uma operação direta com o exibidor. O financiador não é o fornecedor tecnológico, mas sim um banco ou uma empresa de leasing, que pode trabalhar em conjunto com o fornecedor tecnológico. O vpf é, de certa forma, o avalista da operação do exibidor com o financiador.

 

6. EM QUE SITUAÇÃO ESTÁ A TRANSIÇÃO DIGITAL NOS EUA?

 

Segundo dados da NATO divulgados no último ShoWest, já existem 4,6 mil salas operando no país no sistema digital. Todos os circuitos adotaram a fórmula do vpf, que foi negociada caso a caso, dependendo do tamanho e do peso de mercado de cada grupo de exibição. A expectativa é de que até dezembro de 2009 sejam assinados contratos que atinjam 22 mil salas, o que significa que até o fim do ano que vem cerca de 70% do circuito exibidor americano poderão estar operando com projeção digital. Muitos exibidores pequenos e independentes, porém, ainda não adotaram o sistema por dificuldades de aplicar a fórmula do vpf.

 

7. QUAIS SÃO OS CUSTOS DA TRANSIÇÃO DIGITAL NO BRASIL?

 

O preço de cada projetor digital no padrão DCI é de aproximadamente US$ 85 mil. Com o preço do servidor de cada sala, esse custo sobe para US$ 157 mil. Considerando também a necessidade de aquisição de um servidor operacional e de um “library server” para cada complexo, os custos da digitalização se elevam para cerca de US$ 170 mil por sala. Considerando-se que o circuito brasileiro tem, hoje, 2.120 salas, o custo total da conversão do circuito seria de aproximadamente US$ 360 milhões, ou seja, R$ 600 milhões – quase a arrecadação total do mercado de theatrical brasileiro em um ano.

 

8. A ADOÇÃO DO VIRTUAL PRINT FEE É VIÁVEL NO BRASIL?

 

O cálculo do virtual print fee é negociado separadamente com cada grupo exibidor. Variáveis como o número de cópias que deixaram de ser produzidas para esse grupo, a rentabilidade média das cópias e o fato de a maioria das salas desse grupo específico pertencer ao circuito de lançamento (first run) entram na equação, o que dificulta a adoção do vpf por exibidores independentes e de menor porte. Segundo estudos preliminares já realizados, cerca de 700 salas do circuito brasileiro (33% do total) concentram 80% da receita. Quase 70% do circuito ainda são formados por cinemas com menos de três salas. Diante desse cenário, para viabilizar a adoção da vpf, uma sala de cinema precisará ter uma média de 50 mil espectadores por ano a um preço médio do ingresso de R$ 9. Isso significa que, caso o “ex-tarifário” que reduziu o IPI para 2% (válido até 31 de dezembro de 2008) não seja prorrogado pelo governo, 540 salas de cinema poderiam ser atendidas pelo sistema vpf. Esse número sobe para 620 salas caso o “ex-tarifário” seja mantido e para 860 salas se caírem todos os impostos.

 


9. QUAIS SÃO OS CUSTOS DE MANUTENÇÃO DOS PROJETORES DIGITAIS E QUAL A EXPECTATIVA DE VIDA DO PROJETOR?

 

Segundo Michael Karagosian, os custos de manutenção de projetores digitais são bem maiores que os de projetores 35 mm. Enquanto os equipamentos 35mm têm vida média de 25 a 30 anos, a estimativa é de que projetores digitais durem cerca de dez anos. No sistema analógico, em película, os custos de manutenção giravam em torno de US$ 10 mil por ano, valor que deve saltar para US$ 25 mil para os projetores digitais. “O digital será sempre um negócio mais caro”, diz Karagosian, lembrando que é preciso estar atento à velocidade da atualização tecnológica tanto dos equipamentos (hardware) como dos programas utilizados (software). Segundo Karagosian, a vida útil dos projetores é definida pelo avanço dos semicondutores, cuja tecnologia é movida pela indústria dos telefones celulares. A vida útil dos softwares, por sua vez, é estimada em, no máximo, cinco anos. No último ShoWest, Karagosian aconselhou aos exibidores: “Quando forem assinar um contrato, tenham certeza absoluta das condições de atualização oferecidas por seu fornecedor”.

 

10. QUALQUER PROJETOR DIGITAL PODE EXIBIR FILMES EM 3D?

 

Não. Para exibir filmes em 3D, é preciso instalar novos softwares no servidor da sala e realizar adaptações no projetor e na tela. Hoje, existem dois sistemas de processamento do 3D estereoscópico: o Real D e o Dolby 3D. O sistema mais utilizado, por enquanto, é o Real D. Para obtê-lo, o exibidor precisa pagar uma licença anual (em torno de US$ 40 mil) que lhe dá direito ao software para rodar o filme e a um filtro polarizador que deve ser instalado na frente do projetor. Como há muita perda de luz, é preciso também instalar uma tela reflexiva. O Real D estuda a possibilidade de cobrar participação na bilheteria. O sistema Dolby 3D, cujo preço ainda está sendo definido, exige a instalação de um equipamento especial no projetor e depende de óculos mais caros, mas provavelmente será adquirido de uma só vez, sem licença anual.

 

11. O 3D TAMBÉM É FINANCIADO PELO VPF?

 

Não, os custos com a implantação do sistema 3D não entram no pacote do vpf e precisam ser bancados exclusivamente pelo exibidor. Em compensação, o 3D tem se revelado um dos poucos fatores de estímulo para os grupos de exibição adotarem o formato digital, já que as médias por sala dos filmes em 3D têm sido muito mais altas do que os outros filmes e é possível cobrar um preço de ingresso mais alto.

 

12. A OPERAÇÃO DIGITAL PERMITE REDUÇÃO DE CUSTOS COM MÃO-DE-OBRA?

 

Não necessariamente. Uma das grandes vantagens da operação digital é a possibilidade de um melhor gerenciamento dos complexos e das sessões. Mas, ao mesmo tempo, já não basta ao exibidor contar com profissionais que entendam de projeção e de som; agora é preciso também contar com “IT Professionals” (profissionais de tecnologia da informação), para garantir uma gestão segura dos complexos e contornar problemas técnicos com agilidade.

 

13. QUANTOS SERVIDORES SÃO NECESSÁRIOS PARA A OPERAÇÃO DIGITAL DE UM COMPLEXO?

 

Os maiores complexos deverão operar com pelo menos três servidores diferentes: um dedicado ao gerenciamento do cinema (management server), um servidor de “library” (que recebe e armazena os filmes) e os servidores exclusivos da cabine de projeção de cada sala. O sistema de gerenciamento do cinema possui programas separados e automatizados que determinam os horários das sessões (show schedule) e a “playlist” de cada sessão (comerciais, trailers e filme). Dentro da “playlist”, os pacotes de trailers e comerciais podem ser atualizados a qualquer instante, mas o pacote do filme, não, já que sua liberação depende de uma “chave” enviada pelo distribuidor.

 

14. O QUE É KEY DELIVERY MANAGEMENT (KDM)?

 

Por questões de segurança, a liberação dos filmes dos grandes estúdios para exibição em formato digital é complexa e se dá através de um sistema chamado Key Delivery Management (KDM). Durante a pós-produção, os filmes dos grandes estúdios são criptografados, e cada package (que seria equivalente à antiga cópia 35mm) ganha uma “chave” digital (semelhante a uma senha de acesso) diferente. Essa chave pode chegar para o exibidor via e-mail ou USB. Como explica Michael Karagosian, “o conteúdo é o mesmo para cada um, mas as chaves são diferentes para todos”. A KDM é válida para as salas, ou seja, se um mesmo filme está programado para ser exibido nas salas 2 e 3 de um multiplex, serão fornecidas duas chaves, que só valerão para o servidor dessas salas. Caso o exibidor queira trocar a sala do filme no meio da semana, por exemplo, precisará solicitar uma nova KDM para o distribuidor.

 

15. É POSSÍVEL MANTER A OPERAÇÃO EM 35MM EM UMA SALA EQUIPADA COM PROJETOR DIGITAL?

 

Depende. Nos Estados Unidos e em alguns outros mercados já estão sendo construídos complexos 100% digitais. No caso da conversão de cinemas já existentes, é possível manter o projetor 35mm na mesma cabine e variar a utilização, sem prejuízos em termos de som, por exemplo. Mas é preciso que a cabine seja grande o suficiente para comportar os dois projetores.

 

16. QUANTAS SALAS DIGITAIS EXISTEM ATUALMENTE NO BRASIL?

 

Hoje, apenas seis salas do circuito brasileiro obedecem ao padrão DCI: quatro do grupo Cinemark, uma da joint-venture UCI-Ribeiro e uma na Cinemateca Brasileira. Com exceção da sala da cinemateca, todas as outras possuem o sistema 3D e são exemplos da adoção do digital com o fim específico de oferecer esse diferencial ao público. Mas também existem no país mais de 100 salas com o sistema de projeção digital implantado pela Rain Network, que opera com outro sistema de compressão (MPEG-4) e com projetores de custos mais baixos. A Rain desenvolveu seus próprios sistemas de software (o Kinocast Web e o Kinocast Player) e propôs um modelo de negócios que estimula mudanças no paradigma da distribuição e uma maior flexibilidade na programação das salas, facilitando, ainda, a veiculação de publicidade. Recentemente, os executivos da Rain associaram-se a Marco Aurélio Marcondes para criar a MovieMobz, uma distribuidora que pretende trabalhar exclusivamente no sistema digital e investir no conceito do cinema on demand e do long tail (cauda longa).

 

17. JÁ EXISTEM EMPRESAS INTERESSADAS EM ATUAR COMO AGENTES INTEGRADORES DA TRANSIÇÃO DIGITAL NO FORMATO DCI NO BRASIL?

 

Sim. O grupo Cinemark, atual líder no mercado de exibição brasileiro, anunciou que em breve dará início à instalação de projetores digitais em seu circuito no Brasil, adotando o sistema vpf, e que já negocia esse processo com um agente integrador (possivelmente, o mesmo grupo que será o integrador da transição do grupo nos EUA, uma associação entre o fabricante Christie e o servidor AccessIt). Segundo Valmir Fernandes, presidente da Cinemark Internacional, o processo de transição digital será feito “da forma mais transparente e aberta possível, para que a indústria possa fazer a migração como um todo, sem que ocorra um desequilíbrio das forças do mercado”. Fábio Lima, da Rain Networks, afirma que “a Rain é um agente integrador” e que a empresa também está se preparando para realizar a operação DCI no Brasil. Ele ressalta, no entanto, que pretende trabalhar com a garantia de acesso a conteúdos diversificados e que “estuda uma fórmula de viabilização financeira mais adequada para o perfil do circuito brasileiro”.

 

18. CASO UM EXIBIDOR ADOTE O VPF E O SISTEMA DCI, SERÁ POSSÍVEL EXIBIR UM CONTEÚDO QUE NÃO OBEDEÇA À RESOLUÇÃO MÍNIMA DO SISTEMA (2K)?

 

Tecnicamente, é possível. Como diz Luiz Gonzaga de Luca, “uma limusine pode transportar apenas uma pessoa”, e não há nada que impeça a exibição de outros conteúdos, com uma definição menor, nos cinemas com projetor 2K. O contrário, no entanto, não será possível, uma vez que os estúdios americanos são absolutamente rigorosos na questão da alta resolução da projeção e na segurança do sistema de distribuição digital. Ou seja, um cinema com projetor 2K poderá passar filmes independentes e produções nacionais em resolução menor, mas um cinema com projetor que não suporte essa definição não poderá passar os filmes das majors. A questão é: quem pagará pelo financiamento do projetor 2K enquanto ele não estiver exibindo um filme de major, “bancado” pelo vpf? Nesse caso, seria necessário estudar outras formas de financiamento.

 

19. COMO A TRANSIÇÃO DIGITAL VEM SENDO CONDUZIDA EM OUTROS PAÍSES?

 

Na França, o CNC (Centre National de la Cinematographie) resolveu adotar um padrão chamado Anfor, cuja resolução mínima é compatível com o padrão DCI. A preocupação do Estado é de que os equipamentos atendam tanto aos grandes como aos pequenos exibidores, e a orientação é pela coexistência entre o digital e a película 35mm. No Reino Unido, o UK Film Council criou um programa de incentivo para a construção de salas digitais: em troca da contribuição financeira, os exibidores devem se comprometer em programar filmes de arte e independentes. Já na Austrália, por falta de uma política pública estabelecida, o cinema digital vem se instalando com iniciativas do próprio mercado. O grupo exibidor Greater Union reformou um complexo de 17 salas no centro de Sidney para testar, durante um ano, todos os sistemas, projetores e servidores disponíveis e, depois, disponibilizar os dados para os demais exibidores. Na Venezuela, o órgão estatal Fundación Cinemateca Nacional previu a criação de 23 salas digitais de alta definição, uma para cada capital de estado.

 

20. QUANDO O FORNECIMENTO DE FILMES EM PELÍCULA VAI ACABAR?



Até pouco tempo atrás, havia um consenso na indústria de que os filmes deixariam de ser produzidos em película quando o mercado exibidor americano se convertesse totalmente. Hoje, a tendência é acreditar que os filmes em película só acabarão de fato quando se resolver a questão da conversão do mercado internacional. Afinal, não custa lembrar, as receitas fora dos Estados Unidos respondem hoje por mais de 60% do total da arrecadação das

majors no mercado theatrical. Para Michael Karagosian, a película resiste por pelo menos mais dez anos.