Blow-Up (filme)

Reino Unido / Itália, 1966

 

 

 


 

 

JOÃO DA ANTENA RECOMENDA A LEITURA DE:

Roberto Acioli de Oliveira

CINEMA ITALIANO (BLOG)

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Sobre mim

Local Rio de Janeiro, Brasil
Introdução Roberto Acioli de Oliveira. Graduado em Ciências Sociais - 1989(UFF). Mestrado e Doutorado em Comunicação e Cultura - 1994 e 2002(UFRJ). Escreve para as Revistas online dEsEnrEdoS e Rua (Revista Universitária do Audiovisual - UFSCar).É autor de artigos para os catálogos das Mostras de cinema "Filmes Libertam a Cabeça – Rainer Werner Fassbinder" (Centro Cultural Banco do Brasil-RJ, 2009), "A Itália e o Cinema Brasileiro" (REcine, Festival Internacional de Cinema de Arquivo, Rio de Janeiro, Arquivo Nacional, 2011), "REcine Ri à Toa" (REcine, 2012) e "Luis Buñuel. O Fantasma da Liberdade" (Fundação Clóvis Salgado, Minas Gerais, 2012).
Interesses Como descendente do povo da península, o estudo do cinema italiano obedece a uma curiosidade pessoal. Mas também é uma tentativa de compreensão do que é ser brasileiro. Naturalmente, o Brasil não se resume à herança cultural dos imigrantes italianos. Entretanto, assistindo cinema italiano, não foi difícil perceber de onde vêm muitos de nossos hábitos (alguns bons, outros ruins). A maior parte dos filmes citados não ultrapassa a década de ‘90 do século passado. Você vai perceber uma ênfase na análise das relações entre os sexos. Escolhi o cinema porque considero um meio eficaz a partir do qual se pode fazer uma crônica dos comportamentos. Desde os personagens, até o ponto de vista do diretor, um filme mostra muito para quem tem curiosidade de olhar duas vezes (o que ajuda a pensar duas vezes). Certamente, o cinema não responde a todas as perguntas sobre quem sou eu ou quem somos nós, mas abre uma grande porta para uma paisagem humana sem limites.

 

 

 

 

 

20/03/2012

Blow-Up: Antonioni e a Ficção da Vida Real


“Eu conheci
a realidade ao
fotografá-la quando
comecei a filmar com
minha câmera, um pouco
como em Blow-Up. Eis
porque penso que seja
meu filme mais
autobiográfico
(...)

Antonioni (1)


Formataçã
o Informe
 
Michelangelo Antonioni declarou que Blow-Up, Depois Daquele Beijo (Blow-Up, 1966) era um filme diferente dos anteriores, porque agora ele estava examinando o relacionamento entre um indivíduo e a realidade, ao invés de relações interpessoais. Mas Peter Brunette (2) lembra que, em 1964, Antonioni havia dito o mesmo em relação a O Deserto Vermelho (Il Deserto Rosso, 1964) – “Em O Deserto Vermelho, eu quis realçar mais o relacionamento entre os personagens e o mundo a volta deles” (3). De fato, poderíamos dizer que em filmes como A Noite (La Notte, 1961) e O Eclipse (L’eclisse, 1962), existem muitos momentos em que o ambiente está tão em evidencia quanto os relacionamentos interpessoais. Em 1969, um entrevistador perguntou se Blow-Up seria uma espécie de meditação a respeito do valor de uma experiência “artística” naquela época. Uma “reflexão sobre a forma” (que é constante na obra de Antonioni) na maneira como o personagem principal, o fotógrafo Thomas, lida com a realidade. Thomas vê e ao mesmo tempo não vê a realidade, observou Antonioni. Por outro lado, concluiu o cineasta, tudo isso deve se materializar numa forma, numa imagem, essa é a substância do filme.

“A resposta a essa pergunta seria muito longa para uma entrevista. Se você leu o artigo de Susan Sontag ‘Contra a Interpretação’, você deve saber que ela fala sobre forma e análise; sobre a nova maneira de olhar para e avaliar a arte que está sendo proposto para nós, supondo que ‘arte’ ainda significa realmente alguma coisa. Hoje, as velhas ferramentas da ‘estética’ parecem claramente estar obsoletas. Fazer uma distinção entre forma e conteúdo me deixa um pouco confuso, porque eu não sei, em Blow-Up, quanto conteúdo pode ser separado da forma. Uma vez que o filme lida com a maneira pela qual um indivíduo se relaciona com a realidade, é óbvio que essa realidade deve tomar certa forma, ela tem de ser representada de alguma maneira. E assim, inescapavelmente se chega à forma” (4)


“O Erotismo
não tem nada
a ver com Blow-Up.
Existem algumas cenas
onde você vê nus, mas isso
não é o importante no filme.
Os censores italianos o
passaram com muito
poucos cortes”

Antonioni (5)

 

Brunette observa oposições estabelecidas por Antonioni, e que poderiam “guiar” o olhar do espectador - no caso de Blow-Up, a distância entre os mendigos e o bando de mímicos brincalhões, assim como uma antecipação do tema na mudança do fotógrafo, que só descobrimos que estava “fantasiado” de pobre depois que volta para casa com seu Rolls-Royce. Do ponto de vista da crítica política, se no começo de O Deserto Vermelho temos uma greve de operários de fábrica, em Blow-Up temos uma manifestação contra a bomba atômica. Além disso, para Lino Miccichè, o filme demonstra a insatisfação (com a incapacidade de saber o que é verdade e o que é mentira?) que levaria às explosões de 1968. Sem falar na responsabilidade política que Antonioni atribui aos cineastas, que deveriam se preocupar com sua responsabilidade em relação aos seus meios de expressão ao invés de simplesmente confiar em modelos formais regressivos (6).

Semear a dúvida é semear lucidez?


“Depois da cena
do parque
, o filme toma
uma orientação bastante
distinta d
aquela do
texto de Cortazar”


Ando Tassone (7)


Na adaptação que fez do conto de Cortazar, Las Babas del Diablo, Antonioni só reteve a situação de partida: um fotógrafo, um casal estranho no parque, a idéia da ampliação das fotografias revelando a realidade escondida por trás de uma fachada. Embora se possa até considerar Blow-Up um filme de mistério policial, Aldo Tassone acredita que se tenha aproveitado do conto também um clima espiritual... Tassone afirmou que o filme, mesmo tendo apresentado uma problemática bem diferente de Cortazar, as questões e aventuras dos personagens nos passam o mesmo sentimento de impotência e a mesma tensão metafísica diante de uma realidade que nos escapa (8). Na opinião de Tassone, a novidade em Blow-Up é a atitude de Thomas em relação à vida e ao casal no parque. O fato de ele ser um fotógrafo vivendo na Londres dos anos 60 é secundário para Tassone. O personagem Roberto-Michel é um moralista, o conto de Cortazar é mais uma descoberta da imanência do mal do que uma reflexão sobre mídias como a fotografia. Se concordarmos com Tassone, então a cena do parque tem menos importância para Antonioni do que as ampliações sucessivas da imagem fotográfica realizadas no estúdio de Thomas – inicialmente ele acredita, assim como o fotógrafo do conto de Cortazar, estar fazendo uma boa ação em relação aos acontecimentos no parque. O que intriga Antonioni, afirma novamente Tassone, não é a relação psicológica e moral entre o fotógrafo e o casal, mas a relação ontológica entre o fotógrafo e a realidade. Ao contrário de Cortazar, Antonioni apresenta um pouco da Londres dos anos 60 e o fotógrafo em seu meio profissional antes de contar a história.


Blow-Up é um
filme que se presta
a muitas interpretações
,
porque o tema por trás é
precisamente a aparência
da realidade
. Portanto,
todo
mundo pode
pensar o que quiser”

Antonioni, 1979 (9)

Em sua juventude, Antonioni havia sido um jogador de tênis. Nascido em Ferrara, chegou a passar fome quando se mudou para Roma. Uma das saídas que encontrou foi vender ou empenhar todos os seus troféus para poder viver. Talvez possamos admitir que a seqüência da partida de tênis sem bola no epílogo de Blow-Up tenha algo de autobiográfico também. Thomas está no parque enquanto a partida começa, no momento em que a bola inexistente “cai” nas proximidades, ele a lança de volta para a quadra. Com esse gesto, Thomas aceita a ilusão, confirma a ficção e renuncia a fazer uma distinção entre a realidade e a aparência. Então a partida sem bola recomeça e Thomas acompanha o movimento da bola invisível com a cabeça. Na opinião de Tassone, não existe nada de trágico nessa rendição de Thomas à aparência e a ficção. Para Antonioni, “o mundo, a realidade onde vivemos, são invisíveis, e, portanto, devemos nos contentar com quilo que vemos” (10). Contudo Thomas parece confuso com essa constatação e se afasta lentamente. Enquadrado pela câmera de Antonioni que vai se afastando, o fotografo desaparece na “nuvem” verde do gramado do parque. “Thomas desaparece, mas apenas a nossos olhos”, explica Antonioni. No texto de Cortazar, Roberto-Michel abre os olhos e tudo se transformou numa massa confusa, algumas nuvens e um céu limpo, numa imagem pregada na parede de seu quarto.

Acreditar é Uma Escolha




(...) A realidade é,
talvez
, uma relação”

Antonioni (11)





O caso do jogo de tênis sem bola no final de Blow-Up só instiga o espectador um pouco mais, já que os filmes de Antonioni são caracterizados por finais abertos. Brunette dá um tom antropológico à questão ao sugerir que não se trata de a realidade não ter sentido. É que ela não tem um sentido inerente, imutável. O sentido que existe, é social e historicamente determinado (12). O que Antonioni está dizendo, conclui Brunette, é que a realidade deve ser interpretada, porque nada é óbvio como pode parecer. E o que fazemos ao analisar este filme com nossos DVD players é similar ao que Thomas faz quando amplia as fotografias. Abandonando seu narcisismo (ou seu solipsismo...), Thomas admite implicitamente que a realidade é construída inconscientemente, mas também socialmente. Qualquer coisa pode ser qualquer coisa, mas apenas para um grupo, nunca para um indivíduo (pelo menos não por muito tempo, pois uma vez que Thomas aceita o sentido colocado pelo grupo de mímicos que está “jogando” tênis, ele consegue encontrar a bola no gramado e até começa a ouvi-la quando o jogo recomeça). Por outro lado, William Arrowsmith argumenta que “aceitar a autoridade” do grupo e configurar sua realidade com a dele poderia sugerir que os mímicos representam a capacidade que o grupo social tem de asfixiar o crescimento individual (é preciso admitir que o braço da guitarra, que Thomas agarrou com tanto esforço no show de rock, perdeu todo o sentido quando ele deixou o local onde aquele lixo vale alguma coisa). Brunette acredita que Antonioni adotou a hipótese mais positiva em relação ao final do filme, já que respondeu numa entrevista à Playboy em 1969 que Thomas aprendeu muitas coisas no final de Blow-Up, incluindo como jogar com uma bola imaginária. Antonioni relaciona Blow-Up com seu Neo-Realismo do interior do indivíduo e com Profissão: Repórter (Professione: Reporter, 1975):

“Eu ignoro como é a realidade. Ela nos escapa e muda sem cessar. Quando acreditamos tê-la alcançado, a situação já é diferente. Eu desconfio sempre daquilo que vejo, daquilo que uma imagem me mostra, porque eu ‘imagino’ o que exista do outro lado. Ora, ignoramos o que existe por trás de uma imagem. O fotografo de Blow-Up, que não é um filósofo, desejou ver mais de perto. Entretanto, como ele ampliou demais o objeto, este se decompôs e desapareceu. Portanto, existe um momento em que apreendemos a realidade, mas onde, pouco depois, ela nos escapa. É um pouco a significação de Blow-Up. Isso pode soar estranho, mas Blow-Up é um pouco meu filme neo-realista sobre as relações entre o indivíduo e a realidade, mesmo se aí entra um componente metafísico justamente por causa dessa abstração da aparência. Depois desse filme, eu desejei ir olhar o que havia por trás, qual era minha própria aparência no interior de minha pessoa, um pouco como havia feito em meus primeiros filmes. Foi assim que nasceu Profissão: Repórter, outro passo adiante no estudo do homem atual. Em Blow-Up, as relações entre o indivíduo e a realidade são, talvez, o tema principal, enquanto em Profissão: Repórter eu analiso as relações do indivíduo consigo mesmo” (13)

Notas:

Leia Também:

As Mulheres de Luis Buñuel
Luis Buñuel, Incurável Indiscreto
Roma de Mussolini
A Natureza Expressionista
Profissão: Michelangelo Antonioni
Antonioni e o Vazio Pleno
Antonioni e a Trilogia da Incomunicabilidade (I)
Antonioni na Babilônia (I)
Blow-Up, Depois Daquele Beijo
O Triângulo Amoroso de Jean Eustache
Notas Sobre o Cenógrafo Mudo

1. TASSONE, Aldo. Antonioni. Paris: Flammarion, 2007. Pp. 281-2.
2. BRUNETTE, Peter. The Films of Antonioni. New York: Cambridge University Press, 1998. Pp. 109-10.
3. ANTONIONI, Michelangelo. Architecture of Vision. Writings and Interviews on Cinema. USA: University of Chicago Press, 2007. P. 286. Entrevista ao Humanité Dimanche, 23 de setembro de 1964.
4. Idem, p. 313. Entrevista a Jeune Cinéma 37, março de 1969.
5. Ibidem, p. 148. Entrevista a Playboy, novembro de 1969.
6. BRUNETTE, P. Op. Cit., p. 110.
7. TASSONE, A., p. 276.
8. Idem, p. 272.
9. ANTONIONI, M. Op. Cit., 209.
10. TASSONE, A. Op. Cit., p. 279.
11. Idem, p. 281.
12. BRUNETTE, P. Op. Cit., pp. 117, 174n18 e 19.
13. TASSONE, A. Op. Cit., pp. 280-1.
 
 
 
 
 
 
WIKIPÉDIA
 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Blow-Up

 

Blow-Up

Blowup
Blow-Up - História de um Fotógrafo (PT)
Blow-Up - Depois Daquele Beijo (BR)
 Reino Unido /  Itália
1966 • cor • 111 min 
Direção Michelangelo Antonioni
Produção Carlo Ponti
Roteiro Michelangelo Antonioni
Tonino Guerra
Elenco David Hemmings
Vanessa Redgrave
Sarah Miles
Jane Birkin
Género drama / suspense
Idioma inglês
Música Herbie Hancock
Direção de fotografia Carlo Di Palma
Distribuição Metro Goldwin Mayer

Blow-Up (pt: Blow-Up - História de um Fotógrafo / br: Blow-Up - Depois Daquele Beijo) é um filme ítalo-britânico de 1966. Foi o primeiro filme em língua inglesa do cineasta italiano Michelangelo Antonioni e conta a história do envolvimento acidental de um fotógrafo com um crime de morte, baseado num pequeno conto de Julio Cortázar, Las Babas del Diablo, publicado em 1959,1 e na vida do famoso fotógrafo da época da Swinging London, o britânico David Bailey2 .

O filme, que conquistou o Grand Prix do Festival de Cinema de Cannes3 , foi escrito por Antonioni e Tonino Guerra e traz no elenco David Hemmings, Vanessa Redgrave, Sarah Miles, Jane Birkin - nas primeiras cenas de nu frontal em filme britânico dirigido ao grande público4 - e a supermodelo Veruschka, que interpreta a si própria e tem uma cena então considerada como o "mais sexy momento cinematográfico da história", pela revista especializada Premiere.5

O filme foi produzido por Carlo Ponti e em sua trilha sonora traz o jazz de Herbie Hancock e o rock dos Yardbirds.

Sinopse

O filme gira em torno de um fotógrafo de moda londrino chamado Thomas (Hemmings), que numa manhã, após passar a noite fazendo fotografias para um livro de arte numa casa de cômodos, volta para o estúdio atrasado para uma sessão de fotos com a supermodelo Veruschka (em seu próprio papel), passa por um parque da cidade e fotografa um casal. A mulher das fotos, Jane (Redgrave), furiosa de ser fotografada, o segue até seu estúdio e exige os negativos de Thomas, que lhe devolve um filme virgem. Curioso com a atitude, ao fazer seguidas ampliações (blowups) de suas fotos no local, apesar da grande granulação provocada nas imagens em preto e branco, descobre o que acredita ser um corpo e uma mão apontando uma arma entre os arbustos do parque.

Ao cair da noite, ele volta ao parque e descobre um corpo no meio da mata, mas sem a câmara, não pode fotografá-lo e assustado com o barulho de um galho sendo pisado, deixa o local e encontra seu estúdio revirado e suas fotos roubadas, à exceção de uma grande ampliação na câmara de revelação que mostra o corpo tombado nos arbustos. Ao retornar no dia seguinte ao parque, depois de frequentar a noite londrina, ele vê que o corpo desapareceu e acaba por não ter certeza do que realmente viu.

De volta ao estúdio, caminhando pelo parque, assiste numa quadra duas pessoas jogando tênis por mímica, sem bolas nem raquetes. Participando da cena, quando devolve a bola imaginária que lhe é lançada por um dos jogadores, ouve o som da bola tocando o chão.

Elenco principal

Veruschka e Thomas (Hemmings) na cena considerada o "momento cinematográfico mais sexy da história".

Aparições notáveis

Alguns artistas já conhecidos em 1966 aparecem no filme, outros se tornariam celebridades depois dele. The Yardbirds, a primeira banda conhecida de Jimmy Page e Jeff Beck, faz uma apresentação num clube londrino e Antonioni pediu a Beck que refizesse a cena de Pete Townshend, do The Who, destruindo suas guitarras e amplificadores no palco, ato pelo qual o cineasta era fascinado.6 Veruschka, modelo já famosa na Europa, que interpreta a si mesma, depois do filme se tornaria uma celebridade em todo mundo. Michael Palin, comediante britânico que aparece numa das festas, alguns anos depois ficaria internacionalmente famoso como um dos criadores do grupo Monty Phyton.7

Bilheteria e recepção

Blow-Up teve um custo de U$1,8 milhão de dólares e um faturamento mundial de U$20 milhões. Seu sucesso comercial ajudou a libertar Hollywood de sua "lascívia puritana".8

O filme causou muita controvérsia em sua época de lançamento principalmente pelas cenas de nudez e hedonismo. A Metro-Goldwyn-Mayer, distribuidora do filme nos Estados Unidos, não conseguiu a aprovação do filme para exibição no país, de acordo com os novos códigos morais estabelecidos na época pela MPAA (Motion Picture Association of America)9 e o lançou através de uma distribuidora subsidiária, não ligada ao sistema de produção oficial regido pelo novo código.

A crítica, entretanto, não poupou elogios ao filme, chamando-o de tão importante e geminal quanto Cidadão Kane, Roma, Cidade Aberta e Hiroshima, Meu Amor, e talvez mais. A revista TIME chamou-o de "vibrante, tenso e excitante e uma brusca mudança criativa na carreira de Antonioni" prevendo que ele seria "o mais popular de todos os filmes" já feitos pelo cineasta.10 Bosley Crowther, do New York Times , fez uma resenha chamando-o de "fascinante, um filme que tem algo real para dizer sobre a questão de envolvimento pessoal e do compromisso emocional, meio-viciado num mundo tão cheio de estímulos sintéticos que os sentimentos naturais são esmagados".9

Até o grande cineasta sueco Ingmar Bergman, que normalmente não era entusiasta da carreira de Antonioni - por ironia, os dois viriam a morrer exatamente no mesmo dia 8 - reconheceu sua importância: "Ele fez duas obras-primas, o resto não importa: A Noite, principalmente pelo trabalho da jovem Jeanne Moreau e Blow-Up, que vi diversas vezes."11

Influências

O filme Um Tiro na Noite, de Brian De Palma, de 1981, é influenciado pela trama de Blow-Up. No filme entretanto, o recurso usado é o sonoro, quando pistas de um assassinato são dadas por sons num gravador. Francis Ford Coppola, que também usou o recurso do som como suspense em seu A Conversação, de 1974, também admite no DVD de seu filme, que foi inspirado por Blow-Up para escrever a trama do longa-metragem.12 O filme Austin Powers - Um Agente Nada Discreto, de Mike Myers, faz uma paródia-homenagem às cenas da sessão de fotos de Thomas com Veruschka. Vários outros filmes, bem como vídeo-clipes de música, prestam referência a Blow-Up, inclusive alguns brasileiros.

Prêmios e nomeações

Além do Grand Prix em Cannes, o filme foi indicado ao Oscar nas categorias de melhor diretor e melhor roteiro, ao Globo de Ouro como melhor filme estrangeiro e ao BAFTA como melhor filme britânico, melhor direção de arte e melhor fotografia.

Referências

  1. Beltzer, Thomas (2005). La Mano Negra: Julio Cortázar and his Influence on Cinema. Senses of Cinema. Página visitada em 9-6-2009.
  2. Brigitte Tast, Hans-Jürgen Tast: light room - dark room. Antonionis "Blow-Up" und der Traumjob Fotograf, Kulleraugen Vis.Komm. Nr. 44, Schellerten 2014, ISBN 978-3-88842-044-3
  3. Festival de Cannes: Blowup. festival-cannes.com. Página visitada em 2009-03-08.
  4. Was Blow-Up the sexiest film ever? - Daily Mail
  5. 50 sexiest film moments
  6. Platt, Dreja and McCarthy, Yardbirds, Sidgwick and Jackson Ltd., Londres, 1983 - ISBN 0-283-98982-3
  7. Antonioni's Blowup Defines Cool. filminfocus.com (18 de dezembro de 2008). Página visitada em 25-12-2009.
  8. When Antonioni Blew Up the Movies
  9. Crowther, Bosley (19 de dezembro de 1966). Blow-Up. The New York Times. Página visitada em 25-12-2009.
  10. "The Things Which Are Not Seen". Time, acessado em 25-12-2009.
  11. "Bergman on Film Directors". Zakka.dk, acessado em 25-12-2009.
  12. Murch in Ondaatje, 2002, p.152