[Dílson Lages]

Há um quê de humano no olhar dos bichos. Instinto é, mas não só. O olho que me olha olha assim desconfiado, assim assustado e, por instantes, assim valente.
 
O olho que me olha é também olho de afeto. Entre a tela de arame que nos separa e a água suja em que a ave diverte o tempo, a visão mede meus movimentos como quem suplica ou desafia...
 
Olho mais para ela que ela para mim. Olho curioso, olhos de riso; e corre o bicho para se proteger.
 
O olho que me olha não é só instinto. Catarse de intuições e mistérios.