É denominação pela qual o cronista Gabriel Soares de Sousa, em seu Tratado Descritivo do Brasil em 1587, escrito em Madrid, Espanha, designa uma das partes do delta parnaibano. Na verdade, é de responsabilidade desse cronista português estabelecido com engenhos em Pernambuco, a primeira referência ao território que mais tarde iria se constituir no Piauí. São informações de um navegante, razão pela qual se reportam apenas à orla marítima. Informa que a referida baía se encontra na altura de dois graus, a distância no sentido leste-oeste de onze léguas do rio do Meio, possuindo um grande baixo aonde se vem meter o Rio Grande dos Tapuios, hoje Parnaíba. Também, à distância de dez léguas dessa baía fica uma outra chamada baía da Coroa. Já esta última fica a apenas dez léguas do Rio Grande. Um tanto confusa é essa informação de Gabriel Soares de Sousa sobre o delta parnaibano, vez que informa que o rio deságua “no meio e dentro” do “grande baixo” que fica na baía do Ano Bom. Pereira da Costa, afirma que o rio do Meio é o braço do Parnaíba que deságua entre as ilhas dos Poldros e das Canárias, ambas no delta, formando a atual barra do Meio, e que a baía do Ano Bom é a atual de Tutóia. Seria, portanto a baía da Coroa a barra do Igaraçu? Sobre esse fato não temos condições de opinar vez que não somos conhecedor do delta parnaibano. Porém, se sabe que o rio Parnaíba deságua por cinco bocas diferentes, pertencendo três ao Maranhão e duas ao Piauí. Por seu turno, o cronista Gabriel Soares de Sousa informa que o rio do Meio fica a onze léguas da baía do Ano Bom, em cujo baixo deságua o Rio Grande dos Tapuias; desta baía à da Coroa são dez léguas, entretanto, do rio que deságua na mesma baía à da Coroa são apenas três léguas. Essa confusão nos faz pensar em equívoco de anotações do autor ou em erro de editoração, ficando ambas à distância de três léguas. De qualquer forma, todas essas denominações dizem respeito ao delta parnaibano.

E graças a esse cronista ficamos sabendo que desde antes do ano de 1587, o delta parnaibano era habitado por índios Tapuias que desciam em canoas a mariscar. E que àquele tempo europeus navegavam em caravelões “em grande espaço” ou “algumas léguas” pelo rio acima, onde faziam boa colheita. E também sobre as parcas informações da época, de que o rio “vem de muito longe e traz muita água, por se meterem nele muitos rios; e segundo informações do gentio nasce de uma lagoa em que se afirma acharem-se muitas pérolas”.

 (Meio Norte, 31.08.2007).

 

*REGINALDO MIRANDA, autor de diversos livros e artigos, é membro efetivo da Academia Piauiense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico e Piauiense e do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-PI.