O índio imigrante do semáforo

despiu a fome além do eclipse.

 

A mulher da pele torrada

nem viu o escuro do dia...

e o sol já tinha devorado

seus olhos de menina retinta.

 

A moça do farol pede esmola

cheira cola, vende bala,

chupa o chiclete, bebe a sede,

geme como a flor no asfalto...

mas não viu o baile do eclipse.

 

Porém, meus amigos poetas,

eu vi o eclipse escurecendo

na voz perdida da pura menina

que vendeu seu corpo na esquina.

 

Fotografei a nudez do eclipse

e cobri todas as dores alheias

na câmera lenta de meus versos.

 

(Rosidelma Fraga, 21-08-2017)