[Doralice Araújo]

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
à sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!

(...)

O poeta romântico ganhou uma homenagem em rua curitibana, ali no bairro do S. Lourenço- arquivo pessoal 2013


Não sei se o leitor costuma observar com atenção as placas de identificação das ruas. Tenho um carinho especial ao vê-las em homenagem aos poetas e escritores e detesto saber que vereadores oportunistas têm prazer bestial em mudam os nomes já estabelecidos. Aqui entre nós, mantenho um projeto pessoal e quero voltar e circular toda a extensão da rua Casimiro de Abreu para conferir se as espécies mencionadas nos versos do famoso poema Meus Oito Anos lá estão fincadas nos canteiros das calçadas ou nos jardins das casas, ou seja: laranjeiras, pitangueiras e mangueiras.

Naquels tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava as Ave- Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
(...)
Casimiro de Abreu, Meus oito anos, Antologia de poemas para a juventude, p. 70, Ediouro

Se a rua fosse...- Aliás, você sabe descrever em detalhes a rua da sua casa, do local do seu trabalho ou ambiente de estudos? Em postagem futura, que tal trocarmos conversa sobre a indiferença ou participação do morador ou passante com os aspectos que imprimem ordem, bonitezas e marcas peculiares em tais ruas? Penso sempre que se todos os moradores ficassem atentos aos aspectos comuns, a prefeitura local teria melhores condições de atender às demandas necessárias ao bem- estar dos residentes, pois uma rua não é apenas um caminho e uma placa de identificação, mas sim um espaço de convivência coletiva.

O interesse pelos nomes das ruas levou a arquiteta Camila Muzillo a pesquisar a escrever o livro 1001 ruas de Curitiba, uma curiosa reunião de dados disponíveis ao leitor interessado no tema.