ROGEL SAMUEL

Fiquei em Paris morando novamente no Hotel Petit Louvre, para diminuir a solidão, a lembrança, a depressão.

Perto havia loja de comunistas soviéticos, onde comprava vodka e tinha um jovem amigo soviético. Quase ao lado, um restaurante libanês, muito bom; na entrada vinha uma grande salada verde. Ao lado, uma loja de queijos, grande variedade.

 

Aquele Hotel era a minha casa.

Aos domingos, uma feira debaixo do Duplex, onde se comprava de tudo, até discos usados. Eu tinha tudo ali. Poderia ser feliz, sozinho. Eu mesmo lavava minha roupa na automática, enquanto lia um livro, calça jeans, camisetas.

 

Um dia, fui à Catedral de Chartres. Passei o dia lá. O frio intenso, casaco pesado. Houve um desfile, era o “dia do armistício”. Velhos soldados desfilaram em cadeira de rodas, heróis da Segunda Guerra. Visitei os túneis da Catedral. Mistérios. Mortes. Num fundo poço escuro jogavam as pessoas ainda vivas. Senti-me mal.

 

Em Paris, conheci Bahati, jovem negra nigeriana, magra, perfeita, olhos negros, voz cristal. Era um grande mistério, e me atraiu de imediato. Eu nada sabia de sua vida, nem onde morava. Dormíamos juntos e de manhã ela saía e voltava à noite. Disse-me que era modelo. Eu não acreditei. Nossa relação era sexual. Eu lhe dava regularmente dinheiro. Às vezes tomávamos o desejum juntos, outras vezes me deixava na cama, ainda dormindo, e se despedia com um beijo. Um dia Bahati se foi, em viagem, desapareceu por um tempo.

 

Nessa época conheci Nicole, moça do subúrbio de Paris. Tinha um noivo. Ia casar-se.

 

Foi quando apareceu Asami.