Fundada a Academia em 30 de dezembro de 1917, foi eleita por unanimidade a nova Mesa Diretora, tendo por presidente o acadêmico Clodoaldo Severo Conrado de Freitas, de 62 anos de idade. Na primeira sessão magna ou solene que realizou-se em 24 de maio de 1918, ao tomar posse o novo acadêmico Pedro Brito declarou sobre a eleição de Clodoaldo: “A Academia elegeu-o seu presidente: ninguém lhe disputaria a cadeira porque é o mais delicado e perfeito dos nossos escritores” (RevAPL, 1923).

Clodoaldo Freitas conduziria a Casa por pouco tempo, renunciando ao mandato e vindo a falecer em 1924. Foi sucedido por Higino Cícero da Cunha(1919 – 1924), de 61 anos de idade, sendo eles os dois principais esteios da nova agremiação literária, vez que Abdias Neves, outro grande talento, estava ausente no exercício do mandato de senador da República, vindo a falecer em 1928. Concluídos esses sete primeiros anos, assumiu a presidência da Academia o acadêmico e então governador Matias Olímpio de Melo, de 42 anos de idade, que acumulou os dois cargos a partir de 1924, deixando o governo do Piauí em 1928 e a presidência da Academia em 1929.

Esses doze anos iniciais representaram um período de implantação e consolidação da Academia como mola propulsora da cultura piauiense. Foi lançada a primeira edição da Revista em 1919, e que passou a ser reeditada com todo o zelo e competência, sendo a 14.ª edição lançada em 1929. Os Estatutos foram elaborados, aprovados e publicados passando a vigorar desde a sessão inaugural, instituindo a existência de trinta cadeiras, que foram preenchidas nas duas sessões que se seguiram à da posse da Diretoria. Em 4 de julho de 1921, pela Lei Estadual n.º 1002, a Academia Piauiense de Letras, juntamente com o Instituto Histórico e Geográfico Piauiense e uma extinta “Sociedade Auxiliadora da Instrucção”, foram reconhecidos de utilidade pública. Em 1929, traz a revista a informação de que todas as cadeiras existentes continuavam devidamente preenchidas. Inclusive, em 25 de janeiro de 1925, ao tomar posse na Cadeira n.º 1, que foi de Clodoaldo Freitas, o padre Cyrillo Chaves informa que enfrentou acirrada disputa contra outro candidato e que foi esta a primeira vez que houve disputa para preenchimento de uma cadeira da Academia, o que demonstra o prestígio de que gozava o jovem Sodalício e o consequente interesse dos escritores locais em ingressar na nova agremiação literária.

Pode-se dizer, então, que a Academia Piauiense de Letras consolidou-se desde cedo como uma das mais atuantes instituições culturais do País, atuando de forma efetiva no meio cultural, dentro do espírito moderno que orientava a produção literária brasileira. As três primeiras diretorias, pelo período de doze anos, foram presididas por dois sexagenários que representavam a mais consolidada cultura do Estado, atualizados das mais modernas correntes filosóficas e políticas em voga no mundo, cujo pensamento, de ambos, foi plasmado na histórica Escola do Recife; por fim, esse ciclo inicial foi coroado com a presença de um jovem e inteligente governador, também intelectual de largos recursos, o que demonstra o prestígio da Academia desde sua fase inicial. Em 1929, retorna à presidência da Academia o sábio Higino Cunha, em cuja gestão se demoraria por quatorze anos. Mas esse é assunto para outra análise.

 (Notícias Acadêmicas, Fevereiro/2011 e Meio Norte, 8.4.2011)