A Academia Piauiense de Letras foi fundada em 30 de dezembro de 1917, por uma plêiade de intelectuais conscientes de seu papel na sociedade e com o objetivo de cultivar o idioma pátrio e promover o desenvolvimento da literatura piauiense.

Este sodalício, ao longo de sua trajetória, nunca se afastou do ideal dos fundadores, atuando como protagonista da história cultural do Estado. As melhores iniciativas culturais que aqui se desenvolveram, contaram sempre com a participação efetiva da assim cognominada “Casa de Lucídio Freitas”.

A Revista, que começou a circular em junho de 1918, constitui-se hoje na mais antiga publicação cultural do Estado, primando sempre pela divulgação de matérias de cunho histórico e literário.

Porém, a Academia não se fugiu a outras iniciativas de monta. A fundação da antiga Faculdade de Direito(1931) ou da Faculdade de Filosofia(1957), que serviram de base para a criação da Universidade Federal do Piauí em 1971, foram iniciativas protagonizadas por ilustres membros da Academia, bastando citar os nomes de Higino Cunha, Crommwel Barbosa de Carvalho, Avelar Brandão Vilela, Raimundo José Airemoraes Soares, M. Paulo Nunes e José Camilo da Silveira Filho, entre outros.

A edição de livros tem sido uma preocupação constante da “Casa de Lucídio Freitas”. Nos dias de ontem foram publicadas obras avulsas, sem falar na participação decisiva, em conjunto com o Estado, em dois momentos culturais de alta relevância, a criação e execução do Plano Editorial do Estado, na primeira metade da década de setenta, e do Projeto Petrônio Portella, no início dos anos oitenta.

Hoje, ao aproximar-se do primeiro século de fundação, a Academia implementa um ousado plano editorial, contando com a participação de importantes parceiros: Senado Federal, Governo do Estado, Prefeitura de Teresina e Universidade Federal do Piauí. Obras relevantes, sob o selo da Coleção Centenário, têm sido (re)editadas, outras estão em fase de gestação. O público brasileiro, e especialmente do Piauí, está tendo acesso a obras como: Memórias: traços autobiográficos, de Higino Cunha; Em roda dos fatos e Vultos piauienses: apontamentos biográficos, de Clodoaldo Freitas; Apontamentos biográficos de alguns piauienses ilustres e de outras pessoas notáveis que ocuparam cargos importantes na província do Piauí, de Miguel de Sousa Borges Leal Castelo Branco; Conversas com M. Paulo Nunes, organizado pela acadêmica Teresinha Queiroz; São Gonçalo da Regeneração – marchas e contramarchas de uma comunidade sertaneja: da aldeia indígena aos tempos atuais, Aldeamento dos Acoroás e Piauí em foco, de Reginaldo Miranda; Estudos de História do Piauí, O Piauí na história e Depoimentos históricos, de Odilon Nunes; Nebulosas, de Antonio Chaves; Poesias, de Celso Pinheiro; Poesia e prosa, de Jônathas Batista; O santíssimo milagre, de Leonardo das Dores Castelo Branco; Literatura piauiense – escorço histórico, de João Pinheiro; Caatingas e chapadões, de Francisco de Assis Iglésias; Diálogo e circunstância, de Celso Barros Coelho; Vozes imortais, de Édson Cunha, etc.

É, pois, um ousado plano editorial, o maior de que se tem notícia entre nós, visando comemorar o centenário de nossa instituição cultural. E quem ganha é o público leitor, com acesso a uma coleção literária que marcará época. Que Deus nos abençoe, e que essa iniciativa possa perdurar. Boa leitura.