Zemaria Pinto

 
Me desculpem a sinceridade e a intimidade com a gramática, mas, de saco cheio de tanto ler bobagem acerca do Flifloresta Maués, recém realizado, resolvi dar minha versão, ou, vá lá, meu testemunho.
 

 
A imprensa baré e alguns blogs preguiçosos, que se limitam a ecoar releases escritos com semanas de antecedência, comeram poeira. Vamos aos fatos.

 
O Flifloresta Maués aconteceu dias 22, 23 e 24 de junho, numa promoção da prefeitura daquele município e do Instituto Nacional Valer de Cultura. Da noite de abertura, 22/06, pouco tenho a dizer – porque lá não estava –, a não ser o que ouvi do próprio palestrante e de algumas outras testemunhas. Após os discursos de praxe, o escritor Márcio Souza falou sobre “A educação escolar na Amazônia e a formação de leitores”. Encontrei com o Márcio no aeroporto da cidade (ele partindo, eu chegando); com sua ironia peculiar, Márcio me falou que “aquilo não foi uma palestra, foi um comício”. Ele se referia, claro, ao formato: o escritor, no centro de um palco que serviria às indefectíveis atrações musicais, falando para centenas de pessoas. Uma síntese do que disseram os outros: o povo ouviu o romancista em respeitoso e atento silêncio. Terminada a palestra, as atrações musicais não tiveram a mesma atenção popular que o autor de Galvez, o imperador do Acre.

 
A primeira palestra do dia 23/06 também não contou com minha desimportante presença, pois nosso pequeno monomotor (sei do pleonasmo) tocou o solo maué somente a poucos minutos das 10 da manhã. Mas me disseram que o palestrante, antropólogo Ademir Ramos, deu um show sobre o tema “Os índios na Amazônia – dominação e reconhecimento”, não fosse ele uma das maiores autoridades brasileiras no assunto. O historiador e apresentador dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, Abrahim Baze, também participou da mesa. Aliás, o Baze e o Ruy, seu inseparável camera man e diretor, devem ter produzido uns oito programas, com o material colhido na cidade.

 
Na sequência, eu, acima assinado, palestrei sobre “A Internet e a leitura: conexão e virtualidade”, com a participação brilhante do escritor Carlos Lodi, um dos coordenadores do evento. O pequeno auditório do Museu do Homem de Maués divertiu-se muito (a modéstia me impede de usar palavras mais expressivas) com a leitura do meu poema “O corpo do meu amor”, postado no blog Poesia na Alcova.

 
Zemaria Pinto, professor Maciel (mediador) e Carlos Lodi.

 
À tarde, tivemos a palestra do poeta Thiago de Mello, com o auxílio luxuoso do professor Ademir Ramos, sobre “A experiência da leitura na construção do ser humano”. Quem conhece os dois deve imaginar a alegria da garotada que lotava o auditório.

 
Thiago de Mello e Ademir Ramos.

 
Em seguida, eu voltei, desta vez com a querida Ana Peixoto, para falar sobre “A leitura na sala de aula – o livro e o prazer de aprender”. Mais festa.

 
Zemaria Pinto, professor Elias (mediador) e Ana Peixoto.

 
À noite, aconteceu o recital de Celdo Braga, o lançamento do livro “Arquitetura do Poder”, da professora Iraildes Caldas Torres, natural da terra, e uma concorridíssima sessão de autógrafos com os presentes: A própria Iraildes, Thiago de Mello, Ana Peixoto, Carlos Lodi, Xico Gruber (também da terra), Celdo Braga e o locutor que vos fala. 

 
Iraildes Caldas Torres, Thiago de Mello e Ana Peixoto.

 
No dia seguinte, pela manhã, os escritores, juntamente com o prefeito Miguel Paiva e o secretário de Cultura, Xico Gruber, saíram pela periferia da cidade distribuindo livros, de porta em porta. A participação dos citados foi simbólica, mas a rapaziada do IFAM, voluntariamente, se encarregou de cobrir todas as casas de vários bairros.

À tarde, houve um encontro sem pauta, entre os escritores Thiago de Mello, Ademir Ramos e Zemaria Pinto com os professores da rede pública. Devo dizer que foi catártico, para ambos os lados.

 Thiago de Mello, Ademir Ramos e Zemaria Pinto.

 
À noite, o grupo Imbaúba e o poeta Thiago de Mello encerraram o evento com um emocionante espetáculo, pleno de poesia.
  
Grupo Imbaúba e Thiago de Mello.

 
PS1: os caros Wilson Nogueira e Dori Carvalho – citados por cem por cento dos mal informados como presentes no evento –, por razões diversas, nem molharam os pés no Maués Açu.

PS2: aos caros Xico Gruber, secretário de Cultura, e Carlos Lodi, coordenador executivo do Flifloresta, quero parabenizar de público pelo sucesso do evento. Os dois, pessoalmente, comandaram todas as ações.

PS3: destaco também a equipe de apoio, formada por Nelson Castro, o mestre-de-cerimônias José Farias, Magda e Franciná – além do pessoal da terra, liderado pela D. Osvaldina.

 
Thiago de Mello e Zemaria Pinto, segurando a lembrança do festival, um belo trabalho de marchetaria, feito por artesãos da cidade.

 
 O indescritível pôr do sol de Maués, em plena cheia, visto da área de lazer do Hotel Marupiara, onde eu e o Ademir Ramos fomos recebidos com morubixabas.