Com formação em Letras, professora durante vários anos em Teresina, a escritora Joana Prado vai lançar na Bienal do Livro de São Paulo Vivencias e Devaneios - Poemas em Des-concerto, seu primeiro livro de poemas. Joana Conversou com Gabriela Bittencourt. em entrevista que o leitor de Entretextos lê agora.

 
Gabriela Bittencourt
gabriela@palavrachave.net
 
Qual o nome do seu livro e sobre o que ele trata?
O título do livro é Vivencias e Devaneios - Poemas em Des-concerto. Trata-se de um livro de poemas em páginas e em postais destacáveis, ilustrados pelo artista plástico Miguel Bahiense e pelo editor Celso Brasil (montagens com fotografias) - presidente da Abrali Editora.
 
 O que te motivou a escrever esse livro?
Escrevo desde os 12 anos, tenho um volume muito grande de poemas engavetados, e a razão de existir do texto é o leitor, não  é? Resolvi dar sentido à existência de tantos textos, depois de me manter ocupada com tantas atividades na área das letras.
 
Essa é a sua primeira publicação?
 Impressa sim, virtual já faz quase 8 anos que mantenho publicações virtuais em sites de  poesias, de Literatura e blogs pessoais. 
 
 Sempre teve interesse pela literatura?
 Ganhei meu primeiro livro aos 7 anos, numa competição para crianças na Igreja Batista. Era um livro em inglês e eu não pude trocá-lo por um em português porque não havia mais exemplares. Então o Pastor se comprometeu a trazer a versão traduzida quando fosse à  São Luis, capital do Maranhão. Eu não lembro se isso foi feito, mas lembro bem que eu passava horas olhando aquelas imagens e criando enredo para elas. Creio que esse foi o marco que desencadeou o meu prazer pela leitura e meu desejo de escrever. 
       
 Depois de ver o seu livro pronto, qual foi a sua reação? Teve a sensação de um sonho realizado?
 Primeiro não acreditei. Um livro meu no prelo! Depois senti o frio no estômago ao tomar consciencia de que dali em diante meus poemas não seriam mais meus, seriam do leitor, do crítico, do professor, de todas as pessoas que se identifiquem com eles. Acho uma enorme responsabilidade. A sensação de sonho realizado está vindo aos poucos. Talvez a tenha de vez na noite de autógrafos, 
 
A propósito, você tem formação em Letras, não? Por que optou por fazer essa graduação?
Pura paixão tanto por Literatura como por Educação.
 
 Como faz para conciliar a sua atividade como bancária com a sua inclinação para a literatura?
Agora puxando a brasa para nossa sardinha, a Caixa é uma empresa que oferece espaço para que a gente viva a vida fora dela e realize sonhos pessoais. Tenho uma jornada de 06 horas, quando retorno para casa, ainda cedo, dedico-me aos meus textos e um projeto de brinquedos construídos a partir de  material reciclável que desenvolvo faz uns dois anos e que pretendo transformar em um livro infantil em breve.
 
Como acha que será essa oportunidade de lançar seu livro durante a Bienal de SP?
Não consigo imaginar, mas pretendo manter meus pés no chão, pois não posso esquecer que vivemos em um país de poucos leitores. Em face disso, não espero que seja uma explosão, mas sentirei que estará alí, para qualquer número de pessoas que gostem de poesias ou visitem o Stand da Scortecci (editora que fará o lançamento na Bienal) o resultado de vivencias e experiências que me proponho a partilhar com meus futuros leitores. Mas será sem dúvida um momento marcante, importante para todos que se aventuram no mundo da escrita e da leitura e que pretendo repetir sempre que possível.
 
Por qual editora lançará o livro?
O livro está sendo editado pela Abrali Editora, de Curitiba,  mas será lançado no Stand da Scortecci, editora responsável pela  Antologia Delicatta V, da qual também participo com alguns poemas e cujo lançamento se dará também na 21 Bienal Internacional do Livro de São Paulo.
 
Sobre o que tratam as poesias de “Vivências e Devaneios - Poemas em Des-concerto”? De onde partiu a inspiração para escrevê-los?
Eu costumo afirmar que os poemas têm vida própria e alguns já nascem prontos, outros são disparados a partir de experiências do cotidiano social e familiar do poeta e ainda da sua história de vida. Comigo é assim. Alguns poemas são resultado de vivencias, outros se formaram sem que eu me desse conta e alguns vivem comigo e eu tenho tentando escrevê-los como devem ser, nunca consigo, mas nunca desisto.
 
Por que pensou em um livro que contivesse poemas em postais destacáveis? Qual era a sua proposta?
Tenho muita dificuldade de aprender poemas, letras de músicas, enfim, meio contraditório, mas é assim. E muitas vezes li poemas que adorei, queria mostrar a outras pessoas, dizê-los, mas sempre me frustrava. Daí me veio a idéia de que seria bacana se a gente pudesse ao mesmo tempo que lesse o poema, envia-lo, a quem a gente quisesse, mas sem danificar o livro. Estamos aí com a idéia em prática, não sei se será novidade, mas espero ter atingido meu objetivo: o de encantar mais de uma pessoa ao mesmo tempo com poemas.
 
Comentou que se manteve “ocupada com tantas atividades na área das letras”. Quais foram essas atividades?
Desenvolvi dois projetos específicos que pretendo por em prática em breve: O POEMA VIVO - monólogo para adolescentes esse trabalho pretendo desenvolver em escolas de Ensino Fundamental e Médio da rede pública de ensino, com o intuito de desenvolver o gosto pela escrita e pela leitura, bem como descobrir talentos nos campos da literatura e da arte. dramática. O outro é Brinquedos e Brincadeiras - (Este iniciado em 2008, na rede SESI/SP, onde eu ministrava aulas de Língua Portuguesa). É um trabalho voltado para a formação/aprimoramento da consciência ecológica/ambiental em crianças de faixa etária entre 8 e 14 anos. Esse projeto tem um caráter mais didático, pois a partir dele, abordarei a funcionalidade do texto no cotidiano das crianças fora da sala de aula, na construção de brinquedos e a partir de materiais reaproveitáveis. Essa experiência será relatada em textos e publicada em livro paradidático.
   
 
- Aproveitando pode contar em quais sites de poesias e literatura colabora e citar quais são os seus blogs pessoais para colocarmos os links na matéria? Assim os colegas da CAIXA podem acessá-los para conhecer seu trabalho.
Alguns dos sites são www.gargantadaserpente.com, www.justinnemorena.com.br, www.abrali.com.br e musicaepoesiaaoanoitecer.ning.com entre outros. Nestes sites, publico uma poesia mais introspectiva, numa outra linha de   tema e expressão do fazer poético. Lá postamos poemas declamados, uma vertente que acho que satisfaz ao caráter de alguns poemas meus.
 
 O que despertou seu interesse pela literatura? Já que era muito nova quando começou a se interessar, gostaria de saber se foi por influência da família, da escola ou de algum familiar/conhecido escritor, por exemplo?
Meu pai lia muito, minha avó também. Minha mãe alfabetizava adultos e crianças da nossa cidade como professora leiga. Depois formou-se normalista e continuou sua carreira. Mas minha avó foi a maior responsável por tudo isso, tinha como missão pessoal a leitura anual da Bíblia que começava dia 1º de janeiro e encerrava dia 25 de dezembro. Era normal vê-la concentrada lendo horas a fio. Foi um modelo. Em Teresina, onde morei por 20 anos, tenho amigos escritores e durante certo tempo da minha adolescência convivi com boas referencias poéticas piauienses.
 
 
Há quanto tempo tem de CAIXA? Onde trabalha atualmente?
Sou meio vaidosa e uma das coisas que me deixa feliz quando falo que sou economiária, é que posso dizer que sou NOVA de Caixa. É isso mesmo, somente há dois anos uso os pontos Par para comprar presentes para a familia inteira no Natal (risos). Ingressei em agosto de 2008. Sou lotada na SR Jundiaí, Ag Cajamar.
 
Qual a sua cidade natal e onde vive, caso não seja a mesma?
Vivo em Cajamar, mas sou de D. Pedro-Ma.